{"id":51488,"date":"2013-08-19T11:10:29","date_gmt":"2013-08-19T14:10:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=51488"},"modified":"2013-08-19T11:10:29","modified_gmt":"2013-08-19T14:10:29","slug":"criado-ha-25-anos-sus-ainda-enfrenta-desafio-na-qualidade-de-atendimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2013\/08\/19\/criado-ha-25-anos-sus-ainda-enfrenta-desafio-na-qualidade-de-atendimento\/","title":{"rendered":"Criado h\u00e1 25 anos, SUS ainda enfrenta desafio na qualidade de atendimento"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>g\u00eancia Brasil\/EBC<\/em><\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; Para garantir sa\u00fade p\u00fablica de qualidade a toda popula\u00e7\u00e3o, o Brasil ainda precisa percorrer um longo caminho. Mas, se de um lado tem desafios como a car\u00eancia de m\u00e9dicos em muitas regi\u00f5es, a distribui\u00e7\u00e3o irregular dos profissionais em seu territ\u00f3rio e a falta ou inadequa\u00e7\u00e3o da estrutura de atendimento em diversas unidades, do outro tem o m\u00e9rito de ser o \u00fanico pa\u00eds com mais de 100 milh\u00f5es de habitantes que assumiu o compromisso de contar com um sistema universal, integral, igualit\u00e1rio e gratuito de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Para conhecer melhor a realidade da sa\u00fade p\u00fablica, a\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, em parceria com a\u00a0<strong>TV Brasil<\/strong>, enviou uma equipe de reportagem ao Amazonas, Maranh\u00e3o e Piau\u00ed. Durante sete dias, os rep\u00f3rteres percorreram capitais e cidades do interior dos tr\u00eas estados das regi\u00f5es Norte e Nordeste para conhecer a realidade dos moradores e de ind\u00edgenas que dependem da sa\u00fade p\u00fablica. Tamb\u00e9m foram mobilizadas equipes do Distrito Federal, de S\u00e3o Paulo e do Rio de Janeiro. Durante a semana, a\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>TV Brasil<\/strong>\u00a0divulgar\u00e3o uma s\u00e9rie &#8211;<em>\u00a0Raio X da Sa\u00fade<\/em>\u00a0\u2013 sobre as car\u00eancias do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e, tamb\u00e9m, os hospitais que, mesmo mantidos por dinheiro p\u00fablico, s\u00e3o refer\u00eancias nacionais e internacionais.<!--more--><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil\/files\/imagecache\/300x225\/gallery_assist\/27\/gallery_assist728369\/prev\/ABr010813MCA_9541.jpg\" \/>No Maranh\u00e3o, a dona de casa Gra\u00e7a Mendes, 56 anos destacou a import\u00e2ncia da popula\u00e7\u00e3o local poder contar com o atendimento integral e gratuito. Segundo ela, embora n\u00e3o tenha nenhum v\u00ednculo empregat\u00edcio, pode recorrer a um posto de sa\u00fade ou a um hospital quando precisa de atendimento. Nem sempre foi assim: at\u00e9 h\u00e1 algumas d\u00e9cadas somente pessoas formalmente empregadas e seus dependentes podiam utilizar a rede de sa\u00fade mantida pelo Estado, por meio do antigo Instituto Nacional de Assist\u00eancia M\u00e9dica da Previd\u00eancia Social (Inamps). Os outros brasileiros, que quisessem ou precisassem de atendimento, deveriam pagar diretamente por ele.<\/p>\n<p>&#8220;A sa\u00fade p\u00fablica, claro, poderia e deveria melhorar, mas \u00e9 melhor a gente ter esse direito do que ficar sem ele. Temos que cobrar melhoria dos servi\u00e7os e lutar por isso&#8221;, disse Gra\u00e7a, que \u00e9 usu\u00e1ria da rede p\u00fablica h\u00e1 tr\u00eas anos, desde que ficou vi\u00fava e n\u00e3o teve mais como pagar o plano de sa\u00fade.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 instituiu o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), que tem sua origem no movimento conhecido como Revolu\u00e7\u00e3o Sanit\u00e1ria, nascido nos meios acad\u00eamicos na d\u00e9cada de 1970. Seu principal pilar era a defesa da sa\u00fade como direito de todos. O movimento teve como marco a 8\u00ba Confer\u00eancia Nacional de Sa\u00fade, em 1986, que, al\u00e9m de ajudar a propag\u00e1-lo, produziu um relat\u00f3rio final que serviu de base para os debates na Assembleia Constituinte.<\/p>\n<p>Defensores da reforma, como o sanitarista S\u00e9rgio Arouca, que foi presidente da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), tiveram grande destaque \u00e0 \u00e9poca e ajudaram o Brasil a implantar o modelo de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade como conhecemos hoje.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil\/files\/imagecache\/300x225\/gallery_assist\/27\/gallery_assist728369\/prev\/ABr010813MCA_9513.jpg\" \/>A lavradora Raimunda Ferreira de Oliveira, de 79 anos, que nunca trabalhou com carteira assinada, lembra como era a sa\u00fade antes da cria\u00e7\u00e3o do SUS. &#8220;A gente tinha que pagar para ver o m\u00e9dico. Aqui, em Ros\u00e1rio &#8211; munic\u00edpio maranhense -, tinha um m\u00e9dico s\u00f3 e a gente ia na casa dele para ser atendida quando acontecia alguma coisa&#8221;, contou.<\/p>\n<p>Na estrat\u00e9gia adotada pelo SUS n\u00e3o h\u00e1 hierarquia entre os n\u00edveis de governo, mas cada uma das esferas &#8211; federal, estadual e municipal &#8211; tem compet\u00eancias distintas. O principal financiador da sa\u00fade p\u00fablica no pa\u00eds \u00e9 a Uni\u00e3o que, tamb\u00e9m, tem a responsabilidade de formular pol\u00edticas na \u00e1rea. Essas pol\u00edticas devem ser implementadas por estados e munic\u00edpios. Cabe aos governos estaduais organizar o atendimento em seu territ\u00f3rio e aos munic\u00edpios gerir as a\u00e7\u00f5es e os servi\u00e7os ofertados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Eles &#8211; os munic\u00edpios &#8211; s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pela sa\u00fade de seus habitantes. Se um munic\u00edpio n\u00e3o tem todos os servi\u00e7os, deve pactuar com cidades vizinhas o encaminhamento das demandas a outras localidades onde eles s\u00e3o encontrados.<\/p>\n<p>Atualmente, segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, s\u00e3o feitos, a cada ano, na rede do SUS, 3,7 bilh\u00f5es de procedimentos ambulatoriais, 531 milh\u00f5es de consultas m\u00e9dicas e 11 milh\u00f5es de interna\u00e7\u00f5es. O Sistema \u00danico de Sa\u00fade tamb\u00e9m \u00e9 considerado o maior sistema p\u00fablico de transplantes de \u00f3rg\u00e3o do mundo, al\u00e9m de responder por 98% do mercado de vacinas e por 97% dos procedimentos de quimioterapia. Entre os anos de 2010 e 2012, foram feitos 32,8 milh\u00f5es de procedimentos oncol\u00f3gicos por meio do SUS.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil\/files\/imagecache\/300x225\/gallery_assist\/27\/gallery_assist728369\/prev\/ABr290713MCA_8329.jpg\" \/>Diante da dimens\u00e3o do SUS, para que a rede funcione em harmonia, a porta de entrada deve ser a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, formada pelos postos e centros de sa\u00fade, al\u00e9m das unidades do Programa Sa\u00fade da Fam\u00edlia. Estudos demonstram que esse est\u00e1gio de atendimento \u00e9 capaz de resolver aproximadamente 80% dos problemas de sa\u00fade. Somente ap\u00f3s passar pela aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, o paciente deve ser encaminhado, se necess\u00e1rio, a outros servi\u00e7os de maior complexidade, como hospitais e cl\u00ednicas especializadas, onde s\u00e3o feitos exames, consultas e algumas cirurgias (m\u00e9dia complexidade) e procedimentos que envolvem tecnologia mais avan\u00e7ada, como os de traumato-ortopedia, cardiologia, terapia renal substitutiva e oncologia (alta complexidade).<\/p>\n<p>Um dos principais problemas na implanta\u00e7\u00e3o do SUS, segundo especialistas, autoridades e profissionais, \u00e9 que a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica n\u00e3o d\u00e1 conta desse papel inicial, de funcionar como porta de entrada do sistema, e as unidades de m\u00e9dia e alta complexidade acabam sobrecarregadas. Muitas vezes, as doen\u00e7as dos pacientes encaminhados aos hospitais poderiam ser evitadas, com a\u00e7\u00f5es mais efetivas na \u00e1rea da preven\u00e7\u00e3o ou tratadas em est\u00e1gio inicial. Nesse primeiro n\u00edvel de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, segundo o modelo brasileiro, a popula\u00e7\u00e3o tem acesso a especialidades b\u00e1sicas: cl\u00ednica geral, pediatria, obstetr\u00edcia e ginecologia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; g\u00eancia Brasil\/EBC Bras\u00edlia &#8211; Para garantir sa\u00fade p\u00fablica de qualidade a toda popula\u00e7\u00e3o, o Brasil ainda precisa percorrer um longo caminho. Mas, se de um lado tem desafios como a car\u00eancia de m\u00e9dicos em muitas regi\u00f5es, a distribui\u00e7\u00e3o irregular dos profissionais em seu territ\u00f3rio e a falta ou inadequa\u00e7\u00e3o da estrutura de atendimento em diversas unidades, do outro tem o m\u00e9rito de ser o \u00fanico pa\u00eds com mais de 100 milh\u00f5es de habitantes que assumiu o compromisso de contar com um sistema universal, integral, igualit\u00e1rio e gratuito de sa\u00fade. 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