{"id":46201,"date":"2012-09-04T08:56:13","date_gmt":"2012-09-04T11:56:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=46201"},"modified":"2012-09-04T08:56:13","modified_gmt":"2012-09-04T11:56:13","slug":"mulheres-acusadas-de-bruxaria-sao-obrigadas-a-viver-em-campos-de-refugiados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2012\/09\/04\/mulheres-acusadas-de-bruxaria-sao-obrigadas-a-viver-em-campos-de-refugiados\/","title":{"rendered":"Mulheres acusadas de bruxaria s\u00e3o obrigadas a viver em campos de refugiados"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/noticias.gospelprime.com.br\/bruxaria-gana-africa-campos-de-refugiados\/\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" title=\"Mulheres acusadas de bruxaria s\u00e3o obrigadas a viver em campos de refugiados\" src=\"http:\/\/noticias.gospelprime.com.br\/files\/2012\/09\/Samata-Abdulai-275x155.jpg\" alt=\"Mulheres acusadas de bruxaria s\u00e3o obrigadas a viver em campos de refugiados\" \/><\/a><\/p>\n<p>Mulheres acusadas de bruxaria s\u00e3o obrigadas a viver em campos de refugiados<\/p>\n<p>Samata Abdulai, aos 82 anos, foi for\u00e7ada a abandonar o seu povoado para viver no campo de Kukuo. O destino desta mulher idosa mudou ap\u00f3s um de seus irm\u00e3os acus\u00e1-la de ser a bruxa respons\u00e1vel pela morte de sua filha, supostamente por causa de uma maldi\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada por Abdulai.<\/p>\n<p>Hoje ela \u00e9 mais uma moradora dos \u201ccampos de bruxas\u201d de Gana, mas essa tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 um costume em v\u00e1rias partes da \u00c1frica, onde s\u00e3o colocadas as pessoas acusadas de fazer uso de magia negra.<\/p>\n<p>Um desses campos \u00e9 Kukuo, que re\u00fane cerca de mil mulheres vivendo em barracos cheios de goteiras, sem acesso a eletricidade, esgoto ou \u00e1gua encanada.\u00a0Para apanhar \u00e1gua, as \u201cbruxas\u201d do local precisam andar cerca de 5 km diariamente at\u00e9 um rio.<\/p>\n<p><!--more-->A vida da vi\u00fava Abdulai era bem diferente quando ela vivia no vilarejo de Bulli, distante dali a cerca de 40 km. Ela vendia roupas de segunda m\u00e3o e cuidava de suas netas g\u00eameas, enquanto sua filha trabalhava nas planta\u00e7\u00f5es de algod\u00e3o.<\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio divulgado recentemente pela ONG ActionAid afirma que mais de 70% das moradoras do campo de Kukuo foram acusadas de feiti\u00e7aria e expulsas de suas aldeias. Ap\u00f3s a morte dos seus maridos elas n\u00e3o tinham ningu\u00e9m para proteg\u00ea-las.\u00a0Por\u00e9m, muitos acreditam que as acusa\u00e7\u00f5es de bruxaria s\u00e3o, na verdade, uma forma disfar\u00e7ada de a fam\u00edlia ficar com os bens da vi\u00fava.<\/p>\n<p>\u201cOs campos s\u00e3o uma manifesta\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica da condi\u00e7\u00e3o da mulher em Gana\u201d, afirma Dzodzi Tsikata, professor da Universidade de Gana.\u00a0\u201dEssas idosas viram presas f\u00e1ceis quando deixam de ser \u00fateis \u00e0 sociedade.\u201d<\/p>\n<p>Para o Songtaba, um grupo que luta pelos direitos das mulheres, as mulheres de opini\u00e3o forte rapidamente se tornam v\u00edtimas de acusa\u00e7\u00f5es de feiti\u00e7aria. \u201cA expectativa cultural \u00e9 que as mulheres sejam submissas, ent\u00e3o, quando elas come\u00e7am a dar muitas opini\u00f5es ou serem bem-sucedidas em seu ramo, passam a ser acusadas de estar possu\u00eddas por maus esp\u00edritos\u201d, explica o acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Qualquer comportamento fora dos padr\u00f5es tamb\u00e9m pode ser interpretado como evid\u00eancia posse por esp\u00edritos. \u201cNas comunidades tradicionais, n\u00e3o h\u00e1 compreens\u00e3o real do que seja depress\u00e3o ou dem\u00eancia\u201d, diz o doutor Akwesi Osei, psiquiatra-chefe do servi\u00e7o de sa\u00fade de Gana. Ele acredita que a maioria das mulheres desses campos apresentou algum tipo de doen\u00e7a mental.<\/p>\n<p>O governo de Gana v\u00ea os campos como uma mancha na reputa\u00e7\u00e3o de uma das na\u00e7\u00f5es mais democr\u00e1ticas e economicamente vibrantes da \u00c1frica. Por isso, no ano passado, afirmou que tomaria medidas para acabar o quanto antes com os seis existentes atualmente. Mas enviar as mulheres de volta para suas aldeias de origem agora seria uma decis\u00e3o perigosa.<\/p>\n<p>\u201cTemos que trabalhar muito com as comunidades para que possam voltar sem serem linchadas ou novamente acusadas, se, por exemplo, uma vaca pula uma cerca e derruba alguma coisa\u201d, afirmou a diretora da ActionAid em Gana, \u00a0Adwoa Kwateng-Kluvitse. Em sua opini\u00e3o, isso pode levar entre 10 e 20 anos.<\/p>\n<p>Por enquanto, mulheres como Samata Abdulai continuam seguindo a tradi\u00e7\u00e3o ao chegarem nos campos. Elas precisam oferecer uma galinha como oferenda ao chefe religioso.\u00a0O sacerdote idoso murmura algumas palavras e depois corta a garganta da ave.<\/p>\n<p>Se a ave cair de costas, isso demonstra que a \u201cbruxa\u201d \u00e9 inocente e est\u00e1 pronta para ser purificada com uma esp\u00e9cie de \u00e1gua benta.\u00a0Do contr\u00e1rio, a \u201cbruxa\u201d precisa beber uma po\u00e7\u00e3o com efeito purificador, feita com sangue de galinha, cr\u00e2nio de macacos e terra.<br \/>\nMas, para o ritual de exorcismo funcionar, a mulher n\u00e3o pode ficar doente nos pr\u00f3ximos sete dias. Se ficar, tem de tomar a po\u00e7\u00e3o novamente.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o significa que Samata pode ir para casa.\u00a0Mesmo que ela seja inocente, as cren\u00e7as que a condenaram a uma vida de ex\u00edlio est\u00e3o arraigadas t\u00e3o profundamente que ela nunca conseguiria viver em seguran\u00e7a novamente.<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea \u00e9 acusada de praticar bruxaria, perde a dignidade. Sinceramente, tenho vontade de acabar com a minha vida\u2026 Fiquei confusa e temerosa, pois sabia que era inocente. Mas tamb\u00e9m sabia que, ao ser considerada uma bruxa, minha vida passou a correr perigo. Por isso, n\u00e3o perdi tempo, juntei as minhas coisas e fugi do povoado\u201d, contou ela \u00e0 rede BBC.<\/p>\n<p>Sua maior tristeza \u00e9 que nunca mais ver\u00e1 os netos novamente.\u00a0\u201dEu me preocupo com quem vai cuidar dos g\u00eameos\u201d, diz ela em voz baixa.\u00a0\u201dEu era a \u00fanica que lhes dava banho e colocava na \u00a0cama. Quem vai fazer isso agora?\u201d, finaliza.<\/p>\n<p><em>Traduzido de BBC\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Mulheres acusadas de bruxaria s\u00e3o obrigadas a viver em campos de refugiados Samata Abdulai, aos 82 anos, foi for\u00e7ada a abandonar o seu povoado para viver no campo de Kukuo. O destino desta mulher idosa mudou ap\u00f3s um de seus irm\u00e3os acus\u00e1-la de ser a bruxa respons\u00e1vel pela morte de sua filha, supostamente por causa de uma maldi\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada por Abdulai. Hoje ela \u00e9 mais uma moradora dos \u201ccampos de bruxas\u201d de Gana, mas essa tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 um costume em v\u00e1rias partes da \u00c1frica, onde s\u00e3o colocadas as pessoas acusadas de fazer uso de magia negra. 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