{"id":49714,"date":"2013-04-24T11:37:13","date_gmt":"2013-04-24T14:37:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=49714"},"modified":"2013-04-24T11:37:13","modified_gmt":"2013-04-24T14:37:13","slug":"domestica-ou-diarista-veja-como-a-justica-define-quem-e-quem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2013\/04\/24\/domestica-ou-diarista-veja-como-a-justica-define-quem-e-quem\/","title":{"rendered":"Dom\u00e9stica ou diarista: veja como a Justi\u00e7a define quem \u00e9 quem"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>IG<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Se um diarista trabalha mais de dois dias por semana para um mesmo patr\u00e3o no Brasil, \u00e9 prov\u00e1vel que seja considerado um empregado com direito a registro em carteira. Esse \u00e9 o entendimento mais comum entre os 24 Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) do Pa\u00eds, de acordo com um levantamento nacional feito pelo\u00a0<strong>iG<\/strong>\u00a0. Em alguns Estados, por\u00e9m \u2013 como o Rio \u2013 \u00e9 preciso trabalhar mais de tr\u00eas dias.<\/p>\n<div>\u00a0O n\u00famero de trabalhadores que prestam servi\u00e7o em mais de uma resid\u00eancia quase dobrou em dez anos. Em 2001, eram 1 milh\u00e3o e, em 2011, j\u00e1 representavam cerca de 2 milh\u00f5es dos 6,7 milh\u00f5es de dom\u00e9sticos do Pa\u00eds, ou 30% da categoria.\u00a0<a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/2013-03-27\/lei-das-domesticas-eleva-busca-por-diaristas-dizem-agencias-de-emprego.html\" target=\"_blank\">Esse avan\u00e7o deve ser impulsionado pela nova lei das dom\u00e9sticas, sancionada em abril<\/a>\u00a0.<\/div>\n<p>Mas, at\u00e9 hoje, o Congresso Nacional n\u00e3o definiu quem \u00e9, exatamente, o diarista. Por isso, se h\u00e1 uma diverg\u00eancia entre quem contrata e quem presta o servi\u00e7o, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 ir para a Justi\u00e7a. E, nos processos, o n\u00famero de dias trabalhados por semana costuma ser fundamental para diferenciar uma faxineira de uma dom\u00e9stica com direito a contrato de trabalho, por exemplo.<!--more--><\/p>\n<p>Acontece que a Justi\u00e7a tamb\u00e9m n\u00e3o chegou at\u00e9 hoje a um entendimento \u00fanico sobre o assunto. Embora no Tribunal Superior do Trabalho (TST) \u2013 \u00faltima inst\u00e2ncia trabalhista \u2013 a posi\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria seja a de que \u00e9 diarista quem trabalha &#8220;dois ou tr\u00eas dias&#8221; por semana, o \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o editou uma s\u00famula sobre o assunto. Nem deve editar, conforme disse\u00a0<a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/2013-04-02\/a-domestica-que-faz-cafe-almoco-jantar-e-cuida-de-alguem-deve-acabar.html\" target=\"_blank\">em abril a ministra Dela\u00edde Miranda Arantes,<\/a>\u00a0em entrevista ao\u00a0<strong>iG.<\/strong><\/p>\n<p>A maioria dos TRTs, entretanto, j\u00e1 chegou a um posicionamento mais ou menos pacificado sobre onde termina a figura do diarista e come\u00e7a a do mensalista. Em dez dos 24 tribunais, quem trabalha mais de dois dias na semana para o mesmo patr\u00e3o tende a ser considerado mensalista. Ou seja, se o empregador n\u00e3o registrar esse empregado, \u00e9 grande a chance de de que seja obrigado a faz\u00ea-lo pela Justi\u00e7a \u2013 e pagar todas as verbas devidas.<\/p>\n<p>Nas nove unidades da Federa\u00e7\u00e3o cobertas por esses dez TRTs \u2013 Tocantins, Pernambuco, Santa Catarina, Para\u00edba, S\u00e3o Paulo, Bahia, Cear\u00e1, Piau\u00ed, Mato Grosso e Distrito Federal \u2013, havia, em 2011, cerca de 940,5 mil dom\u00e9sticos que trabalhavam para mais de um patr\u00e3o, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Em quatro Estado, entretanto, s\u00f3 \u00e9 mensalista quem trabalha mais de tr\u00eas dias \u2013 mais da metade da semana: Rio de Janeiro, Acre, Rond\u00f4nia e Goi\u00e1s. Neles, em 2011, viviam cerca de 14% dos dom\u00e9sticos que trabalham para mais de um patr\u00e3o, ou 275,7 mil pessoas.<\/p>\n<p>O Tribunal fluminense, ali\u00e1s, \u00e9 o \u00fanico do Pa\u00eds a ter uma s\u00famula sobre o assunto \u2013 nos demais, trata-se de um entendimento majorit\u00e1rio ou tend\u00eancia, informam os TRTs. Editado em 2011, o texto diz que o trabalho dom\u00e9stico prestado \u201cat\u00e9 tr\u00eas vezes por semana n\u00e3o enseja configura\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo empregat\u00edcio\u201d.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 defenda que deve haver trabalho todos os dias da semana \u2013 logo, 6 dias \u2013 por v\u00e1rias semanas, para caracterizar o liame empregat\u00edcio dom\u00e9stico. Outros afirmam que gera o v\u00ednculo mais de 4 dias de trabalho por semana. H\u00e1, ainda, aqueles menos radicais que advogam que que o trabalho por mais de 3 dias semanais equipara-se ao trabalho cont\u00ednuo (&#8230;). Da\u00ed a necessidade do TRT da 1\u00aa Regi\u00e3o (RJ) em uniformizar sua jurisprud\u00eancia\u201d, diz a desembargadora do TRT-1, V\u00f3lia Bomfim Cassar, doutora em Direito e Economia e que far\u00e1 uma palestra sobre os direitos dos dom\u00e9sticos no pr\u00f3ximo dia 2 de maio.<\/p>\n<p><strong>&#8216;Os diaristas foram esquecidos&#8217;, diz juiz<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/aj\/u2\/c9\/aju2c9mag862obmji9f6l5pyl.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption><cite>Gety Images<\/cite><\/p>\n<div>Diaristas: nova lei deixou a categoria de fora<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<aside>\n<h3>Saiba mais<\/h3>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/2013-04-24\/ministro-defende-multa-de-40-para-demissao-injustificada-de-domesticas.html\">MInistro defende multa de 40% de FGTS para dom\u00e9stica<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/2013-04-22\/diaristas-1-em-cada-3-domesticos-trabalha-em-mais-de-uma-residencia.html\">30% dos dom\u00e9sticos trabalham em v\u00e1rias resid\u00eancias<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/2013-04-02\/a-domestica-que-faz-cafe-almoco-jantar-e-cuida-de-alguem-deve-acabar.html\">Dom\u00e9stica 24 horas deve acabar, diz ministra do TST<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/2013-03-28\/situacao-e-de-desespero-diz-regina-manssur-sobre-nova-lei-das-domesticas.html\">Situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de desespero, diz Regina Manssur<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/aside>\n<\/div>\n<p>A dificuldade em diferenciar mensalista e diarista decorre da pr\u00f3pria lei das dom\u00e9sticas (5.859\/72), que em vez de falar em &#8220;n\u00e3o-eventualidade&#8221; como requisito para o v\u00ednculo empregat\u00edcio \u2013 como no caso dos trabalhadores celetistas \u2013, fala em &#8220;continuidade&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Isso para mim \u00e9 um artif\u00edcio&#8221;, diz o diretor do F\u00f3rum Trabalhista de Bras\u00edlia, juiz Antonio Umberto. \u201cSe voc\u00ea pegar um professor universit\u00e1rio que d\u00ea aula para duas turmas todo s\u00e1bado, ou um m\u00e9dico que d\u00ea um plant\u00e3o semanal, ningu\u00e9m vai ter d\u00favida de que ele \u00e9 um empregado. Acho que [a diferen\u00e7a entre as duas categorias] \u00e9 um resqu\u00edcio de preconceito hist\u00f3rico que acaba repercutindo na jurisprud\u00eancia, inclusive do TST.\u201d<\/p>\n<p>Para o juiz, ao aprovar a nova lei das dom\u00e9sticas, o Congresso perdeu a oportunidade de definir exatamente a figura do diarista, e acabou por criar, mais uma vez, tipos diferentes de trabalhadores, com diferentes direitos.<\/p>\n<p>&#8220;Antes eles estavam num barco parecido com os dom\u00e9sticos, de precariedade e poucos direitos. Agora os dom\u00e9sticos praticamente conquistaram uma cidadania trabalhista, e os diaristas foram esquecidos.&#8221;<\/p>\n<p>O projeto de lei 7279\/2010 define o diarista como aquele que trabalha, no m\u00e1ximo, dois dias por semana, e foi aprovado pelo Senado em 2010. Desde ent\u00e3o, entretanto, est\u00e1 parado na C\u00e2mara e sem previs\u00e3o de continuar a tramitar.<\/p>\n<p>Segundo a assessoria da relatora da mat\u00e9ria na Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ), deputada Iriny Lopes (PT-ES), o texto ainda ter\u00e1 de voltar \u00e0 Comiss\u00e3o de Trabalho, Administra\u00e7\u00e3o e Servi\u00e7o P\u00fablico (CTASP) antes de receber um parecer da CCJ.<\/p>\n<p>E, se h\u00e1 13 Estados em que a Justi\u00e7a do Trabalho tem coberto, ainda que parcialmente, essa indefini\u00e7\u00e3o legal, em outros dez \u2013 Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Par\u00e1, Amap\u00e1, Paran\u00e1, Amazonas, Roraima, Maranh\u00e3o, Alagoas e Mato Grosso do Sul \u2013 n\u00e3o h\u00e1 qualquer entendimento majorit\u00e1rio sobre o assunto.<\/p>\n<p>Em 2009, por exemplo, a 1\u00aa Turma do 16\u00ba Tribunal Regional do Trabalho (TRTs), respons\u00e1vel pelo Maranh\u00e3o, decidiu que uma dom\u00e9stica tinha o direito a registro em carteira por trabalhar, em m\u00e9dia, 2,5 dias por semana.<\/p>\n<p>Procurados desde 9 de abril, os tribunais respons\u00e1veis por Esp\u00edrito Santo (TRT-17), Sergipe (TRT-20) e Rio Grande do Norte (TRT-21) n\u00e3o responderam aos questionamentos at\u00e9 a conclus\u00e3o da reportagem.<\/p>\n<p><em>Fontes: TRT, IBGE e reportagem<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; IG Se um diarista trabalha mais de dois dias por semana para um mesmo patr\u00e3o no Brasil, \u00e9 prov\u00e1vel que seja considerado um empregado com direito a registro em carteira. Esse \u00e9 o entendimento mais comum entre os 24 Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) do Pa\u00eds, de acordo com um levantamento nacional feito pelo\u00a0iG\u00a0. Em alguns Estados, por\u00e9m \u2013 como o Rio \u2013 \u00e9 preciso trabalhar mais de tr\u00eas dias. \u00a0O n\u00famero de trabalhadores que prestam servi\u00e7o em mais de uma resid\u00eancia quase dobrou em dez anos. Em 2001, eram 1 milh\u00e3o e, em 2011, j\u00e1 representavam cerca de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-49714","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":586,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49714","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49714"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49714\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49715,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49714\/revisions\/49715"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49714"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49714"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49714"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}