{"id":39206,"date":"2011-11-03T08:13:05","date_gmt":"2011-11-03T11:13:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=39206"},"modified":"2011-11-03T08:13:05","modified_gmt":"2011-11-03T11:13:05","slug":"china-corta-investimentos-no-brasil-em-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2011\/11\/03\/china-corta-investimentos-no-brasil-em-2011\/","title":{"rendered":"China &#8216;corta&#8217; investimentos no Brasil em 2011"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Do G1, em S\u00e3o Paulo<\/strong><\/em><\/p>\n<div id=\"materia-letra\">\n<div>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A\u00a0 China colocou o &#8220;p\u00e9 no freio&#8221; neste ano em seus investimentos no Brasil. De acordo com dados do Banco Central, de janeiro a setembro de 2011, os asi\u00e1ticos fizeram investimentos diretos de US$ 333 milh\u00f5es no pa\u00eds, montante 25% abaixo do registrado no mesmo per\u00edodo de 2010, quando entraram no Brasil US$ 444 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O protagonismo econ\u00f4mico chin\u00eas \u00e9 acompanhado com aten\u00e7\u00e3o pelos l\u00edderes mundiais. Na quarta-feira (2), o presidente da <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/topico\/china\/\">China<\/a>, Hu Jintao, e a presidente Dilma Rousseff participaram de um encontro bilateral. Os l\u00edderes est\u00e3o em Cannes (Fran\u00e7a) para a 6\u00aa C\u00fapula do G20.<\/p>\n<p>A China hoje \u00e9 o maior parceiro comercial do Brasil, \u00e0 frente dos Estados Unidos. Segundo dados do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior, as trocas com os chineses chegaram a US$ 56 bilh\u00f5es em 2010.<\/p>\n<p>No ano, at\u00e9 setembro, considerando todos os pa\u00edses, o Brasil registrou o ingresso de US$ US$ 50,5 bilh\u00f5es em investimento estrangeiro direto, contra US$ 22,557 bilh\u00f5es no ano anterior.<\/p>\n<p>Entre os motivos apontados por especialistas para a diminui\u00e7\u00e3o do volume investido pela China neste ano est\u00e3o as medidas protecionistas que v\u00eam sendo adotadas pelo governo brasileiro &#8211; como as tarifas sobre a importa\u00e7\u00e3o de cal\u00e7ados chineses, para proteger os fabricantes locais &#8211; e o agravamento da crise europeia, que faz os investidor reavaliar seus planos de neg\u00f3cios.<\/p>\n<div><strong><!--more-->saiba mais<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/economia-e-negocios\/noticia\/2010\/07\/china-descobre-brasil-e-deve-liderar-investimento-estrangeiro-no-pais.html\">China &#8216;descobre&#8217; Brasil e deve liderar investimento estrangeiro no pa\u00eds<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/economia\/negocios\/noticia\/2011\/04\/investimento-externo-no-brasil-deve-atingir-us-65-bi-no-ano-diz-estudo.html\">Investimento externo no Brasil deve atingir US$ 65 bi no ano, diz estudo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/economia\/negocios\/noticia\/2011\/07\/brasil-salta-para-5-lugar-em-ranking-de-atracao-de-investimento-externo.html\">Brasil salta para 5\u00ba lugar em ranking de atra\u00e7\u00e3o de investimento externo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/economia\/negocios\/noticia\/2011\/02\/gigante-asiatica-inicia-formacao-de-pequena-china-no-vale-do-paraiba.html\">Gigante asi\u00e1tica inicia forma\u00e7\u00e3o de &#8216;pequena China&#8217; no Vale do Para\u00edba<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>\u201cHouve realmente diminui\u00e7\u00e3o [dos investimentos]. O Brasil tem a sensa\u00e7\u00e3o de que alguns setores est\u00e3o sendo invadidos pelos chineses e imp\u00f5e barreiras [a alta do IPI para carros estrangeiros foi a medida mais recente]. Diante disso, nenhum investidor se sente seguro e confiante em trazer tanto dinheiro para um terreno hostil. Por isso, em alguns casos, acaba revendo onde e no que vai investir. Mas posso dizer que a China continua apostando e enxergando o Brasil como uma grande oportunidade\u201d, disse Tang Wei, diretor-geral da C\u00e2mara Brasil-China de Desenvolvimento Econ\u00f4mico (CBCDE).<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial que vinha sendo adotada pela China deu lugar a uma recente valoriza\u00e7\u00e3o do iuan frente ao d\u00f3lar, contribuindo tamb\u00e9m para a distribui\u00e7\u00e3o dos investimentos chineses, segundo o professor de Economia e Finan\u00e7as da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, Rodrigo Zeidan.<\/p>\n<div>\n<strong><\/strong><\/div>\n<div><strong>A f\u00e1brica de m\u00e1quinas Sany est\u00e1 instalada em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (Foto: Darlan Alvarenga\/G1)<\/strong><\/div>\n<p>\u201cN\u00e3o existe uma \u00fanica causa. \u00c0s vezes \u00e9 algo pontual, mas o fen\u00f4meno \u2018taxa de c\u00e2mbio\u2019 pode ser considerado. Os chineses s\u00e3o exportadores e precisam jogar dinheiro para fora. Mas, com o processo de valoriza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 essa necessidade e o dinheiro permanece no pr\u00f3prio pa\u00eds.\u201d Com a valoriza\u00e7\u00e3o do iuan frente ao d\u00f3lar, os produtos importados acabam ficando mais baratos, contribuindo, assim, para a redu\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2011\/08\/china-registra-inflacao-de-65-seu-nivel-mais-alto-em-37-meses.html\">Em julho, a infla\u00e7\u00e3o na China alcan\u00e7ou 6,5%<\/a>, na maior alta de pre\u00e7os em 37 meses.<\/p>\n<p>O professor de Direito e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Funda\u00e7\u00e3o Armando Alvares Penteado (FAAP) Marcus V\u00edn\u00edcius de Freitas tamb\u00e9m disse acreditar que exista certa resist\u00eancia no Brasil quanto aos investimentos chineses.<\/p>\n<p>\u201cA ado\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es \u00e0 compra de terras, por exemplo, pode ter servido como um fator de diminui\u00e7\u00e3o do interesse chin\u00eas em expandir seus investimentos no Brasil. Tamb\u00e9m a aus\u00eancia de regras definidas e um marco regulat\u00f3rio est\u00e1vel, em que as regras do jogo estejam claras, podem tamb\u00e9m refletir um desinteresse em aprofundar o relacionamento entre ambos os pa\u00edses. Essa instabilidade de regras gera inseguran\u00e7a nos investimentos&#8221;, disse.<\/p>\n<div>\n<div>H\u00e1 que se ressaltar que os investimentos chineses obedecem sempre \u00e0 logica de atender \u00e0s necessidades econ\u00f4micas daquele pa\u00eds, e n\u00e3o necessariamen-te investir em setores que aumentem a capacidade exportadora do Brasil&#8221;<\/div>\n<div>Marcus V\u00edn\u00edcius de Freitas, da Faap<\/div>\n<\/div>\n<p>H\u00e1 pouco mais de um ano, o governo decidiu <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2010\/08\/governo-limita-compra-de-terras-por-estrangeiros.html\">regulamentar a aquisi\u00e7\u00e3o de terras por empresas controladas por capital estrangeiro<\/a>. Um parecer da Consultoria-Geral da Uni\u00e3o (CGU) limitou a venda de terras brasileiras a estrangeiros ou empresas brasileiras controladas por estrangeiros a no m\u00e1ximo cinco mil hectares.<\/p>\n<p>Em 2011, os asi\u00e1ticos trouxeram dinheiro para investir nos setores de m\u00e1quinas, de autom\u00f3veis, petr\u00f3leo e, em menor intensidade, de minera\u00e7\u00e3o, de acordo com Tang Wei, da C\u00e2mara Brasil China. Neste ano, os asi\u00e1ticos anunciaram que duas montadoras &#8211; <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/carros\/noticia\/2011\/07\/chery-inaugura-pedra-fundamental-de-sua-1-fabrica-de-carros-no-brasil.html\">Chery<\/a> e <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/carros\/noticia\/2011\/10\/jac-motors-pedira-ao-governo-instalacao-de-fabrica-na-bahia.html\">Jac<\/a> &#8211; e uma ind\u00fastria de tablets, a <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tecnologia\/noticia\/2011\/10\/bndes-avalia-emprestimo-para-foxconn-diz-coutinho.html\">Foxconn<\/a>, ser\u00e3o instaladas no Brasil.<\/p>\n<p>Segundo Maur\u00edcio Santoro, professor de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), \u00e9 de interesse do governo brasileiro contar com investimentos no setor produtivo, nas \u00e1reas de tecnologia e de autom\u00f3veis. \u201cH\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o do governo Dilma de que os investimentos da China d\u00eaem um salto de qualidade, n\u00e3o s\u00f3 de quantidade.\u201d No ano passado, a maioria dos investimentos foi concentrada no setor prim\u00e1rio.<\/p>\n<p>Conforme afirmou Wei, a aten\u00e7\u00e3o dos chineses tamb\u00e9m est\u00e1 direcionada para o setor de servi\u00e7os. Quatro dos principais bancos chineses est\u00e3o em fase de estudo ou de implanta\u00e7\u00e3o dos projetos no Brasil, \u00e0 espera das autoriza\u00e7\u00f5es legais para iniciar as atividades.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 que se ressaltar que os investimentos chineses obedecem sempre \u00e0 logica de atender \u00e0s necessidades econ\u00f4micas daquele pa\u00eds, e n\u00e3o necessariamente investir em setores que aumentem a capacidade exportadora do Brasil\u201d, ponderou Freitas.<\/p>\n<p>Apesar de a entrada de investimentos ter diminu\u00eddo em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado, as perspectivas de Tang Wei s\u00e3o otimistas. Ainda que faltem apenas pouco mais de dois meses para o ano terminar, o diretor-geral da C\u00e2mara Brasil-China disse que a China n\u00e3o dever\u00e1 fechar 2011 com volume de investimentos menor do que o verificado em 2010.<\/p>\n<p>J\u00e1 para o economista Luis Antonio Paulino, diretor titular do Instituto Conf\u00facio e professor da Universidade Paulista (Unesp), \u00e9 poss\u00edvel que os investimentos de 2011 n\u00e3o cheguem ao volume do observado no ano anterior. \u201cTalvez esse resultado seja apenas por uma quest\u00e3o circunstancial. De qualquer forma, em 2010, houve muitos investimentos, e esse ano pode n\u00e3o repetir o mesmo montante.\u201d<\/p>\n<p><strong>Caminho aberto para <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/topico\/espanha\/\">Espanha<\/a><br \/>\n<\/strong>Enquanto a China diminuiu seus investimentos no Brasil, a Espanha multiplicou o valor investido, passando de US$ 156 milh\u00f5es de janeiro a setembro de 2010 para US$ 8 bilh\u00f5es no mesmo per\u00edodo deste ano, aumento de 5.030%.<\/p>\n<p>Em 2011, de acordo com dados do Minist\u00e9rio de Ind\u00fastria, Turismo e Com\u00e9rcio da Espanha, o pa\u00eds realocou boa parte dos seus investimentos estrangeiros, reduzindo em algumas regi\u00f5es e aumentando em outras. Os maiores destaques foram Brasil e Pol\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cIsso pode ser motivado por uma maior confiabilidade nos ativos brasileiros, recursos de brasileiros retornando ao Brasil ou a consolida\u00e7\u00e3o de investimentos estrangeiros via Espanha para utiliza\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios tribut\u00e1rios, n\u00e3o tidos com outros pa\u00edses\u201d, disse Marcus Vin\u00edcius de Freitas.<\/p>\n<div>\n<div>Espanha aposta no mercado interno brasileiro, usando o pa\u00eds como uma plataforma de exporta\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul&#8221;<\/div>\n<div>Maur\u00edcio Santoro, da FGV<\/div>\n<\/div>\n<p>Apesar da crise que atinge a Europa, h\u00e1 empresas saud\u00e1veis, com folga de caixa, que veem n\u00e3o s\u00f3 o Brasil, mas a Am\u00e9rica Latina, como uma sa\u00edda. \u201cAinda que haja agravamento da crise, eles [espanh\u00f3is] continuar\u00e3o aqui. V\u00e3o continuar investindo no Brasil, a uma taxa menor, pode ser, mas continuar\u00e3o aqui. O Santander Brasil, por exemplo, \u00e9 um bra\u00e7o importante do Santander\u201d, citou o professor de Economia e Finan\u00e7as da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, Rodrigo Zeidan.<\/p>\n<p>Nesses pr\u00f3ximos anos, o pa\u00eds dever\u00e1 passar por uma terceira grande onda de investimentos espanhol, a exemplo, do que ocorreu na d\u00e9cada de 1990, segundo o professor da FGV, Maur\u00edcio Santoro. \u201cA primeira leva foi de privatiza\u00e7\u00f5es. A segunda chegou em 2000 nos setores de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, constru\u00e7\u00e3o de rodovias&#8230;j\u00e1 pegando esse momento de crescimento pelo qual a economia brasileira come\u00e7ou a passar\u201d, disse Santoro.<\/p>\n<p>A partir de agora, os investimentos que dever\u00e3o ingressar no pa\u00eds dever\u00e3o ser alocados nos eventos esportivos e no pr\u00e9-sal, de acordo com o professor. \u201cA Espanha sofreu uma bolha imobili\u00e1ria, e as construtoras veem o Brasil como uma alternativa&#8230; A Espanha aposta no mercado interno brasileiro, usando o pa\u00eds como uma plataforma de exporta\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul.\u201d<\/p>\n<p><strong>Primo rico<\/strong><br \/>\nConforme aponta o levantamento de ingressos de investimentos estrangeiros diretos do Banco Central, os Estados Unidos aparecem como o segundo pa\u00eds que mais investiu no Brasil neste ano, at\u00e9 o m\u00eas de setembro, atr\u00e1s apenas dos Pa\u00edses Baixos, considerados para\u00edsos fiscais e, portanto, locais de &#8220;passagem&#8221; de recursos de outros pa\u00edses. No per\u00edodo, os norte-americanos injetaram US$ 8,57 bilh\u00f5es, contra US$ 4,89 bilh\u00f5es no mesmo per\u00edodo do ano passado, um crescimento de 75,1%.<\/p>\n<p>O foco dos EUA est\u00e1 tanto no setor automotivo como em outros como o de infraestrutura, principalmente com a proximidade da Copa em 2014 e das Olimp\u00edadas, em 2016, de acordo com informa\u00e7\u00f5es da C\u00e2mara Americana de Com\u00e9rcio (Amcham).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Do G1, em S\u00e3o Paulo &nbsp; A\u00a0 China colocou o &#8220;p\u00e9 no freio&#8221; neste ano em seus investimentos no Brasil. De acordo com dados do Banco Central, de janeiro a setembro de 2011, os asi\u00e1ticos fizeram investimentos diretos de US$ 333 milh\u00f5es no pa\u00eds, montante 25% abaixo do registrado no mesmo per\u00edodo de 2010, quando entraram no Brasil US$ 444 milh\u00f5es. O protagonismo econ\u00f4mico chin\u00eas \u00e9 acompanhado com aten\u00e7\u00e3o pelos l\u00edderes mundiais. Na quarta-feira (2), o presidente da China, Hu Jintao, e a presidente Dilma Rousseff participaram de um encontro bilateral. 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