{"id":5238,"date":"2010-04-07T07:24:23","date_gmt":"2010-04-07T10:24:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=5238"},"modified":"2010-04-07T07:24:23","modified_gmt":"2010-04-07T10:24:23","slug":"chuva-mata-100-pessoas-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/04\/07\/chuva-mata-100-pessoas-no-rio\/","title":{"rendered":"Chuva mata 100 pessoas no Rio"},"content":{"rendered":"<div id=\"HOTWordsTxt\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" title=\"chuvas rio\" src=\"http:\/\/www.tribunadabahia.com.br\/capa\/2d22c7996e.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"144\" \/>O Rio de Janeiro registrou volume de chuva recorde para um \u00fanico dia &#8211; o maior em pelo menos 44 anos -, causando estragos, deslizamentos e 100 mortes em v\u00e1rios locais da regi\u00e3o metropolitana desde a noite de segunda at\u00e9 a tarde de ontem.<\/p>\n<p>As Zonas Oeste e Norte foram as mais atingidas, especialmente as regi\u00f5es perto do Centro da capital carioca &#8211; s\u00f3 na cidade do Rio, as mortes chegam a 34. Bairros ficaram ilhados e sem energia. H\u00e1 ainda registros de grandes volumes de \u00e1gua em toda a cidade, segundo o Instituto de Geot\u00e9cnica do Munic\u00edpio do Rio de Janeiro (Georio). Em outros munic\u00edpios da regi\u00e3o metropolitana, como Duque de Caxias, tamb\u00e9m ocorreram estragos.<\/p>\n<p>Muitos moradores relataram momentos de perigo e medo. \u201cAgora, depois da enchente, eu passei para a casa de cima. Se eu estivesse l\u00e1 embaixo eu morreria, porque desta vez a \u00e1gua atingiu o teto\u201d, disse a t\u00e9cnica em enfermagem aposentada Dalmair dos Santos Lima, 70 anos, moradora de S\u00e3o Gon\u00e7alo.<!--more--><\/p>\n<p>Pelo menos 200 pessoas foram resgatadas por t\u00e9cnicos da Defesa Civil na cidade do Rio de Janeiro desde o in\u00edcio das chuvas at\u00e9 por volta de 13h de ontem. As encostas de todo o Rio correm risco de desabamento.<\/p>\n<p>Recorde\u00a0 &#8211; Institutos consultados pelo G1 apontam que o volume \u00e9 o maior das \u00faltimas d\u00e9cadas. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os dados indicam que a quantidade foi a mais elevada desde 1962, h\u00e1 48 anos, quando foi registrado o maior volume em \u00fanico dia pela s\u00e9rie hist\u00f3rica &#8211; a medi\u00e7\u00e3o \u00e9 feita desde 1917. J\u00e1 segundo a prefeitura do Rio, o volume registrado bateu o das chuvas de 1966, h\u00e1 44 anos, quando tempestades tamb\u00e9m causaram estragos no munic\u00edpio.<\/p>\n<p>O Instituto de Geot\u00e9cnica do Munic\u00edpio do Rio de Janeiro (Georio), que analisa os dados pluviom\u00e9tricos de 32 locais da cidade, destaca que, somente nos seis primeiros dias deste m\u00eas, j\u00e1 choveu na maioria das esta\u00e7\u00f5es mais do que em todos os meses de abril desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica, de 1997.<br \/>\nDados do arquivo do Inmet em Bras\u00edlia apontam que, no dia 16 de janeiro de 1962, quando fortes chuvas tamb\u00e9m causaram estragos no munic\u00edpio, o volume havia sido de 167,4 mil\u00edmetros em 24 horas &#8211; o Inmet mede os dados na capital carioca desde 1917.<\/p>\n<p>O instituto ainda n\u00e3o tem dados das \u00faltimas 24 horas, porque, segundo L\u00facio de Souza, meteorologista do instituto no Rio, os t\u00e9cnicos n\u00e3o conseguiram chegar ao trabalho ontem.<\/p>\n<p>A estimativa de ser a maior chuva desde 1962 \u00e9 feita com base nos dados do Georio, cujos dados tamb\u00e9m s\u00e3o utilizados por institutos como Centro de Previs\u00e3o do Tempo e Estudos Clim\u00e1ticos (Cptec) e Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). \u201cInfelizmente n\u00e3o temos informa\u00e7\u00f5es das nossas esta\u00e7\u00f5es nas \u00faltimas 24 horas, mas os dados pr\u00e9vios [do Georio] mostram que se trata de um recorde\u201d, comenta o meteorologista Luiz Cavalcante, do Inmet.<br \/>\nO Georio aponta que, nas \u00faltimas 24 horas encerradas \u00e0s\u00a0 17h11 de ter\u00e7a, a maioria das 32 esta\u00e7\u00f5es de medi\u00e7\u00e3o registrou chuvas acima de 167 mil\u00edmetros.<\/p>\n<h3>\u00c1gua da chuva alaga museu de arte<\/h3>\n<p>A \u00e1gua da chuva que atinge o Rio invadiu as galerias do Museu Casa do Pontal, de arte popular do Brasil, localizado no Recreio, Zona Oeste do Rio. A administra\u00e7\u00e3o do museu diz que ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel avaliar as propor\u00e7\u00f5es dos danos causados ao acervo e \u00e0s instala\u00e7\u00f5es do museu, mas adiantou que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grave.<\/p>\n<p>Desde as primeiras horas da manh\u00e3, funcion\u00e1rios e prestadores de servi\u00e7os trabalham no museu para reparar os danos. O local conta com mais de oito mil obras. A maior parte do acervo \u00e9 composta por obras raras, cujos autores j\u00e1 faleceram.<\/p>\n<p>Autoridades &#8211; O governador do Rio, S\u00e9rgio Cabral, destacou que a \u201cgrande causa\u201d das mortes s\u00e3o as ocupa\u00e7\u00f5es irregulares. \u201cEntre os mortos, todos praticamente (estavam) em \u00e1reas de risco\u201d, disse, em entrevista por telefone \u00e0 Globo News, no come\u00e7o da tarde de ontem. \u201cPediria pelo amor de Deus que as pessoas que est\u00e3o em \u00e1reas de risco saiam, procurem centros sociais\u201d, completou.<\/p>\n<p>O prefeito Eduardo Paes recomendou, durante a manh\u00e3, que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o sa\u00edsse de casa. A cidade ficou em estado de alerta m\u00e1ximo. \u201cNosso apelo \u00e9 para que as pessoas permane\u00e7am em casa, n\u00e3o saiam de casa, n\u00e3o levem seus filhos ao col\u00e9gio\u201d, disse Paes. A prefeitura determinou a suspens\u00e3o das aulas.<\/p>\n<p>AEROPORTO &#8211; O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro\/Gale\u00e3o-Ant\u00f4nio Carlos Jobim est\u00e1 aberto para pousos e decolagens, mas opera por instrumentos. No fim da manh\u00e3, os atrasos eram de, em m\u00e9dia, uma hora. O Aeroporto Santos Dumont est\u00e1 aberto para pousos e decolagens, mas opera por instrumentos. Durante a manh\u00e3, o terminal chegou a fechar. No fim da manh\u00e3, os passageiros enfrentavam atrasos de at\u00e9 cinco horas.<br \/>\nA empresa Ocean Air informou que n\u00e3o cobrar\u00e1 taxas para remarca\u00e7\u00f5es de bilhetes.<\/p>\n<h3>Chuvas foram consideradas &#8220;anormais&#8221;<\/h3>\n<p>De acordo com meteorologistas, as chuvas fortes que atingem o Rio s\u00e3o \u201canormais\u201d para a \u00e9poca, causadas por dois fatores: o calor acumulado na atmosfera, uma vez que as temperaturas registradas na cidade foram muito elevadas no ver\u00e3o, e uma frente fria que passou pela regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Para L\u00facio de Souza, do Inmet, a frente fria \u00e9 a principal raz\u00e3o. Ele destacou que, embora com volume at\u00edpico de chuva, trata-se de uma situa\u00e7\u00e3o normal para a \u00e9poca. \u201cA condi\u00e7\u00e3o da atmosfera, por causa da alta umidade em raz\u00e3o do ver\u00e3o, favoreceu.\u201d<\/p>\n<p>Gustavo Escobar, do Inpe, chama, no entanto, a situa\u00e7\u00e3o de \u201can\u00f4mala\u201d. \u201cA frente fria que chegou, combinada com atmosfera carregada de umidade e o calor dos \u00faltimos tempos, foi um gatilho para o temporal. A combina\u00e7\u00e3o provocou esse evento an\u00f4malo.\u201d<\/p>\n<p>T\u00e9cnico do Climatempo, Alexandre Nascimento disse que o forte calor dos primeiros meses do ano foi crucial para o forte temporal. \u201cA m\u00e9dia de temperatura em janeiro e fevereiro ficou acima dos 36\u00ba, de cinco a seis graus acima do normal. Caiu um pouco em mar\u00e7o, com m\u00e9dia de 33\u00ba, mas tamb\u00e9m acima do normal. A frente fria encontrou a atmosfera muito quente, \u00famida, e o volume de \u00e1gua foi uma resposta a todo esse calor\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>AQUECIMENTO &#8211; Para o meteorologista Igor Oliveira, do Alerta Rio, ligado ao Georio, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel associar o fen\u00f4meno, que classificou de \u201cat\u00edpico\u201d, com\u00a0 o aquecimento global, mas tamb\u00e9m n\u00e3o se pode descartar sua influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Para ele, abril deste ano vai ficar marcado. \u201cAs chuvas j\u00e1 est\u00e3o acima do normal comparando com outros meses de abril, ent\u00e3o mesmo que daqui para frente chova pouco, isso vai contribuir muito. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 anormal, embora haja uma explica\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o da frente fria com a atmosfera quente e \u00famida. Muita gente gosta de dizer que \u00e9 o aquecimento global, e essa \u00e9 uma hip\u00f3tese muito prov\u00e1vel, mas n\u00e3o d\u00e1 para saber, precisamos de estudos mais amplos.\u201d<br \/>\nOliveira destacou que a mar\u00e9 alta na noite de segunda ajudou a favorecer os alagamentos na cidade do Rio.<\/p>\n<h3>Peixe foi parar na sala de uma empresa<\/h3>\n<p>Quando a estudante J\u00e9ssica Cristine Tavares, 24 anos, abriu a porta de uma das salas da empresa onde trabalhava,\u00a0 por volta das 2h da madrugada da \u00faltima segunda, foi recebida por uma enxurrada: lixo, mato e at\u00e9 peixes foram trazidos pela \u00e1gua barrenta das chuvas que alagam o Rio desde a noite de segunda.<br \/>\nO escrit\u00f3rio em que ela estava com mais duas pessoas fica bem pr\u00f3ximo ao Rio Maracan\u00e3, no bairro da Tijuca, uma das \u00e1reas mais atingidas pela enchente.<\/p>\n<p>\u201cO primeiro andar ficou todo com uns 50 cm de \u00e1gua, chegou no segundo degrau da escada que vai para o segundo andar, onde eu trabalho\u201d, disse J\u00e9ssica.<\/p>\n<p>A estudante desceu as escadas depois que o colega da sala de baixo pediu pelo r\u00e1dio que ela ajudasse a resgatar os computadores, que estavam sendo atingidos pela \u00e1gua. \u201cEle estava de costas para a porta e, quando percebeu, a \u00e1gua j\u00e1 tinha invadido a sala e estava chegando nos computadores\u201d, relatou ao G1.<br \/>\n\u201cQuando eu abri a porta da sala dele, a \u00e1gua entrou numa enxurrada, igual uma cachoeira. Veio junto com mato, lixo, peixe\u201d, diz J\u00e9ssica, que se juntou ao rapaz nos esfor\u00e7os para salvar o equipamento.<\/p>\n<p>\u201cA gente tentou salvar o que podia. V\u00e1rios computadores n\u00f3s n\u00e3o est\u00e1vamos conseguindo tirar do ch\u00e3o, porque a \u00e1gua estava no nosso p\u00e9 e estava dando muito choque. Ent\u00e3o subimos em cima da cadeira e tentamos puxar os fios para desligar os computadores\u201d, conta.<\/p>\n<p>\u201cO Rio Maracan\u00e3 estava parecendo uma cachoeira, n\u00e3o dava para saber o que era rio, o que era rua.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e9ssica s\u00f3 conseguiu sair do trabalho bem depois das 7h, hor\u00e1rio em que termina seu expediente. \u201cN\u00e3o tinha como ningu\u00e9m chegar ou sair de lugar nenhum. Onde as pessoas estavam elas permaneceram. Tanto \u00e9 que agora de manh\u00e3 l\u00e1 na empresa est\u00e1 com falta pra caramba, porque ningu\u00e9m est\u00e1 conseguindo chegar\u201d, diz.<\/p>\n<p>Nos arredores do pr\u00e9dio de J\u00e9ssica, a cena era de desolamento. \u201cO Rio Maracan\u00e3 estava parecendo uma cachoeira, n\u00e3o dava para saber o que era rio, o que era rua. Todo mundo preso, as pessoas que trabalham nos restaurantes tentando sair mas n\u00e3o tinha como. Na rua, a \u00e1gua estava quase chegando na minha cintura, uma \u00e1gua totalmente barrenta\u201d, relata.<\/p>\n<p>Tribuna da Bahia<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Rio de Janeiro registrou volume de chuva recorde para um \u00fanico dia &#8211; o maior em pelo menos 44 anos -, causando estragos, deslizamentos e 100 mortes em v\u00e1rios locais da regi\u00e3o metropolitana desde a noite de segunda at\u00e9 a tarde de ontem. As Zonas Oeste e Norte foram as mais atingidas, especialmente as regi\u00f5es perto do Centro da capital carioca &#8211; s\u00f3 na cidade do Rio, as mortes chegam a 34. Bairros ficaram ilhados e sem energia. 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