{"id":50938,"date":"2013-07-14T10:04:48","date_gmt":"2013-07-14T13:04:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=50938"},"modified":"2013-07-14T10:04:48","modified_gmt":"2013-07-14T13:04:48","slug":"taxa-de-homicidios-de-negros-cresce-9-em-cinco-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2013\/07\/14\/taxa-de-homicidios-de-negros-cresce-9-em-cinco-anos\/","title":{"rendered":"Taxa de homic\u00eddios de negros cresce 9% em cinco anos"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<p>Rio de Janeiro \u2013 Favela Danon, munic\u00edpio de Nova Igua\u00e7u, 20 de junho de 2011, Baixada Fluminense. O menino Juan Moraes voltava para casa sem imaginar que aqueles seriam os \u00faltimos momentos de sua vida. O que aconteceu no instante em que foi morto \u00e9 nebuloso e ainda n\u00e3o foi totalmente esclarecido, pois o caso ainda ser\u00e1 julgado pelo Tribunal do J\u00fari.<\/p>\n<p>Den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico (MP), no entanto, relata que Juan, um menino negro, de 11 anos de idade, foi morto por policiais militares, que faziam uma opera\u00e7\u00e3o na favela. De acordo com o MP, os policiais atiraram na crian\u00e7a, pensando que ele era um traficante de drogas. Ao perceber que tinham matado um menino desarmado, os policiais tentaram ocultar o crime escondendo o corpo.<!--more--><\/p>\n<p>O crime, talvez, nunca tivesse a autoria identificada se um irm\u00e3o de Juan, ferido na a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sobrevivesse. Foi ele quem relatou o desaparecimento do irm\u00e3o e a tentativa dos policiais em sumir com o corpo. Juan foi um dos 35.207 cidad\u00e3os negros assassinados no pa\u00eds em 2011, segundo levantamento feito pela\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>com base em dados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Mortalidade (SIM) do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/p>\n<p>Cruzando as informa\u00e7\u00f5es do minist\u00e9rio com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), verifica-se que, em 2011, a taxa de homic\u00eddios dessa popula\u00e7\u00e3o foi 35,2 por 100 mil habitantes, taxa 9% acima do que a observada cinco anos antes, quando foram registrados 29.925 casos, ou seja, 32,4 por 100 mil habitantes.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que negros ficaram mais vulner\u00e1veis \u00e0 viol\u00eancia nesses cinco anos, a taxa de homic\u00eddios da popula\u00e7\u00e3o branca caiu 13%, ao passar de 17,1 por 100 mil habitantes em 2006 (15.753 em n\u00famero absoluto) para 14,9 por mil em 2011 (13.895 casos).<\/p>\n<p>O dado reflete a grande disparidade racial que existe no Brasil, quando se trata de v\u00edtimas de assassinatos. Com o aumento dos homic\u00eddios entre a popula\u00e7\u00e3o negra, a probabilidade de um preto ou pardo ser v\u00edtima de assassinato no pa\u00eds passou a ser 2,4 vezes maior do que a de um branco. Em 2006, a propor\u00e7\u00e3o era 1,9.<\/p>\n<p>M\u00e3e de um jovem negro executado em 2006 por um grupo de exterm\u00ednio, na Baixada Santista, em S\u00e3o Paulo, D\u00e9bora Maria da Silva n\u00e3o v\u00ea uma melhora na situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. O gari Edson Rog\u00e9rio Silva dos Santos foi morto a tiros em maio de 2006, durante uma onda de ataques no estado de S\u00e3o Paulo, quando sa\u00eda para comprar rem\u00e9dio.<\/p>\n<p>Para a m\u00e3e de Edson, os negros s\u00e3o as maiores v\u00edtimas, porque moram nas \u00e1reas mais pobres da cidade. Segundo ela, o Estado ainda mant\u00e9m uma postura racista, mesmo 125 anos ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cTemos que acabar com isso. N\u00e3o vivemos mais no tempo da escravatura, que se tem coron\u00e9is, capit\u00e3es-do-mato e sinhozinhos. Apesar de permanecerem as senzalas, que s\u00e3o as periferias, e os por\u00f5es dos navios negreiros, que s\u00e3o os pres\u00eddios\u201d, disse D\u00e9bora, que lidera um movimento por justi\u00e7a para os assassinatos de maio de 2006.<\/p>\n<p>Para o coordenador da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) Observat\u00f3rio das Favelas, Ja\u00edlson de Souza, o aumento da taxa de homic\u00eddios de negros tem rela\u00e7\u00e3o com a mudan\u00e7a geogr\u00e1fica dos assassinatos no pa\u00eds. Nos \u00faltimos anos, enquanto o Sul e o Sudeste t\u00eam vivenciado a redu\u00e7\u00e3o das taxas de homic\u00eddios, o Norte e Nordeste t\u00eam visto um aumento da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Esses estados, segundo Souza, s\u00e3o os que concentram as maiores popula\u00e7\u00f5es de pretos e pardos. \u201cQuando essa geografia da morte muda, e h\u00e1 mais viol\u00eancia no Norte e Nordeste, essa mudan\u00e7a acaba por gerar mais morte de negros, sejam pardos ou pretos. Em Alagoas, por exemplo, h\u00e1 um branco para cada 20 negros\u201d, disse.<\/p>\n<p>Dos cinco estados onde o assassinato de negros mais cresceu, quatro s\u00e3o do Nordeste e um no Norte. O Rio Grande do Norte teve um crescimento de 2,7 vezes na taxa de homic\u00eddios, ao passar de 16,1 por 100 mil habitantes, em 2006, para 43,6 por 100 mil, em 2011. Na Para\u00edba, a taxa dobrou, de 30,1 para 60,3 por 100 mil.<\/p>\n<p>Entre os outros estados onde o crescimento foi grande entre 2006 e 2011, est\u00e3o Alagoas (de 53,9 para 90,5 por 100 mil habitantes), o Amazonas (de 22,3 para 42 por 100 mil) e Cear\u00e1 (de 17,8 para 29 por 100 mil).<\/p>\n<p>Para Ja\u00edlson de Souza, o crescimento econ\u00f4mico do pa\u00eds, sem uma mudan\u00e7a da estrutura social, tamb\u00e9m contribui para o incremento da viol\u00eancia entre as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis. \u201cNosso desafio \u00e9 reconhecer que n\u00e3o basta o crescimento econ\u00f4mico, tem que ter uma pol\u00edtica que leve em conta o racismo, que \u00e9 um elemento estrutural da desigualdade brasileira.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ag\u00eancia Brasil Rio de Janeiro \u2013 Favela Danon, munic\u00edpio de Nova Igua\u00e7u, 20 de junho de 2011, Baixada Fluminense. 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