{"id":50933,"date":"2013-07-13T14:27:56","date_gmt":"2013-07-13T17:27:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=50933"},"modified":"2013-07-13T14:27:56","modified_gmt":"2013-07-13T17:27:56","slug":"mais-de-um-terco-das-vitimas-de-homicidios-em-2011-no-brasil-foram-de-homens-negros-entre-15-e-29-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2013\/07\/13\/mais-de-um-terco-das-vitimas-de-homicidios-em-2011-no-brasil-foram-de-homens-negros-entre-15-e-29-anos\/","title":{"rendered":"Mais de um ter\u00e7o das v\u00edtimas de homic\u00eddios em 2011 no Brasil foram de homens negros entre 15 e 29 anos"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<p>Rio de Janeiro \u2013 Homem, negro, com idade entre 15 e 29 anos. Esta \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o da principal v\u00edtima de homic\u00eddios no pa\u00eds, segundo dados obtidos pela\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil\u00a0<\/strong>no Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Mortalidade (SIM), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Dos 52.198 homic\u00eddios ocorridos no Brasil em 2011, 18.387 tiveram como v\u00edtimas homens negros entre 15 e 29 anos, ou seja, 35,2% do total.<\/p>\n<p>De acordo com a cientista social \u00c1urea Carolina de Freitas, que integra o F\u00f3rum das Juventudes da Grande Belo Horizonte, o fen\u00f4meno \u00e9 consequ\u00eancia de fatores como uma pol\u00edcia que n\u00e3o respeita os direitos humanos e uma cultura social que n\u00e3o valoriza a vida do jovem negro que mora na periferia das cidades.<\/p>\n<p>\u201cSeria preciso uma mudan\u00e7a radical no Sistema Judici\u00e1rio, nessa l\u00f3gica de encarceramento em massa, de ver a juventude negra sempre como um suspeito, que mesmo calado est\u00e1 errado, da pr\u00e1tica de primeiro atirar para depois perguntar o que a pessoa est\u00e1 fazendo. Recebemos muita den\u00fancia de pessoas que primeiro apanham, e s\u00f3 depois a pol\u00edcia pergunta o que est\u00e1 fazendo naquela hora, naquele lugar\u201d, disse a ativista.<!--more--><\/p>\n<p>Segundo Felipe Freitas, da Secretaria de Pol\u00edticas de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial (Seppir) da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, a persist\u00eancia da viol\u00eancia contra a juventude negra resulta tanto do processo hist\u00f3rico no pa\u00eds, em que a popula\u00e7\u00e3o negra foi sendo empurrada para as \u00e1reas mais pobres e vulner\u00e1veis das cidades, como do racismo que ainda persiste na sociedade.<\/p>\n<p>\u201cEssas popula\u00e7\u00f5es foram empurradas para as \u00e1reas mais vulner\u00e1veis das cidades, reduzindo suas oportunidades de inclus\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o na vida social do pa\u00eds. Isto j\u00e1 \u00e9 um racismo. Mas al\u00e9m disto, temos a persist\u00eancia desse fen\u00f4meno, gerando novas desigualdades. O jovem n\u00e3o consegue entrar no espa\u00e7o p\u00fablico e ser tratado como igual. Ele \u00e9 mais facilmente capturado pelo sistema prisional. A culpa desse sujeito \u00e9 mais rapidamente presumida sem o devido processo legal\u201d, declarou.<\/p>\n<p>De acordo com a Seppir, h\u00e1 evid\u00eancias de que a sociedade brasileira tolera mais a morte de negros do que de brancos. Uma pesquisa feita pela secretaria em parceria com o DataSenado, em 2012, mostrou que, para 55,8% da popula\u00e7\u00e3o, a morte violenta de um jovem negro choca menos a sociedade do que a morte violenta de um jovem branco.<\/p>\n<p>Quando ao racismo institucional, existem casos em que os policiais recebem instru\u00e7\u00f5es claras de que negros s\u00e3o suspeitos, como ocorreu com uma ordem de servi\u00e7o da 2\u00aa Companhia de Pol\u00edcia Militar de Campinas (SP), que orientavam policiais a abordar \u201cespecialmente indiv\u00edduos de cor parda e negra, com idade entre 18 e 25 anos em grupos de tr\u00eas a cinco indiv\u00edduos\u201d.<\/p>\n<p>Quando a not\u00edcia circulou pela imprensa, no in\u00edcio deste ano, a Pol\u00edcia Militar de S\u00e3o Paulo se defendeu dizendo que o objetivo da ordem era atender a um pedido da popula\u00e7\u00e3o local, que reclamava de um grupo de criminosos que atuava na regi\u00e3o e tinha, como caracter\u00edstica, ser composto por pretos e pardos com idades entre 18 e 25 anos.<\/p>\n<p>Felipe Freitas coordena um plano do governo federal chamado Juventude Viva, lan\u00e7ado no ano passado, com o objetivo de diminuir os assassinatos de jovens negros em 132 munic\u00edpios priorit\u00e1rios nas 27 unidades da Federa\u00e7\u00e3o, que, juntos, concentravam 70% dos homic\u00eddios contra jovens negros em 2010.<\/p>\n<p>O plano pretende articular diversas a\u00e7\u00f5es do governo federal, em articula\u00e7\u00e3o com estados munic\u00edpios e sociedade civil, buscando transformar os territ\u00f3rios onde vivem essas pessoas e dar mais oportunidades de inclus\u00e3o social \u00e0 juventude negra.<\/p>\n<p>Entre as medidas do plano, est\u00e3o sensibilizar a opini\u00e3o p\u00fablica sobre a viol\u00eancia contra os negros, implanta\u00e7\u00e3o de equipamentos de cultura e lazer nas comunidades pobres, redu\u00e7\u00e3o da letalidade policial e combate ao racismo institucional nos \u00f3rg\u00e3os governamentais.<\/p>\n<p>Por enquanto, o plano s\u00f3 foi lan\u00e7ado em quatro munic\u00edpios de Alagoas, mas Freitas acredita que o Juventude Viva chegar\u00e1, at\u00e9 o final deste ano, a 61 munic\u00edpios de seis estados (Para\u00edba, S\u00e3o Paulo, Bahia, Esp\u00edrito Santo, Rio de Janeiro, Par\u00e1 e Rio Grande do Sul), al\u00e9m do Distrito Federal.<\/p>\n<p>Ele alerta, no entanto, que os efeitos do plano podem demorar a aparecer nas estat\u00edsticas de homic\u00eddios. \u201cO funcionamento de um equipamento nas comunidades, como uma pra\u00e7a de esporte, cultura e lazer, por exemplo, tem uma dimens\u00e3o imediata. A redu\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade j\u00e1 come\u00e7a a ser sentida. Agora, a redu\u00e7\u00e3o dos homic\u00eddios efetivamente demora mais. Os n\u00fameros de letalidade se revertem com muita lentid\u00e3o. N\u00e3o s\u00e3o um movimento r\u00e1pido\u201d, disse Freitas.<\/p>\n<p>Outra a\u00e7\u00e3o da Seppir para reduzir a viol\u00eancia policial contra a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 a defesa da aprova\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei 4.471, que tramita na C\u00e2mara dos Deputados. Ele prev\u00ea a ado\u00e7\u00e3o de mais transpar\u00eancia na investiga\u00e7\u00e3o dos chamados autos de resist\u00eancia, ou seja, as mortes em confrontos com a pol\u00edcia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ag\u00eancia Brasil Rio de Janeiro \u2013 Homem, negro, com idade entre 15 e 29 anos. 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