{"id":45117,"date":"2012-06-24T17:59:17","date_gmt":"2012-06-24T20:59:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=45117"},"modified":"2012-06-24T17:59:17","modified_gmt":"2012-06-24T20:59:17","slug":"numero-de-mortos-em-acidentes-de-moto-cresce-95-no-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2012\/06\/24\/numero-de-mortos-em-acidentes-de-moto-cresce-95-no-estado\/","title":{"rendered":"N\u00famero de mortos em acidentes de moto cresce 95% no estado"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Correio da Bahia<\/strong><\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 um ano o advogado Naim Jorge Neto, 27, luta para se recuperar. Ele voltava para casa, em Lauro de Freitas, na Regi\u00e3o Metropolitana, quando, por conta de um engarrafamento pr\u00f3ximo ao Hospital do Aeroporto, freou a motocicleta que conduzia. O carro que vinha atr\u00e1s dele, por\u00e9m, n\u00e3o parou. Com o impacto da colis\u00e3o, o corpo do advogado foi arremessado e a moto ficou imprensada entre dois ve\u00edculos.<\/p>\n<p>O drama de Naim faz parte de um quadro de acidentes envolvendo motocicletas que tem aumentando nos \u00faltimos quatro anos. Muitas vezes termina de forma tr\u00e1gica. Segundo levantamento divulgado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade na sexta-feira, o n\u00famero de mortes na Bahia quase dobrou em tr\u00eas anos: 521 mortes de motociclistas em 2010 contra 267 em 2008, um aumento de 95% \u2013 quase cinco vezes maior do que o registrado em todo o pa\u00eds no mesmo per\u00edodo.<!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cFraturei oito costelas, perfurei o pulm\u00e3o, tive hemorragia interna, tr\u00eas les\u00f5es na coluna e fiquei em coma por 17 dias\u201d, diz o advogado, que chegou a ficar quatro meses sem andar e perdeu o movimento do bra\u00e7o direito.<\/p>\n<p>Ainda segundo o levantamento, o n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es pagas pelo SUS decorrentes desse tipo de acidente em todo o estado saltou de 1.800 casos em 2008 para 4.191 em 2011. Esse aumento \u2013 de 133% \u2013 gerou no ano passado um gasto para os cofres p\u00fablicos de R$ 2.342.919,38 a mais que em 2008.<\/p>\n<p>Capital<br \/>\nJ\u00e1 em Salvador, segundo estimativa da Transalvador, a cada dez acidentes de tr\u00e2nsito, sete tem motocicletas envolvidas. Segundo o diretor de tr\u00e2nsito do \u00f3rg\u00e3o, Renato Ara\u00fajo, as v\u00edtimas geralmente s\u00e3o homens entre 18 a 29 anos e que usam motocicletas de at\u00e9 125 cilindradas. \u201cJ\u00e1 chegou ao ponto de a gente ter acidente de motocicleta com motocicleta\u201d, diz.<\/p>\n<p>O auxiliar de servi\u00e7os gerais, Adriano Souza j\u00e1 se acidentou duas vezes. Na primeira, em 2007, um carro colidiu com sua motocicleta. Ele perdeu o movimento do p\u00e9 esquerdo. Na segunda vez, em mar\u00e7o deste ano, um assaltante que estava em um carro roubado e fugia da pol\u00edcia veio na contram\u00e3o, pr\u00f3ximo \u00e0 entrada de Itinga, e colidiu de frente com a moto. Ele fraturou o f\u00eamur e a t\u00edbia do p\u00e9 esquerdo.<\/p>\n<p>Hoje, ele est\u00e1 impossibilitado de trabalhar e anda com aux\u00edlio de muletas; faz fisioterapia duas vezes por semana e pelo menos uma vez por m\u00eas tem que fazer revis\u00e3o no Hospital do Sub\u00farbio. \u201cFiquei um m\u00eas e meio de cadeira de rodas. A previs\u00e3o para eu estar realmente recuperado \u00e9 de no m\u00ednimo seis meses. Dependo da ajuda de amigos. Agora vou parar com esse neg\u00f3cio de moto. J\u00e1 chega\u201d, desabafa.<\/p>\n<p>Naim pensa um pouco diferente. \u201cAdoro moto. \u00c9 uma verdadeira paix\u00e3o. Mas, ainda n\u00e3o voltei a andar. Psicologicamente, n\u00e3o estou pronto. S\u00f3 daqui a seis meses ou um ano\u201d, diz o advogado, que apesar de tudo comemora: \u201cA previs\u00e3o era que eu ficasse no hospital por dois anos e tinha o risco de ficar parapl\u00e9gico\u201d.<\/p>\n<p>Causas<br \/>\nPara o professor da Escola Polit\u00e9cnica da Ufba e especialista em tr\u00e2nsito e transporte, Elmo Felzemburg, o primeiro aspecto a ser considerado \u00e9 o aumento no n\u00famero de motocicletas. \u201cOs dados s\u00e3o alarmantes porque s\u00e3o vidas perdidas e as interna\u00e7\u00f5es refletem nos custos da sa\u00fade p\u00fablica. A maioria dos jovens n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de comprar um carro e o nosso sistema de transporte p\u00fablico \u00e9 t\u00e3o deficiente que faz com que os cidad\u00e3os procurem alternativas\u201d, destaca.<\/p>\n<p>O professor destaca ainda a fragilidade das motocicletas. \u201cO parachoque do motociclista \u00e9 ele pr\u00f3prio\u201d, diz. O coordenador do curso de Fisioterapia da Unime, Paulo Henrique Oliveira, concorda. \u201cO piloto de moto est\u00e1 muito exposto. Quando ele cai, pode lesionar as pernas, bra\u00e7os, coluna e cabe\u00e7a\u201d, diz.<\/p>\n<p>Segundo o Departamento Estadual de Tr\u00e2nsito (Detran), em sete anos houve um crescimento na Bahia de 185% no n\u00famero de motos cadastradas no \u00f3rg\u00e3o \u2013 de 303.126 em 2005 para 865.565 este ano. Em Salvador, esse aumento foi de 40.089 para 96.291 (140%) no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Aliado ao incremento de motos est\u00e3o tamb\u00e9m, segundo especialistas, a imprud\u00eancia e problemas nas pistas. \u201cMuitos motociclistas invadem sinais, trafegam entre carros. Tem tamb\u00e9m nossas vias que s\u00e3o mal sinalizadas. Carros e motos trafegam misturados\u201d, diz Felzemburg.<\/p>\n<p>O especialista destaca tamb\u00e9m que a fiscaliza\u00e7\u00e3o insuficiente. \u201cApesar de parecer que a prefeitura multa muito, n\u00e3o tem adiantado\u201d. No caso de Salvador, o diretor de tr\u00e2nsito da Transalvador diz que as blitze s\u00e3o feitas todos os dias. \u201cA gente recolhe cerca de 40 motocicletas por dia. \u00c9 um n\u00famero elevado\u201d, destaca Ara\u00fajo. Entre as principais infra\u00e7\u00f5es, Ara\u00fajo destaca falar ao celular na dire\u00e7\u00e3o, trafegar sobre canteiros, andar na contram\u00e3o e n\u00e3o usar capacete.<\/p>\n<p>Motociclistas rejeitam generaliza\u00e7\u00e3o<br \/>\nApesar de o levantamento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o apontar as causas dos acidentes, o presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Motociclistas da Bahia, Ruiter Franco, considera os n\u00fameros \u201cpreocupantes\u201d, mas ressalta que \u00e9 preciso analisar alguns aspectos dos dados. \u201cExiste um grande volume de acidentes onde o motociclista n\u00e3o \u00e9 provocador do acidente, como por exemplo quando ele \u00e9 atacado por outros usu\u00e1rios do tr\u00e2nsito\u201d.<\/p>\n<p>Para ele, a aplica\u00e7\u00e3o de multas n\u00e3o \u00e9 suficiente. \u201cH\u00e1 uma aus\u00eancia do Estado no cumprimento das leis e normas j\u00e1 estabelecidas. Tinha que ter mais agentes de tr\u00e2nsito para orientar e fazer cumprir a legisla\u00e7\u00e3o\u201d, emenda Franco.<\/p>\n<p>Ele salienta que n\u00e3o s\u00e3o somente os motociclistas que descumprem as regras de tr\u00e2nsito. \u201cO motociclista tem uma significativa participa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m todos os respons\u00e1veis pela utiliza\u00e7\u00e3o de ruas e rodovias deveriam sofrer as mesmas penas e criticas, n\u00e3o apenas esta categoria\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>O aposentado Roberto Figueiredo, 64, pilota h\u00e1 45 anos e diz que nunca teve sequer um arranh\u00e3o. H\u00e1 nove dias, por\u00e9m, ele perdeu um companheiro de estrada, o motociclista Erivan Moraes, 63, conhecido como Help, e destaca que \u00e9 preciso tomar cuidado para n\u00e3o generalizar a imprud\u00eancia. \u201cEle estava indo com a esposa para um evento de motociclistas. Logo ap\u00f3s a entrada de Massarandupi\u00f3 (Litoral Norte), uma kombi veio na contram\u00e3o, capotou e pegou ele no acostamento. O motorista da Kombi estava b\u00eabado. S\u00f3 a esposa conseguiu sobreviver\u201d, lamenta Figueiredo.<\/p>\n<p>Para explicar a filosofia de vida que adotou, ele cita exemplos do mau uso de motocicletas. \u201cEu sou motociclista. Quem pega moto sem habilita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9. Ladr\u00e3o que usa para roubar tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9. Se anda com velocidade alta entre dois carros, \u00e9 irrespons\u00e1vel e n\u00e3o motociclista\u201d.<\/p>\n<p>PRE: maior perigo \u00e9 andar entre os carros<br \/>\nA maioria dos acidentes ocorre nas rodovias baianas quando os motociclistas passam pelos corredores de ve\u00edculos, segundo a Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Estadual (PRE). Na sexta-feira, duas pessoas morreram e outra ficou ferida no Km 96 da BR-420, pr\u00f3ximo ao Porto de Aratu.<\/p>\n<p>A PRE informou que o acidente aconteceu quando uma motocicleta que transportava tr\u00eas pessoas se chocou lateralmente com um caminh\u00e3o. J\u00e9ssica Carmo dos Anjos, 20 anos, e Andressa Sampaio dos Santos Pereira, 15 anos, n\u00e3o resistiram aos ferimentos e acabaram morrendo no local. O condutor da motocicleta, Luciano de Jesus Ara\u00fajo, 20 anos, ficou gravemente ferido e foi socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE).<\/p>\n<p>O motorista do caminh\u00e3o fugiu sem prestar socorro. \u201cO que acontece \u00e9 que a motocicleta \u00e9 um transporte prec\u00e1rio, sem estabilidade. Qualquer desequil\u00edbrio provoca um acidente\u201d, destaca o tenente da PRE, Jorge Lopes. \u201cA gente faz fiscaliza\u00e7\u00e3o ordin\u00e1rias nos postos\u201d, complementa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Correio da Bahia H\u00e1 um ano o advogado Naim Jorge Neto, 27, luta para se recuperar. Ele voltava para casa, em Lauro de Freitas, na Regi\u00e3o Metropolitana, quando, por conta de um engarrafamento pr\u00f3ximo ao Hospital do Aeroporto, freou a motocicleta que conduzia. O carro que vinha atr\u00e1s dele, por\u00e9m, n\u00e3o parou. Com o impacto da colis\u00e3o, o corpo do advogado foi arremessado e a moto ficou imprensada entre dois ve\u00edculos. O drama de Naim faz parte de um quadro de acidentes envolvendo motocicletas que tem aumentando nos \u00faltimos quatro anos. Muitas vezes termina de forma tr\u00e1gica. 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