{"id":45114,"date":"2012-06-24T17:52:21","date_gmt":"2012-06-24T20:52:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=45114"},"modified":"2012-06-24T17:54:35","modified_gmt":"2012-06-24T20:54:35","slug":"mulheres-negras-e-pobres-sao-mais-vulneraveis-ao-aborto-com-risco-mostra-dossie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2012\/06\/24\/mulheres-negras-e-pobres-sao-mais-vulneraveis-ao-aborto-com-risco-mostra-dossie\/","title":{"rendered":"Mulheres negras e pobres s\u00e3o mais vulner\u00e1veis ao aborto com risco, mostra dossi\u00ea"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em>Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Bras\u00edlia \u2013 Uma s\u00e9rie de pesquisas realizadas no Brasil mostra que as desigualdades social e racial t\u00edpicas do pa\u00eds desde a \u00e9poca colonial marcam tamb\u00e9m a pr\u00e1tica do aborto. \u201cAs caracter\u00edsticas mais comuns das mulheres que fazem o primeiro aborto \u00e9 a idade at\u00e9 19 anos, a cor negra e com filhos&#8221;, descreve em artigo cient\u00edfico in\u00e9dito a antrop\u00f3loga D\u00e9bora Diniz, da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e do Instituto de Bio\u00e9tica, Direitos Humanos e G\u00eanero (Anis), e o soci\u00f3logo Marcelo Medeiros, tamb\u00e9m da UnB e do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O texto, relativo a uma etapa da Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), ser\u00e1 publicado em julho na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cienciaesaudecoletiva.com.br\/\" rel=\"nofollow\"><em>Revista Ci\u00eancia e Sa\u00fade Coletiv<\/em>a<\/a>, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade P\u00fablica (Abrasco). A edi\u00e7\u00e3o traz um dossi\u00ea sobre o aborto no Brasil, produzido com pesquisas feitas para o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq).<!--more--><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Diniz e Medeiros coordenaram, entre agosto de 2010 e fevereiro de 2011, levantamento com 122 mulheres entre 19 e 39 anos residentes em Bel\u00e9m, Bras\u00edlia, Porto Alegre, no Rio de Janeiro e em Salvador.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Segundo os autores, a diferencia\u00e7\u00e3o sociorracial \u00e9 percebida at\u00e9 no acompanhamento durante o procedimento m\u00e9dico. \u201cAs mulheres negras relatam menos a presen\u00e7a dos companheiros do que as mulheres brancas\u201d, registram os pesquisadores. \u201cDez mulheres informaram ter abortado sozinhas e sem aux\u00edlio, quase todas eram negras, com baixa escolaridade [ensino fundamental] e quatro delas mais jovens que 21 anos\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os dados confirmam resultados encontrados pelos dois pesquisadores em 2010, quando verificaram, por meio de pesquisa de urna (m\u00e9todo em que a entrevistada n\u00e3o se identifica no question\u00e1rio que preenche e deposita em caixa vedada), que \u201co aborto \u00e9 comum entre mulheres de todas as classes sociais, cuja preval\u00eancia aumenta com a idade, com o fato de ser da zona urbana, ter mais de um filho e n\u00e3o ser da ra\u00e7a branca\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Conforme a pesquisa de 2010, 22% das mulheres brasileiras de 35 a 39 anos, residentes em \u00e1reas urbanas, j\u00e1 fizeram aborto. No levantamento, o aborto se mostrou mais frequente entre mulheres com menor n\u00edvel de escolaridade, independentemente da filia\u00e7\u00e3o religiosa. \u201cEsses dados demonstram que o aborto \u00e9 pr\u00e1tica disseminada, apesar da sua ilegalidade, constituindo-se quest\u00e3o para a sa\u00fade p\u00fablica\u201d, comenta Wilza Vieira Villela, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Sa\u00fade da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), que pesquisou o aborto induzido entre as mulheres com HIV\/aids.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Da mesma forma, o artigo de Rebeca de Souza e Silva, do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp, confirma a tese de que a desigualdade social afeta o acesso \u00e0 preven\u00e7\u00e3o da gravidez e tamb\u00e9m a qualidade do aborto. De acordo com seu estudo comparativo entre mulheres casadas e solteiras residentes na cidade de S\u00e3o Paulo, \u201cas solteiras recorrem proporcionalmente mais ao aborto provocado (\u2026). Contudo, as mais pobres, com menor escolaridade e maior dificuldade de acesso \u00e0s benesses do mundo moderno, continuar\u00e3o pagando alto pre\u00e7o \u2013 que pode ser a pr\u00f3pria vida \u2013 pela op\u00e7\u00e3o de provocar um aborto\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Souza e Silva defende a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, por entender que o problema \u201cs\u00f3 ser\u00e1 resolvido se o acesso aos servi\u00e7os de qualidade for equitativo\u201d e que \u201ca ilegalidade traz consequ\u00eancias negativas para a sa\u00fade das mulheres, pouco co\u00edbe essa pr\u00e1tica e perpetua a desigualdade social, uma vez que os riscos impostos pela tal ilegalidade s\u00e3o vividos, sobretudo, pelas mulheres menos escolarizadas, geralmente as mais pobres, e pelas que n\u00e3o t\u00eam acesso aos recursos m\u00e9dicos para o aborto seguro\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para Estela Aquino, do Instituto de Sa\u00fade Coletiva da Universidade Federal da Bahia (Ufba), \u201cas restri\u00e7\u00f5es legais n\u00e3o co\u00edbem a pr\u00e1tica [do aborto] no pa\u00eds, mas refor\u00e7am desigualdades sociais, j\u00e1 que as mulheres mais pobres fazem o aborto de modo inseguro, gerando hospitaliza\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias e representando riscos \u00e0 sa\u00fade\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No Brasil, o aborto volunt\u00e1rio \u00e9 ilegal e tipificado como crime no C\u00f3digo Penal. O aborto \u00e9 autorizado em caso de estupro e de risco de morte da mulher. Neste semestre, o Supremo Tribunal Federal confirmou\u00a0 jurisprud\u00eancia praticada em v\u00e1rios tribunais que j\u00e1 permitiram a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez de fetos anenc\u00e9falos (malforma\u00e7\u00e3o no tubo neural, no c\u00e9rebro).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ag\u00eancia Brasil Bras\u00edlia \u2013 Uma s\u00e9rie de pesquisas realizadas no Brasil mostra que as desigualdades social e racial t\u00edpicas do pa\u00eds desde a \u00e9poca colonial marcam tamb\u00e9m a pr\u00e1tica do aborto. \u201cAs caracter\u00edsticas mais comuns das mulheres que fazem o primeiro aborto \u00e9 a idade at\u00e9 19 anos, a cor negra e com filhos&#8221;, descreve em artigo cient\u00edfico in\u00e9dito a antrop\u00f3loga D\u00e9bora Diniz, da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e do Instituto de Bio\u00e9tica, Direitos Humanos e G\u00eanero (Anis), e o soci\u00f3logo Marcelo Medeiros, tamb\u00e9m da UnB e do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea). O texto, relativo a uma&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-45114","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":482,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45114","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45114"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45114\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45116,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45114\/revisions\/45116"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}