{"id":49721,"date":"2013-04-24T21:07:26","date_gmt":"2013-04-25T00:07:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=49721"},"modified":"2013-04-24T21:07:26","modified_gmt":"2013-04-25T00:07:26","slug":"estiagem-na-regiao-do-semiarido-e-a-pior-dos-ultimos-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2013\/04\/24\/estiagem-na-regiao-do-semiarido-e-a-pior-dos-ultimos-50-anos\/","title":{"rendered":"Estiagem na regi\u00e3o do Semi\u00e1rido \u00e9 a pior dos \u00faltimos 50 anos"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia Brasil\/EBC<\/em><\/p>\n<p>Petrolina (PE) \u2013 Mesmo com a s\u00faplica do sertanejo por chuva, a estiagem na regi\u00e3o do Semi\u00e1rido n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9gua. \u00c9 a pior registrada nos \u00faltimos 50 anos. De acordo com o governo federal, 1.415 munic\u00edpios sofrem com a, que afeta a vida de quase 22 milh\u00f5es de brasileiros. A falta de chuva atinge mais de 90% dos munic\u00edpios do Semi\u00e1rido e ultrapassou a extens\u00e3o das 1.135 cidades que o comp\u00f5em.<\/p>\n<p>A Secretaria Nacional de Defesa Civil j\u00e1 decretou situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia e estado de calamidade p\u00fablica em 1.046 munic\u00edpios. A \u00e1rea mais atingida pela seca, o Semi\u00e1rido brasileiro, estende-se por oito estados da Regi\u00e3o Nordeste (Alagoas, Bahia, Cear\u00e1, Para\u00edba, Pernambuco, Piau\u00ed, Rio Grande do Norte e Sergipe), al\u00e9m do norte de Minas Gerais, totalizando uma extens\u00e3o territorial de mais de 980 quil\u00f4metros quadrados.<!--more--><\/p>\n<p>O agricultor Jos\u00e9 Al\u00edrio de Macedo, de 61 anos, morador da zona rural de Petrolina (PE) conta que at\u00e9 o momento choveu apenas 28 mil\u00edmetros (mm) na regi\u00e3o onde vive. O per\u00edodo chuvoso no munic\u00edpio, que tem in\u00edcio em dezembro e pode se estender at\u00e9 maio, tem em m\u00e9dia 530 mm. Apesar da estiagem atual, o agricultor cultiva feij\u00e3o, milho e sorgo para alimentar seu pequeno rebanho.<\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 feia. Se Deus n\u00e3o tiver compaix\u00e3o, ningu\u00e9m vai ficar com nada. E o per\u00edodo mais cr\u00edtico ainda n\u00e3o come\u00e7ou, que \u00e9 de agosto para a frente. Ano passado n\u00e3o plantei nada por causa da seca. Nunca vi dois anos diretos sem chuva, como j\u00e1 est\u00e1 acontecendo\u201d.<\/p>\n<p>Com os frequentes problemas causados pela seca, Macedo passou 14 anos trabalhando em S\u00e3o Paulo. Os seis filhos resistiram e ficaram na cidade, mas o agricultor e a mulher voltaram para o sert\u00e3o. \u201cO cidad\u00e3o fica velho e quer estar perto das suas origens\u201d.<\/p>\n<p>A gravidade da situa\u00e7\u00e3o levou o governo federal a investir R$ 32 bilh\u00f5es nas chamadas obras estruturantes, que garantem o abastecimento de \u00e1gua de forma definitiva, como barragens, canais, adutoras e esta\u00e7\u00f5es elevat\u00f3rias. Al\u00e9m disso, anunciou no in\u00edcio deste m\u00eas mais R$ 9 bilh\u00f5es em a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 estiagem.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o \u00e9 que cada munic\u00edpio atingido pela seca receba uma retroescavadeira, uma motoniveladora, dois caminh\u00f5es (um ca\u00e7amba e um pipa) e uma p\u00e1 carregadeira. O governo tamb\u00e9m vai distribuir 340 mil toneladas de milho at\u00e9 o fim do m\u00eas de maio para serem vendidas aos produtores a pre\u00e7o subsidiado.<\/p>\n<p>Para o coordenador-geral da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Caatinga, Giovanne Xenofonte, a realidade do Semi\u00e1rido \u00e9 atenuada com os programas de transfer\u00eancia de renda do governo federal, como o Bolsa Fam\u00edlia e o Garantia Safra.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 tanto que, mesmo sendo a maior seca dos \u00faltimos 50 anos, a gente n\u00e3o est\u00e1 vendo o que tradicionalmente ocorria nas secas passadas: saques e invas\u00f5es das fam\u00edlias na regi\u00e3o. Ent\u00e3o, esse \u00e9 o panorama. Se por um lado a gente tem um ambiente muito mais vulner\u00e1vel, por outro a gente tem algumas a\u00e7\u00f5es governamentais que amenizam a situa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O coordenador cita a crise da economia local como uma das consequ\u00eancias da estiagem prolongada. Al\u00e9m da alta nos pre\u00e7os dos alimentos na regi\u00e3o devido a queda na produ\u00e7\u00e3o, os animais que sobrevivem \u00e0 estiagem perderam seu valor de mercado e podem ser vendidos por at\u00e9 metade do pre\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cAs fam\u00edlias agricultoras est\u00e3o descapitalizadas, elas perderam sua poupan\u00e7a [o rebanho]. Elas tiveram que vender [esses animais] por causa da seca e [cobraram] um pre\u00e7o bem abaixo do que normalmente \u00e9 comercializado\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Xenofonte, isso tudo tem um impacto forte no com\u00e9rcio, porque estamos numa regi\u00e3o eminentemente agr\u00edcola. \u201cE quando tem uma seca dessa, que afeta as fam\u00edlias agricultoras, todo com\u00e9rcio sente. A gente nota uma paralisa\u00e7\u00e3o, uma desacelera\u00e7\u00e3o na economia. O que tem mantido de fato s\u00e3o as rendas dos programas governamentais\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>O engenheiro agr\u00f4nomo e pesquisador da Embrapa Semi\u00e1rido, Pedro Gama, destaca que a seca \u00e9 um fen\u00f4meno recorrente e c\u00edclico da regi\u00e3o do Semi\u00e1rido, mas que o pa\u00eds ainda n\u00e3o est\u00e1 suficientemente preparado para enfrentar. \u201cA seca, como esse fen\u00f4meno de estiagem que \u00e9 recorrente, \u00e9 muito comum . A popula\u00e7\u00e3o sabe [disso], [faz parte do semi\u00e1rido].<\/p>\n<p>\u201cMas isso que estamos vivendo, essa estiagem prolongada, \u00e9 uma crise clim\u00e1tica e ocorre a cada 40, 50 anos. Houveram avan\u00e7os, mas ainda \u00e9 pouco. Precisa de muito investimento em pesquisas, pol\u00edticas p\u00fablicas para que estejamos preparados para enfrentar crise desse tipo\u201d.<\/p>\n<p>Gama tamb\u00e9m ressalta que as pol\u00edticas de transfer\u00eancias de renda do governo federal amenizam os efeitos da seca, mas n\u00e3o impedem de desencadear outros tr\u00eas impactos: social, de produ\u00e7\u00e3o e clim\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u201cO que ocorre com a seca \u00e9 que ela sempre leva a uma crise de produ\u00e7\u00e3o. Ou seja, n\u00e3o se produzem alimentos [suficientes] para a popula\u00e7\u00e3o e para os animais. A outra [crise] \u00e9 o problema da seguran\u00e7a alimentar, que se chama abastecimento de \u00e1gua. Esgotam-se os mananciais e [isso] passa a ser um grande limitante, n\u00e3o s\u00f3 de produ\u00e7\u00e3o, como para a popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Gama, h\u00e1 tamb\u00e9m a crise social, que aparecia fortemente nas secas anteriores e provocava os fen\u00f4menos migrat\u00f3rios. Ele lembrou que hoje n\u00e3o se v\u00ea isso, porque de alguma forma, os programas de subven\u00e7\u00e3o social atuam como um amortecedor dos impactos sociais. \u201cDe certa forma, eles protegem essa popula\u00e7\u00e3o pobre dos impactos de uma seca desse tipo\u201d.<\/p>\n<p>Para o pesquisador o aumento do valor dos alimentos, com o agravamento da seca, gera uma segunda etapa na \u201ccrise clim\u00e1tica\u201d com a corros\u00e3o do apoio social das pol\u00edticas de transfer\u00eancia. \u201cEsse impacto todo pode ser atenuado pela \u00e1rea irrigada, n\u00e3o h\u00e1 crise pr\u00f3xima de uma fonte de \u00e1gua. Onde existe um dinamismo levado por essa cultura irrigada, muda totalmente no entorno\u201d, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ag\u00eancia Brasil\/EBC Petrolina (PE) \u2013 Mesmo com a s\u00faplica do sertanejo por chuva, a estiagem na regi\u00e3o do Semi\u00e1rido n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9gua. \u00c9 a pior registrada nos \u00faltimos 50 anos. De acordo com o governo federal, 1.415 munic\u00edpios sofrem com a, que afeta a vida de quase 22 milh\u00f5es de brasileiros. A falta de chuva atinge mais de 90% dos munic\u00edpios do Semi\u00e1rido e ultrapassou a extens\u00e3o das 1.135 cidades que o comp\u00f5em. A Secretaria Nacional de Defesa Civil j\u00e1 decretou situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia e estado de calamidade p\u00fablica em 1.046 munic\u00edpios. 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