{"id":41041,"date":"2011-12-28T06:29:41","date_gmt":"2011-12-28T09:29:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=41041"},"modified":"2011-12-28T06:29:41","modified_gmt":"2011-12-28T09:29:41","slug":"cultura-passada-de-pai-para-filho-e-responsavel-por-analfabetismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2011\/12\/28\/cultura-passada-de-pai-para-filho-e-responsavel-por-analfabetismo\/","title":{"rendered":"Cultura passada de pai para filho \u00e9 respons\u00e1vel por analfabetismo"},"content":{"rendered":"<div id=\"cboxOverlay\" style=\"display: none;\"><\/div>\n<div id=\"colorbox\" style=\"padding-right: 0px; padding-bottom: 38px; display: none;\"><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>IG Brasilia<\/strong><\/p>\n<p>Hildo Moreira conhece as letras, mas tem muita dificuldade em compreender quando elas se tornam palavras. Apesar dos 46 anos de vida, at\u00e9 hoje a escola n\u00e3o foi um lugar em que se sentisse \u00e0 vontade e conseguisse mant\u00ea-lo firme no prop\u00f3sito de aprender. Hildo lembra-se de ter completado apenas a 1 \u00aa s\u00e9rie do ensino fundamental, justamente a que as crian\u00e7as come\u00e7am a ler e a escrever.<\/p>\n<div>\n<div>Aos 46 anos, Hildo reconhece a placa do \u00f4nibus que o leva para casa, mas n\u00e3o consegue ler o jornal<\/div>\n<\/div>\n<p>Desde ent\u00e3o, as tentativas de continuar os estudos fracassaram. Por diferentes motivos. A falta de est\u00edmulo para estudar se misturaram ao desinteresse, \u00e0 prioridade dada ao trabalho, \u00e0 aus\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es sobre os col\u00e9gios. Hildo faz parte de uma triste estat\u00edstica: a do analfabetismo. Os dados do Censo de 2010 (os mais recentes dispon\u00edveis) mostram que 9,6% da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u2013 um total de <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/educacao\/zona-rural-e-pessoas-alem-dos-65-anos-elevam-taxa-de-analfabetos\/n1597369785448.html\">13,9 milh\u00f5es de brasileiros com mais de 15 anos \u2013 n\u00e3o sabem ler ou escrever<\/a>.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nUm estudo realizado recentemente na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) d\u00e1 vida aos n\u00fameros apontados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) como o perfil da maioria dos analfabetos do Pa\u00eds. Ele mostra que a hist\u00f3ria de exclus\u00e3o educacional dessas pessoas ainda na inf\u00e2ncia est\u00e1 ligada ao lugar onde a maioria morava: o campo. N\u00e3o s\u00f3 o acesso \u00e0s escolas dificultou a alfabetiza\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m a cultura passada de pai para filho.<\/p>\n<p>Vanessa Pupo, que realizou a pesquisa com 483 adultos matriculados em turmas de alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos na cidade de Piracicaba, conta que 70% deles cresceram em \u00e1reas rurais. Os pais deles tamb\u00e9m deixaram de ser alfabetizados. De acordo com os entrevistados pela pesquisadora, o trabalho na ro\u00e7a era visto como mais importante que o estudo. Por isso, o abandono escolar fazia parte da rotina das pessoas.<\/p>\n<p>A vida posterior na cidade, no entanto, os impediu de reproduzir o pensamento dos pais: os filhos dos entrevistados n\u00e3o fazem parte das estat\u00edsticas do analfabetismo. \u201cO estudo mostrou que as exig\u00eancias do mundo do trabalho nas cidades fizeram com que eles passassem a valorizar a educa\u00e7\u00e3o e a vissem como ferramenta de mobilidade social. Por isso, eles colocaram os filhos na escola e muitos ainda tentam estudar\u201d, afirma Vanessa.<\/p>\n<div>\n<h5>Leia tamb\u00e9m<\/h5>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/educacao\/zona-rural-e-pessoas-alem-dos-65-anos-elevam-taxa-de-analfabetos\/n1597369785448.html\" target=\"_self\">Zona rural e pessoas al\u00e9m dos 65 anos elevam taxa de analfabetos<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/educacao\/brasil+precisa+correr+para+cumprir+metas+contra+analfabetismo\/n1237771858436.html\" target=\"_self\">Pa\u00eds precisa correr para cumprir metas de alfabetiza\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/brasil\/ma\/sao+luis+atinge+meta+e+reduz+analfabetismo+4+anos+antes+do+prazo\/n1597082987448.html\" target=\"_self\">S\u00e3o Lu\u00eds atinge meta de alfabetiza\u00e7\u00e3o antes do prazo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/educacao\/aos+103+anos+mulher+comeca+a+estudar+no+interior+da+bahia\/n1597107440537.html\" target=\"_self\">Aos 103 anos, mulher come\u00e7a a estudar na Bahia<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>Os relatos dos estudantes adultos entrevistados por Vanessa podem ser a explica\u00e7\u00e3o para outro fen\u00f4meno registrado pelas estat\u00edsticas oficiais: a redu\u00e7\u00e3o do analfabetismo entre jovens. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) de 2010 mostram que, nos \u00faltimos 10 anos, a taxa de analfabetismo entre jovens com 15 a 24 anos recuou de 10,1% para 4,6%. A grande maioria (92,6%) dos analfabetos brasileiros tem mais de 25 anos.<\/p>\n<p>Entre os idosos (com 60 anos ou mais), o movimento foi inverso. A quantidade de analfabetos cresceu. Em 1999, 34,4% da popula\u00e7\u00e3o desse grupo n\u00e3o sabiam ler nem escrever e, dez anos depois, chegou a 42,6%. Os dados tamb\u00e9m revelam que 40,7% da popula\u00e7\u00e3o rural \u00e9 analfabeta funcional \u2013 n\u00e3o consegue compreender o que l\u00ea. Na \u00e1rea urbana, a porcentagem \u00e9 de 16,7%.<\/p>\n<p><strong>Dif\u00edcil recome\u00e7o<\/strong><br \/>\nOs adultos entrevistados por Vanessa tentavam voltar \u00e0 escola, tarefa que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Quem faz essa op\u00e7\u00e3o aponta o desejo de um emprego melhor, de poder ajudar os filhos na escola ou de \u201cdeixar de ser cego\u201d na sociedade como motivadores. Dentro das salas de aulas, eles precisam enfrentar m\u00e9todos ainda distantes da pr\u00f3pria realidade e infantilizados, como destaca Vanessa.<\/p>\n<p>\u201cO processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos precisa ser diferente. Eles t\u00eam conhecimentos que n\u00e3o adquiriram por meio da escola e, por isso, n\u00e3o s\u00e3o valorizados. Mas essas experi\u00eancias de vida precisam ser consideradas e servir como motivadores\u201d, opina a pedagoga.<\/p>\n<p>Hildo conhece bem todas essas dificuldades. Ele n\u00e3o morou em fazendas como os pais, mas foi criado por pais analfabetos, que n\u00e3o se importaram quando ele deixou a escola. H\u00e1 25 anos, ele vigia carros em um mesmo estacionamento no centro da capital federal. Algumas vezes, Hildo conta que tentou se livrar do cansa\u00e7o e tentar estudar. Mas acabou desistindo novamente.<\/p>\n<p>\u201cEu quero voltar para a escola. Se eu tivesse filho, n\u00e3o ia deixar ele parar n\u00e3o. A escola fez falta para eu conseguir um emprego melhor, mas eu tamb\u00e9m tenho vontade de pegar um jornal para ler\u201d, conta. Hildo mora longe de onde trabalha. Depois de perguntar uma vez, conseguiu \u201caprender\u201d a ler a placa do \u00f4nibus que o leva de volta para casa, na cidade-sat\u00e9lite de Taguatinga, no Distrito Federal.<\/p>\n<p>Para Vanessa, tra\u00e7ar o perfil dos analfabetos \u00e9 fundamental para a defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. Mas faltam dados nesse sentido. \u201cN\u00e3o encontrei nada sobre o perfil desses estudantes na Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de Piracicaba, por exemplo. Para sanarmos essa d\u00edvida hist\u00f3rica com as pessoas exclu\u00eddas da educa\u00e7\u00e3o, precisamos conhec\u00ea-las\u201d, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; IG Brasilia Hildo Moreira conhece as letras, mas tem muita dificuldade em compreender quando elas se tornam palavras. Apesar dos 46 anos de vida, at\u00e9 hoje a escola n\u00e3o foi um lugar em que se sentisse \u00e0 vontade e conseguisse mant\u00ea-lo firme no prop\u00f3sito de aprender. Hildo lembra-se de ter completado apenas a 1 \u00aa s\u00e9rie do ensino fundamental, justamente a que as crian\u00e7as come\u00e7am a ler e a escrever. Aos 46 anos, Hildo reconhece a placa do \u00f4nibus que o leva para casa, mas n\u00e3o consegue ler o jornal Desde ent\u00e3o, as tentativas de continuar os estudos fracassaram&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-41041","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":420,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41041","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41041"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41041\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41042,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41041\/revisions\/41042"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41041"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41041"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41041"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}