{"id":50954,"date":"2013-07-15T09:19:27","date_gmt":"2013-07-15T12:19:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=50954"},"modified":"2013-07-15T09:19:27","modified_gmt":"2013-07-15T12:19:27","slug":"fotos-em-show-de-mc-daleste-podem-revelar-assassino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2013\/07\/15\/fotos-em-show-de-mc-daleste-podem-revelar-assassino\/","title":{"rendered":"Fotos em show de MC Daleste podem revelar assassino"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>G1<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O Fant\u00e1stico apresenta uma investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica sobre a viol\u00eancia no funk de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>H\u00e1 oito dias, o cantor MC Daleste foi assassinado com dois tiros, durante um show na periferia de Campinas.<\/p>\n<p>No instante do crime, muita gente estava filmando. Agora, a pol\u00edcia busca uma imagem que desvende o mist\u00e9rio: quem matou Daleste?<\/p>\n<p>Uma foto obtida com exclusividade pelo Fant\u00e1stico, foi tirada segundos antes do MC Daleste tomar um tiro\u00a0 no peito, no meio de um show. O autor da imagem: um dos melhores amigos do cantor.<\/p>\n<p>\u201cEle foi para o meu lado, eu fui mais para tr\u00e1s, tirei a foto, foi a hora que o cara atirou\u201d, lembra o fot\u00f3grafo. Renato Avaia.<\/p>\n<p>O impacto do tiro foi testemunhado por milhares de f\u00e3s. Muitos filmavam o show e registraram o crime. As cenas mostram, de v\u00e1rios \u00e2ngulos, Daleste sendo atingido.<!--more--><\/p>\n<p>Foram dois disparos em dire\u00e7\u00e3o ao cantor. O primeiro passa de rasp\u00e3o, entre o bra\u00e7o e o corpo. Ele se assusta e reclama.<\/p>\n<p>\u201cA gente achou estranho, ele foi at\u00e9 n\u00f3s, mostrou, se fez alguma coisa. Eu falei: volta mano, vai trocar o certo pelo duvidoso? Ele n\u00e3o, preferiu fitar, ficar em cima do palco\u201d, conta Rodrigo Pellegrini.<\/p>\n<p>O MC volta a cantar. Menos de 2 minutos depois, veio o tiro fatal.<\/p>\n<p>\u201cQuando ele caiu, ele j\u00e1 caiu olhando para o meu olho. Ele falou: \u2019Pet, eu morri?\u2019 Eu falei: n\u00e3o mano, voc\u00ea n\u00e3o morreu, voc\u00ea vai comigo. Ele estava acho que meio em estado de choque nessa situa\u00e7\u00e3o, eu peguei ele, ele mostrou onde estancou a m\u00e3o, lembra MC Pet.<\/p>\n<p>A bala tinha atravessado o peito dele. Ele cai. Se levanta. Ergue a camisa e mostra o ferimento para o irm\u00e3o. Tumulto no palco. Confus\u00e3o na plateia.<\/p>\n<p>\u201cEu olhei para o lado, o p\u00fablico tudo correndo, ningu\u00e9m mais no palco, s\u00f3 eu e o irm\u00e3o dele. Foi a hora que ele levantou, viu que tava saindo sangue, conta Renato.<\/p>\n<p>A morte foi not\u00edcia no mundo todo. Mas quem era o MC Daleste, um jovem de 20 anos, um dos cantores mais populares da periferia paulistana?<\/p>\n<p>Daleste usava esse nome em homenagem \u00e0 Zona Leste de S\u00e3o Paulo, onde nasceu e vivia.<\/p>\n<p>\u201cEu falei: voc\u00ea vai ser MC Daleste, porque fica s\u00f3 na Zona Leste, n\u00e3o sai, depois ele fez show no Brasil todo\u201d, diz o irm\u00e3o Rodrigo Pedreira.<\/p>\n<p>\u201cA gente mora na periferia, ele mesmo com todo o sucesso, ganhando todo o dinheiro, a gente nunca saiu daqui, onde a gente gostava de estar, onde tem amigos, destaca Marcelo de Souza Almeida, cunhado de Daleste e motorista dos shows.<\/p>\n<p>Foi em uma casa simples que o marceneiro Rolland criou Daniel, verdadeiro nome de Daleste, e mais tr\u00eas filhos. Vi\u00favo, ele mora na periferia at\u00e9 hoje. E decorou o quarto com os presentes que ganhou do filho famoso.<\/p>\n<p>\u201cTelevis\u00e3o, telesc\u00f3pio, isso a\u00ed tudo ele me deu, helic\u00f3ptero. Tudo ele me d\u00e1\u201d, afirma Rolland.<\/p>\n<p>O filho herdou do pai o gosto pelas j\u00f3ias.<\/p>\n<p>\u201cEle gostava j\u00f3ias. Muito. \u00c9 um prazer que eu tamb\u00e9m gosto. \u00c0s vezes eu ponho em todos os dedos, todo mundo que me v\u00ea na rua \u00e9 assim. Eu n\u00e3o sou cigano, mas eu adoro j\u00f3ia\u201d, admite o pai.<\/p>\n<p>Daleste era muito ligado \u00e0 fam\u00edlia, mas saiu cedo de casa para morar com a namorada. Os dois se conheceram na escola. Viviam juntos havia cinco anos.<\/p>\n<p>Fant\u00e1stico: A melhor lembran\u00e7a que voc\u00ea tem dele, qual \u00e9?<\/p>\n<p>\u00c9rica: Era ouvir ele cantando no chuveiro. A vida dele era isso. Era cantar e criar m\u00fasica, ele era um compositor. N\u00e3o s\u00f3 de funk, qualquer tipo de m\u00fasica ele fazia. E ele pegava li\u00e7\u00f5es de vida tamb\u00e9m, hist\u00f3rias de vida, e transformava em m\u00fasica, cantava. A vida dele era cantar, cantar. S\u00f3 isso.<\/p>\n<p>Daleste come\u00e7ou cedo no funk, o primeiro show foi com 16 anos. Escrevia as pr\u00f3prias m\u00fasicas. As letras do come\u00e7o de carreira faziam apologia ao crime e acusa\u00e7\u00f5es \u00e0 pol\u00edcia. Mas nos \u00faltimos anos, Daleste mudou o estilo.<\/p>\n<p>Esse tipo de funk \u00e9 cada vez mais popular na periferia de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cO funk de ostenta\u00e7\u00e3o \u00e9 o funk que conta o sonho da galera da comunidade. A princ\u00edpio isso realmente era um sonho, e hoje gra\u00e7as a Deus a maioria dos artistas de funk ostenta\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o conseguindo viver essa ostenta\u00e7\u00e3o que eles t\u00e3o pregando\u201d, analisa o produtor de videoclipe Konrad Dantas.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7ou em meados de 2008, mais ou menos, na cidade Tiradentes, Zona Leste de S\u00e3o Paulo, e a dupla que mais difundiu essa ramifica\u00e7\u00e3o do funk foi uma dupla chamada de Backdi e Bio G3. \u00c9 classe a, n\u00f3is temos carro, moto e dinheiro\u201d, completa o produtor.<\/p>\n<p>Konrad foi um dos pioneiros a produzir v\u00eddeoclipes em que funkeiros ostentam roupas de marca, mulheres bonitas e carros poderosos. Eles s\u00e3o divulgados principalmente pela internet. Alguns s\u00e3o vistos milh\u00f5es de vezes.<\/p>\n<p>O videoclipe que teve mais acesso, quase 29 milh\u00f5es de acessos. Em cinco dias deu um milh\u00e3o de exibi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Daleste n\u00e3o foi o primeiro caso de morte violenta do funk paulista. Desde 2010, 05 MCs, o nome que se d\u00e1 aos cantores de funk e rap, foram assassinados no estado.<\/p>\n<p>Nenhum acusado foi preso at\u00e9 agora. A secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica informou por telefone que as investiga\u00e7\u00f5es est\u00e3o avan\u00e7adas e existe uma lista de suspeitos identificados.<\/p>\n<p>\u201cA gente tinha muito medo de acontecer alguma coisa por ter acontecido com outros MCs, outros cantores. Mas amea\u00e7a ele nunca, se teve nunca ele n\u00e3o avisou ningu\u00e9m\u201d, diz a vi\u00fava \u00c9rica Teixeira Franco.<\/p>\n<p>A \u00faltima apresenta\u00e7\u00e3o do MC Daleste aconteceu\u00a0 neste palco montado em cima de um trailer, h\u00e1 uma semana, na periferia de Campinas, interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O cantor estava no meio do palco quando tomou um tiro no peito, disparado a uma dist\u00e2ncia de cerca de 30 metros, segundo a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o tinha carro de pol\u00edcia nem ambul\u00e2ncia por perto, os amigos decidiram socorrer o cantor no pr\u00f3prio carro. Mas eles n\u00e3o sabiam para onde lev\u00e1-lo. E demoraram quase meia hora para chegar at\u00e9 um hospital em\u00a0<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/sp\/campinas-regiao\/cidade\/paulinia.html\">Paul\u00ednia<\/a>, cidade vizinha a Campinas.<\/p>\n<p>\u201dNo decorrer desse trajeto a gente foi ficando mais desesperado porque fui vendo que ele n\u00e3o estava t\u00e3o bem\u201d<\/p>\n<p>\u201cEle falou, chegou at\u00e9 me falar uma vez: \u2018p\u00f4 eu pensava que do\u00eda tomar tiro\u2019, porque ele nunca tinha passado por isso, \u2018mas n\u00e3o d\u00f3i nada, Pet\u2019. Mas ele estava perdendo muito sangue, ele estava ficando fraco, a\u00ed ele falou que avoz dele foi ficando distante\u201d, diz Pet.<\/p>\n<p>\u201cOs l\u00e1bios foram ficando brancos, o olho foi ficando fundo, tipo, a gente olhava mas eu j\u00e1 n\u00e3o sentia ele a\u00ed, entendeu?\u201d, conta Marcelo.<\/p>\n<p>\u201cE ele ficou aguentando. E eu: \u2018Voc\u00ea est\u00e1 respirando legal?\u2019 E ele: \u2018p\u00f4, estou respirando legal, t\u00e1 normal, s\u00f3 estou sentindo que est\u00e1 saindo muito sangue, t\u00f4 ficando um pouco meio tonto\u2019. A\u00ed eu, foi na hora que a gente chegou no hospital, coloquei, peguei ele e coloquei em cima da maca e ent\u00e3o fui segurando na m\u00e3o dele at\u00e9 a sala de cirurga, n\u00e9?\u201d, conta Pet.<\/p>\n<p>Em menos de uma hora, Daleste estava morto. Uma semana depois, o assassinato do cantor desafia a pol\u00edcia.<\/p>\n<p>\u201cFoi premeditado, planejado, imagino que n\u00e3o foi do dia para noite, pela complexidade do disparo. O atirador, acreditamos que ele estudou o local antes de praticar o crime\u201d, diz o delegado Fl\u00e1vio de Carvalho.<\/p>\n<p>O delegado do caso ainda n\u00e3o tem uma pista segura. E investiga todas as hip\u00f3teses.<\/p>\n<p>\u201cTanto do crime passional, desentendimento em rela\u00e7\u00e3o aos organizadores da festa, tanto quanto ao mundo do crime propriamente dito, os funkeiros\u201d, analisa o delegado.<\/p>\n<p>Quem matou o MC Daleste e por qu\u00ea?\u00a0 As imagens do momento do crime s\u00e3o fundamentais para investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Renato tem 19 anos, era amigo e f\u00e3 do cantor MC Daleste. A amizade dos dois era t\u00e3o grande que o cantor comprou uma m\u00e1quina e deu\u00a0 para que ele registrasse os melhores momentos dos shows. Naquela noite, Renato estava no palco e fez algumas fotos. Logo depois, o amigo foi baleado e acabou morrendo no hospital.<\/p>\n<p>\u201cEssas imagens ningu\u00e9m tem. Eu t\u00f4 do lado da caixa\u201d, conta um amigo.<\/p>\n<p>O amigo revela que Daleste fez um pedido antes de entrar no hospital.<\/p>\n<p>\u201cFalou: \u2018pega a c\u00e2mera a\u00ed, tira uma foto de mim\u2019. Eu falei: n\u00e3o vou tirar uma foto sua porque eu ainda vou tirar muita foto sua. A\u00ed foi na hora que n\u00f3s colocou ele na maca e ele entrou dentro do hospital\u201d, lembra Renato.<\/p>\n<p>Esse registro Renato n\u00e3o fez. Mas ele cedeu com exclusividade ao Fant\u00e1stico as 18 fotos que tirou durante o show. A nosso pedido, o perito Nelson Massini analisou as imagens.<\/p>\n<p>&#8220;De todo o material que eu examinei, essas fotos s\u00e3o absolutamente fundamentais. Elas retratam e certamente revelam o assassino disperso a\u00ed nessa multid\u00e3o&#8221;, afirma o perito e professor da Uerj, Nelson Massini.<\/p>\n<p>Para o perito, confrontar a trajet\u00f3ria dos tiros, as marcas das balas no trailer, com essas fotos, vai indicar o lugar exato onde estava o atirador.<\/p>\n<p>\u201cPela qualidade e pela abrang\u00eancia que esse grupo de fotos faz \u00e9 poss\u00edvel. Por a\u00ed \u00e9 poss\u00edvel dar uma verdadeira contribui\u00e7\u00e3o para se chegar ao verdadeiro homicida\u201d, conclui Massini.<\/p>\n<p>O pai diz que s\u00f3 v\u00ea um motivo para o assassinato.<\/p>\n<p>\u201cInveja, inveja&#8230; Inveja, inveja\u201d, lamenta o marceneiro Rolland Ribeiro Pellegrini.<\/p>\n<p>E se emociona ao ouvir a m\u00fasica que o filho fez especialmente para ele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; G1 O Fant\u00e1stico apresenta uma investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica sobre a viol\u00eancia no funk de S\u00e3o Paulo. H\u00e1 oito dias, o cantor MC Daleste foi assassinado com dois tiros, durante um show na periferia de Campinas. No instante do crime, muita gente estava filmando. Agora, a pol\u00edcia busca uma imagem que desvende o mist\u00e9rio: quem matou Daleste? Uma foto obtida com exclusividade pelo Fant\u00e1stico, foi tirada segundos antes do MC Daleste tomar um tiro\u00a0 no peito, no meio de um show. 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