{"id":53410,"date":"2013-12-10T22:05:47","date_gmt":"2013-12-11T01:05:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=53410"},"modified":"2013-12-10T22:05:47","modified_gmt":"2013-12-11T01:05:47","slug":"obras-da-copa-produzem-sem-teto-diz-relatora-da-onu-em-visita-a-pe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2013\/12\/10\/obras-da-copa-produzem-sem-teto-diz-relatora-da-onu-em-visita-a-pe\/","title":{"rendered":"Obras da Copa &#8216;produzem sem-teto&#8217;, diz relatora da ONU em visita a PE"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Moradores que adoeceram seriamente ap\u00f3s serem obrigados a deixar suas casas, fam\u00edlias desesperadas diante de um iminente despejo, indeniza\u00e7\u00f5es com valor baixo e pagamentos pendentes. Esses s\u00e3o alguns dos problemas enfrentados por quem foi afetado pelas obras para a Copa do Mundo 2014 na Grande\u00a0<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/pe\/pernambuco\/cidade\/recife.html\">Recife<\/a>, segundo entidades que acompanham os processos de desapropria\u00e7\u00f5es ouvidas pelo\u00a0<strong>G1<\/strong>.<\/p>\n<div>A relatora especial das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Direito \u00e0 Moradia, Raquel Rolnik, visitou \u00e1reas de desapropria\u00e7\u00e3o e afirma que o Estado est\u00e1 &#8220;produzindo sem-tetos&#8221;. A visita, ocorrida no dia 29 de novembro, fez parte da programa\u00e7\u00e3o do semin\u00e1rio &#8220;Legados e Relegados da Copa do Mundo&#8221;.<\/div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Raquel Rolnik - ONU (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o \/ Na\u00e7\u00f5es Unidas)\" alt=\"Raquel Rolnik - ONU (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o \/ Na\u00e7\u00f5es Unidas)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/tucrZ9kBG_-2S5TBkv6kK5iBoRQ=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2013\/12\/05\/raquelrolnik3-onu.jpg\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/div>\n<div>Raquel Rolnik diz que direito \u00e0 moradia adequada\u00a0n\u00e3o est\u00e1 sendo respeitado com desapropria\u00e7\u00f5es\u00a0da Copa em PE (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Na\u00e7\u00f5es Unidas)<\/div>\n<div>\n<div>O que est\u00e1 acontecendo aqui \u00e9 que est\u00e3o produzindo mais fam\u00edlias sem-teto&#8221;\u00a0Raquel Rolnik, relatora especial das\u00a0Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Direito \u00e0 Moradia<\/div>\n<\/div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Casa desapropriada em Camaragibe. (Foto: Luna Markman\/ G1)\" alt=\"Casa desapropriada em Camaragibe. (Foto: Luna Markman\/ G1)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/dqhAUSlUweWwAa7N23LwhvKZiH8=\/300x225\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2013\/11\/29\/casa.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/div>\n<div>Al\u00e9m de casas, pontos comerciais e igrejas foram\u00a0desapropriados em PE (Foto: Luna Markman\/ G1)<\/div>\n<div>\n<div><\/div>\n<div>Eu tive at\u00e9 um AVC quando recebi a not\u00edcia. N\u00e3o aceitamos o valor de R$ 289 mil e entramos na Justi\u00e7a. N\u00e3o quero atrapalhar a obra, mas est\u00e3o expulsando a gente com quase nada no bolso&#8221;\u00a0Nelson Greg\u00f3rio, mec\u00e2nico desempregado<\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;Parece-me que o marco internacional que define como se d\u00e3o as remo\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, respeitando o direito \u00e0 moradia adequada, n\u00e3o est\u00e1 sendo observado em v\u00e1rias dimens\u00f5es, como a falta de projetos alternativos para minimizar remo\u00e7\u00f5es&#8221;, diz a relatora.<\/p>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m existe uma regra de ouro que diz que, quando acontece uma remo\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o da moradia da pessoa que vivia ali nunca pode piorar. Uma op\u00e7\u00e3o \u00e9 o reassentamento ou a indeniza\u00e7\u00e3o que permita que ela compre um lugar no m\u00ednimo igual ao que tinha, e o que est\u00e1 acontecendo aqui \u00e9 que est\u00e3o produzindo mais fam\u00edlias sem-teto&#8221;, diz Rolnik.<!--more--><\/p>\n<p>Os moradores cujas casas s\u00e3o alvo de desapropria\u00e7\u00e3o \u2013 perda da posse em troca de uma indeniza\u00e7\u00e3o \u2013 para dar lugar a grandes obras de mobilidade para a Copa reclamam ainda que, quase um ano ap\u00f3s assinarem os acordos, ainda n\u00e3o receberam o dinheiro. Eles j\u00e1 deixaram as casas onde moravam e agora pagam aluguel. Parte das fam\u00edlias recorreu \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>No bairro do Coque, Centro do Recife, fam\u00edlias est\u00e3o sendo removidas para a pavimenta\u00e7\u00e3o do Canal Ibipor\u00e3, que dar\u00e1 novo acesso ao terminal de \u00f4nibus e esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 Joana Bezerra. A obra n\u00e3o est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 Copa, mas as indeniza\u00e7\u00f5es de at\u00e9 R$ 4 mil chocaram a relatora da ONU. Alguns moradores est\u00e3o pagando R$ 200 de aluguel para morar em palafitas ao longo do Rio Capibaribe.<\/p>\n<p>No Loteamento S\u00e3o Francisco, no bairro do Timbi, em\u00a0<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/pe\/pernambuco\/cidade\/camaragibe.html\">Camaragibe<\/a>, Regi\u00e3o Metropolitana do Recife, fam\u00edlias est\u00e3o sendo desapropriadas para obras do Corredor Leste-Oeste, Ramal da Copa, TI Camaragibe e Avenida Belmino Correia.<\/p>\n<p>O mec\u00e2nico desempregado Nelson Greg\u00f3rio mora com os tr\u00eas filhos em um terreno de 300 metros quadrados. &#8220;Eu tive at\u00e9 um AVC [acidente vascular cerebral] quando recebi a not\u00edcia. N\u00e3o aceitamos o valor de R$ 289 mil e entramos na Justi\u00e7a. N\u00e3o quero atrapalhar a obra, mas est\u00e3o expulsando a gente com quase nada no bolso&#8221;, reclama.<\/p>\n<p>A relatora tamb\u00e9m se encontrou com representantes do governo estadual e da Prefeitura do Recife. A visita n\u00e3o foi oficial, mas a relatora garante que vai produzir uma carta-alega\u00e7\u00e3o para chamar a aten\u00e7\u00e3o do governo federal sobre o problema.<\/p>\n<p><strong>Im\u00f3veis grandes, indeniza\u00e7\u00f5es pequenas<\/strong><br \/>\nEm outra \u00e1rea entre Camaragibe e Recife, im\u00f3veis e terrenos de at\u00e9 800 metros quadrados foram desapropriados para a constru\u00e7\u00e3o do Ramal da Copa e do Terminal Cosme e Dami\u00e3o. Os primeiros valores oferecidos pelo governo estadual foram negados pela maioria. Sem acordo, os moradores tiveram que deixar os locais \u00e0 for\u00e7a, e a negocia\u00e7\u00e3o foi parar na Justi\u00e7a.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pedreiro chegou a comprar telha para construir nova casa. (Foto: Luna Markman\/G1)\" alt=\"Pedreiro chegou a comprar telha para construir nova casa. (Foto: Luna Markman\/G1)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/3be6FfqYwNaDACiG0GzJYc5Lza4=\/300x225\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2013\/11\/20\/pedreiro.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" \/>Pedreiro comprou telhas para construir nova casa,<br \/>\nmas diz que valor prometido n\u00e3o foi pago e que<br \/>\nest\u00e1 perdendo materiais (Foto: Luna Markman\/G1)<\/div>\n<div>\n<div>Eles nem negociaram direito. Disseram que a gente n\u00e3o devia recorrer, porque ia perder mesmo, meio que coagindo a gente a n\u00e3o procurar nossos direitos&#8221;<\/div>\n<div>Lucicleide Mari, dona de casa<\/div>\n<\/div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Josaf\u00e1 segura c\u00f3pia de comprovante de dep\u00f3sito judicial. (Foto: Luna Markman\/G1)\" alt=\"Josaf\u00e1 segura c\u00f3pia de comprovante de dep\u00f3sito judicial. (Foto: Luna Markman\/G1)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/JIJUxknx5DdGq_D2ErlaVe4Wm4g=\/300x225\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2013\/11\/20\/josafa.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" \/>Josaf\u00e1 segura a c\u00f3pia de comprovante de dep\u00f3sito<br \/>\njudicial pelo seu terreno\u00a0 (Foto: Luna Markman\/G1)<\/div>\n<p>O pedreiro Reginaldo Zeferino afirma que at\u00e9 aceitou a oferta inicial de R$ 160 mil para o terreno de 800 metros quadrados, mas n\u00e3o entende o motivo de o valor pago ter sido menor, R$ 115 mil. &#8220;O roubo come\u00e7ou por a\u00ed, pois eles n\u00e3o cumpriram o acordo. Logo depois da desapropria\u00e7\u00e3o, eu comprei at\u00e9 material, como areia, telha, madeira, para construir uma nova casa em outro canto, mas est\u00e1 tudo perdido por causa dessa demora [em receber o dinheiro]&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A dona de casa Lucicleide Mari morava com tr\u00eas filhos e o neto em um terreno de 650 metros quadrados que a m\u00e3e dela herdou do marido. Uma das filhas dela, Kelly dos Santos, j\u00e1 tinha investido R$ 8 mil na constru\u00e7\u00e3o de uma nova casa no mesmo local. S\u00f3 faltava colocar o telhado quando a not\u00edcia da desapropria\u00e7\u00e3o chegou.<\/p>\n<p>&#8220;Eles nem negociaram direito. Disseram que a gente n\u00e3o devia recorrer, porque ia perder mesmo, meio que coagindo a gente a n\u00e3o procurar nossos direitos&#8221;, denunciou Kelly. &#8220;Eles pagaram somente R$ 153 mil, e vamos ter que dividir esse dinheiro entre nove pessoas, n\u00e3o vai sobrar nada. N\u00f3s n\u00e3o pedimos para sair e agora estou pagando R$ 350 de aluguel, o que \u00e9 muito caro para quem sobrevive apenas com um sal\u00e1rio m\u00ednimo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O comerciante Josaf\u00e1 dos Santos guarda todos os documentos referentes ao problema. Um deles \u00e9 o comprovante do dep\u00f3sito de R$ 164.375,60, feito pela Secretaria das Cidades, referente ao terreno de 600 metros quadrados que ele tinha. Outro \u00e9 um protocolo que mostra a \u00faltima visita feita \u00e0 Defensoria P\u00fablica do Estado, em 5 de junho de 2013, para se informar sobre o andamento do processo. &#8220;Eles disseram para a gente ficar aguardando em casa, e acho que botaram uma pedra em cima do assunto&#8221;, criticou.<\/p>\n<p><strong>Justi\u00e7a<\/strong><br \/>\nA defensora p\u00fablica Daniele Monteiro afirma que recebeu cerca de 300 casos desse tipo. &#8220;Quem ainda permanece sem receber indeniza\u00e7\u00f5es s\u00e3o pessoas que est\u00e3o com pend\u00eancias judiciais no que diz respeito \u00e0 prova da propriedade e regularidade fiscal, como d\u00e9bito de IPTU, Imposto de Transmiss\u00e3o e Imposto Causa-Morte&#8221;, diz.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Fam\u00edlias foram desapropriadas para constru\u00e7\u00e3o do TI Cosme e Dami\u00e3o. (Foto: Luna Markman\/ G1)\" alt=\"Fam\u00edlias foram desapropriadas para constru\u00e7\u00e3o do TI Cosme e Dami\u00e3o. (Foto: Luna Markman\/ G1)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/wldUvHy27BFYsI_0gN06y_KEFDU=\/300x225\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2013\/11\/25\/ti.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" \/>Fam\u00edlias foram desapropriadas para constru\u00e7\u00e3o do<br \/>\nTI Cosme e Dami\u00e3o (Foto: Luna Markman\/ G1)<\/div>\n<div>\n<div>A estrat\u00e9gia \u00e9 a do contato individualizado e di\u00e1logo em tom de amea\u00e7a, sem negocia\u00e7\u00e3o em termos de valores, quando na verdade deveria haver audi\u00eancia p\u00fablica. As fam\u00edlias s\u00e3o de baixa renda, sem acesso \u00e0 Justi\u00e7a, tornando-as ainda mais fr\u00e1geis&#8221;<\/div>\n<div>Rudrigo Souza e Silva, do Comit\u00ea do Centro<br \/>\nDom H\u00e9lder C\u00e2mara de Estudos e A\u00e7\u00e3o Social<\/div>\n<\/div>\n<p>Segundo ela, foi preciso abrir processos paralelos na Vara C\u00edvel para regularizar primeiro os t\u00edtulos de propriedade. &#8220;Estamos esbarrando em quest\u00f5es legais para o cart\u00f3rio dar ao cidad\u00e3o esse t\u00edtulo. A Defensoria P\u00fablica est\u00e1 tentando ao m\u00e1ximo. Infelizmente, \u00e9 o tipo de causa que n\u00e3o tem previs\u00e3o de liminar, a legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria ao cidad\u00e3o e a favor do estado, \u00e9 bem arcaica&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O juiz Djalma Andrelino, da 4\u00b0 Vara da Fazenda P\u00fablica, explica que o poder p\u00fablico pode desapropriar qualquer im\u00f3vel visando o interesse p\u00fablico. &#8220;O dep\u00f3sito tem que ser feito imediatamente, mas a Justi\u00e7a s\u00f3 libera quando tem prova segura da propriedade do im\u00f3vel, at\u00e9 para proteger o interesse de terceiros&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O Comit\u00ea Popular da Copa em Pernambuco, formado por um conjunto de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, afirma que cerca de duas mil fam\u00edlias no Recife, em Camaragibe e em S\u00e3o Louren\u00e7o da Mata foram atingidas por obras visando o Mundial.<\/p>\n<p>A entidade critica a forma como o governo estadual est\u00e1 lidando com a situa\u00e7\u00e3o. &#8220;A estrat\u00e9gia \u00e9 a do contato individualizado e di\u00e1logo em tom de amea\u00e7a, sem negocia\u00e7\u00e3o em termos de valores, quando na verdade deveria haver audi\u00eancia p\u00fablica. As fam\u00edlias s\u00e3o de baixa renda, sem acesso \u00e0 Justi\u00e7a, tornando-as ainda mais fr\u00e1geis&#8221;, afirma Rudrigo Souza e Silva, representante no Comit\u00ea do Centro Dom H\u00e9lder C\u00e2mara de Estudos e A\u00e7\u00e3o Social (Cendhec-PE).<\/p>\n<p>Para Rudrigo, o governo tem aproveitado o fato de a maioria das fam\u00edlias n\u00e3o ter a posse formal dos im\u00f3veis para subvalorizar as indeniza\u00e7\u00f5es. &#8220;Tivemos relatos de que quatro pessoas j\u00e1 faleceram nesse processo por depress\u00e3o, estresse, problemas card\u00edacos. E n\u00f3s criticamos n\u00e3o apenas as indeniza\u00e7\u00f5es, pois acreditamos que poderia ter sido feito um plano habitacional para essas fam\u00edlias serem relocadas para \u00e1reas pr\u00f3ximas, porque tempo houve. Al\u00e9m disso, a gente tamb\u00e9m critica que as interven\u00e7\u00f5es mudam a cada momento e n\u00e3o s\u00e3o apresentadas ao Conselho Estadual das Cidades para serem discutidas. Achamos os projetos urbanisticamente fr\u00e1geis e questionamos o interesse social deles&#8221;, apontou.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>G1<\/strong>\u00a0conseguiu contato com duas fam\u00edlias dos quatro casos de mortes citados por Rudrigo Souza. &#8220;Quando come\u00e7ou a not\u00edcia da desapropria\u00e7\u00e3o, ela [a m\u00e3e] come\u00e7ou a ficar preocupada com o paradeiro da gente. Ficou sem dormir direito, comer bem. Quando viu as coisas acontecerem mesmo, foi a gota d\u00b4\u00e1gua. Ainda n\u00e3o analisei se vamos entrar com uma a\u00e7\u00e3o contra o Estado&#8221;, disse Analice Ferreira, filha de Severina Maria de Lima, de 70 anos, que morreu em novembro de 2012 de infarto. Ela mora no Timbi, em Camaragibe, e ainda n\u00e3o sabe a data exata do despejo.<\/p>\n<p>J\u00e1 Maria Ferreira de Ara\u00fajo tinha 85 anos quando morreu, em mar\u00e7o deste ano, por causa de complica\u00e7\u00f5es decorrentes de uma pneumonia. &#8220;Minha m\u00e3e era uma senhora e j\u00e1 estava doente, mas ela ficou muito deprimida quando soube de tudo. Ela ficou muito preocupada com a gente, porque a indeniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o ia cobrir a compra de outro lugar, e a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi piorando. Agora, s\u00f3 falta a minha casa e a do vizinho serem desapropriadas. O terreno \u00e9 grande, com quatro casas, onde moram meus irm\u00e3os, e com a indeniza\u00e7\u00e3o partilhada s\u00f3 sobra R$ 3 mil para mim, que n\u00e3o d\u00e1 para nada. Eu n\u00e3o sei o que vou fazer&#8221;, disse a filha dela, Maria Zuleide Ferreira.<\/p>\n<p>O terceiro caso de morte detalhado pelo Comit\u00ea Popular da Copa em Pernambuco diz respeito a um homem que foi v\u00edtima de um acidente vascular cerebral. Ele teria ficado muito estressado com a not\u00edcia da desapropria\u00e7\u00e3o. Em uma quinta-feira, houve uma discuss\u00e3o sobre o valor do im\u00f3vel e ele ficou muito nervoso, morrendo no domingo seguinte.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Montagem mostra relat\u00f3rio entregue \u00e0 Secretaria Executiva de Desapropria\u00e7\u00e3o para obras do TI Camarabige e Avenida Belmino Correia, junto com fotos de audi\u00eancias e ata de presen\u00e7a. (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/ PGE)\" alt=\"Montagem mostra relat\u00f3rio entregue \u00e0 Secretaria Executiva de Desapropria\u00e7\u00e3o para obras do TI Camarabige e Avenida Belmino Correia, junto com fotos de audi\u00eancias e ata de presen\u00e7a. (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/ PGE)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/q2aT-Ki4P4yIQ5dV8XGcG7rQnyw=\/300x225\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2013\/12\/03\/montagem.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" \/>Montagem mostra o relat\u00f3rio entregue \u00e0 Secretaria<br \/>\nExecutiva de Desapropria\u00e7\u00e3o, junto com fotos de<br \/>\naudi\u00eancias e ata (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/ PGE)<\/div>\n<div>\n<div>Uma equipe multidisciplinar, formada por engenheiros, arquitetos, assistentes sociais e advogados, vem conduzindo o processo de desapropria\u00e7\u00e3o e disponibilizando, constantemente, um canal de di\u00e1logo com a comunidade&#8221;<\/div>\n<div>Anal\u00facia Cabral, secret\u00e1ria executiva<br \/>\nestadual de Desapropria\u00e7\u00f5es de PE<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Resposta do governo<\/strong><br \/>\nA secret\u00e1ria executiva estadual de Desapropria\u00e7\u00f5es, Anal\u00facia Cabral, afirma que 441 im\u00f3veis est\u00e3o sendo desapropriados nas obras da Copa. O \u00f3rg\u00e3o afirma que a conta foi feita por im\u00f3veis residenciais e mistos (residencial e comercial) desapropriados, e n\u00e3o por fam\u00edlias. Tamb\u00e9m entraram na contagem as terras nuas (sem edifica\u00e7\u00f5es) e im\u00f3veis institucionais, como igrejas.<\/p>\n<p>Cabral assegura que uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es foram realizadas para orientar e esclarecer os afetados sobre as desapropria\u00e7\u00f5es. &#8220;Uma equipe multidisciplinar, formada por engenheiros, arquitetos, assistentes sociais e advogados, vem conduzindo o processo de desapropria\u00e7\u00e3o e disponibilizando, constantemente, um canal de di\u00e1logo com a comunidade. Nas audi\u00eancias p\u00fablicas, os moradores e comerciantes tiveram a oportunidade de assistir as apresenta\u00e7\u00f5es dos projetos da Copa e obter informa\u00e7\u00f5es completas do processo de desapropria\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de esclarecer d\u00favidas. A presen\u00e7a da comunidade de Camaragibe, Recife e Olinda ocorreu em, pelo menos, seis audi\u00eancias p\u00fablicas que aconteceram em escolas estaduais&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Sobre a reclama\u00e7\u00e3o referente ao valor das indeniza\u00e7\u00f5es, a secret\u00e1ria informou que os laudos s\u00e3o baseados em pre\u00e7os de mercado e definidos conforme a NBR 14.653, regulamenta\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Normas T\u00e9cnicas (ABNT). &#8220;A aus\u00eancia de regularidade na documenta\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis faz com que a desapropria\u00e7\u00e3o seja judicial, sendo ajuizadas a\u00e7\u00f5es com valores m\u00e9dios de mercado&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria acrescentou que o valor das indeniza\u00e7\u00f5es da maioria das desapropria\u00e7\u00f5es \u00e9 superior aos valores de im\u00f3veis do Programa Minha Casa Minha Vida, &#8220;sendo mais vantajoso para as fam\u00edlias receber as indeniza\u00e7\u00f5es pagas pelo Estado&#8221;.<\/p>\n<p>Ela diz que o Projeto de Lei Ordin\u00e1ria n\u00ba 1743\/2013, do Poder Executivo, tramita na Assembleia Legislativa de Pernambuco e vai possibilitar o pagamento do aux\u00edlio moradia e posterior reassentamento para os expropriados do Ramal Cidade da Copa e da Navegabilidade do Rio Capibaribe. A reda\u00e7\u00e3o final do texto foi aprovada no \u00faltimo dia 4 de dezembro e segue para san\u00e7\u00e3o ou veto governamental. O prazo \u00e9 de 15 dias.<\/p>\n<p>Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Moradores que adoeceram seriamente ap\u00f3s serem obrigados a deixar suas casas, fam\u00edlias desesperadas diante de um iminente despejo, indeniza\u00e7\u00f5es com valor baixo e pagamentos pendentes. Esses s\u00e3o alguns dos problemas enfrentados por quem foi afetado pelas obras para a Copa do Mundo 2014 na Grande\u00a0Recife, segundo entidades que acompanham os processos de desapropria\u00e7\u00f5es ouvidas pelo\u00a0G1. A relatora especial das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Direito \u00e0 Moradia, Raquel Rolnik, visitou \u00e1reas de desapropria\u00e7\u00e3o e afirma que o Estado est\u00e1 &#8220;produzindo sem-tetos&#8221;. A visita, ocorrida no dia 29 de novembro, fez parte da programa\u00e7\u00e3o do semin\u00e1rio &#8220;Legados e Relegados da Copa&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-53410","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":578,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53410","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53410"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53410\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53411,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53410\/revisions\/53411"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53410"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53410"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53410"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}