{"id":49102,"date":"2013-03-14T14:46:52","date_gmt":"2013-03-14T17:46:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=49102"},"modified":"2013-03-14T14:46:52","modified_gmt":"2013-03-14T17:46:52","slug":"relatorio-da-onu-preve-catastrofe-ambiental-no-mundo-em-2050","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2013\/03\/14\/relatorio-da-onu-preve-catastrofe-ambiental-no-mundo-em-2050\/","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio da ONU prev\u00ea &#8216;cat\u00e1strofe ambiental&#8217; no mundo em 2050"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<p><strong><em>Do Globo Natureza, em S\u00e3o Paulo<\/em><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"materia-letra\">\n<div><\/div>\n<p>Apesar dos investimentos de v\u00e1rios pa\u00edses em energias renov\u00e1veis e sustentabilidade, o mundo pode viver uma &#8220;cat\u00e1strofe ambiental&#8221; em 2050, segundo o Relat\u00f3rio de Desenvolvimento Humano 2013, apresentado nesta quinta-feira (14) pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).<\/p>\n<p>Ao fim dos pr\u00f3ximos 37 anos, s\u00e3o estimadas mais de 3 bilh\u00f5es de pessoas vivendo em situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza, das quais pelo menos 155 milh\u00f5es estariam na Am\u00e9rica Latina e no Caribe. E essa condi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica e social seria motivada tamb\u00e9m pela degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Amaz\u00f4nia mostra sinais de degrada\u00e7\u00e3o devido a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/NASA\/JPL-Caltech)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/3Wf7wZZ71_tNv15ECcfWp5cnaLgQRtLpSOwMyOw__ASdZVWs6DOJbrdrlvV-k5yb\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2013\/01\/18\/720071main_forest-20130117-43_946-710.jpg\" alt=\"Amaz\u00f4nia mostra sinais de degrada\u00e7\u00e3o devido a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/NASA\/JPL-Caltech)\" width=\"372\" height=\"279\" \/><\/div>\n<div><strong>Amaz\u00f4nia d\u00e1 sinais de degrada\u00e7\u00e3o por causa das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/NASA\/JPL-Caltech)<\/strong><\/div>\n<p>De acordo com a previs\u00e3o de desastre apresentada pelo relat\u00f3rio, cerca de 2,7 bilh\u00f5es de pessoas a mais viveriam em extrema pobreza em 2050 como consequ\u00eancia do problema ambiental. Desse total, 1,9 bilh\u00e3o seria composto por indiv\u00edduos que entraram na mis\u00e9ria, e os outros 800 milh\u00f5es seriam aqueles impedidos de sair dessa situa\u00e7\u00e3o por causa das calamidades do meio ambiente.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio mais grave, o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) global diminuiria 15% em 2050, chegando a uma redu\u00e7\u00e3o de 22% no Sul da \u00c1sia e de 24% na \u00c1frica Subsaariana.<!--more--><\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Chinesa caminha nesta ter\u00e7a-feira (29) com m\u00e1scara para proteger da polui\u00e7\u00e3o em Pequim, na China (Foto: China Daily\/Reuters)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/OWPgSBX-lIzpb04Xt3pAQUfdlTVIr2eSTJ_mJO2UewNIoz-HdGixxa_8qOZvMp3w\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2013\/01\/29\/china2.jpg\" alt=\"Chinesa caminha nesta ter\u00e7a-feira (29) com m\u00e1scara para proteger da polui\u00e7\u00e3o em Pequim, na China (Foto: China Daily\/Reuters)\" width=\"372\" height=\"279\" \/><\/div>\n<div><strong>Chinesa pedala com m\u00e1scara para se proteger da forte polui\u00e7\u00e3o em Pequim (Foto: China Daily\/Reuters)<\/strong><\/div>\n<p><strong>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e press\u00f5es<\/strong><br \/>\nAs mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e as press\u00f5es sobre os recursos naturais e ecossistemas t\u00eam aumentado muito, independentemente do est\u00e1gio de desenvolvimento dos pa\u00edses. E o relat\u00f3rio destaca que, a menos que sejam tomadas medidas urgentes, o progresso do desenvolvimento humano no futuro estar\u00e1 amea\u00e7ado.<\/p>\n<p>Os protestos em massa contra a polui\u00e7\u00e3o ambiental tamb\u00e9m t\u00eam crescido no mundo, aponta o Pnud. Por exemplo, manifestantes em Xangai, na China, lutaram por um duto de \u00e1guas residuais (provenientes de banhos, cozinhas e uso dom\u00e9stico em geral) prometido, enquanto na Mal\u00e1sia moradores de um bairro se opuseram \u00e0 instala\u00e7\u00e3o de uma refinaria de metais de terras raras \u2013 17 metais conhecidos como &#8220;ouro do s\u00e9culo 21&#8221;, por serem raros, valiosos de grande utilidade.<\/p>\n<p><strong>Desastres naturais em alta<\/strong><br \/>\nDe acordo com o texto, os desastres naturais est\u00e3o se intensificando em todo o mundo, tanto em frequ\u00eancia quanto em intensidade, causando grandes danos econ\u00f4micos e perda de capacidades humanas.<\/p>\n<p>Apenas em 2011, terremotos seguidos de tsunamis e deslizamentos de terra causaram mais de 20 mil mortes e preju\u00edzos aos EUA, totalizando US$ 365 bilh\u00f5es (R$ 730 bilh\u00f5es) e cerca de 1 milh\u00e3o de pessoas que perderam suas casas.<\/p>\n<p>O impacto mais severo foi para os pequenos pa\u00edses insulares em desenvolvimento, alguns dos quais sofreram perdas de at\u00e9 8% do PIB. Em 1988, Santa Luc\u00eda \u2013 localizado nas Pequenas Antilhas, no Caribe \u2013 perdeu quase quatro vezes seu Produto Interno Bruto (PIB) por causa do furac\u00e3o Gilbert, enquanto Granada \u2013 outro pa\u00eds caribenho \u2013 perdeu duas vezes o PIB por causa do furac\u00e3o Iv\u00e1n, em 2004.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio refor\u00e7a, ainda, que as principais v\u00edtimas do desmatamento, das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, dos desastres naturais e da polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e do ar s\u00e3o os pa\u00edses e as comunidades pobres. Isso porque esses problemas limitam ainda mais os meios que permitem a subsist\u00eancia, como a agricultura, o acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e ao saneamento b\u00e1sico.<\/p>\n<p>Para o Pnud, viver em um ambiente limpo e seguro deve ser um direito, n\u00e3o um privil\u00e9gio. Al\u00e9m disso, sustentabilidade e igualdade entre os povos est\u00e3o intimamente ligadas.<\/p>\n<p><strong>Desafios mundiais<\/strong><br \/>\nO texto do Pnud aponta, ainda, que os governos precisar\u00e3o formular pol\u00edticas p\u00fablicas para melhorar o equil\u00edbrio das condi\u00e7\u00f5es de vida, permitir a livre express\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o das pessoas, administrar as mudan\u00e7as demogr\u00e1ficas e fazer frente \u00e0s press\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p>Um dos grandes desafios para o mundo, segundo o relat\u00f3rio, \u00e9 reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. Apesar de os lan\u00e7amentos de di\u00f3xido de carbono (CO2) na atmosfera parecerem aumentar com o desenvolvimento humano, essa correla\u00e7\u00e3o \u00e9 muito fraca, destaca o Pnud. Isso porque, em todos os n\u00edveis de IDH, alguns pa\u00edses equivalentes t\u00eam uma maior emiss\u00e3o de CO2 que outros.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, pode haver diferen\u00e7as grandes entre as prov\u00edncias ou estados de um mesmo pa\u00eds, como \u00e9 o caso da China. Esses resultados, de acordo com o relat\u00f3rio, refor\u00e7am o argumento de que o progresso humano n\u00e3o demanda um aumento no uso de CO2, e que pol\u00edticas ambientais melhores poderiam acompanhar esse desenvolvimento.<\/p>\n<p>Alguns pa\u00edses t\u00eam se aproximado desse n\u00edvel de desenvolvimento, sem exercer uma press\u00e3o insustent\u00e1vel sobre os recursos ecol\u00f3gicos do planeta, ressalta o Pnud. Mas responder globalmente a esse desafio exige que todas as na\u00e7\u00f5es adaptem suas trajet\u00f3rias.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses desenvolvidos, por exemplo, precisam reduzir a chamada &#8220;pegada ambiental&#8221;, ou seja, quanto cada habitante polui o planeta (como se fosse um PIB do meio ambiente). J\u00e1 as na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento precisam aumentar o IDH, mas sem elevar essa pegada. Na vis\u00e3o do Pnud, tecnologias limpas e inovadoras podem desempenhar um papel importante nesse processo.<\/p>\n<p>Mas, para reduzir a quantidade necess\u00e1ria de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, os pa\u00edses dos hemisf\u00e9rios Norte e Sul devem chegar a um acordo justo e aceit\u00e1vel para ambos, como compartilhar as responsabilidades, segundo o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Acordos e investimentos<\/strong><br \/>\nNa Rio+20, Confer\u00eancia da ONU sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, realizada no Rio de Janeiro em 2012, foi negociado entre os governos da regi\u00e3o da \u00c1sia e do Pac\u00edfico um acordo para prote\u00e7\u00e3o do maior recife de corais do mundo, o chamado Tri\u00e2ngulo de Coral, que se estende desde a Mal\u00e1sia e a Indon\u00e9sia at\u00e9 as Ilhas Salom\u00e3o. A \u00e1rea \u00e9 respons\u00e1vel por fornecer o sustento para mais de 100 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, alguns pa\u00edses est\u00e3o trabalhando em conjunto na bacia do Rio Congo para combater o com\u00e9rcio ilegal de madeira e preservar a segunda maior \u00e1rea florestal do mundo. Bancos regionais de desenvolvimento tamb\u00e9m apresentaram uma iniciativa que conta com US$ 175 bilh\u00f5es (R$ 350 bilh\u00f5es) para promover o transporte p\u00fablico e ciclovias em algumas das principais cidades do mundo.<\/p>\n<p>Outra parceria envolve a China e o Reino Unido, que v\u00e3o testar tecnologias avan\u00e7adas de combust\u00e3o de carv\u00e3o. J\u00e1 os EUA e a \u00cdndia firmaram um acordo para o desenvolvimento de energia nuclear na \u00cdndia.<\/p>\n<p><strong>Promessas<\/strong><br \/>\nAt\u00e9 2020, a China prometeu cortar suas emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono por unidade de PIB em 40% a 45%. Em 2010, a \u00cdndia anunciou redu\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias de 20% a 25%. E, no ano passado, pol\u00edticos coreanos aprovaram um programa para reduzir as emiss\u00f5es de f\u00e1bricas e usinas de energia.<\/p>\n<p>Na Rio+20, Mo\u00e7ambique anunciou uma nova rota de economia verde. E o M\u00e9xico promulgou recentemente uma lei para reduzir as emiss\u00f5es de CO2 e apostar nas energias renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ainda na Rio+20, no o F\u00f3rum de Bens de Consumo, as empresas Unilever, Coca-Cola e Wal-Mart \u2013 classificadas entre as 20 melhores multinacionais do mundo \u2013 prometeram eliminar o desmatamento de suas cadeias de abastecimento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a Microsoft prometeu que em 2012 se tornaria neutra em emiss\u00f5es de carbono. E a companhia Femsa, que engarrafa bebidas \u2013 como a Coca-Cola \u2013 na Am\u00e9rica Latina, manifestou que obteria 85% de suas necessidades energ\u00e9ticas no M\u00e9xico a partir de recursos renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Mas, apesar de muitas iniciativas promissoras, ainda existe ainda uma grande diferen\u00e7a entre as redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es necess\u00e1rias e essas promessas modestas.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Do Globo Natureza, em S\u00e3o Paulo Apesar dos investimentos de v\u00e1rios pa\u00edses em energias renov\u00e1veis e sustentabilidade, o mundo pode viver uma &#8220;cat\u00e1strofe ambiental&#8221; em 2050, segundo o Relat\u00f3rio de Desenvolvimento Humano 2013, apresentado nesta quinta-feira (14) pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Ao fim dos pr\u00f3ximos 37 anos, s\u00e3o estimadas mais de 3 bilh\u00f5es de pessoas vivendo em situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza, das quais pelo menos 155 milh\u00f5es estariam na Am\u00e9rica Latina e no Caribe. E essa condi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica e social seria motivada tamb\u00e9m pela degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente. 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