{"id":4384,"date":"2010-03-27T22:30:22","date_gmt":"2010-03-28T01:30:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=4384"},"modified":"2010-03-27T22:30:22","modified_gmt":"2010-03-28T01:30:22","slug":"535-dos-negros-brasileiros-ja-estao-na-classe-media","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/03\/27\/535-dos-negros-brasileiros-ja-estao-na-classe-media\/","title":{"rendered":"53,5% dos negros brasileiros j\u00e1 est\u00e3o na classe m\u00e9dia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Pesquisa do economista da FGV Marcelo Neri tamb\u00e9m mostra que 47,3% dos mesti\u00e7os pertenciam \u00e0s classes A, B e C em 2008<\/strong><\/p>\n<p>RIO &#8211;<\/p>\n<p>Mais da metade dos negros brasileiros, e pouco menos da metade dos mesti\u00e7os (pardos), pertencem hoje \u00e0 classe m\u00e9dia, incluindo a classe C, a nova classe m\u00e9dia popular.<\/p>\n<p>Segundo recente levantamento do economista Marcelo Neri, do Centro de Pol\u00edticas Sociais (CPS), da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), 53,5% dos negros e 47,3% dos mesti\u00e7os no Brasil pertenciam \u00e0s classes A, B e C em 2008. Entre negros e mesti\u00e7os juntos, 48% s\u00e3o de classe m\u00e9dia, e 52% est\u00e3o nas classes D e E, mais caracter\u00edsticas da pobreza. Os porcentuais incluem tamb\u00e9m os muito ricos, mas que s\u00e3o estatisticamente pouco significantes.<!--more--><\/p>\n<p>Esses n\u00fameros, tirados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad), mostram uma grande evolu\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos 15 anos. Em 1993, menos de um quarto dos negros (23,8%) e pouco mais de um quinto dos mesti\u00e7os (21,7%) pertenciam \u00e0s classes A, B e C. Tomados em conjunto, apenas 22% dos negros e mesti\u00e7os estavam na classe m\u00e9dia, com quase 80% nas classes D e E.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros de Neri revelam que, desde 1993, a propor\u00e7\u00e3o de negros e mesti\u00e7os nas classes A, B e C cresceu cerca de 110%, enquanto a dos brancos expandiu-se em 42%. &#8220;H\u00e1 uma melhora diferenciada dos negros e pardos na classe ABC, j\u00e1 que a propor\u00e7\u00e3o deles aumentou mais do que a dos brancos&#8221;, observa Neri.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Urani, s\u00f3cio do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), e diretor do Instituto Natura, tem dados que mostram que a propor\u00e7\u00e3o de negros e mesti\u00e7os, nos \u00faltimos 15 anos, cresceu bem mais entre os mais ricos do que entre os mais pobres. Assim, houve um salto de 74%, de 1993 a 2008, na propor\u00e7\u00e3o de chefes de fam\u00edlia negros e mesti\u00e7os entre o 1% mais rico do Brasil, e hoje ela atinge 15%. Entre os 10% mais ricos, um em cada quatro chefes de fam\u00edlia j\u00e1 \u00e9 negro ou mesti\u00e7o.<\/p>\n<p>Para Urani, essa melhora relativa de renda de negros e mesti\u00e7os se deu antes que a pol\u00edtica de cotas pudesse fazer efeito. &#8220;Se, de fato, como parece, isso n\u00e3o se deve \u00e0 pol\u00edtica de cotas, ent\u00e3o est\u00e1 aberto um campo gigantesco para se investigar as determinantes dessa trajet\u00f3ria e ter pol\u00edticas p\u00fablicas que a incentivem.&#8221;<\/p>\n<p>Mesmo com o avan\u00e7o de negros e mesti\u00e7os, a sociedade brasileira ainda est\u00e1 muito longe de ser igualit\u00e1ria em grupos raciais. Os chefes de fam\u00edlia negros e mesti\u00e7os ainda correspondem a mais de 70% entre os pobres e indigentes, segundo a classifica\u00e7\u00e3o de linhas de pobreza de Urani.<\/p>\n<p>Os dados de Urani e Neri mostram, por\u00e9m, que, apesar de a situa\u00e7\u00e3o ainda permanecer ruim, \u00e9 ineg\u00e1vel a tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o da desigualdade de renda de base racial na \u00faltima d\u00e9cada e meia. Hoje, o Pa\u00eds j\u00e1 possui uma grande classe m\u00e9dia n\u00e3o branca, com 45 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Os dados da s\u00e9rie da Pnad revelam que tamb\u00e9m houve, independentemente da renda, um expressivo aumento na propor\u00e7\u00e3o de negros e mesti\u00e7os no total da popula\u00e7\u00e3o brasileira de 1993 a 2008, de 45% para 50,1% do total.<\/p>\n<p>As poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es para essa mudan\u00e7a s\u00e3o uma maior disposi\u00e7\u00e3o das pessoas se identificarem como n\u00e3o brancas (pretos e pardos, na terminologia oficial) nos question\u00e1rios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) e um avan\u00e7o real demogr\u00e1fico de negros e mesti\u00e7os relativamente aos brancos. Especialistas em estudos raciais, como o economista Marcelo Paix\u00e3o, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acreditam que a causa pode ser uma combina\u00e7\u00e3o desses dois fatores.<\/p>\n<p>Em todas as faixas de renda houve aumento da participa\u00e7\u00e3o de negros e mesti\u00e7os, j\u00e1 que eles cresceram bastante na popula\u00e7\u00e3o como um todo. Por\u00e9m, quando se examina as mudan\u00e7as na distribui\u00e7\u00e3o de negros e mesti\u00e7os entre as faixas de renda, de 1993 a 2008, fica claro que aquele aumento foi proporcionalmente maior nas camadas mais ricas da popula\u00e7\u00e3o do que nas mais pobres.<\/p>\n<p>Assim, em 1993, os chefes de fam\u00edlia negros e mesti\u00e7os representavam 68% do total abaixo da linha de indig\u00eancia definida por Urani, o que subiu para 73% em 2008. O crescimento da fatia, de 8,3%, por\u00e9m, foi bem menor do que o aumento na propor\u00e7\u00e3o total de chefes de fam\u00edlia negros e mesti\u00e7os naquele per\u00edodo, que foi de 23%. J\u00e1 entre os riqu\u00edssimos (1% mais rico da popula\u00e7\u00e3o), a parcela de chefes de fam\u00edlia negros e mesti\u00e7os saiu de 8,8% para 15,3%, o que significa uma expans\u00e3o de 74%.<\/p>\n<p><strong>Estad\u00e3o<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa do economista da FGV Marcelo Neri tamb\u00e9m mostra que 47,3% dos mesti\u00e7os pertenciam \u00e0s classes A, B e C em 2008 RIO &#8211; Mais da metade dos negros brasileiros, e pouco menos da metade dos mesti\u00e7os (pardos), pertencem hoje \u00e0 classe m\u00e9dia, incluindo a classe C, a nova classe m\u00e9dia popular. 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