{"id":4801,"date":"2010-04-03T10:29:56","date_gmt":"2010-04-03T13:29:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=4801"},"modified":"2010-04-03T10:29:56","modified_gmt":"2010-04-03T13:29:56","slug":"brasileiro-bebe-muito-a-cada-vez-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/04\/03\/brasileiro-bebe-muito-a-cada-vez-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Brasileiro bebe muito a cada vez, diz estudo"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" title=\"alcool\" src=\"http:\/\/casadogalo.com\/wp-content\/uploads\/proibicao_anuncio_bebida.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"176\" \/>Pelo menos uma vez por semana a publicit\u00e1ria Leila (nome fict\u00edcio), de 35 anos, &#8220;enche a lata&#8221;. J\u00e1 o atendente de telemarketing Ricardo (nome fict\u00edcio), de 25 anos, conta que prefere nem beber durante a semana para n\u00e3o ter problemas para trabalhar no dia seguinte. &#8220;Eu sei que, se eu tomar uma lata de cerveja, vou tomar duas, tr\u00eas e por a\u00ed vai.&#8221; Nem Leila nem Ricardo podem ser considerados dependentes de \u00e1lcool. Mas ambos seguem um padr\u00e3o de consumo que \u00e9 t\u00edpico do brasileiro: o &#8220;binge drinking&#8221; ou &#8220;beber pesado epis\u00f3dico&#8221; (mais de cinco doses para homens e quatro para mulheres em uma ocasi\u00e3o).<\/p>\n<p>&#8220;Em vez de beber todos os dias, moderadamente, \u00e0s refei\u00e7\u00f5es, como os europeus, os brasileiros bebem tudo de uma vez no fim de semana. \u00c9 um padr\u00e3o prejudicial, pois aumenta o risco de depend\u00eancia e deixa a pessoa mais sujeita a intoxica\u00e7\u00e3o e comportamento de risco, como sexo desprotegido, abuso de nicotina e dirigir embriagado&#8221;, afirma a pesquisadora do Instituto de Psiquiatria da USP Camilla Magalh\u00e3es Silveira.<\/p>\n<p><!--more-->Camilla coordenou, no Brasil, parte de uma investiga\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) realizada em 28 pa\u00edses com o intuito de medir a preval\u00eancia de transtornos mentais na popula\u00e7\u00e3o. Mais de 5 mil pessoas participaram da pesquisa na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, escolhida para representar o Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os dados obtidos revelam que, enquanto o consumo per capita anual de bebida alco\u00f3lica na Fran\u00e7a \u00e9 de 18 litros por pessoa, no Brasil ele est\u00e1 abaixo de 8 litros. No entanto, a taxa de abuso e depend\u00eancia aqui \u00e9 de 4%, enquanto entre os franceses \u00e9 de apenas 0,8%.<\/p>\n<p>&#8220;A OMS tem uma escala que vai de 1 a 4 e mostra o quanto \u00e9 prejudicial o consumo em cada Pa\u00eds. O Brasil recebeu nota 4, a de maior gravidade. J\u00e1 os europeus t\u00eam um padr\u00e3o de consumo protetor, que at\u00e9 faz bem \u00e0 sa\u00fade&#8221;, explica.<\/p>\n<p>O estudo revelou ainda que 86% dos entrevistados haviam consumido ao menos 1 dose de bebida alco\u00f3lica na vida, e 56,2% consomem regularmente (pelo menos 12 doses em 12 meses). A taxa de depend\u00eancia foi de 3,3% e a de abuso, de 9,4%.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda que os abusadores n\u00e3o sejam a maioria no Pa\u00eds, o impacto na sa\u00fade \u00e9 grande. Isso resulta em acidentes de tr\u00e2nsito, em viol\u00eancia f\u00edsica e verbal e prejudica o rendimento no trabalho e no estudo&#8221;, afirma Arthur Guerra, um dos maiores especialistas do Pa\u00eds no tratamento de dependentes de \u00e1lcool e drogas.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o sei ao certo o quanto bebo, pois h\u00e1 sempre mais pessoas na mesa. S\u00f3 sei que no fim da noite h\u00e1 pelo menos 20 garrafas de cerveja amontoadas ao lado&#8221;, diz Ricardo. &#8220;Al\u00e9m disso, em festa, extrapolo mesmo.&#8221;<\/p>\n<p>Fora de casa. Outro levantamento recente, da Unidade de Pesquisa em \u00c1lcool e Drogas da Unifesp, aponta que quase metade da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 abst\u00eamia &#8211; e que, quem bebe, bebe muito. &#8220;Cerca de 25% disseram beber pouco e ocasionalmente. Os outros 25% s\u00e3o respons\u00e1veis por consumir 80% do \u00e1lcool ingerido no Pa\u00eds&#8221;, diz Ronaldo Laranjeira, respons\u00e1vel pela pesquisa.<\/p>\n<p>Para o psiquiatra, esse padr\u00e3o est\u00e1 relacionado a um consumo n\u00e3o domiciliar. &#8220;O consumo \u00e9 principalmente social, fora de casa e, por isso, a tend\u00eancia \u00e9 que seja maior&#8221;, analisa. Para ele, essa cultura \u00e9 preocupante n\u00e3o s\u00f3 porque leva os jovens ao consumo excessivo, mas tamb\u00e9m porque os leva a beber longe do controle familiar.<\/p>\n<p>A proibi\u00e7\u00e3o da propaganda de bebidas alco\u00f3licas e uma fiscaliza\u00e7\u00e3o que de fato co\u00edba a venda a menores de idade s\u00e3o as medidas apontadas por Laranjeira para reverter o quadro. &#8220;N\u00e3o podemos deixar que a educa\u00e7\u00e3o de nossos filhos para o \u00e1lcool seja feita pela ind\u00fastria de bebida.&#8221;<\/p>\n<p>O descendente de italianos Francisco Villano, de 93 anos, foge do padr\u00e3o brasileiro de consumo alc\u00f3lico. Desde a juventude, adquiriu o h\u00e1bito de tomar, todos os dias, uma ta\u00e7a de vinho no almo\u00e7o e outra no jantar. &#8220;Deve ser por isso que estou bem de sa\u00fade&#8221;, diz Villano, que h\u00e1 81 anos trabalha como barbeiro.<\/p>\n<p><strong>Quem bebe mais <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Os campe\u00f5es<\/p>\n<p>No topo da lista dos pa\u00edses que mais consomem bebidas alco\u00f3licas por pessoa ao ano, est\u00e3o pa\u00edses como R\u00fassia, Ucr\u00e2nia, Let\u00f4nia, Litu\u00e2nia. As bebidas destiladas s\u00e3o as preferidas.<\/p>\n<p>Os moderados<\/p>\n<p>Pa\u00edses europeus, como Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Espanha, Su\u00ed\u00e7a e Portugal, registram um consumo per capita alto de \u00e1lcool. No entanto, o consumo \u00e9 diferente: uma ou duas doses, todos os dias, o que traz menos riscos.<\/p>\n<p>Americanos<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, o consumo de \u00e1lcool \u00e9 mediano.<\/p>\n<p><strong>Estad\u00e3o<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos uma vez por semana a publicit\u00e1ria Leila (nome fict\u00edcio), de 35 anos, &#8220;enche a lata&#8221;. J\u00e1 o atendente de telemarketing Ricardo (nome fict\u00edcio), de 25 anos, conta que prefere nem beber durante a semana para n\u00e3o ter problemas para trabalhar no dia seguinte. &#8220;Eu sei que, se eu tomar uma lata de cerveja, vou tomar duas, tr\u00eas e por a\u00ed vai.&#8221; Nem Leila nem Ricardo podem ser considerados dependentes de \u00e1lcool. 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