{"id":51525,"date":"2013-08-21T09:15:00","date_gmt":"2013-08-21T12:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=51525"},"modified":"2013-08-21T09:15:00","modified_gmt":"2013-08-21T12:15:00","slug":"trf-proibe-cef-de-cobrar-emprestimo-atrasado-em-conta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2013\/08\/21\/trf-proibe-cef-de-cobrar-emprestimo-atrasado-em-conta\/","title":{"rendered":"TRF pro\u00edbe CEF de cobrar empr\u00e9stimo atrasado em conta"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Terra<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A Caixa Econ\u00f4mica Federal (CEF) n\u00e3o poder\u00e1 mais debitar valores de contas, seja correntes ou contas sal\u00e1rio, de clientes para cobrir parcelas de empr\u00e9stimos ou financiamentos em atraso. A decis\u00e3o, que tem validade em todo o territ\u00f3rio nacional, foi tomada pela 5\u00aa Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1.\u00aa Regi\u00e3o, ao apreciar a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica apresentada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) contra a institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria.<\/p>\n<p>No processo, a 5.\u00aa Turma declarou a anula\u00e7\u00e3o de uma &#8220;cl\u00e1usula-tipo&#8221; &#8211; usada em diversos contratos &#8211; que previa a reten\u00e7\u00e3o de valores, mediante inadimpl\u00eancia, de contas destinadas ao recebimento de verbas de natureza alimentar, como sal\u00e1rios, pens\u00e3o aliment\u00edcia, pens\u00e3o previdenci\u00e1ria ou aposentadoria.<\/p>\n<p>A restri\u00e7\u00e3o valer\u00e1, tamb\u00e9m, para contratos firmados com a Caixa, mas n\u00e3o inclu\u00eddos os empr\u00e9stimos consignados de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Estes titulares poder\u00e3o ter os valores descontados em folha, mas somente at\u00e9 o limite de 30% do benef\u00edcio previdenci\u00e1rio.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Caixa tamb\u00e9m foi condenada a devolver, em dobro e corrigidos, os valores retidos dos clientes em contratos firmados nos \u00faltimos dez anos. Em caso de descumprimento da decis\u00e3o, o banco ser\u00e1 multado em R$ 20 mil por dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Processo<\/b><br \/>\nA a\u00e7\u00e3o judicial foi protocolada, inicialmente, na 6.\u00aa Vara Federal em Goi\u00e2nia (GO), que deu raz\u00e3o ao MPF, que entendeu que a cl\u00e1usula contestada afronta o artigo 649 do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC) &#8211; que prev\u00ea a impenhorabilidade das verbas alimentares &#8211; e o artigo 70 da Constitui\u00e7\u00e3o, configurando &#8220;pr\u00e1tica abusiva no mercado de consumo&#8221;. Tamb\u00e9m pediu a restitui\u00e7\u00e3o dos valores, em dobro, baseada no artigo 42 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em recurso ao TRF, a Caixa sustentou n\u00e3o haver ilegalidade na cl\u00e1usula-tipo, por n\u00e3o se tratar de &#8220;penhora&#8221; e sim de uma negocia\u00e7\u00e3o leg\u00edtima pactuada entre as partes para solucionar eventual inadimpl\u00eancia e afastou a afirmativa de abusividade ou &#8220;desvantagem exagerada ao consumidor&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Caixa alegou, ainda, a incompet\u00eancia do MPF para apresentar a a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica e pediu que, se acaso fosse vencida, a decis\u00e3o do TRF valesse apenas no \u00e2mbito territorial onde a a\u00e7\u00e3o foi proposta, sem abrang\u00eancia nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todas as alega\u00e7\u00f5es, contudo, foram derrubadas pelo relator da a\u00e7\u00e3o no Tribunal. No voto, o desembargador federal Souza Prudente refor\u00e7ou o entendimento de que a Caixa, ao vincular o empr\u00e9stimo a um bem do cliente &#8211; o dinheiro -, criou um v\u00ednculo &#8220;real&#8221; e n\u00e3o &#8220;pessoal&#8221;. Dessa forma, com base no artigo 1.419 do C\u00f3digo Civil (CC), a cl\u00e1usula deve ser reconhecida como &#8220;penhor&#8221; e se submeter \u00e0s suas regras legais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, conforme previsto no artigo 1.424 do CC, o contrato deveria estipular, entre outros pontos, as &#8220;especifica\u00e7\u00f5es do bem dado em garantia&#8221;, o que n\u00e3o est\u00e1 expl\u00edcito nas condi\u00e7\u00f5es contratuais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;O que se constata, na verdade, \u00e9 que a CEF tentou instituir em seu favor uma garantia real semelhante \u00e0 que a lei concede aos hospedeiros, fornecedores de pousada e alimento e aos locadores de im\u00f3veis, a qual n\u00e3o exige a pr\u00e9via especifica\u00e7\u00e3o dos bens e permite auto-executoriedade&#8221;, citou o relator.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o aos empr\u00e9stimos consignados de aposentados e pensionistas do INSS, no entanto, Souza Prudente reconheceu a legalidade do desconto em folha, mas somente at\u00e9 o limite de 30 por cento do benef\u00edcio e para os contratos firmados a partir do dia 28 de setembro de 2004. Nesta data, foi publicada a Lei 10.953\/2004, que instituiu as mudan\u00e7as na Lei 10.820\/03 e autorizou a reten\u00e7\u00e3o dos valores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Terra A Caixa Econ\u00f4mica Federal (CEF) n\u00e3o poder\u00e1 mais debitar valores de contas, seja correntes ou contas sal\u00e1rio, de clientes para cobrir parcelas de empr\u00e9stimos ou financiamentos em atraso. A decis\u00e3o, que tem validade em todo o territ\u00f3rio nacional, foi tomada pela 5\u00aa Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1.\u00aa Regi\u00e3o, ao apreciar a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica apresentada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) contra a institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria. No processo, a 5.\u00aa Turma declarou a anula\u00e7\u00e3o de uma &#8220;cl\u00e1usula-tipo&#8221; &#8211; usada em diversos contratos &#8211; que previa a reten\u00e7\u00e3o de valores, mediante inadimpl\u00eancia, de contas destinadas ao recebimento de verbas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-51525","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":559,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51525","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51525"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51525\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":51526,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51525\/revisions\/51526"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51525"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51525"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51525"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}