{"id":41312,"date":"2012-01-06T14:23:33","date_gmt":"2012-01-06T17:23:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=41312"},"modified":"2012-01-06T14:28:47","modified_gmt":"2012-01-06T17:28:47","slug":"inicio-do-conteudo-matei-255-pessoas-e-nao-me-arrependo-diz-ex-atirador-americano-no-iraque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2012\/01\/06\/inicio-do-conteudo-matei-255-pessoas-e-nao-me-arrependo-diz-ex-atirador-americano-no-iraque\/","title":{"rendered":"&#8216;Matei 255 pessoas e n\u00e3o me arrependo&#8217;, diz ex-atirador americano no Iraque"},"content":{"rendered":"<h3>Biografia de atirador de elite da Marinha lan\u00e7a luz sobre a psicologia da guerra ao narrar a\u00e7\u00f5es em conflito<\/h3>\n<p>LONDRES &#8211; Ele diz ter matado 255 pessoas no Iraque e garante que n\u00e3o se arrepende. &#8220;A lenda&#8221;, &#8220;o exterminador&#8221; e &#8220;o diabo de Ramadi&#8221; s\u00e3o apenas algumas alcunhas pelas quais o atirador de elite reformado Chris Kyle ficou conhecido entre os colegas.<\/p>\n<div>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\" title=\"Chris Kyle lutou no Iraque como oficial Seal - em terra, mar e ar - BBC Brasil\" src=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/fotos\/120105103828_american_sniper_304x304_cortesiawilliammorrow.jpg\" alt=\"Chris Kyle lutou no Iraque como oficial Seal - em terra, mar e ar - BBC Brasil\" \/><\/div>\n<div>BBC Brasil<\/div>\n<div>Chris Kyle lutou no Iraque como oficial Seal &#8211; em terra, mar e ar<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Entre 1999 e 2009, o ent\u00e3o oficial do pelot\u00e3o Charlie, terceiro grupo da for\u00e7a Seal da Marinha americana, construiu para si uma temida reputa\u00e7\u00e3o como o atirador mais letal da hist\u00f3ria da corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Oficialmente, o Pent\u00e1gono registra 150 mortes no seu nome &#8211; o que em si j\u00e1 representa um recorde em rela\u00e7\u00e3o ao anterior, de 109, at\u00e9 ent\u00e3o mantido por um atirador durante a Guerra do Vietn\u00e3. Entretanto, Kyle afirma que sua contagem \u00e9 maior. S\u00f3 na segunda batalha de Fallujah, no fim de 2004, diz, tirou a vida de 40 inimigos.<\/p>\n<p><strong>&#8216;Adorei o que fiz&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>Em um livro da editora HarperCollins que chega \u00e0s livrarias americanas, &#8220;American Sniper&#8221; &#8211; &#8220;Atirador de elite americano&#8221;, em uma tradu\u00e7\u00e3o livre e literal &#8211; ele relata com detalhes o seu trabalho em quatro viagens de combate ao Iraque.<\/p>\n<p>&#8220;Adorei o que fiz. Ainda adoro. Se as circunst\u00e2ncias fossem diferentes &#8211; se minha fam\u00edlia n\u00e3o precisasse de mim &#8211; eu voltaria em um piscar de olhos&#8221;, escreve o atirador. &#8220;N\u00e3o estou mentindo nem exagerando quando digo que foi divertido&#8221;.<\/p>\n<p>A narrativa \u00e9 clara &#8211; &#8220;crua&#8221;, at\u00e9, como definiu um cr\u00edtico liter\u00e1rio americano &#8211; e deixa entrever a complexa e tensa psicologia da guerra. Kyle relata como ao longo da carreira deixou de hesitar ao mirar nas suas v\u00edtimas e passou a desempenhar melhor suas fun\u00e7\u00f5es sob fogo cruzado.<\/p>\n<p>Sua companhia Charlie foi uma das primeiras a desembarcar na Pen\u00ednsula de al-Faw no in\u00edcio da chamada Opera\u00e7\u00e3o Liberdade, iniciada em 20 de mar\u00e7o de 2003 pelo ent\u00e3o presidente dos EUA, George W. Bush.<\/p>\n<p><strong>Cobertura <\/strong><\/p>\n<p>No fim daquele m\u00eas, na \u00e1rea de Nasiyria, os oficiais Seal aguardavam em um povoado iraquiano a chegada dos marines, fuzileiros navais americanos, que se aproximavam. No topo de um edif\u00edcio, Kyle conta que ele e outros oficiais de seu pelot\u00e3o tinham como objetivo oferecer cobertura para os fuzileiros.<\/p>\n<p>Quase todos os moradores se trancaram em suas casas, de onde assistiam a tudo por detr\u00e1s das cortinas. Apenas uma mulher e uma ou outra crian\u00e7a se movimentavam na rua.<\/p>\n<p>Quando os marines se encontravam a certa dist\u00e2ncia, a mulher tirou um objeto amarelado de sua bolsa e caminhou em dire\u00e7\u00e3o aos militares. &#8220;\u00c9 uma granada! Uma granada chinesa&#8221;, disse o chefe de Kyle. &#8220;Atire&#8221;. Ao v\u00ea-lo hesitar, o chefe repetiu: &#8220;Atire!&#8221;<\/p>\n<p>Kyle puxou o gatilho duas vezes, a &#8220;primeira e \u00fanica vez&#8221; em que matou uma pessoa no Iraque que n\u00e3o fosse homem e combatente. &#8220;Era meu dever. N\u00e3o me arrependo&#8221;, escreve. &#8220;Meus tiros salvaram v\u00e1rios americanos cujas vidas claramente valiam mais que o daquela mulher de alma distorcida.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Posso me colocar diante de Deus com uma consci\u00eancia limpa em rela\u00e7\u00e3o ao meu trabalho&#8221;.<\/p>\n<p><strong>\u00d3dio<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO americano do Texas, que aprendeu com o pai a atirar ainda na juventude e virou um boiadeiro de destaque, se converteu em mestre em uma das fun\u00e7\u00f5es mais controversas em conflitos armados.<\/p>\n<p>Na 2\u00aa Guerra Mundial, atiradores de elite eram considerados assassinos em s\u00e9rie. O recordista mundial de mortes \u00e9 um atirador finland\u00eas que naquele conflito tirou 475 vidas russas durante a invas\u00e3o da Finl\u00e2ndia pela ent\u00e3o Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Na guerra contempor\u00e2nea, onde a precis\u00e3o \u00e9 valiosa, esses azes da mira ganharam status especial. Kyle se orgulha de ter matado um homem a uma dist\u00e2ncia de 2,1 mil metros no sub\u00farbio xiita de Sadr City, nos arredores de Bagd\u00e1, em 2008. &#8220;Deus soprou aquela bala que o atingiu&#8221;, escreve. O recorde mundial nesse quesito \u00e9 mantido por um atirador brit\u00e2nico que alvejou um inimigo a quase 2,5 quil\u00f4metros no Afeganist\u00e3o em 2009.<\/p>\n<p>Assassinatos a tiro cometidos por sociopatas e psicopatas &#8211; como o de Washington, em 2002, ou da ilha de Utoeya, na Noruega, no ano passado &#8211; refor\u00e7am uma imagem de frieza desses profissionais. Entretanto, o que as p\u00e1ginas de &#8220;American Sniper&#8221; revelam com candura \u00e9 um \u00f3dio profundo que Kyle nutriu pelo Iraque (&#8220;o lugar fedia como um esgoto &#8211; o fedor do Iraque \u00e9 algo a que nunca me acostumei&#8221;) e por seus inimigos.<\/p>\n<p>&#8220;Verdadeiramente, profundamente odeio o mal que aquela mulher (sua primeira v\u00edtima) possu\u00eda. Odeio at\u00e9 hoje&#8221;, escreve o militar. &#8220;Mal selvagem, desprez\u00edvel. \u00c9 isso que est\u00e1vamos combatendo no Iraque. \u00c9 por isso que muitas pessoas, incluindo eu, chamavam os inimigos de &#8216;selvagens&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p><strong>&#8216;Diabo&#8217;<br \/>\n<\/strong><br \/>\nAs quatro participa\u00e7\u00f5es de Kyle em combates lhe renderam prest\u00edgio e fama. Os insurgentes iraquianos o batizaram de &#8220;al-Shaitan&#8221; (&#8220;o diabo&#8221;) e colocaram, em um sentido inclusive literal, a sua cabe\u00e7a a pr\u00eamio.<\/p>\n<p>O militar diz que sua fama de matador mais eficiente da hist\u00f3ria das For\u00e7as n\u00e3o \u00e9 de grande import\u00e2ncia. &#8220;O n\u00famero n\u00e3o \u00e9 importante para mim. Apenas queria ter matado mais gente. N\u00e3o para poder me gabar, mas porque acho que o mundo \u00e9 um lugar melhor sem selvagens \u00e0 solta tirando vidas americanas.&#8221;<\/p>\n<p>Reformado de sua fun\u00e7\u00e3o em 2009, ele hoje vive no Texas, onde \u00e9 diretor de uma empresa que presta servi\u00e7os para as For\u00e7as Armadas americanas, treinando atiradores de elite.<\/p>\n<p><em>BBC Brasil &#8211; Todos os direitos reservados. \u00c9 proibido todo tipo de reprodu\u00e7\u00e3o sem autoriza\u00e7\u00e3o por escrito da BBC.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Biografia de atirador de elite da Marinha lan\u00e7a luz sobre a psicologia da guerra ao narrar a\u00e7\u00f5es em conflito LONDRES &#8211; Ele diz ter matado 255 pessoas no Iraque e garante que n\u00e3o se arrepende. &#8220;A lenda&#8221;, &#8220;o exterminador&#8221; e &#8220;o diabo de Ramadi&#8221; s\u00e3o apenas algumas alcunhas pelas quais o atirador de elite reformado Chris Kyle ficou conhecido entre os colegas. BBC Brasil Chris Kyle lutou no Iraque como oficial Seal &#8211; em terra, mar e ar Entre 1999 e 2009, o ent\u00e3o oficial do pelot\u00e3o Charlie, terceiro grupo da for\u00e7a Seal da Marinha americana, construiu para si uma&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-41312","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":483,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41312"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41312\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41314,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41312\/revisions\/41314"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}