{"id":47087,"date":"2012-11-02T10:31:57","date_gmt":"2012-11-02T13:31:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=47087"},"modified":"2012-11-02T10:31:57","modified_gmt":"2012-11-02T13:31:57","slug":"cerca-de-75-dos-cemiterios-publicos-do-pais-tem-problemas-ambientais-e-sanitarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2012\/11\/02\/cerca-de-75-dos-cemiterios-publicos-do-pais-tem-problemas-ambientais-e-sanitarios\/","title":{"rendered":"Cerca de 75% dos cemit\u00e9rios p\u00fablicos do pa\u00eds t\u00eam problemas ambientais e sanit\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo &#8211; Pouco mais de sete em cada dez cemit\u00e9rios p\u00fablicos brasileiros t\u00eam problemas de ordem ambiental e sanit\u00e1ria, de acordo com estudo do ge\u00f3logo e mestre em engenharia sanit\u00e1ria Lez\u00edro Marques Silva. O levantamento, conclu\u00eddo em 2011, reuniu dados de mais de mil cemit\u00e9rios do pa\u00eds, entre p\u00fablicos e privados. O pesquisador, que \u00e9 professor da Universidade S\u00e3o Judas, explica que os problemas come\u00e7am na superf\u00edcie com a prolifera\u00e7\u00e3o de animais vetores de doen\u00e7as e continuam no subsolo com a contamina\u00e7\u00e3o do len\u00e7ol fre\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u201cSe o necrochorume escapa do t\u00famulo, ele pode entrar em contato com o len\u00e7ol fre\u00e1tico, criando uma mancha de polui\u00e7\u00e3o que atinge quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia a ponto de contaminar po\u00e7os e rios\u201d, explica o ge\u00f3logo. O necrochorume \u00e9 um l\u00edquido formado durante a decomposi\u00e7\u00e3o de cad\u00e1veres enterrados, similar ao gerado pelos res\u00edduos s\u00f3lidos em aterros sanit\u00e1rios. \u201cEle \u00e9 rico em subst\u00e2ncias t\u00f3xicas como putrecina, cadaverina e alguns metais pesados\u201d, explica.<!--more--><\/p>\n<p>Lez\u00edro Marques informou ainda que a contamina\u00e7\u00e3o do len\u00e7ol fre\u00e1tico ocorre em quase a totalidade dos cemit\u00e9rios p\u00fablicos com problemas ambientais e sanit\u00e1rios. Ele destaca que a satura\u00e7\u00e3o desses equipamentos p\u00fablicos agravam ainda mais os preju\u00edzos provocados por essas condi\u00e7\u00f5es. \u201cCom o esgotamento da capacidade de sepultamento, o que sobra s\u00e3o terrenos do ponto de vista geol\u00f3gico inadequados, como len\u00e7ol fre\u00e1tico raso, \u00e1rea de v\u00e1rzea e morro\u201d, critica.<\/p>\n<p>O professor Walter Malagutti, do Departamento de Geologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que tamb\u00e9m desenvolve pesquisa na \u00e1rea, explica que n\u00e3o havia a preocupa\u00e7\u00e3o de observar os crit\u00e9rios geol\u00f3gicos para constru\u00e7\u00e3o de cemit\u00e9rios. \u201cPode ocorrer de alguns terem sido implantados em locais inadequados. Muitos est\u00e3o em \u00e1reas nobres, como as regi\u00f5es centrais.\u201d<\/p>\n<p>Ele avalia que o ideal seria considerar os mesmos crit\u00e9rios dos aterros sanit\u00e1rios, como len\u00e7ol fre\u00e1tico mais profundo poss\u00edvel, rocha imperme\u00e1vel e dist\u00e2ncia dos centros urbanos, para constru\u00e7\u00e3o de cemit\u00e9rios.<\/p>\n<p>Walter Malagutti explica ainda que os cemit\u00e9rios s\u00e3o fonte renov\u00e1vel de contamina\u00e7\u00e3o, pois, diferentemente dos aterros, eles n\u00e3o costumam ser desativados. \u201cPela legisla\u00e7\u00e3o brasileira, depois de cinco a sete anos, quando ficam s\u00f3 ossos, eles s\u00e3o removidos e colocado outro corpo no local\u201d, relata. Segundo o professor da Unesp, um diagn\u00f3stico ambiental dos locais de enterro j\u00e1 existentes e a observa\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios geol\u00f3gicos para a implanta\u00e7\u00e3o de novos cemit\u00e9rios s\u00e3o algumas medidas para amenizar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 a pesquisa desenvolvida por Lez\u00edro Marques resultou no desenvolvimento de subst\u00e2ncias capazes de neutralizar o necrochorume, reduzindo o n\u00edvel de contamina\u00e7\u00e3o. \u201cA grande meta \u00e9 n\u00e3o permitir que o l\u00edquido extravase\u201d, destacou. Para tanto, foi criada uma esp\u00e9cie de colch\u00e3o a ser colocado na sepultura, o qual possui um l\u00edquido que elimina os efeitos dos poluentes. Uma a\u00e7\u00e3o semelhante \u00e9 conseguida por uma subst\u00e2ncia que lava o subsolo retirando o necrochorume. \u201cTem solu\u00e7\u00e3o, mas pouco \u00e9 feito\u201d, avalia.<\/p>\n<p>O ge\u00f3logo destaca ainda a necessidade de uma legisla\u00e7\u00e3o mais espec\u00edfica, que oriente a constru\u00e7\u00e3o de lajes de conten\u00e7\u00e3o e obrigue uso de subst\u00e2ncias neutralizadoras do necrochorume.<\/p>\n<p>Os pesquisadores concordam que a crema\u00e7\u00e3o seria a solu\u00e7\u00e3o mais adequada para a preserva\u00e7\u00e3o do meio f\u00edsico. Eles avaliam, no entanto, que a quest\u00e3o cultural \u00e9 o principal empecilho para o uso da t\u00e9cnica. \u201cA crema\u00e7\u00e3o \u00e9 muito incipiente no Brasil. E isso n\u00e3o tem a ver diretamente com o custo. Enquanto se paga entre R$ 350 e R$ 400 para cremar um corpo, o enterro mais simples custo no m\u00ednimo R$ 2 mil. \u00c9 uma quest\u00e3o cultural\u201d, avalia Lez\u00edro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ag\u00eancia Brasil S\u00e3o Paulo &#8211; Pouco mais de sete em cada dez cemit\u00e9rios p\u00fablicos brasileiros t\u00eam problemas de ordem ambiental e sanit\u00e1ria, de acordo com estudo do ge\u00f3logo e mestre em engenharia sanit\u00e1ria Lez\u00edro Marques Silva. O levantamento, conclu\u00eddo em 2011, reuniu dados de mais de mil cemit\u00e9rios do pa\u00eds, entre p\u00fablicos e privados. O pesquisador, que \u00e9 professor da Universidade S\u00e3o Judas, explica que os problemas come\u00e7am na superf\u00edcie com a prolifera\u00e7\u00e3o de animais vetores de doen\u00e7as e continuam no subsolo com a contamina\u00e7\u00e3o do len\u00e7ol fre\u00e1tico. \u201cSe o necrochorume escapa do t\u00famulo, ele pode entrar em contato&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-47087","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":399,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47087","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47087"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47087\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47088,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47087\/revisions\/47088"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47087"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47087"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47087"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}