{"id":54801,"date":"2014-01-15T21:37:16","date_gmt":"2014-01-16T00:37:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=54801"},"modified":"2014-01-15T21:37:16","modified_gmt":"2014-01-16T00:37:16","slug":"documentos-apontam-condicao-insalubre-e-contaminacao-de-beagles-do-royal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2014\/01\/15\/documentos-apontam-condicao-insalubre-e-contaminacao-de-beagles-do-royal\/","title":{"rendered":"Documentos apontam condi\u00e7\u00e3o insalubre e contamina\u00e7\u00e3o de beagles do Royal"},"content":{"rendered":"<p>Quase tr\u00eas meses depois da\u00a0<a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/brasil\/sp\/2013-10-18\/invasao-do-royal-e-momento-historico-para-protecao-animal-diz-luisa-mell.html\" target=\"_self\">invas\u00e3o do Instituto Royal<\/a>, quando ativistas retiraram 178 beagles do laborat\u00f3rio em S\u00e3o Roque, interior de S\u00e3o Paulo, o Minist\u00e9rio P\u00fablico se aproxima de ter uma conclus\u00e3o sobre as den\u00fancias de maus-tratos contra os animais. O\u00a0<strong>iG<\/strong>\u00a0teve acesso na \u00edntegra a c\u00f3pias dos relat\u00f3rios da veterin\u00e1ria e do bi\u00f3logo que foram convidados pelo \u00f3rg\u00e3o para fazer uma vistoria no local em 2012 e 2013, al\u00e9m de c\u00f3pias de pap\u00e9is \u2013 a que ativistas tiveram acesso em outubro \u2013 que mostram a contamina\u00e7\u00e3o dos cachorros por doen\u00e7as por causa das \u201ccondi\u00e7\u00f5es insalubres\u201d em um dos canis.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/3n\/yl\/ah\/3nylahd6ktx6sopgn4wx4cwsw.jpg\" \/><figcaption><cite>Reprodu\u00e7\u00e3o<\/cite><\/p>\n<div>Foto que consta no relat\u00f3rio de S\u00e9rgio Greif mostra beagles sobre as pr\u00f3prias fezes<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>De acordo com os documentos que constam no inqu\u00e9rito civil, que segue em segredo de Justi\u00e7a sob supervis\u00e3o do promotor Wilson Velasco J\u00fanior, \u201co canil estoque\u201d era o setor problem\u00e1tico dentro do Instituto Royal. O local abrigava os beagles que j\u00e1 tinham sido desmamados, mas ainda seriam usados em experimentos. Assinado em 18 de mar\u00e7o de 2013 pelo bi\u00f3logo S\u00e9rgio Greif, ativista dos direitos dos animais, o texto diz que o ambiente tinha condi\u00e7\u00e3o \u201cestressante e insalubre\u201d.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Relembre o caso:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/brasil\/sp\/2013-10-18\/ativistas-libertam-animais-usados-como-cobaias-em-laboratorio-de-sao-roque.html\">Ativistas libertam c\u00e3es usados em pesquisa<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/brasil\/sp\/2013-11-06\/menos-de-um-mes-apos-invasao-instituto-royal-encerra-atividades-em-sao-paulo.html\">Instituto Royal encerra atividades em S\u00e3o Paulo<\/a><\/p>\n<p>Nesse ambiente, os beagles permaneciam em gaiolas dispostas lado a lado em salas fechadas, onde o odor de fezes e urina era forte. No relato, o profissional diz que era poss\u00edvel sentir o cheiro j\u00e1 no &#8220;meio externo&#8221;, no p\u00e1tio da recep\u00e7\u00e3o do Instituto. &#8220;O\u00a0latido de um indiv\u00edduo incita todos os demais a latir, criando uma condi\u00e7\u00e3o estressante e insalubre\u201d, explica o profissional no documento.<\/p>\n<p>\u201cAs gaiolas s\u00e3o colocadas a uma dist\u00e2ncia do ch\u00e3o, de modo a facilitar a limpeza, no entanto, por ocasi\u00e3o da inspe\u00e7\u00e3o, verificou-se que na sala onde estavam abrigados os machos o piso das gaiolas j\u00e1 se encontrava sujo de fezes e pisoteado pelos animais, e seria naquele local que os c\u00e3es passariam a noite, ou seja, os c\u00e3es necessariamente teriam de dormir sobre as pr\u00f3prias fezes\u201d, afirma o parecer. Tamb\u00e9m segundo Greif, durante o dia os animais do \u201ccanil estoque\u201d s\u00f3 tinham acesso a uma \u00e1rea de recrea\u00e7\u00e3o coberta e, portanto, tinham contato com luz natural por meio de janelas em vez de \u201cbanho de sol\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/brasil\/sp\/2013-10-22\/seria-a-maior-piada-do-pais-diz-luisa-mell-sobre-ser-presa-por-furto-de-beagles.html\">Seria a maior piada do Pa\u00eds, diz Luisa Mell sobre ser presa por furto<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/brasil\/sp\/2013-11-13\/luisa-mell-nega-participacao-em-nova-invasao-do-royal-a-culpa-e-do-governo.html\">Luisa Mell nega participa\u00e7\u00e3o em nova invas\u00e3o do Royal: \u201ca culpa \u00e9 do governo&#8221;<\/a><\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/bd\/m1\/xi\/bdm1xiavs03nd5bve6mg9yopw.jpg\" \/><figcaption><cite>Reprodu\u00e7\u00e3o<\/cite><\/p>\n<div>Relat\u00f3rio de S\u00e9rgio Greif inclui fotos das \u00e1reas de recrea\u00e7\u00e3o dos beagles no Royal<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>As conclus\u00f5es de Greif confirmam uma situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 tinha sido constatada em 2012, quando o Minist\u00e9rio P\u00fablico solicitou a ajuda da veterin\u00e1ria Ros\u00e2ngela Ribeiro, gerente de programas veterin\u00e1rios da WSPA (Sociedade Mundial de Prote\u00e7\u00e3o Animal). No parecer de 14 de agosto de 2012, ao qual o\u00a0<strong>iG<\/strong>\u00a0teve acesso, Ros\u00e2ngela tamb\u00e9m critica o &#8220;canil estoque&#8221;. \u201c(Os cachorros) come\u00e7avam a latir muito, demostrando um grande estresse f\u00edsico e psicol\u00f3gico. Um dos funcion\u00e1rios me ofereceu um protetor auricular, demostrando que aquele local tinha problemas constantes com o barulho causado pelo latido e vocaliza\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica dos c\u00e3es ali albergados. Sendo esse um forte ind\u00edcio de estresse f\u00edsico e psicol\u00f3gico e sofrimento\u201d, explica no texto ao Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n<p>Coincidentemente, os documentos acessados pelos ativistas em 18 de outubro mostram que, em janeiro de 2013, v\u00e1rios beagles estavam contaminados com gi\u00e1rdia, um protozo\u00e1rio que ataca o intestino e se espalha para outros animais, principalmente pelo contato com as fezes. O protozo\u00e1rio tamb\u00e9m pode infectar humanos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/brasil\/sp\/2013-10-25\/ativistas-e-que-maltrataram-animais-diz-biologa-do-instituto-royal.html\">Ativistas \u00e9 que maltrataram animais, diz bi\u00f3loga do Instituto Royal<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/brasil\/sp\/2013-10-11\/superpopulacao-de-caes-abandonados-ameaca-menor-aldeia-do-brasil.html\">Superpopula\u00e7\u00e3o de c\u00e3es abandonados amea\u00e7a menor aldeia do Brasil<\/a><\/p>\n<p>Em julho de 2013, ap\u00f3s os relat\u00f3rios de Rosangela e Greif, o Minist\u00e9rio prop\u00f4s que o Instituto Royal assinasse um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para, entre outros pontos, ser suspenso o uso de gaiolas no setor estoque. Em setembro, os advogados do Royal aceitaram firmar o termo e se comprometeram a reformar o local, substituindo as gaiolas por baias, como acontecia no setor maternidade e experimental.<\/p>\n<p><strong>Doa\u00e7\u00f5es, vendas e eutan\u00e1sia<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da pol\u00eamica na \u00e9poca da invas\u00e3o, o Instituto Royal nunca divulgou quais eram os procedimentos feitos no beagles sob alega\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o poderia quebrar &#8220;cl\u00e1usula contratual&#8221; com os clientes. Os documentos acessados pelos ativistas n\u00e3o deixam isso claro ainda, mas alguns pap\u00e9is citam que parte dos animais havia passado por estudo de \u201clodenafila\u201d, subst\u00e2ncia usada, principalmente, para tratamento de disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til. Al\u00e9m disso, os mesmos documentos mostram que a Royal vendia legalmente alguns beagles para professores e pesquisadores externos.<\/p>\n<p>A reportagem teve acesso a contratos de venda que mostram que, entre agosto de 2010 a maio de 2013, 69 cachorros foram comercializados com acad\u00eamicos ligados a universidades particulares e p\u00fablicas, como a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista. Desse total, 51 foram comprados por pesquisadores da \u00e1rea de odontologia, 15 por professores ou doutorandos da \u00e1rea de veterin\u00e1ria e tr\u00eas por um m\u00e9dico que tem como tema de estudo a disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til.<\/p>\n<p>Em agosto de 2010, por exemplo, uma professora da Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia da USP adquiriu 15 beagles por aproximadamente R$ 29 mil. Os animais foram entregues ao Departamento de Patologia Veterin\u00e1ria, o que significa que eles podem ter passado por experimentos sobre doen\u00e7as aos quais os pr\u00f3prios animais est\u00e3o sujeitos, ou seja, para o bem da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Mas os beagles n\u00e3o sa\u00edam apenas para experimentos. Como foi divulgado pelo instituto na \u00e9poca da pol\u00eamica, alguns dos c\u00e3es tamb\u00e9m era doados para pessoas que quisessem cuidar deles. Com indica\u00e7\u00e3o de conhecidos, o Royal entregava os cachorros que tinham sido usados em experimentos, mas cujo protocolo n\u00e3o obrigava sacrif\u00edcio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 registros de doa\u00e7\u00e3o de c\u00e3es que tinham tido a fun\u00e7\u00e3o de \u201cmatrizes\u201d &#8211; ou seja, gerar ninhadas -, de cachorros que estavam \u201cirremediavelmente debilitados\u201d e, ainda, de animais que j\u00e1 n\u00e3o tinham mais idade para venda. Em um dos documentos do inqu\u00e9rito, o Instituto Royal afirma que, em m\u00e9dia, 17 cachorros eram doados por ano. Por outro lado, no per\u00edodo de 2011 e 2012, pelo menos 40 c\u00e3es, 12 coelhos, 150 camundongos e 500 ratos foram submetidos \u00e0 eutan\u00e1sia dentro do Royal.<\/p>\n<p><strong>Outro lado<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>iG<\/strong>\u00a0procurou o Instituto Royal, mas, depois que o laborat\u00f3rio fechou, ningu\u00e9m quis responder as informa\u00e7\u00f5es obtidas pela reportagem. J\u00e1 Marcelo Marcos Morales, coordenador do Conselho Nacional de Controle de Experimenta\u00e7\u00e3o Animal (Concea) na \u00e9poca da invas\u00e3o do Royal, criticou o bi\u00f3logo e a veterin\u00e1ria convocados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico para fazer o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tinha ind\u00edcio de maus-tratos. O que aconteceu? Fizeram uma den\u00fancia e o promotor de S\u00e3o Roque colocou uma pessoa l\u00e1. Uma que se diz cientista, n\u00e3o \u00e9 cientista, \u00e9 bi\u00f3loga. Tinha uma coisa muito tendenciosa nesse inqu\u00e9rito. N\u00e3o havia nenhuma irregularidade. S\u00e3o coisas que s\u00e3o da cabe\u00e7a deles (veterin\u00e1ria e bi\u00f3logo)\u201d, explica.<\/p>\n<p>Morales admitiu, no entanto, que o Concea n\u00e3o verifica se os laborat\u00f3rios que pedem credenciamento para fazer experimentos com animais cumprem o que diz a Lei Arouca, como \u00e9 chamada a legisla\u00e7\u00e3o, de 2008, sobre o uso de animais no ensino e na pesquisa. \u201cPartimos do princ\u00edpio de que os laborat\u00f3rios est\u00e3o de acordo com os documentos entregues ao Concea. Se h\u00e1 alguma den\u00fancia, e isso \u00e9 comprovado, ent\u00e3o o laborat\u00f3rio fica em maus len\u00e7\u00f3is\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase tr\u00eas meses depois da\u00a0invas\u00e3o do Instituto Royal, quando ativistas retiraram 178 beagles do laborat\u00f3rio em S\u00e3o Roque, interior de S\u00e3o Paulo, o Minist\u00e9rio P\u00fablico se aproxima de ter uma conclus\u00e3o sobre as den\u00fancias de maus-tratos contra os animais. O\u00a0iG\u00a0teve acesso na \u00edntegra a c\u00f3pias dos relat\u00f3rios da veterin\u00e1ria e do bi\u00f3logo que foram convidados pelo \u00f3rg\u00e3o para fazer uma vistoria no local em 2012 e 2013, al\u00e9m de c\u00f3pias de pap\u00e9is \u2013 a que ativistas tiveram acesso em outubro \u2013 que mostram a contamina\u00e7\u00e3o dos cachorros por doen\u00e7as por causa das \u201ccondi\u00e7\u00f5es insalubres\u201d em um dos canis. 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