{"id":47879,"date":"2012-12-25T09:21:26","date_gmt":"2012-12-25T12:21:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=47879"},"modified":"2012-12-25T09:21:26","modified_gmt":"2012-12-25T12:21:26","slug":"para-economistas-tripe-da-economia-entra-2013-desacreditado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2012\/12\/25\/para-economistas-tripe-da-economia-entra-2013-desacreditado\/","title":{"rendered":"Para economistas, &#8216;trip\u00e9&#8217; da economia entra 2013 desacreditado"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>G1<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O famoso trip\u00e9 macroecon\u00f4mico, formado pelo c\u00e2mbio flutuante, pelas metas fiscais e de infla\u00e7\u00e3o, criado no governo do presidente\u00a0<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/topico\/fernando-henrique-cardoso.html\">Fernando Henrique Cardoso<\/a>\u00a0e mantido pelo seu sucessor,\u00a0<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/topico\/luiz-inacio-lula-da-silva\/\">Luiz In\u00e1cio Lula da Silva<\/a>, entra o ano de 2013 desacreditado, segundo economistas ouvidos pelo\u00a0<strong>G1<\/strong>.<\/p>\n<p>De acordo com avalia\u00e7\u00e3o dos analistas de institui\u00e7\u00f5es financeiras, o c\u00e2mbio n\u00e3o \u00e9 mais flutuante no Brasil, e sim administrado, ao mesmo tempo em que as metas fiscais (objetivo de economia para pagar juros da d\u00edvida p\u00fablica) e de infla\u00e7\u00e3o (pelo IPCA, que serve como refer\u00eancia para a fixa\u00e7\u00e3o dos juros por parte do BC) n\u00e3o mais &#8220;ancoram&#8221; as expectativas do mercado. Ou seja, ningu\u00e9m acredita mais que elas ser\u00e3o cumpridas.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma deteriora\u00e7\u00e3o bastante grave da pol\u00edtica macroecon\u00f4mica. Foi justamente o trip\u00e9 que permitiu ao Brasil o crescimento sustentado, a confian\u00e7a dos investidores. A gente v\u00ea um regime que n\u00e3o nos parece sustent\u00e1vel no m\u00e9dio prazo. O governo n\u00e3o tem regra clara de atua\u00e7\u00e3o. Vai agindo m\u00eas a m\u00eas para corrigir desequil\u00edbrios que s\u00e3o gerados. Isso atinge o investimento. N\u00e3o \u00e9 por acaso que, mesmo com juro baixo e c\u00e2mbio apreciado [d\u00f3lar alto], o investimento n\u00e3o responda. \u00c9 dif\u00edcil ampliar investimento em cen\u00e1rio de desconfian\u00e7a&#8221;, avaliou Thiago Curado, economista da Tend\u00eancias Consultoria.<!--more--><\/p>\n<div><strong>saiba mais<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/economia\/mercados\/noticia\/2012\/12\/governo-toma-nova-medida-que-estimula-ingresso-de-dolares-no-pais.html\">Governo toma nova medida que estimula ingresso de d\u00f3lares no pa\u00eds<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/economia\/mercados\/noticia\/2012\/12\/mercado-baixa-para-1-previsao-de-alta-do-pib-em-2012-e-ve-mais-inflacao.html\">Mercado baixa para 1% previs\u00e3o de alta do PIB em 2012 e v\u00ea mais infla\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2012\/12\/inflacao-oficial-fica-em-060-em-novembro-aponta-ibge.html\">Infla\u00e7\u00e3o oficial fica em 0,60% em novembro, aponta IBGE<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p><strong>C\u00e2mbio flutuante?<\/strong><br \/>\nAs principais autoridades da \u00e1rea macroec\u00f4mica (ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini) t\u00eam repetido, \u00e0 exaust\u00e3o, que o regime de c\u00e2mbio no Brasil \u00e9 flutuante. Teoricamente, a cota\u00e7\u00e3o da moeda norte-americana oscilaria, portanto, ao sabor da entrada e sa\u00edda de d\u00f3lares do pa\u00eds (oferta e demanda). Mas o ministro Mantega j\u00e1 admitiu que a flutua\u00e7\u00e3o cambial brasileira seria &#8220;suja&#8221;, ou seja, com algum n\u00edvel de interven\u00e7\u00e3o por parte do governo.<\/p>\n<p>Para o economista Sidnei Nehme, da NGO Corretora, especialista no mercado cambial, por\u00e9m, o c\u00e2mbio est\u00e1 longe de ser flutuante. &#8220;O c\u00e2mbio n\u00e3o flutua nada. Est\u00e1 totalmente administrado e, neste momento, passar por uma guinada&#8221;, declarou ele, que v\u00ea conflito entre as declara\u00e7\u00f5es do ministro Mantega (de perseguir mais competitividade com d\u00f3lar mais alto) e do presidente do BC, Alexandre Tombini \u2013 que mostrou preocupa\u00e7\u00e3o com o impacto do d\u00f3lar alto na infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um valor mais alto para o d\u00f3lar gera melhores condi\u00e7\u00f5es de competitividade para as empresas brasileiras, uma vez que suas exporta\u00e7\u00f5es ficam mais baratas. As compras do exterior, por sua vez, ficam mais caras. Um aumento na cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, por\u00e9m, tamb\u00e9m t\u00eam outros efeitos, como gerar mais press\u00f5es inflacion\u00e1rias.\u00a0Ap\u00f3s deixar o c\u00e2mbio por volta de R$ 1,80 a R$ 1,90 no primeiro semestre, o governo deixou a moeda norte-americana passar de R$ 2 nos \u00faltimos meses. Mais recentemente, impediu que o d\u00f3lar ficasse acima de R$ 2,10.<\/p>\n<p>Para controlar o pre\u00e7o do d\u00f3lar, o governo tem uma s\u00e9rie de instrumentos. Al\u00e9m das compras e vendas de d\u00f3lares no mercado \u00e0 vista, o BC tamb\u00e9m pode operar no mercado futuro (por meio das opera\u00e7\u00f5es de &#8220;swap&#8221; cambial tradicionais e reversas).\u00a0O Minist\u00e9rio da Fazenda, por sua vez, pode utilizar as al\u00edquotas do IOF para tentar controlar o ingresso de moedas no pa\u00eds \u2013<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/economia\/mercados\/noticia\/2012\/12\/governo-toma-nova-medida-que-estimula-ingresso-de-dolares-no-pais.html\">assim como foi feito no \u00faltimo dia 5<\/a>.<\/p>\n<p>Para Nehme, o d\u00f3lar pode chegar a R$ 2,30 no fim de 2013 porque os fluxos de entrada de d\u00f3lares no pa\u00eds, segundo ele, tendem a ser menos intensos no pr\u00f3ximo ano. &#8220;Al\u00e9m disso, a economia internacional vai continuar fraca e a nossa ind\u00fastria est\u00e1 sem potencial para exportar&#8221;, declarou. Para ele, o BC vai deixar o d\u00f3lar subir naturalmente se a infla\u00e7\u00e3o for &#8220;pendente&#8221; ao centro da meta de 4,5% &#8211; medida pelo IPCA.<\/p>\n<p><strong>Meta fiscal<\/strong><br \/>\nDepois de insistir o ano inteiro que o governo estaria &#8220;mirando&#8221; na meta cheia de super\u00e1vit prim\u00e1rio (economia feita para pagar juros da d\u00edvida p\u00fablica e tentar manter sua trajet\u00f3ria de queda), o secret\u00e1rio do Tesouro Nacional, Arno Augustin, admitiu em novembro deste ano que a ela n\u00e3o seria atingida. Segundo ele, o governo ir\u00e1 utilizar a prerrogativa, j\u00e1 aprovada pelo Congresso Nacional, de abater da meta cheia parte (cerca de R$ 26 bilh\u00f5es) dos investimentos do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC).<\/p>\n<p>De acordo com o economista Fernando Montero, da corretora Conven\u00e7\u00e3o, que se concentra na an\u00e1lise das contas p\u00fablicas, o ano de 2013 nem come\u00e7ou e, mesmo assim, ningu\u00e9m acredita que a meta de 3,1% do PIB, cerca de R$ 155 bilh\u00f5es, que consta na Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias, ser\u00e1 atingida sem abatimentos do PAC. &#8220;Ningu\u00e9m mais acredita. Nem no mercado e nem fora dele. Em Bras\u00edlia, tamb\u00e9m n\u00e3o. O BC tamb\u00e9m n\u00e3o, embora eles continuem colocando o prim\u00e1rio cheio para o ano que vem&#8221;, declarou ele, que j\u00e1 trabalhou na Secretaria de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Minist\u00e9rio da Fazenda. O or\u00e7amento de 2013 admite a possibilidade de abater R$ 25 bilh\u00f5es, em gastos do PAC, em 2013, mas ainda n\u00e3o foi anunciada uma decis\u00e3o formal de utilizar este procedimento.<\/p>\n<p>Segundo Montero, \u00e9 muito dif\u00edcil sair de uma meta de prim\u00e1rio abatida, como acontecer\u00e1 neste ano, e, com muita receita extraordin\u00e1ria, e &#8220;arrasto tribut\u00e1rio&#8221; ruim (arrecada\u00e7\u00e3o com crescimento menor), e voltar para uma &#8220;meta cheia&#8221; no ano seguinte, neste caso em 2013. &#8220;Acho que a gente consegue fazer a meta no limite do abatimento. Mesmo para isso, vai ser uma meta em torno de 2,3%, ou 2,4% do PIB, voc\u00ea ainda precisar\u00e1 de alguns recursos extraordin\u00e1rios. Entre os quais, pode ser um peda\u00e7o do fundo soberano&#8221;, afirmou ele.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de outros economistas, Montero acredita que foi importante o governo manter o discurso de que estaria mirando na &#8220;meta cheia&#8221; em 2012, abandonando-o somente em novembro. &#8220;Este ano faltou clareza. Por outro lado, voc\u00ea tem de entender um pouco o governo. Era importante manter a ideia de uma meta ao longo de um ano fiscal. N\u00e3o tanto para sinalizar ao mercado e ao mundo, e sim para ter uma previs\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria e segurar um monte de press\u00e3o por gastos, como do funcionalismo por aumentos salariais&#8221;, declarou Montero.<\/p>\n<p><strong>Regime de metas de infla\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s dois anos em que a infla\u00e7\u00e3o ficou longe da meta central de 4,5% (em 2011, a infla\u00e7\u00e3o ficou em 6,5% e, neste ano, j\u00e1 supera 5%, devendo ficar, segundo economistas, por volta de 5,5%), mas ainda dentro do intervalo de toler\u00e2ncia de dois pontos percentuais (podendo chegar a at\u00e9 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida), o \u00faltimo p\u00e9 do &#8220;trip\u00e9&#8221; macrecon\u00f4mico tamb\u00e9m n\u00e3o conta mais com a confian\u00e7a dos economistas.<\/p>\n<p>De acordo com Thiago Curado, da Tend\u00eancias Consultoria, o centro de 4,5% da meta de infla\u00e7\u00e3o (que vale para 2012, 2013 e 2014) deixou de ser o balizador (n\u00famero no qual se est\u00e1 mirando) das decis\u00f5es do Banco Central sobre a taxa b\u00e1sica de juros. Teoricamente, pelo sistema de metas, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/topico\/copom\/\">Copom<\/a>) do BC teria por fun\u00e7\u00e3o mirar na meta central, e n\u00e3o no intervalo de toler\u00e2ncia existente. Quando sobe os juros, atua para contrair a demanda por produtos e servi\u00e7os &#8211; e seu respectivo impacto na infla\u00e7\u00e3o &#8211; e vice-versa.<\/p>\n<p>&#8220;O centro da meta, os 4,5%, deixou de ser o balizador das decis\u00f5es de pol\u00edtica monet\u00e1ria [sobre a taxa b\u00e1sica de juros da economia, fixada pelo BC]. \u00c9 o patamar que o BC efetivamente n\u00e3o persegue. A \u00fanica coisa que permanece \u00e9 uma sensibilidade em rela\u00e7\u00e3o ao teto da banda [de 6,5%]. O BC e governo tentam evitar que a infla\u00e7\u00e3o fique acima dos 6,5% por todas as repercuss\u00f5es negativas&#8221;, declarou Curado ao\u00a0<strong>G1<\/strong>.<\/p>\n<p>Ele lembrou que os analistas do mercado financeiro j\u00e1 passaram a projetar, para os pr\u00f3ximos anos, um IPCA, que serve de refer\u00eancia para o sistema de metas de infla\u00e7\u00e3o,maior que 5% &#8211; acima, portanto, da meta central de 4,5%, mas dentro da banda de dois pontos para cima e para baixo. Para 2012, 2013, 2014 e 2014, respectivamente, o mercado prev\u00ea um IPCA de 5,58%, de 5,40%, de 5,50% e de 5%.<\/p>\n<p>&#8220;Nas expectativas de mercado, at\u00e9 2015, h\u00e1 um descolamento das expectativas em rela\u00e7\u00e3o ao centro da meta. \u00c9 um fen\u00f4meno novo, visto que as expectativas para anos mais afastados antes convergiam para o centro [da meta]. Esse patamar [meta de 4,5%] deixou de ser refer\u00eancia. H\u00e1 uma inten\u00e7\u00e3o [do governo] de que a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o acelere, mas n\u00e3o convergindo para a meta&#8221;, acrescentou o economista da Tend\u00eancias Consultoria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; G1 O famoso trip\u00e9 macroecon\u00f4mico, formado pelo c\u00e2mbio flutuante, pelas metas fiscais e de infla\u00e7\u00e3o, criado no governo do presidente\u00a0Fernando Henrique Cardoso\u00a0e mantido pelo seu sucessor,\u00a0Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, entra o ano de 2013 desacreditado, segundo economistas ouvidos pelo\u00a0G1. De acordo com avalia\u00e7\u00e3o dos analistas de institui\u00e7\u00f5es financeiras, o c\u00e2mbio n\u00e3o \u00e9 mais flutuante no Brasil, e sim administrado, ao mesmo tempo em que as metas fiscais (objetivo de economia para pagar juros da d\u00edvida p\u00fablica) e de infla\u00e7\u00e3o (pelo IPCA, que serve como refer\u00eancia para a fixa\u00e7\u00e3o dos juros por parte do BC) n\u00e3o mais &#8220;ancoram&#8221; as&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-47879","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":634,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47879","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47879"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47879\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47880,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47879\/revisions\/47880"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47879"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}