{"id":52769,"date":"2013-11-15T08:41:24","date_gmt":"2013-11-15T11:41:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=52769"},"modified":"2013-11-15T08:41:24","modified_gmt":"2013-11-15T11:41:24","slug":"assessores-de-guido-mantega-sao-acusados-de-desvio-de-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2013\/11\/15\/assessores-de-guido-mantega-sao-acusados-de-desvio-de-dinheiro\/","title":{"rendered":"Assessores de Guido Mantega s\u00e3o acusados de desvio de dinheiro"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em abril deste ano, a jovem Anne Paiva, secret\u00e1ria da empresa Part\u00adners, que det\u00e9m contrato de assessoria de imprensa com o Minist\u00e9rio da Fazenda, dirigiu-se \u00e0 ag\u00eancia do Banco do Brasil onde mant\u00e9m sua conta banc\u00e1ria, na cidade de Sobradinho, nos arredores de Bras\u00edlia. Contratada pela Partners desde janeiro, Anne cuidava das tarefas burocr\u00e1ticas da empresa na capital: atendia telefonemas, pagava contas, encaminhava documentos para os clientes. Ganhava R$ 1.300 por m\u00eas. Naquele dia de abril, disse Anne a \u00c9POCA, ela sacou em dinheiro vivo, da mesma conta em que recebia seu sal\u00e1rio, R$ 20 mil que haviam sido transferidos pela Partners de outra conta no Banco do Brasil \u2013 a conta em que o Minist\u00e9rio da Fazenda deposita, todo m\u00eas, o que deve \u00e0 empresa. Anne afirma que acomodou o dinheiro num envelope, atravessou a cidade e subiu ao 5\u00ba andar do Minist\u00e9rio da Fazenda. Segundo seu relato, Anne encontrou quem procurava numa sala ampla pr\u00f3xima ao gabinete de\u00a0<a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/?s=Guido%20Mantega\" target=\"_parent\">Guido Mantega<\/a>: o economista Marcelo Fiche, chefe de gabinete de Mantega e, hoje, segundo homem mais poderoso da Pasta. Entregou-lhe o envelope, como se fosse um simples documento. De acordo com Anne, Fiche n\u00e3o conferiu o conte\u00fado do envelope. Apenas sorriu e agradeceu.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/poca.globo.com\/tempo\/noticia\/2013\/11\/policia-federal-vai-investigar-dois-bassessores-de-mantegab.html\">&gt;&gt;\u00a0Pol\u00edcia Federal vai investigar dois assessores de Mantega<\/a><\/p>\n<p>\u201cManda um abra\u00e7o para o Vivaldo!\u201d, disse Fiche ao se despedir, segundo o relato de Anne. Vivaldo Ramos \u00e9 o diretor financeiro da Partners, uma empresa de Belo Horizonte. Era chefe imediato dela. Fora Vivaldo que avisara Anne, para sua perplexidade, que a Partners acabara de fazer um \u201cdep\u00f3sito de suprimento\u201d na conta dela. De acordo com Anne, fora Vivaldo que a mandara sacar o \u201csuprimento\u201d e entreg\u00e1-lo a Fiche. Aquela foi a primeira das quatro vezes em que, segundo Anne, ela aceitou distribuir dinheiro a Fiche e a outro assessor de Mantega: Humberto Alencar, chefe de gabinete substituto e fiscal do contrato do minist\u00e9rio com a Partners \u2013 cabe a Alencar autorizar os pagamentos da Pasta \u00e0 Partners. Ainda de acordo com Anne, Fiche e Alencar receberam, das m\u00e3os dela, um total de R$ 60 mil. Sempre em dinheiro vivo. As entregas, segundo Anne, aconteceram ao lado do gabinete de Mantega e no escrit\u00f3rio da Partners em Bras\u00edlia. Depois de fazer o quarto repasse de propina, Anne comunicou \u00e0 Partners que n\u00e3o faria mais pagamentos. Temia o que poderia lhe acontecer se as autoridades descobrissem.<!--more--><\/p>\n<p>Na manh\u00e3 do dia 11 de setembro, Anne esteve na sucursal de \u00c9POCA em Bras\u00edlia para contar o que sabia. Por que ela decidira fazer isso? Anne afirmou que se casaria em breve e que, em seguida, se mudaria para a cidade natal do noivo. Em raz\u00e3o dessa mudan\u00e7a, deixaria o emprego na Partners. A princ\u00edpio, narrou Anne, a Partners topara, em virtude dos bons servi\u00e7os prestados por ela, pagar-lhe como se a tivesse demitido. Em seguida, a empresa mudara de ideia, sem dar explica\u00e7\u00f5es. Anne, portanto, estava indignada com o que considerava ser uma trai\u00e7\u00e3o da empresa pela qual se arriscara. Temia ser obrigada a pagar mais impostos por causa da pequena fortuna que fora depositada em sua conta. \u201cDiante de todo o estresse que passei, n\u00e3o quero ficar calada\u201d, disse. \u201cA pessoa que entrar l\u00e1 no meu lugar\u00a0<em>(na Partners)<\/em>passar\u00e1 por isso tamb\u00e9m. No dia em que a bomba\u00a0estourar, quando algu\u00e9m descobrir, lembrar\u00e3o s\u00f3 da secret\u00e1ria.\u201d<\/p>\n<p>Retribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o parecia ser o \u00fanico motivo de Anne. Ela tamb\u00e9m demonstrou, em diversos momentos, indigna\u00e7\u00e3o moral com o esquema: \u201cN\u00e3o \u00e9 justo o que eles\u00a0<em>(Partners e assessores da Fazenda)<\/em>\u00a0fazem. \u00c9 dinheiro p\u00fablico, dinheiro seu e meu\u201d. Ela repassou a \u00c9POCA uma extensa documenta\u00e7\u00e3o interna da Partners. Os pap\u00e9is corroboravam seu depoimento. Tratava-se de e-mails, extratos de mensagens via Skype, comprovantes banc\u00e1rios, planilhas de pagamentos e c\u00f3pias das presta\u00e7\u00f5es de contas da empresa ao Minist\u00e9rio da Fazenda.<br \/>\nComprovavam, entre outras irregularidades, que a Partners transferira altas somas para a conta dela e a orientara a entregar o dinheiro aos dois assessores de Mantega. Numa das mensagens de Skype, datada do dia 4 de julho deste ano, Vivaldo pede a Anne para entregar R$ 15 mil a Alencar. \u201cEm Bras\u00edlia, eu era o bra\u00e7o direito e esquerdo da Partners\u201d, disse. \u201cServi de laranja por quatro vezes, para a empresa poder passar\u00a0<em>(dinheiro)<\/em>\u00a0ao chefe de gabinete do ministro.\u201d<\/p>\n<p>Anne afirmou que tomou um susto ao descobrir o primeiro dep\u00f3sito em sua conta: R$ 20 mil. Para Anne, correspondia a mais de um ano de sal\u00e1rio. \u201cN\u00e3o avisavam que o dinheiro entraria. Nunca me pediram autoriza\u00e7\u00e3o. O Vivaldo dizia apenas: \u2018Tem quantia x na sua conta. V\u00e1 ao banco retirar e entregar para o Marcelo<em>\u00a0(Fiche)<\/em>\u2019\u201d, disse Anne. As comunica\u00e7\u00f5es entre ela e o chefe transcorriam sempre por mensagens de texto no Skype, conforme comprovam os documentos apresentados por ela.<\/p>\n<div>\n<div>\u201cServi de laranja para pagar<br \/>\npropina ao chefe de gabinete\u201d,<br \/>\ndiz a secret\u00e1ria Anne Paiva<\/div>\n<\/div>\n<p>Como \u00e9 comum em situa\u00e7\u00f5es desse tipo, Anne pediu anonimato a \u00c9POCA, por temer repres\u00e1lias num poss\u00edvel novo emprego. Pediu tamb\u00e9m que \u00c9POCA n\u00e3o publicasse uma reportagem sobre o assunto at\u00e9 que ela conseguisse receber uma indeniza\u00e7\u00e3o da Partners. Em troca do anonimato, comprometeu-se a n\u00e3o chantagear a Partners com o que contara a \u00c9POCA, de modo a receber a indeniza\u00e7\u00e3o que esperava \u2013 situa\u00e7\u00e3o, infelizmente, tamb\u00e9m comum no mundo do jornalismo. Anne, tamb\u00e9m em troca do anonimato, se comprometeu a repassar a \u00c9POCA uma c\u00f3pia completa de seus extratos banc\u00e1rios e a colaborar com a reportagem at\u00e9 o fim da apura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois meses, \u00c9POCA cumpriu sua parte no acordo. Esperou que Anne recebesse o que ela dizia lhe ser devido em indeniza\u00e7\u00e3o trabalhista. Manteve-a no anonimato. Anne, por\u00e9m, passou a evitar os contatos de \u00c9POCA. N\u00e3o disse quanto recebera posteriormente da Partners. Recusou- se a fornecer os extratos banc\u00e1rios que prometera. Em seguida, disse que n\u00e3o fizera isso porque fechara a conta que mantinha no Banco do Brasil. \u00c9POCA descobriu que isso n\u00e3o era verdade. Confrontada, ela n\u00e3o explicou seu comportamento. Diante desse conjunto de fatos e a consequente quebra do acordo, \u00c9POCA comunicou Anne, h\u00e1 dez dias, que ela perdera a prote\u00e7\u00e3o do anonimato e que seu nome seria publicado.<\/p>\n<p>Apesar da s\u00fabita desist\u00eancia dela em colaborar, \u00c9POCA descobriu evid\u00eancias, nas \u00faltimas semanas, que refor\u00e7am a verossimilhan\u00e7a e a consist\u00eancia factual do depoimento de Anne. Durante semanas, o Minist\u00e9rio da Fazenda negou-se a franquear acesso \u00e0 \u00edntegra dos documentos internos da Pasta sobre o contrato com a Partners, como ordens de pagamento e as presta\u00e7\u00f5es de contas da empresa. Em determinado momento, os documentos chegaram a ser retidos no gabinete de Fiche. \u00c9POCA conseguiu c\u00f3pia dos pap\u00e9is somente depois de recorrer \u00e0 Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o. Os documentos, al\u00e9m de corroborar o que Anne contara, revelam fortes evid\u00eancias de que o contrato \u00e9 superfaturado e que, para receber al\u00e9m do que lhe \u00e9 devido, a Partners frauda a presta\u00e7\u00e3o de contas que apresenta todo o m\u00eas ao minist\u00e9rio. H\u00e1, ainda, ind\u00edcios de que Fiche nomeou uma prima e uma ex-namorada para trabalhar como assessoras da Pasta. A facilidade com que a Partners extra\u00eda dinheiro da Fazenda demonstra, portanto, que sobravam raz\u00f5es para os pagamentos de propina narrados por Anne.<\/p>\n<p>Os documentos obtidos por \u00c9POCA revelam que partiu precisamente de Alencar, com a anu\u00eancia de Fiche, a ordem para contratar uma assessoria de imprensa para a Fazenda. Em setembro do ano passado, ambos assinaram um \u201ctermo de refer\u00eancia\u201d, em que argumentam que o servi\u00e7o de assessoria de imprensa da Pasta, at\u00e9 ent\u00e3o feito por quatro funcion\u00e1rios com cargos de confian\u00e7a, precisava ser ampliado e profissionalizado, por causa da alta demanda da imprensa. Nenhum burocrata se op\u00f4s. Tudo transcorreu rapidamente. Em dezembro, a Partners venceu o preg\u00e3o promovido pela Pasta, mesmo sem apresentar seu balan\u00e7o patrimonial, como determinava o edital. Ainda em 2012, o Minist\u00e9rio da Fazenda assinou com a Partners o contrato de R$ 4,4 milh\u00f5es por um ano de servi\u00e7o. \u201cA empresa apresentou os documentos necess\u00e1rios\u201d, diz o pregoeiro Id\u00eanes Silva.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"O que os documentos contam (Foto: -)\" alt=\"O que os documentos contam (Foto: -)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/Cz-9K_jm8nBA9Zv-hQIAMbEym_ABznVlSgjO0efSrtFIoz-HdGixxa_8qOZvMp3w\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2013\/11\/14\/808_investiga2.jpg\" width=\"620\" height=\"1678\" \/><\/div>\n<p>Ao contr\u00e1rio de contratos semelhantes na Esplanada, em que o governo paga pela m\u00e3o de obra fornecida, o acordo assinado pela Fazenda com a Partners previa o pagamento por horas trabalhadas. Estimavam-se 4.200 horas por m\u00eas. No primeiro m\u00eas de contrato, a Partners contratou dez jornalistas para trabalhar na Fazenda. Ainda em janeiro, Alencar foi nomeado fiscal do contrato. Ele aprovou, em seguida, o primeiro pagamento mensal para a Partners. A acreditar na presta\u00e7\u00e3o de contas aprovada por Alencar, cada um dos dez jornalistas trabalhava, em m\u00e9dia, 13 horas por dia \u2013 per\u00edodo distante das sete horas por funcion\u00e1rio informadas pela Partners ao Minist\u00e9rio do Trabalho e \u00e0 Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>Nos meses seguintes, o n\u00famero de horas previsto pelo minist\u00e9rio \u2013 e cobrado pela Partners \u2013 permaneceu o mesmo. Foram planejadas 300 horas para um \u201cjornalista master\u201d. Considerando um m\u00eas com 22 dias \u00fateis, esse profissional trabalhou quase 14 horas di\u00e1rias. Em mar\u00e7o, os funcion\u00e1rios trabalharam, em m\u00e9dia, 19 horas por dia. Como algu\u00e9m percebesse que o n\u00famero de horas pago era fantasioso, a Part\u00adners passou a acrescentar contracheques de novos funcion\u00e1rios. Os 13 funcion\u00e1rios de abril transformaram- se, ao longo dos meses, em 21. A m\u00e9dia de horas que cada um trabalhava, em tese, caiu para dez horas di\u00e1rias. Os funcion\u00e1rios que batiam ponto diariamente na Fazenda, por\u00e9m, permaneceram os mesmos. Quem eram os outros?<\/p>\n<p>Eram fantasmas. Ao todo, aparecem na presta\u00e7\u00e3o de contas nomes, valores dos sal\u00e1rios e contracheques de 11 deles. Nenhuma dessas pessoas trabalha ou trabalhou na Fazenda \u2013 ou sequer mora em Bras\u00edlia. \u00c9POCA ouviu quatro funcion\u00e1rias e uma ex-funcion\u00e1ria entre esses 11 profissionais listados pela Partners. Tr\u00eas trabalham na Partners em Belo Horizonte, na assessoria de imprensa da distribuidora de energia Cemig. \u201cEstou assim&#8230; Nunca trabalhei no minist\u00e9rio, n\u00e3o\u201d, disse, ap\u00f3s um longo sil\u00eancio, uma das funcion\u00e1rias, surpreendida pela informa\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o sabia que meu nome estava na presta\u00e7\u00e3o de contas do contrato com o minist\u00e9rio\u201d, disse outra, que atende \u00e0 Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios, no Rio de Janeiro. Em m\u00e9dia, a Partnersnet recebe R$ 329 mil mensais da Fazenda e afirma gastar R$ 105 mil com sal\u00e1rios. Na realidade, os documentos revelam que a empresa gastou apenas R$ 63.700 com sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Enquanto Alencar sancionava as presta\u00e7\u00f5es de contas fraudulentas da Partners, o diretor Vivaldo determinava, segundo Anne, o pagamento das propinas. Depois da primeira entrega de R$ 20 mil a Fiche, em abril, Anne disse que o pagamento seguinte, tamb\u00e9m a Fiche e igualmente feito ao lado do gabinete do ministro, ocorreu logo depois. No dia 14 de maio, a Partners depositou mais R$ 10 mil na conta de Anne. Num e-mail preenchido com \u201csuprimento\u201d no campo do assunto, uma funcion\u00e1ria da Partners avisa a Anne que o dinheiro foi transferido. Anexa o comprovante da transfer\u00eancia. Nesse caso, Anne diz que sacou o dinheiro, como das outras vezes. Afirma que, sempre por orienta\u00e7\u00e3o do diretor Vivaldo, entregou o dinheiro a Alencar \u2013 segundo ela, ele foi \u00e0 sede da Partners receber seu envelope.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"TESTEMUNHA A ex-secret\u00e1ria Anne Paiva disse que \u201cserviu de laranja\u201d da Partners para pagar propina aos dois assessores de Mantega (Foto: -)\" alt=\"TESTEMUNHA A ex-secret\u00e1ria Anne Paiva disse que \u201cserviu de laranja\u201d da Partners para pagar propina aos dois assessores de Mantega (Foto: -)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/sSabb12kUGHmzONEixAaa0dzkXdZeVIvf08RoHrsqUdIoz-HdGixxa_8qOZvMp3w\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2013\/11\/14\/808_investiga3.jpg\" width=\"250\" height=\"352\" \/><label>TESTEMUNHA<br \/>\nA ex-secret\u00e1ria Anne Paiva disse que<br \/>\n\u201cserviu\u00a0de laranja\u201d da Partners para pagar<br \/>\npropina\u00a0aos dois assessores de Mantega\u00a0<\/label><\/div>\n<p>O \u00faltimo pagamento de propina, narra Anne, aconteceu no come\u00e7o de julho. No dia 2, o Minist\u00e9rio da Fazenda depositou R$ 237 mil na conta da Partners no Banco do Brasil, em pagamento aos servi\u00e7os prestados \u2013 e aos n\u00e3o prestados tamb\u00e9m \u2013 no m\u00eas anterior. Dois dias depois, o diretor Vivaldo escreveu a Anne no Skype: \u201cSacar amanh\u00e3 cedo os 15 mil que entrar\u00e3o na sua conta hoje e entregar para o Humberto<em>\u00a0(Alencar)\u00a0<\/em>no MF\u00a0<em>(Minist\u00e9rio da Fazenda)<\/em>, por favor\u201d. Anne diz que sacou o dinheiro, mas que, como da vez anterior, Alencar buscou o envelope na sede da Partners. \u201cDepois dessa vez, disse ao Vivaldo que n\u00e3o adiantava mais depositar dinheiro na minha conta\u201d, disse Anne. \u201cEu n\u00e3o faria mais nenhum pagamento.\u201d No dia 25 de julho, quatro meses antes de o contrato vencer, o Minist\u00e9rio da Fazenda enviou of\u00edcio \u00e0 Partners perguntando se a empresa estava interessada em renov\u00e1-lo por mais um ano. A Partners respondeu que estava.<\/p>\n<p>Procurados por \u00c9POCA, Alencar e Fiche negaram ter recebido propina. Ambos negaram at\u00e9 j\u00e1 ter visto a secret\u00e1ria Anne, embora ela frequentasse as depend\u00eancias da Fazenda e apare\u00e7a em fotos no Facebook em frente ao gabinete do ministro Mantega, ao lado de uma dezena de funcion\u00e1rios, na festinha que lhe fizeram em sua despedida da Partners. \u201cDinheiro? Acho que voc\u00ea est\u00e1 falando com a pessoa errada. Cuido da parte administrativa do gabinete\u201d, disse Alencar, antes de desligar o telefone. \u201cEla<em>\u00a0(Anne)\u00a0<\/em>nunca esteve no minist\u00e9rio. Nunca recebi dinheiro nenhum. Estou preparado para processar quem sujar meu nome\u201d, disse Fiche. \u201cO Humberto \u00e9 o fiscal do contrato. N\u00e3o boto a m\u00e3o no fogo por ningu\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p>O diretor financeiro da Partners, Vivaldo, negou o pagamento de propina. \u201cDesconhe\u00e7o isso a\u00ed no momento\u201d, afirmou. \u201cIsso a\u00ed s\u00e3o outras despesas. Com certeza. Entendeu? Isso \u00e9 desembolso de caixa para outras despesas da empresa em rela\u00e7\u00e3o ao cliente. Isso a\u00ed, com certeza, \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o a alguns objetos, alguns reembolsos do cliente. Existe a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o com o cliente, e o reembolso de algumas despesas que s\u00e3o feitas com o cliente, despesas de viagem, deslocamentos. Isso \u00e9 com certeza algum reembolso que foi feito.\u201d Vivaldo disse n\u00e3o se recordar das conversas por Skype com Anne.<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio Dino S\u00e1vio, s\u00f3cio e diretor executivo da Partners, confirmou que a conta da secret\u00e1ria Anne foi usada para transfer\u00eancia de dinheiro para Bras\u00edlia, mas negou que o destino dos valores fossem servidores do minist\u00e9rio. \u201cEra dinheiro para despesas administrativas com a execu\u00e7\u00e3o do contrato em Bras\u00edlia\u201d, disse, sem especificar que despesas eram essas. S\u00e1vio negou o pagamento de propina a servidores da Fazenda. \u201cN\u00e3o h\u00e1 motivo para isso\u201d, afirmou. S\u00e1vio disse que a empresa \u201ccometeu um erro\u201d ao enviar ao minist\u00e9rio contracheques de funcion\u00e1rios que prestam servi\u00e7os para a Cemig e para a CVM no Rio.<\/p>\n<p>Fonte: \u00c9poca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Em abril deste ano, a jovem Anne Paiva, secret\u00e1ria da empresa Part\u00adners, que det\u00e9m contrato de assessoria de imprensa com o Minist\u00e9rio da Fazenda, dirigiu-se \u00e0 ag\u00eancia do Banco do Brasil onde mant\u00e9m sua conta banc\u00e1ria, na cidade de Sobradinho, nos arredores de Bras\u00edlia. Contratada pela Partners desde janeiro, Anne cuidava das tarefas burocr\u00e1ticas da empresa na capital: atendia telefonemas, pagava contas, encaminhava documentos para os clientes. Ganhava R$ 1.300 por m\u00eas. Naquele dia de abril, disse Anne a \u00c9POCA, ela sacou em dinheiro vivo, da mesma conta em que recebia seu sal\u00e1rio, R$ 20 mil que haviam sido&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-52769","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":718,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52769","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52769"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52769\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52770,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52769\/revisions\/52770"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52769"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52769"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52769"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}