{"id":41376,"date":"2012-01-09T08:41:02","date_gmt":"2012-01-09T11:41:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=41376"},"modified":"2012-01-09T08:41:02","modified_gmt":"2012-01-09T11:41:02","slug":"aposentados-acumulam-76-por-cento-de-perdas-salariais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2012\/01\/09\/aposentados-acumulam-76-por-cento-de-perdas-salariais\/","title":{"rendered":"Aposentados acumulam 76 por cento de perdas salariais"},"content":{"rendered":"<div>Benefici\u00e1rios que ganham mais de um sal\u00e1rio m\u00ednimo s\u00e3o os mais prejudicados<br \/>\nLuciana Rebou\u00e7as<\/div>\n<p>O que pode mudar em 18 anos na vida das pessoas? Certamente, a lista \u00e9 extensa, mas quando se trata do poder de compra dos aposentados que ganham acima de um sal\u00e1rio m\u00ednimo, a lista s\u00f3 fez encolher. Os reajustes dados pelo governo ao longo destes anos, quando comparado ao aumento que foi dado ao sal\u00e1rio m\u00ednimo, representam perdas salariais de quase 80% para os aposentados. De 1994 at\u00e9 este ano, s\u00e3o exatos 76,54% de perdas, segundo tabela da Confedera\u00e7\u00e3o dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Cobap).<\/p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th scope=\"col\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ibahia.com\/uploads\/RTEmagicC_aposentados.jpg.jpg\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"308\" \/><\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<\/table>\n<p><strong>Exemplo<br \/>\n<\/strong>Para ter uma ideia, este ano, a perda representou uma diferen\u00e7a de R$ 87 para quem ganha dois sal\u00e1rios m\u00ednimos. Isso porque o reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo foi de 14,1%, ou seja, o aposentado ganharia R$ 1.244 mensais. Por\u00e9m, com o reajuste de 6,08% para quem ganha acima do sal\u00e1rio, esse aposentado vai ganhar R$ 1.156. \u201cEsta diferen\u00e7a de R$ 87 pode parecer pequena, mas \u00e9 o rem\u00e9dio do m\u00eas para muitos aposentados\u201d, comenta o coordenador jur\u00eddico da Associa\u00e7\u00e3o dos Pensionistas e Aposentados da Previd\u00eancia Social da Bahia (Asaprev) \u2013 Casa do Aposentado, Marcos Barroso.<\/p>\n<p>Barroso ainda lembra que este ano o reajuste foi abaixo da infla\u00e7\u00e3o, que foi na meta do governo, em 6,5%. \u201cJ\u00e1 come\u00e7o a enxergar uma possibilidade de reclamar isso, que antes n\u00e3o existia. Com esse \u00edndice, o governo n\u00e3o garantiu o m\u00ednimo, que era a reposi\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>O advogado refor\u00e7a que isso n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio por lei, mas fere princ\u00edpios jur\u00eddicos. \u201cVoc\u00ea d\u00e1 tratamentos diferenciados a umas pessoas. Como \u00e9 que voc\u00ea garante o m\u00ednimo b\u00e1sico a uns e a outros n\u00e3o? Vamos nos aprofundar nesses estudos\u201d, garante.<\/p>\n<p><strong>Arrocho<br \/>\n<\/strong>O pr\u00f3prio secr\u00e9tario-geral da Casa do Aposentado, Lino Davi, sentiu na pele essas perdas acumuladas ao longo dos anos. Quando se aposentou, Davi deveria receber 8,5 sal\u00e1rios m\u00ednimos. Em 1994, ele j\u00e1 recebia o equivalente a 7,3 sal\u00e1rios. Hoje, a situa\u00e7\u00e3o dele \u00e9 ainda pior: Davi receber\u00e1, em 2012, 3,65 sal\u00e1rios, o que representa R$ 1.989,25.<\/p>\n<p>Quando questionado sobre o que mudou nestes 18 anos, Davi n\u00e3o demora para responder. \u201cTive que abrir m\u00e3o de diversos benef\u00edcios que eu tinha. At\u00e9 1998, consegui manter um plano de sa\u00fade, mas perdi a condi\u00e7\u00e3o de ter. Viagens que eu fazia a S\u00e3o Paulo, que eu sou de l\u00e1, e n\u00e3o tenho mais como fazer\u201d, conta o senhor de 89 anos.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o atinge v\u00e1rios brasileiros aposentados. S\u00f3 com essa nova corre\u00e7\u00e3o, o pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social divulgou que mais de 311 mil aposentados passam a ganhar o piso (que \u00e9 o sal\u00e1rio m\u00ednimo), mesmo tendo contribu\u00eddo com mais sal\u00e1rios antes de solicitar a aposentadoria.<\/p>\n<p><strong>Custos<br \/>\n<\/strong>Barroso ainda lembra que essa \u00e9 uma fase em que os custos s\u00e3o maiores para os idosos. \u201cE isso \u00e9 reconhecido pelo pr\u00f3prio governo, que tem o IGP-DI, que mede o custo de vida da terceira idade. As pessoas precisam se alimentar melhor, t\u00eam necessidades de rem\u00e9dios, de m\u00e9dicos, que t\u00eam um custo maior. Outro fator \u00e9 que hoje h\u00e1 um endividamento muito grande, tendo esses idosos que recorrer aos empr\u00e9stimos consignados para sobreviver\u201d, conclui Barroso.<\/p>\n<p><strong>Projetos visam mudar cen\u00e1rio atual de perdas<br \/>\n<\/strong>Os aposentados prometem lutar ainda mais em 2012 para rever essa situa\u00e7\u00e3o das perdas salariais. O secret\u00e1rio-geral da Associa\u00e7\u00e3o dos Pensionistas e Aposentados da Previd\u00eancia Social da Bahia (Asaprev), Lino Davi, conta que, a cada ano, entre 300 mil e 350 mil benefici\u00e1rios s\u00e3o nivelados a um sal\u00e1rio m\u00ednimo, mesmo tendo contribu\u00eddo acima do piso.<\/p>\n<p>Ele cita dois projetos que est\u00e3o em pauta na C\u00e2mara Federal que poderiam mudar essa situa\u00e7\u00e3o. O primeiro deles \u00e9 o Projeto de Lei 01\/7, que solicita que seja dado o mesmo \u00edndice de reajuste concedido ao sal\u00e1rio m\u00ednimo aos benef\u00edcios acima do m\u00ednimo, de autoria do poder executivo. Al\u00e9m desse, o PL 4.434\/08 visa a recupera\u00e7\u00e3o, em cinco anos, das perdas que v\u00eam se acumulando desde 1989. Esse projeto \u00e9 de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Benefici\u00e1rios que ganham mais de um sal\u00e1rio m\u00ednimo s\u00e3o os mais prejudicados Luciana Rebou\u00e7as O que pode mudar em 18 anos na vida das pessoas? Certamente, a lista \u00e9 extensa, mas quando se trata do poder de compra dos aposentados que ganham acima de um sal\u00e1rio m\u00ednimo, a lista s\u00f3 fez encolher. Os reajustes dados pelo governo ao longo destes anos, quando comparado ao aumento que foi dado ao sal\u00e1rio m\u00ednimo, representam perdas salariais de quase 80% para os aposentados. 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