{"id":52069,"date":"2013-10-06T16:06:49","date_gmt":"2013-10-06T19:06:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=52069"},"modified":"2013-10-06T16:06:49","modified_gmt":"2013-10-06T19:06:49","slug":"maioria-dos-trabalhadores-resgatados-em-trabalho-escravo-e-do-maranhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2013\/10\/06\/maioria-dos-trabalhadores-resgatados-em-trabalho-escravo-e-do-maranhao\/","title":{"rendered":"Maioria dos trabalhadores resgatados em trabalho escravo \u00e9 do Maranh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/galeria\/2013-10-06\/maranhao-e-um-dos-principais-estados-de-origem-dos-trabalhadores-resgatados-em-todo-pais-em-trabalho-\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil\/files\/imagecache\/300x225\/gallery_assist\/26\/gallery_assist732240\/prev\/ABr250913MCA_6406.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Vargem Grande (MA) &#8211; O Maranh\u00e3o \u00e9 um dos principais estados de origem dos trabalhadores resgatados em todo o pa\u00eds em trabalho escravo. A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) mostra que de 1995 a 2011 foram resgatadas 41,6 mil pessoas. Desses, a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) Rep\u00f3rter Brasil estima que 28,31% s\u00e3o maranhenses.<\/p>\n<p>Em Vargem Grande, no interior estado, esses trabalhadores n\u00e3o s\u00e3o apenas n\u00fameros ou percentuais. Eles t\u00eam nome: Jos\u00e9, Genival, Mateus, Sebasti\u00e3o, entre outros. A\u00a0<b>Ag\u00eancia Brasil<\/b>\u00a0e a<b>TV Brasil<\/b>\u00a0visitaram dois povoados na zona rural da cidade, Riacho do Mel, com 68 fam\u00edlias, e Pequi da Rampa, com 42. Em todas as casas, h\u00e1 algum morador, parente ou amigo pr\u00f3ximo que deixou a comunidade para se submeter a p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias se repetem. S\u00e3o a falta de oportunidade no povoado e a vontade de melhorar de vida que levam os trabalhadores a ir para estados como S\u00e3o Paulo, Par\u00e1, Mato Grosso e Goi\u00e1s. Grande parte trabalhou e trabalha no corte da cana. Na maioria dos casos, antes de deixar as comunidades, eles sabem das longas jornadas e das dificuldades que encontrar\u00e3o. Mas acreditam que o esfor\u00e7o dos anos fora \u00e9 compensado pela geladeira, televis\u00e3o ou moto &#8211; objetos mais cobi\u00e7ados &#8211; que compram quando voltam.<\/p>\n<p><!--more-->Na zona rural de Vargem Grande, as principais fontes de renda s\u00e3o a ro\u00e7a e o baba\u00e7u. Com o dinheiro que se ganha, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel comprar mais do que o necess\u00e1rio para viver e sustentar a fam\u00edlia. Na cidade, tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 muita oferta de emprego, o munic\u00edpio tem um dos 300 piores \u00edndices de Desenvolvimento Humano, ocupa a 5.293\u00aa posi\u00e7\u00e3o em um\u00a0<em>ranking<\/em>\u00a0de 5.565, segundo o<em>\u00a0Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013<\/em>. A renda por pessoa \u00e9 R$ 165,37 por m\u00eas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/galeria\/2013-10-06\/maranhao-e-um-dos-principais-estados-de-origem-dos-trabalhadores-resgatados-em-todo-pais-em-trabalho-\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil\/files\/imagecache\/300x225\/gallery_assist\/26\/gallery_assist732240\/prev\/ABr250913MCA_7331.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cNa quinzena eu ganhava, em m\u00e9dia, R$ 380, R$ 400. Aqui \u00e9 dinheiro que eu n\u00e3o pegava nem no ano. Melhorou muito\u201d, diz Genival Morais da Silva. Ele tem 30 anos e mora em Pequi da Rampa. Em 2007, passou nove meses em S\u00e3o Paulo, trabalhando no corte da cana. \u201cQuando voltei, comprei uma motosserra, uma moto e uma geladeira. Aqui eu n\u00e3o ia conseguir\u201d.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, Genival dividiu um quarto com quatro pessoas. Ele acordava \u00e0s 2h para fazer comida e pegar o \u00f4nibus \u00e0s 5h. Trabalhava at\u00e9 as 16h. Quando chegava ao barraco &#8211; como ele mesmo define &#8211; onde morava, ainda lavava a roupa e fazia o jantar. Desse tempo, ele guarda duas fotos, pelas quais pagou R$ 8. \u201cAs fotos s\u00e3o do dia 15 de agosto. Foi o dia em que o fac\u00e3o caiu da minha m\u00e3o. Fazia muito frio, n\u00e3o consegui segurar\u201d. Quando voltou para a comunidade, Silva casou-se e teve uma filha. Para ele, esse trabalho ficou para tr\u00e1s.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/galeria\/2013-10-06\/maranhao-e-um-dos-principais-estados-de-origem-dos-trabalhadores-resgatados-em-todo-pais-em-trabalho-\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil\/files\/imagecache\/300x225\/gallery_assist\/26\/gallery_assist732240\/prev\/ABr250913MCA_6874.jpg\" \/><\/a>Cada trabalhador que vai e volta com dinheiro acaba incentivando os demais. Foi assim na fam\u00edlia de Maria Batista dos Reis, moradora de Riacho do Mel. Os tr\u00eas filhos passaram ou passam por essa experi\u00eancia. Mateus Batista dos Reis \u00e9 um deles. Trabalhou quatro anos no corte da cana, um ano como tratorista e dez meses como motorista, tudo na mesma usina em S\u00e3o Paulo. Voltou com R$ 35 mil. O dinheiro lhe deu uma casa, uma vendinha, dois a\u00e7udes para pesca e um carro.<\/p>\n<p>\u201cEu tinha uns parentes que foram para l\u00e1 e chegaram com algum dinheiro. A gente fica com aquela vontade de ir tamb\u00e9m e conseguir alguma coisa. Porque aqui n\u00e3o tem servi\u00e7o, n\u00e3o tem emprego. Vamo pra l\u00e1 por conta disso\u201d, diz Reis. Ele e o irm\u00e3o Matias est\u00e3o de volta. Maria, no entanto, aguarda o retorno de Ananias, h\u00e1 cinco anos em S\u00e3o Paulo. \u201cSe fosse por mim, eles nunca tinham ido, mas querem dinheiro. N\u00e3o posso privar. S\u00e3o de maior [maior de idade]. Mas, fico preocupada demais\u201d, diz a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Ir \u00e9 f\u00e1cil. Os chamados gatos s\u00e3o acess\u00edveis na cidade, eles s\u00e3o respons\u00e1veis pela comunica\u00e7\u00e3o entre as empresas e os trabalhadores. \u201cToda sexta-feira sai um \u00f4nibus ali da avenida [BR &#8211; 222] cheio de gente e vai deixando. Deixa em Goi\u00e1s, S\u00e3o Paulo, Mato Grosso do Sul, onde eles acham lugar para ir trabalhar\u201d, diz Maria Helena da Silva, moradora de Pequi da Rampa e integrande da C\u00e1ritas, entidade vinculada \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, que atua no combate ao trabalho escravo na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com Helena, os principais destinos s\u00e3o S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP), para o corte da cana, e Ribeir\u00e3o Preto (SP), para a constru\u00e7\u00e3o civil. Outro destino comum \u00e9 Rio Verde (GO). \u201cTem uma rua l\u00e1 onde todo mundo \u00e9 de Vargem Grande ou Nina Rodrigues [munic\u00edpio vizinho]. Trabalham l\u00e1 no que o pessoal de Goi\u00e1s n\u00e3o quer de jeito nenhum. A\u00ed eles chamam as pessoas do Maranh\u00e3o\u201d, diz. A principal atividade em que atuam \u00e9 o abate de frango.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ag\u00eancia Brasil Vargem Grande (MA) &#8211; O Maranh\u00e3o \u00e9 um dos principais estados de origem dos trabalhadores resgatados em todo o pa\u00eds em trabalho escravo. A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) mostra que de 1995 a 2011 foram resgatadas 41,6 mil pessoas. Desses, a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) Rep\u00f3rter Brasil estima que 28,31% s\u00e3o maranhenses. Em Vargem Grande, no interior estado, esses trabalhadores n\u00e3o s\u00e3o apenas n\u00fameros ou percentuais. Eles t\u00eam nome: Jos\u00e9, Genival, Mateus, Sebasti\u00e3o, entre outros. A\u00a0Ag\u00eancia Brasil\u00a0e aTV Brasil\u00a0visitaram dois povoados na zona rural da cidade, Riacho do Mel, com 68 fam\u00edlias, e Pequi da Rampa,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-52069","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":495,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52069","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52069"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52069\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52070,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52069\/revisions\/52070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}