{"id":50768,"date":"2013-07-04T10:05:05","date_gmt":"2013-07-04T13:05:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=50768"},"modified":"2013-07-04T10:05:05","modified_gmt":"2013-07-04T13:05:05","slug":"norte-e-nordeste-sao-os-que-mais-sofrem-com-falta-de-medicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2013\/07\/04\/norte-e-nordeste-sao-os-que-mais-sofrem-com-falta-de-medicos\/","title":{"rendered":"Norte e Nordeste s\u00e3o os que mais sofrem com falta de m\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>IG<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Em Marechal Thaumaturgo, no Acre, quatro m\u00e9dicos \u201ccadastrados\u201d \u2013 o que significa com registro no Conselho Regional de Medicina do Estado \u2013 se revezam no atendimento da popula\u00e7\u00e3o. Eles contam com o apoio de mais quatro m\u00e9dicos estrangeiros, que n\u00e3o t\u00eam o diploma validado ainda, para auxili\u00e1-los no atendimento dos 15 mil habitantes do munic\u00edpio. Os estrangeiros s\u00e3o os \u00fanicos que moram na cidade. Os outros vivem em Rio Branco.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/cu\/48\/ez\/cu48ezvkvs4rrqfuwy9706d1p.jpg\" \/><figcaption><cite>J. Duran Machfee\/Futura Press<\/cite><\/p>\n<div>M\u00e9dicos realizam protesto na avenida Paulista, em S\u00e3o Paulo, nesta quarta-feira (3)<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/colunistas\/mateusprado\/2013-07-04\/a-curto-prazo-e-preciso-ter-medicos-estrangeiros-e-a-medio-vagas-em-medicina.html\">\u00a0<\/a><\/p>\n<p>Distante 700 quil\u00f4metros da capital, o munic\u00edpio conta com um hospital, mas a estrutura n\u00e3o permite atendimentos de m\u00e9dia complexidade. Nesses casos, \u00e9 preciso sair da cidade, de avi\u00e3o ou de barco. As dificuldades vividas pelos moradores de Marechal refletem o que h\u00e1 por tr\u00e1s das estat\u00edsticas dispon\u00edveis sobre a distribui\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos em todo o pa\u00eds. A desigualdade de oferta e atendimento ocorre em todo lugar.<\/p>\n<p>Apenas 4% dos profissionais brasileiros, registrados nos conselhos, est\u00e3o na regi\u00e3o Norte. A propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de 0,9 m\u00e9dico por 1 mil habitantes na regi\u00e3o. Para o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 muito baixa. Est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia nacional, de 1,8 m\u00e9dico por 1 mil habitantes, tamb\u00e9m considerada aqu\u00e9m do necess\u00e1rio para o pa\u00eds. O n\u00famero \u00e9 inferior ao do Reino Unido (2,7), cujo sistema de sa\u00fade \u00e9 universal, Argentina (3,2) e Uruguai (3,7).<!--more--><\/p>\n<p>Dos cinco estados brasileiros com menos de 1 m\u00e9dico para atender cada 1 mil habitantes, tr\u00eas est\u00e3o na regi\u00e3o Norte e dois no Nordeste. A pior situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a do Maranh\u00e3o, com rela\u00e7\u00e3o 0,58 m\u00e9dico por 1 mil habitantes. Do total, 21 Estados est\u00e3o abaixo da m\u00e9dia nacional usada pelo governo, cujo ano de refer\u00eancia \u00e9 2012. O Distrito Federal tem a maior propor\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos por habitante (3,46), segundo o levantamento (confira mapa).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/brasil\/2013-07-01\/solucao-para-falta-de-medicos-depende-de-acao-em-varias-frentes.html\">Solu\u00e7\u00e3o para falta de m\u00e9dicos depende de a\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias frentes<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Entenda:\u00a0<a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/mundo\/bbc\/2013-06-09\/por-que-cuba-tem-tantos-medicos.html\">Por que Cuba tem tantos m\u00e9dicos?<\/a><\/strong><\/p>\n<p>A refer\u00eancia \u00e9 a mais utilizada para definir a quantidade de m\u00e9dicos no pa\u00eds. Apesar de revelar desigualdades, ela ainda esconde diferen\u00e7as maiores dos munic\u00edpios. Em uma mesma cidade, a realidade das periferias, \u00e1reas pobres e de conflitos n\u00e3o \u00e9 a mesma das demais em termos de oferta de m\u00e9dicos. Nessas regi\u00f5es, os m\u00e9dicos s\u00e3o ainda mais escassos. O mapa do Estado de S\u00e3o Paulo ilustra bem a situa\u00e7\u00e3o: 57,6% desses profissionais est\u00e3o na regi\u00e3o metropolitana.<\/p>\n<p><strong>Car\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, dos 360 mil m\u00e9dicos em atividade no Brasil em 2012, 206 mil trabalhavam na regi\u00e3o Sudeste. Um estudo da Esta\u00e7\u00e3o de Pesquisas de Sinais de Mercado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sobre a escassez de m\u00e9dicos no pa\u00eds mostra que cerca de 1,3 mil dos 5.565 munic\u00edpios brasileiros possuem um m\u00e9dico para atender cada 3 mil habitantes. Do total de cidades, 7% n\u00e3o possuem m\u00e9dicos que morem nesses locais.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/e6\/uy\/4u\/e6uy4uh6cdmk42m21gagssbqz.jpg\" \/><figcaption><cite>Arte iG<\/cite><\/p>\n<div>Distribui\u00e7\u00e3o de M\u00e9dicos no Brasil; veja abaixo o infogr\u00e1fico completo<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/brasil\/2013-06-23\/entidades-criticam-importacao-de-medicos.html\">Entidades criticam &#8216;importa\u00e7\u00e3o&#8217; de m\u00e9dicos<\/a><\/p>\n<p><strong>Ontem:\u00a0<a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/brasil\/sp\/2013-07-03\/protesto-de-medicos-interdita-a-avenida-paulista-em-sao-paulo.html\">Protesto de m\u00e9dicos interdita a avenida Paulista em S\u00e3o Paulo<\/a><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/saude.ig.com.br\/minhasaude\/2013-06-30\/medicos-de-venezuela-e-bolivia-criticam-experiencia-de-importar-cubanos.html\">M\u00e9dicos de Venezuela e Bol\u00edvia criticam experi\u00eancia de &#8216;importar&#8217; cubanos<\/a><\/p>\n<p>E a proje\u00e7\u00e3o do governo \u00e9 de que o d\u00e9ficit de m\u00e9dicos aumente. Marechal Thaumaturgo \u00e9 um dos 1.568 que pediram m\u00e9dicos pelo Programa de Valoriza\u00e7\u00e3o do Profissional da Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Provab) e n\u00e3o conseguiram. Em todo o pa\u00eds, 55% das 2.867 cidades que pediram os profissionais n\u00e3o receberem nenhum. As primeiras sele\u00e7\u00f5es do programa, a maior aposta do governo para a interioriza\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos, abriram 13 mil vagas e 3,6 mil foram preenchidas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da demanda do programa que financia profissionais com bolsas de R$ 8 mil e concede b\u00f4nus de 10% em programas de resid\u00eancia depois aos participantes, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade estima criar 35 mil postos de trabalho (confira tabela) para m\u00e9dicos at\u00e9 2015. As vagas surgir\u00e3o em hospitais, unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade e de pronto-atendimento.<\/p>\n<p>\u201cAinda formamos poucos profissionais para o tamanho das nossas car\u00eancias e diferentes pesquisas mostram isso. Somente na medicina surgem mais empregos que profissionais. H\u00e1 um grande desafio h\u00e1 ser resolvido e n\u00e3o \u00e9 uma pol\u00edtica isolada de sa\u00fade que vai resolver, mas h\u00e1 essa necessidade de m\u00e9dicos\u201d, analisa o coordenador da Esta\u00e7\u00e3o de Pesquisas de Sinais de Mercado da Universidade Federal de Minas Gerais, Sabado Girardi.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Carlos Figueiredo Nardi, presidente do Conselho Nacional de Secret\u00e1rios Municipais de Sa\u00fade (Conasems), refor\u00e7a o coro da falta de profissionais na maioria das cidades do pa\u00eds. Secret\u00e1rio em Maring\u00e1, munic\u00edpio do Paran\u00e1 que possui um dos melhores \u00edndices de qualidade de vida do Brasil, ele conta que nove equipes de sa\u00fade da fam\u00edlia de l\u00e1 est\u00e3o sem m\u00e9dicos. Dos 16 profissionais aprovados no \u00faltimo concurso, apenas cinco assumiram a vaga.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 a minha realidade, em uma cidade grande, planejada. As dificuldades no interior s\u00e3o muito maiores. A realidade \u00e9 que faltam m\u00e9dicos para atender no servi\u00e7o p\u00fablico e na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de sa\u00fade. Por isso, defendo a vinda de estrangeiros para c\u00e1\u201d, desabafa. O Conselho Federal de Medicina discorda. Para a entidade, a carreira precisa ser reformulada, garantindo est\u00edmulos para que o m\u00e9dico v\u00e1 para essas regi\u00f5es carentes.<\/p>\n<p>Aloizio Tibiri\u00e7\u00e1, vice-presidente do CFM, diz que o Estado precisa assumir a responsabilidade de suprir a car\u00eancia de profissionais e condi\u00e7\u00f5es de trabalho nas regi\u00f5es mais in\u00f3spitas. \u201cSeria preciso um incentivo p\u00fablico para que se fixassem m\u00e9dicos nesses locais, com estrutura e equipes adequadas, garantia de forma\u00e7\u00e3o continuada nesses locais, que, muitas vezes, s\u00e3o como pra\u00e7as de guerra. Isso n\u00e3o \u00e9 atrativo, \u00e9 preciso ter condi\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d, critica.<\/p>\n<p>Os dados mais recentes do CFM, de 2013, j\u00e1 registram 387 mil m\u00e9dicos e uma rela\u00e7\u00e3o de 2 m\u00e9dicos por 1 mil habitantes no pa\u00eds. O governo n\u00e3o usa os n\u00fameros porque diverge das metodologias usadas na contagem.<\/p>\n<p><strong>Medidas pol\u00eamicas<\/strong><\/p>\n<p>Uma das propostas mais pol\u00eamicas anunciadas pelo governo para suprir a falta de m\u00e9dicos nas regi\u00f5es de interior e periferia \u00e9 a atra\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos estrangeiros. O ministro da Sa\u00fade, Alexandre Padilha, garante que a sele\u00e7\u00e3o s\u00f3 ser\u00e1 feita para vagas que os brasileiros n\u00e3o quiserem assumir. Cerca de 10 mil postos devem ser oferecidos. Elias de Souza Moura, obstetra acreano, \u00e9 contra a medida. \u201c\u00c9 um paliativo\u201d, diz.<\/p>\n<p>Morador da cidade de Sena Madureira, distante 144 km da capital do Acre, ele trabalha h\u00e1 27 anos na rede p\u00fablica do munic\u00edpio. \u201cAs dificuldades aqui s\u00e3o grandes, de dist\u00e2ncia e acesso aos munic\u00edpios. Temos uma faculdade que forma 40 m\u00e9dicos por ano e nenhum vai para o interior\u201d, afirma. Arinaldo Leal, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Piauense de Munic\u00edpios (Appm), tamb\u00e9m defende que as pol\u00edticas sejam mais abrangentes.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de ter m\u00e9dico. \u00c9 tudo muito complexo. O SUS paga pouco aos profissionais, eles precisam de infraestrutura adequada e precisamos pensar como fazer essas pessoas viverem longe dos grandes centros\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Keyser Alan dos Santos Bastos, secret\u00e1rio municipal de sa\u00fade do munic\u00edpio acreano de Marechal Thaumaturgo, de 37 anos, n\u00e3o v\u00ea possibilidades de solu\u00e7\u00e3o para os pequenos munic\u00edpios sem os estrangeiros. Ele lembra que s\u00f3 os peruanos que atuam em sua cidade aceitam morar l\u00e1. Os outros se revezam a cada semana no atendimento da cidade, que ainda possui duas unidades de sa\u00fade na \u00e1rea rural.<\/p>\n<p>Para chegar l\u00e1, \u00e9 necess\u00e1ria uma viagem de um dia de barco. Os m\u00e9dicos s\u00f3 passam l\u00e1 uma semana por m\u00eas. No resto do tempo, um enfermeiro e um t\u00e9cnico atendem \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. \u201cOutros profissionais, como enfermeiros e psic\u00f3logos v\u00e3o para o interior. Por que o m\u00e9dico n\u00e3o? Eles querem ficar nos grandes centros porque sabem que a vida \u00e9 melhor. A gente abdica de muita coisa para ficar no interior\u201d, comenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; IG Em Marechal Thaumaturgo, no Acre, quatro m\u00e9dicos \u201ccadastrados\u201d \u2013 o que significa com registro no Conselho Regional de Medicina do Estado \u2013 se revezam no atendimento da popula\u00e7\u00e3o. Eles contam com o apoio de mais quatro m\u00e9dicos estrangeiros, que n\u00e3o t\u00eam o diploma validado ainda, para auxili\u00e1-los no atendimento dos 15 mil habitantes do munic\u00edpio. Os estrangeiros s\u00e3o os \u00fanicos que moram na cidade. Os outros vivem em Rio Branco. J. Duran Machfee\/Futura Press M\u00e9dicos realizam protesto na avenida Paulista, em S\u00e3o Paulo, nesta quarta-feira (3) \u00a0 Distante 700 quil\u00f4metros da capital, o munic\u00edpio conta com um hospital,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-50768","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":651,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50768","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50768"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50768\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":50770,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50768\/revisions\/50770"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50768"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50768"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50768"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}