{"id":5119,"date":"2010-04-06T06:47:32","date_gmt":"2010-04-06T09:47:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=5119"},"modified":"2010-04-06T06:47:32","modified_gmt":"2010-04-06T09:47:32","slug":"acao-de-trabalho-escravo-contra-rei-da-soja-se-arrasta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/04\/06\/acao-de-trabalho-escravo-contra-rei-da-soja-se-arrasta\/","title":{"rendered":"A\u00e7\u00e3o de trabalho escravo contra &#8220;rei da soja&#8221; se arrasta"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" title=\"soja\" src=\"http:\/\/www.congressoemfoco.com.br\/upload\/congresso\/eraimaggi.jpg\" alt=\"\" width=\"319\" height=\"270\" \/>Justi\u00e7a Federal em Mato levou onze meses para citar Erai Maggi, considerado o maior produtor de soja do Brasil, pelo crime de trabalho escravo. O &#8220;rei da soja&#8221; foi denunciado em abril de 2009 pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), mas a carta precat\u00f3ria que intimou em Rondon\u00f3polis o primo do governo do Mato Grosso e mais quatro acusados, s\u00f3 retornou para a 5\u00aa Vara da Justi\u00e7a Federal em Cuiab\u00e1 no dia 29 de mar\u00e7o deste ano.<\/p>\n<p>No andamento processual da carta precat\u00f3ria, a Justi\u00e7a Federal no estado justifica que a cita\u00e7\u00e3o tinha sido devolvida em janeiro deste ano sem a cita\u00e7\u00e3o dos acusados &#8220;em virtude da grande quantidade de mandados no final de ano, com retorno ap\u00f3s o recesso forense&#8221;. Erai e seus irm\u00e3os Elusmar e Fernando Maggi, o cunhado Jos\u00e9 Maria Bortoli, e o dono da fazenda Vale do Rio Verde, Caetano Polato, reduziram 41 trabalhadores \u00e0 condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga de escravo, segundo a den\u00fancia do MPF.<\/p>\n<p>Os trabalhadores foram libertados da fazenda localizada no munic\u00edpio de Tapurah (MT), ainda em janeiro de 2008, pelo Grupo M\u00f3vel de Combate ao Trabalho Escravo do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE).<\/p>\n<p>O caso dos irm\u00e3os Maggi \u00e9 apenas um dos que se arrastam na Justi\u00e7a e tendem \u00e0 impunidade.<strong>\u201cQuadro assustador\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u201cUm quadro assustador\u201d. Assim os fiscais do TEM classificaram o que viram na fazenda arrendada pelos Maggi na \u00e9poca do flagrante. Por isso, o local foi interditado entre os dias 21 a 26 de janeiro de 2008. A produ\u00e7\u00e3o de soja e algod\u00e3o foi interrompida depois que os fazendeiros receberam 73 autos de infra\u00e7\u00e3o e quando foi constatado &#8220;risco grave e iminente, capaz de causar danos \u00e0 sa\u00fade e acidentes com les\u00f5es graves para os trabalhadores\u201d.<!--more--><\/p>\n<p>Em mar\u00e7o deste ano, reportagem do jornal <em>O Estado de S. Paulo<\/em> mostrou que Erai Maggi plantou nesta safra 223 mil hectares de soja, a maior extens\u00e3o j\u00e1 cultivada no pa\u00eds por um \u00fanico produtor, superando o primo Blairo Maggi.<\/p>\n<p>Ainda segundo o jornal, a \u00e1rea plantada equivaleria \u00e0 metade de todo o cultivo de soja do estado de S\u00e3o Paulo e sua produ\u00e7\u00e3o corresponde a 60% da produ\u00e7\u00e3o paulista com uma renda anual com o gr\u00e3o de R$ 300 milh\u00f5es. O grupo de Blairo, diz o <em>Estado de S.Paulo<\/em>, plantou neste ano 168 mil hectares, &#8220;mas n\u00e3o acompanha a incr\u00edvel taxa de expans\u00e3o das \u00e1reas cultivadas por Erai&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Carandiru<\/strong><\/p>\n<p>O alojamento onde dormiam os trabalhadores resgatados, um galp\u00e3o de madeira, recebeu o sugestivo apelido de Carandiru. O massacre do Carandiru, como ficou conhecido, aconteceu em outubro de 1992. Neste dia, uma rebeli\u00e3o na Casa de Deten\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo causou a morte de cento e onze detentos ap\u00f3s a invas\u00e3o do local pela Pol\u00edcia Militar do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&#8220;O local utilizado como dormit\u00f3rio degrada a condi\u00e7\u00e3o de qualquer ser humano, pois al\u00e9m de superlotado, estava imundo e sem qualquer tipo de prote\u00e7\u00e3o. Ademais, n\u00e3o havia ilumina\u00e7\u00e3o e ventila\u00e7\u00e3o adequadas, sem privacidade, sem arm\u00e1rios, sem nenhuma higiene, extremamente desconfort\u00e1vel e inadequado para o repouso&#8221;, diz a den\u00fancia dos procuradores da Rep\u00fablica, Vanessa Scarmagnani e Gustavo Nogami.<br \/>\n\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<br \/>\nOs fiscais do trabalho tamb\u00e9m encontraram os trabalhadores submetidos \u00e0 jornada de trabalho extenuante de at\u00e9 11h di\u00e1rias, exposi\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios\u00a0ao uso de agrot\u00f3xicos e sem equipamentos de seguran\u00e7a. &#8220;Havia perman\u00eancia de trabalhadores nas \u00e1reas durante a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea, sendo que muitos eram atingidos diretamente por tais aplica\u00e7\u00f5es\u201d, relata a den\u00fancia.<\/p>\n<p><strong>Reincidente<\/strong><\/p>\n<p>O dono da Fazenda, Caetano Polato, \u00e9 reincidente na pr\u00e1tica do mesmo crime. O fazendeiro j\u00e1 havia sido flagrado usando trabalho escravo na mesma propriedade pelos fiscais e assinou termo de ajustamento de conduta com o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT) no Mato Grosso em 2001 e em 2005.<\/p>\n<p>&#8220;Por seu turno, Caetano Polato tinha plena consci\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es degradantes em que os trabalhadores desenvolviam suas atividades, tendo inclusive prestado informa\u00e7\u00f5es para o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho, em sede de Termo de Ajustamento de Conduta, como representante da fazenda&#8221;, informa a a\u00e7\u00e3o do MPF.<\/p>\n<p>Por meio de sua assessoria, Polato informou que vai pedir ao juiz para sair da a\u00e7\u00e3o penal, pois s\u00f3 arrendou a fazenda para os irm\u00e3os Maggi a partir de agosto de 2006. &#8220;Ele era administrador da fazenda e, por isso, a presen\u00e7a dele era constante no local. Vamos aguardar as provas na Justi\u00e7a Federal para se posicionar sobre o caso&#8221;, diz a procuradora da Rep\u00fablica, Vanessa Scarmagnani, uma das autoras da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n<p>O<strong> Congresso em Foco<\/strong> tentou contato com os irm\u00e3os Maggi junto \u00e0 empresa deles, o grupo Bom Futuro, desde a semana passada, mas a reportagem n\u00e3o obteve retorno aos pedidos de entrevista.<\/p>\n<p><strong>Candidatura negada<\/strong><\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 30 de mar\u00e7o, o governador Blairo Maggi (PR) foi aos jornais locais para dizer que o primo n\u00e3o seria candidato ao Senado pelo PDT. A informa\u00e7\u00e3o tinha sido divulgada na semana anterior, mas foi negada pelo diret\u00f3rio do partido em Mato Grosso. &#8220;Ele nunca pensou em sair para o Senado. Nem ele sabe de onde surgiu essa especula\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou Maggi durante um dos atos do seu governo.<\/p>\n<p>Segundo o governador, Erai &#8220;sequer cogitou a possibilidade de uma disputa a senador&#8221;. Se entrasse na disputa, os primos iriam acabar se enfrentando nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. Os jornais locais chegaram a dizer que Erai seria recebido naquela semana pelo ministro do Trabalho e presidente do PDT, Carlos Lupi, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>O constragimento estaria armado, pois Lupi comanda o grupo m\u00f3vel de combate ao trabalho escravo, o mesmo que autuou a fazenda de Maggi e que serviu como base para a den\u00fancia do MPF. A suposta reuni\u00e3o foi classificada como &#8220;planta\u00e7\u00e3o&#8221; pelo PDT local. Segundo a assessoria do deputado estadual Otaviano Pivetta, presidente do PDT regional, o encontro com Lupi aconteceu com ex-procurador da Rep\u00fablica, Pedro Taques, este sim, candidato ao senado pelo PDT local.<\/p>\n<p>Congresso em Foco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Justi\u00e7a Federal em Mato levou onze meses para citar Erai Maggi, considerado o maior produtor de soja do Brasil, pelo crime de trabalho escravo. O &#8220;rei da soja&#8221; foi denunciado em abril de 2009 pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), mas a carta precat\u00f3ria que intimou em Rondon\u00f3polis o primo do governo do Mato Grosso e mais quatro acusados, s\u00f3 retornou para a 5\u00aa Vara da Justi\u00e7a Federal em Cuiab\u00e1 no dia 29 de mar\u00e7o deste ano. 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