{"id":39388,"date":"2011-11-07T08:16:53","date_gmt":"2011-11-07T11:16:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=39388"},"modified":"2011-11-07T08:16:53","modified_gmt":"2011-11-07T11:16:53","slug":"brasileiros-viram-made-in-paraguai-em-busca-de-competitividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2011\/11\/07\/brasileiros-viram-made-in-paraguai-em-busca-de-competitividade\/","title":{"rendered":"Brasileiros &#8216;viram&#8217; made in Paraguai em busca de competitividade"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<p><strong><em>Do G1, em Pedro Juan Caballero (Paraguai)<\/em><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<div data-action=\"recommend\" data-send=\"false\" data-layout=\"button_count\" data-show-faces=\"false\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Mapa Pedro Juan Caballero (Foto: Editoria de Arte G1)\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2011\/11\/04\/mapa300x282-cidadesv3.jpg\" alt=\"Mapa Pedro Juan Caballero (Foto: Editoria de Arte G1)\" width=\"300\" height=\"282\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"materia-letra\">\n<div>\n<div>\n<p>O empres\u00e1rio brasileiro Luiz Antonio Saldanha Rodrigues, que h\u00e1 23 anos \u00e9 dono de duas f\u00e1bricas de seringas em Ourinhos (SP) e em Manaus (AM), precisou expandir a produ\u00e7\u00e3o e decidiu abrir a terceira unidade em Pedro Juan Caballero, cidade do<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/topico\/paraguai\/\">Paraguai<\/a>\u00a0com 100 mil habitantes na fronteira com Ponta Por\u00e3 (MS) e cuja atividade b\u00e1sica da economia \u00e9 o com\u00e9rcio de produtos importados. O objetivo, diz Rodrigues, \u00e9 baratear o custo de produ\u00e7\u00e3o para enfrentar a concorr\u00eancia chinesa, que dominou o mercado de seringas e fez com que a empresa parasse de exportar.<\/p>\n<p>O interesse em cruzar a fronteira paraguaia para crescer fora do Brasil ganhou for\u00e7a desde o ano passado. Atra\u00eddas pela combina\u00e7\u00e3o de imposto baixo, m\u00e3o de obra abundante, energia barata e uma economia que cresceu 15% em 2010, empresas brasileiras est\u00e3o escolhendo o Paraguai na hora de expandir sua produ\u00e7\u00e3o. A estimativa de empres\u00e1rios e autoridades paraguaias ouvidas pelo\u00a0<strong>G1<\/strong>\u00a0\u00e9 que produzir no Paraguai seja, em m\u00e9dia, 30% mais barato que produzir no Brasil.<!--more--><\/p>\n<div><strong>saiba mais<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/economia\/negocios\/noticia\/2011\/11\/governo-luta-para-vencer-rejeicao-dos-brasileiros-ao-made-paraguai.html\">Governo luta para vencer rejei\u00e7\u00e3o dos brasileiros ao &#8216;Made in Paraguai&#8217;<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>A estimativa de Wagner Weber, do Centro Empresarial Brasil-Paraguai, \u00e9 que at\u00e9 o m\u00eas de outubro haviam cerca de 20 empresas instaladas no pa\u00eds com capital brasileiro.<\/p>\n<p>A expectativa, segundo o diretor da Rede de Inversiones y Exportaciones (Rede de Investimentos e Exporta\u00e7\u00f5es &#8211; Rediex), Oscar Stark, \u00e9 de que 50 empresas brasileiras invistam no Paraguai at\u00e9 o final de 2012. &#8220;Nosso esfor\u00e7o est\u00e1 praticamente todo concentrado no Brasil. Trabalhamos com a meta de que 50 empresas invistam no Paraguai cerca de US$ 5 milh\u00f5es cada uma at\u00e9 [o fim de] 2012&#8221;, afirma.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"O empres\u00e1rio Luiz Saldanha, da SR: produ\u00e7\u00e3o no Paraguai para disputar mercado de seringas com a China. (Foto: Ligia Guimar\u00e3es\/G1)\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2011\/11\/04\/luiztres.jpg\" alt=\"O empres\u00e1rio Luiz Saldanha, da SR: produ\u00e7\u00e3o no Paraguai para disputar mercado de seringas com a China. (Foto: Ligia Guimar\u00e3es\/G1)\" width=\"620\" height=\"465\" \/><\/div>\n<div><strong>O empres\u00e1rio Luiz Saldanha, da SR: produ\u00e7\u00e3o no Paraguai para disputar mercado de seringas com a China. (Foto: Ligia Guimar\u00e3es\/G1)<\/strong><\/div>\n<p>Tanto investimento reflete o esfor\u00e7o do governo paraguaio em levar empresas brasileiras para fortalecer a ind\u00fastria local do Paraguai, que \u00e9 fraca, e gerar empregos.<\/p>\n<p>&#8220;Todo dia recebemos quatro ou cinco investidores e 80% s\u00e3o brasileiros&#8221;, diz Stark, que abriu um escrit\u00f3rio da Rediex em Curitiba especialmente para receber as visitas.<\/p>\n<p><strong>Custo contra chineses<\/strong><br \/>\nA f\u00e1brica da SR Productos para la Salud, inaugurada em setembro com capacidade para produzir 1,5 milh\u00e3o de seringas por dia e j\u00e1 com 80 funcion\u00e1rios contratados, emprega hoje dez brasileiros e 70 paraguaios. &#8220;Produzindo no Paraguai, conseguimos que o nosso pre\u00e7o fique cerca de 30% mais alto do que o da China. Antes, era 50%&#8221;, estima Rodrigues, dono no Brasil das fabricantes Saldanha Rodrigues Ltda. e Injex Ind\u00fastrias Cir\u00fargicas Ltda., que fornecem seringas e produtos de sa\u00fade para o mercado brasileiro, em especial ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>No Brasil, cada seringa \u00e9 comercializada em m\u00e9dia a R$ 0,14 e produzida a R$ 0,12. No Paraguai, a estimativa \u00e9 que o pre\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o se aproxime de R$ 0,10. E, por conta do Mercosul, n\u00e3o h\u00e1 incid\u00eancia de Imposto de Importa\u00e7\u00e3o (II) para a entrada no Brasil do produto feito no Paraguai: para o Fisco, \u00e9 como se fosse uma venda de um estado brasileiro para outro. &#8220;Paramos de exportar com o d\u00f3lar baixo. Agora nosso objetivo \u00e9 irmos atr\u00e1s de empresas que importem seringas da China e tentar substituir pelo nosso [produto], usando o marketing da qualidade e da credibilidade&#8221;, planeja.<\/p>\n<p>J\u00e1 na regi\u00e3o do Alto Paran\u00e1, no distrito de Minga Por\u00e1, a 230 km de Ciudad del Este, o empres\u00e1rio Juliano Ficagna Trombetta viaja 2 horas e meia de balsa semanalmente e fica dias longe da esposa e dos dois filhos, que moram em Cascavel (PR), para implementar no pa\u00eds a constru\u00e7\u00e3o de sua f\u00e1brica de papel higi\u00eanico, que no Paraguai se chamar\u00e1 Continental Group e cujas obras come\u00e7am em janeiro. Para ele, vale a pena. &#8220;Uma m\u00e1quina que eu pagaria US$ 1,5 milh\u00e3o no Brasil, pago US$ 1,1 milh\u00e3o no Paraguai, pelos impostos&#8221;, diz.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Roberto Kaefer, diretor presidente da Globo Aves: 9 mil empregos no Paran\u00e1, 2 mil no Paraguai. (Foto: Ligia Guimar\u00e3es\/G1)\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2011\/11\/04\/roberto300.jpg\" alt=\"Roberto Kaefer, diretor presidente da Globo Aves: 9 mil empregos no Paran\u00e1, 2 mil no Paraguai. (Foto: Ligia Guimar\u00e3es\/G1)\" width=\"300\" height=\"225\" \/><strong>Roberto Kaefer, diretor presidente da Globo Aves:<br \/>\n9 mil empregos no Paran\u00e1, 2 mil no Paraguai.<br \/>\n(Foto: Ligia Guimar\u00e3es\/G1)<\/strong><\/div>\n<p>A empresa brasileira de Trombetta, Biosani, j\u00e1 tem uma f\u00e1brica que emprega 17 funcion\u00e1rios em Cascavel e produz cerca de 60 toneladas de papel por m\u00eas. No Paraguai, a expectativa \u00e9 contratar outros 20 trabalhadores e usar a produ\u00e7\u00e3o para atender Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo e Distrito Federal.<\/p>\n<p>&#8220;Ser\u00e3o uma ou duas pessoas do Brasil, um gerente e mais duas pessoas que pretendo contratar em S\u00e3o Paulo. O demais \u00e9 o pessoal da produ\u00e7\u00e3o, que ser\u00e3o contratados do Paraguai&#8221;, diz Trombetta.<\/p>\n<div>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th><\/th>\n<th>TRIBUTOS DA IND\u00daSTRIA NO BRASIL *<\/th>\n<th>TRIBUTOS DA IND\u00daSTRIA\u00a0 PARAGUAI (LEI DE MAQUILLA)<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>ICMS<\/td>\n<td>\u00a0M\u00e9dia 17%<\/td>\n<td><strong>N\u00e3o tem<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>IPI<\/td>\n<td>M\u00e9dia de 10%<\/td>\n<td><strong>N\u00e3o tem<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>PIS<\/td>\n<td>1,65%<\/td>\n<td><strong>N\u00e3o tem<br \/>\n<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>COFINS<\/td>\n<td>7,6%<\/td>\n<td><strong>N\u00e3o tem<br \/>\n<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Imposto \u00fanico<\/td>\n<td><strong>N\u00e3o tem<br \/>\n<\/strong><\/td>\n<td>1% sobre o valor agregado ao produto no Paraguai<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"3\"><em>Fonte:Advogados tributaristas Guilherme Roman, da Gasparino Advogados e Andr\u00e9 Mendes Moreira, do Sacha Calmon-Misabel Derzi Consultores &amp; Advogados<\/em><br \/>\n*All\u00edquotas variam de setor para setor.<br \/>\n*Vale ressaltar que esses impostos admitem o desconto de cr\u00e9ditos pela ind\u00fastria por serem n\u00e3o cumulativos.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p>Adidas, Penalty e Bertin j\u00e1 fizeram aportes por meio de sociedades com empresas no Paraguai, que exportam seus produtos para o Brasil. O caso mais emblem\u00e1tico \u00e9 o da Marseg, que produz cal\u00e7ados de seguran\u00e7a industrial\u00a0 e exporta toda a produ\u00e7\u00e3o para o grupo Bertin, que faz o acabamento e vende o produto no mercado brasileiro.<\/p>\n<p>Em julho de 2010, Carmargo Corr\u00eaa e Votorantim Cimentos come\u00e7aram a construir, em parceria, uma f\u00e1brica da Cimentos Yguaz\u00fa na cidade de Villa Hayes, a 30 km de Assun\u00e7\u00e3o, com investimentos previstos de aproximadamente US$ 135 milh\u00f5es e produ\u00e7\u00e3o de 400 mil toneladas por ano a partir de 2012.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Retrato mostra o presidente Fernando Lugo ao lado do empres\u00e1rio Luiz Saldanha Rodrigues, na inaugura\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica em agosto. (Foto: Ligia Guimar\u00e3es\/G1)\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2011\/11\/04\/lugocompresidente300.jpg\" alt=\"Retrato mostra o presidente Fernando Lugo ao lado do empres\u00e1rio Luiz Saldanha Rodrigues, na inaugura\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica em agosto. (Foto: Ligia Guimar\u00e3es\/G1)\" width=\"300\" height=\"225\" \/><strong>Retrato mostra o presidente Fernando Lugo ao<br \/>\nlado do empres\u00e1rio Luiz Saldanha Rodrigues,<br \/>\nna inaugura\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica em agosto.<br \/>\n(Foto: Ligia Guimar\u00e3es\/G1)<\/strong><\/div>\n<p>&#8220;A diferen\u00e7a de impostos \u00e9 gritante. Energia el\u00e9trica \u00e9 1\/4, 1\/5 do valor daqui. PIS, Cofins, ICMS, tudo isso n\u00e3o existe l\u00e1&#8221;, conta Roberto Kaefer, diretor presidente da Globo Aves, produtora de pintos que tem 7 frigor\u00edficos e 14 f\u00e1bricas de ra\u00e7\u00e3o pelo Brasil e que pretende gerar 2 mil empregos na futura unidade Santa Rita, a 90 km de Ciudad del Este.<\/p>\n<p>&#8220;O objetivo \u00e9 atender a uma nova demanda de mercado e aproveitar uma cota de venda dispon\u00edvel com custos mais baixos&#8221;, diz o executivo. &#8220;A constru\u00e7\u00e3o do mesmo frigor\u00edfico no Brasil ficaria no m\u00ednimo 30% mais caro. E vamos sempre produzir um produto mais barato l\u00e1 pela energia, pela quest\u00e3o tribut\u00e1ria, exportando para o mesmo cliente que temos no mundo&#8221;.<\/p>\n<p>As despesas mais baixas com m\u00e3o-de-obra\u00a0 tamb\u00e9m s\u00e3o consideradas pelo governo paraguaio como um dos atrativos para quem quer baratear o custo da produ\u00e7\u00e3o. Embora o sal\u00e1rio m\u00ednimo do Paraguai seja pr\u00f3ximo ao brasileiro (R$ 523 l\u00e1, contra R$ 545 aqui, segundo dados da Rediex), o empregador paraguaio n\u00e3o paga Fundo de Garantia por Tempo de Servi\u00e7o (FGTS), contribui\u00e7\u00e3o sindical ou contribui\u00e7\u00f5es para entidades industriais como Sesc, Senac e Sebrae.<\/p>\n<p>J\u00e1 as f\u00e9rias anuais remuneradas, que no Brasil s\u00e3o de 30 dias, no Paraguai s\u00e3o de 12 dias para cinco anos trabalhados, 18 dias para at\u00e9 dez anos trabalhados, e 30 dias acima de dez anos trabalhados.<\/p>\n<p><strong>Quase sem imposto<\/strong><br \/>\nO carro-chefe do Paraguai para atrair investimento brasileiro \u00e9 a Lei de Maquilla, criada h\u00e1 dez anos inspirada no modelo utilizado no M\u00e9xico, que desonera a produ\u00e7\u00e3o de empresas que instalem f\u00e1bricas no Paraguai para exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A estimativa do Centro Empresarial Brasil-Paraguai (Braspar) \u00e9 de que, dos US$ 120 milh\u00f5es investidos no paraguai pelo programa de maquilla at\u00e9 hoje, 60% tenham vindo de empresas brasileiras.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Posto da Petrobras em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. (Foto: Ligia Guimar\u00e3es\/G1)\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2011\/11\/04\/petrobras300.225.jpg\" alt=\"Posto da Petrobras em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. (Foto: Ligia Guimar\u00e3es\/G1)\" width=\"300\" height=\"225\" \/><strong>Posto da Petrobras em Pedro Juan Caballero,<br \/>\nno Paraguai. (Foto: Ligia Guimar\u00e3es\/G1)<\/strong><\/div>\n<p>A prerrogativa \u00e9 que a f\u00e1brica, ou maquilladora, utilize apenas mat\u00e9rias-primas importadas e exporte pelo menos 90% da produ\u00e7\u00e3o para uma matriz em outro pa\u00eds.<\/p>\n<p>O principal atrativo \u00e9 o imposto cobrado em toda a cadeia produtiva: 1% sobre o valor agregado ao produto em terras paraguaias.<\/p>\n<p>De janeiro a setembro de 2011, o Brasil foi o principal destino das exporta\u00e7\u00f5es paraguaias. Segundo dados do Banco Central do Paraguai, o pa\u00eds recebeu 12,2% das esporta\u00e7\u00f5es do Paraguai, um total de US$ 522,3 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo a Braspar, os setores brasileiros que mais se beneficiaram da Lei de Maquilla desde 2001 foram os de tecidos, confec\u00e7\u00f5es e pl\u00e1sticos. Entre os novos investimentos, est\u00e3o empresas de pr\u00f3teses m\u00e9dicas e de material para escrit\u00f3rio.<\/p>\n<p>H\u00e1, no entanto, outros modelos de incentivos que s\u00e3o ben\u00e9ficos para quem produzir no Paraguai comprando mat\u00e9ria-prima local, por exemplo. Um \u00e9 a Lei 60\/90, que prev\u00ea a desonera\u00e7\u00e3o de imposto para aquisi\u00e7\u00e3o de bens de capital e insumos importados, al\u00e9m de reduzir tributos sobre constitui\u00e7\u00e3o e registros das sociedades.<\/p>\n<p>Luiz Saldanha, da f\u00e1brica de seringas, diz que a Lei de Maquilla foi fundamental para a decis\u00e3o de investir no Paraguai. &#8220;O principal atrativo foi a maquilla, que d\u00e1 ao pa\u00eds um controle absoluto sobre a linha de produ\u00e7\u00e3o, e d\u00e1 ao maquillador umas vantagens muito boas para produzir com custo reduzido&#8221;, explica o empres\u00e1rio. &#8220;Principalmente no produto nosso que temos que competir com asi\u00e1ticos. A nossa margem \u00e9 muita pequena e o valor agregado do nosso produto \u00e9 muito baixo. Temos que tentar chegar ao pre\u00e7o deles&#8221;, diz.<\/p>\n<p><strong>Desvantagens<\/strong><br \/>\nH\u00e1, no entanto, dificuldades, na opini\u00e3o de alguns empres\u00e1rios. &#8220;N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil para algu\u00e9m que n\u00e3o conhece, n\u00e3o \u00e9 como ir para Guarapuava (interior do PR). Se voc\u00ea n\u00e3o souber, n\u00e3o tiver informa\u00e7\u00f5es antes, pode cair em situa\u00e7\u00f5es de propina, que ainda est\u00e3o muito incutidas na cultura, isso de dar US$ 100 para as coisas andarem&#8221;, diz Juliano Trombetta, da Biosani.<\/p>\n<p>Desde que assumiu o governo, em 2008, o presidente Fernando Lugo tem declarado o esfor\u00e7o de formalizar o Paraguai e combater a propina. Para o empres\u00e1rio Renato Festugato Neto, que planeja construir centros log\u00edsticos no pa\u00eds para apoiar as empresas brasileiras que est\u00e3o cruzando a fronteira, as mudan\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o n\u00edtidas. &#8220;Hoje n\u00e3o existe mais propina no Paraguai, o governo est\u00e1 muito s\u00e9rio nesse sentido. Voc\u00ea v\u00ea placas nas entradas do pa\u00eds que pedem que qualquer tentativa de propina seja comunicada em um n\u00famero de telefone&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Outro ponto fraco \u00e9 a energia, que, embora barata e abundante em raz\u00e3o de Itaipu, tem problemas de transmiss\u00e3o e apag\u00f5es frequentes. &#8220;A regi\u00e3o mais problem\u00e1tica \u00e9 a de Assun\u00e7\u00e3o, mas o governo j\u00e1 est\u00e1 construindo uma nova linha, com recursos do Fundo para a Converg\u00eancia Estrutural e Fortalecimento das Institui\u00e7\u00f5es do Mercosul (Focem), que vai duplicar a capacidade de transmiss\u00e3o de energia at\u00e9 [o final de] 2012 e resolver o problema&#8221;, garante Stark, da Rediex.<\/p>\n<p>O acordo de Itaipu prev\u00ea que a energia gerada pela usina seja dividida igualmente entre os dois pa\u00edses e o excedente paraguaio s\u00f3 pode ser vendido, at\u00e9 2023, para o Brasil, por pre\u00e7os definidos em contrato.<\/p>\n<p><strong>Receio e legalidade<\/strong><br \/>\nS\u00e3o poucos, no entanto, os empres\u00e1rios que aceitam falar sobre a Maquilla. Conforme o\u00a0<strong>G1<\/strong>apurou, h\u00e1 receio de chamar a aten\u00e7\u00e3o da Receita Federal para os incentivos. &#8220;H\u00e1 o receio de que pare\u00e7a que estamos virando as costas para o governo brasileiro, o que n\u00e3o \u00e9 verdade&#8221;, disse um maquillador paraguaio que preferiu n\u00e3o se identificar.<\/p>\n<p>Mas a Lei de Maquilla \u00e9 vista com bons olhos at\u00e9 por institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas brasileiras, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES).<\/p>\n<p>Economista do banco de fomento, Denise de Andrade Rodrigues diz que a institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 pronta para financiar projetos de empresas que desejem expandir no Paraguai e diz que a ida de empresas brasileiras para outros pa\u00edses n\u00e3o representa concorr\u00eancia para a ind\u00fastria nacional.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Ag\u00eancia do Ita\u00fa em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. (Foto: Ligia Guimar\u00e3es\/G1)\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2011\/11\/04\/itau300.jpg\" alt=\"Ag\u00eancia do Ita\u00fa em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. (Foto: Ligia Guimar\u00e3es\/G1)\" width=\"300\" height=\"225\" \/><strong>Ag\u00eancia do Ita\u00fa em Pedro Juan Caballero,<br \/>\nno Paraguai. (Foto: Ligia Guimar\u00e3es\/G1)<\/strong><\/div>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 concorr\u00eancia, \u00e9 muito complementar. Se um setor, como o t\u00eaxtil, faz uma unidade para fazer uma ponta no Paraguai, ele est\u00e1 provavelmente complementando a produ\u00e7\u00e3o do Brasil, dificilmente ele est\u00e1 substituindo. E, se ele estiver substituindo, \u00e9 porque encontrou custos de competi\u00e7\u00e3o melhor l\u00e1, que faz com que essa empresa se torne um competidor global. Nossa quest\u00e3o \u00e9 melhorar o n\u00edvel de competitividade sist\u00eamica do Brasil&#8221;, afirmou Denise, que alega ainda que o dinheiro do BNDES destinado \u00e0 internacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas n\u00e3o \u00e9 o mesmo emprestado para projetos no pa\u00eds. &#8220;\u00c9 dinheiro captado no exterior, n\u00e3o \u00e9 do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas que criticam n\u00e3o sabem que a gente faz capta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para isso, fica achando que \u00e9 o mesmo dinheiro que o banco emprestaria para o empres\u00e1rio brasileiro&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Para Luiz Saldanha, da SR Productos para la Salud, gerar empregos no exterior se justifica porque \u00e9 alternativa para garantir a sobreviv\u00eancia e a competitividade das empresas diante do d\u00f3lar baixo e da concorr\u00eancia chinesa. &#8220;O empres\u00e1rio tem que ter criatividade. Estamos mantendo duas empresas no Brasil e uma no Paraguai, n\u00e3o estamos tirando empregos. Como \u00e9 que voc\u00ea vai combater o asi\u00e1tico?\u00a0 Voc\u00ea em que aprender a produzir como ele, fazer produto com custo menor&#8221;, diz.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Do G1, em Pedro Juan Caballero (Paraguai) O empres\u00e1rio brasileiro Luiz Antonio Saldanha Rodrigues, que h\u00e1 23 anos \u00e9 dono de duas f\u00e1bricas de seringas em Ourinhos (SP) e em Manaus (AM), precisou expandir a produ\u00e7\u00e3o e decidiu abrir a terceira unidade em Pedro Juan Caballero, cidade doParaguai\u00a0com 100 mil habitantes na fronteira com Ponta Por\u00e3 (MS) e cuja atividade b\u00e1sica da economia \u00e9 o com\u00e9rcio de produtos importados. O objetivo, diz Rodrigues, \u00e9 baratear o custo de produ\u00e7\u00e3o para enfrentar a concorr\u00eancia chinesa, que dominou o mercado de seringas e fez com que a empresa parasse de exportar&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-39388","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":403,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39388","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39388"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39388\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39389,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39388\/revisions\/39389"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39388"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39388"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39388"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}