{"id":3760,"date":"2010-03-23T15:19:10","date_gmt":"2010-03-23T18:19:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=3760"},"modified":"2010-03-23T15:21:59","modified_gmt":"2010-03-23T18:21:59","slug":"missoes-achando-deus-no-lixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/03\/23\/missoes-achando-deus-no-lixo\/","title":{"rendered":"Miss\u00f5es: Achando Deus no Lixo"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" title=\"etiopia\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_O2wRzDfSJRI\/SxAMgue9RoI\/AAAAAAAABqs\/g6VElCg9lrk\/s1600\/adisabeba.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"180\" \/>Em Addis Ababa, capital da Eti\u00f3pia, existe um lix\u00e3o onde vive um grupo de crian\u00e7as e jovens. Os cidad\u00e3os locais os chamam de \u201c<em>monstros<\/em>\u201d. Quando eu e meus amigos da base da JOCUM em Herrnhut (Alemanha) retornamos do nosso pr\u00e1tico, pela primeira vez, percebemos esse grupo de crian\u00e7as e jovens ali agachados em meio a tanto lixo.<\/p>\n<p>Alguns meses depois, n\u00f3s retornamos com a nossa pr\u00f3xima equipe de pr\u00e1tico da Escola de Discipulado e Treinamento (ETED) e achamos muito mais pessoas que o que esper\u00e1vamos. Os moradores locais nos informaram que este grupo era uma gang violenta em que os membros eram viciados em \u00e1lcool e drogas. Muitos nos alertaram a n\u00e3o ir \u00e0quele lugar perigoso. Houve at\u00e9 uma pessoa que falou: \u201c<em>Aquelas pessoas s\u00e3o monstros, eles est\u00e3o cobertos de tatuagem, dormem na sujeira, comem lixo, bebem veneno e n\u00e3o morrem!<\/em>\u201d<!--more--><\/p>\n<p>Quando nos deparamos com a verdade, foi de quebrar o cora\u00e7\u00e3o: achamos 25 crian\u00e7as e jovens simplesmente lutando para sobreviver. De primeiro, n\u00e3o foi f\u00e1cil ganhar a confian\u00e7a deles. Descobrimos que muitos vieram antes de n\u00f3s, tiraram fotos e prometeram ajudar, mas nunca retornaram. Isso era o que as \u201ccrian\u00e7as do lixo\u201d esperavam de n\u00f3s. Enquanto sent\u00e1vamos, celebr\u00e1vamos e r\u00edamos com eles, eles come\u00e7aram a confiar em n\u00f3s cada vez mais. Eventualmente eles at\u00e9 nos convidaram para comer com eles.<\/p>\n<p>Sab\u00edamos onde eles conseguiam a comida: no lixo. Mesmo assim, n\u00f3s est\u00e1vamos decididos a comer com eles. N\u00f3s comemos frango \u2013 ou melhor, ossos de frango j\u00e1 comidos em que pod\u00edamos achar um pouco de carne. A mesma comida foi espalhada para os cachorros e os porcos. N\u00f3s bebemos ch\u00e1 preto feito com \u00e1gua pega em po\u00e7a d\u2019\u00e1gua e a\u00e7\u00facar conseguido naqueles saches que s\u00e3o distribu\u00eddos em avi\u00f5es durante o servi\u00e7o de bordo. As coisas que ouvimos deles n\u00e3o eram verdade: em vez de viol\u00eancia, havia amizade. Em vez de drogas, encontramos uma comunidade forte. Todos eles tinham adotado uns aos outros como familia.<\/p>\n<p>Quando perguntamos a Brahano, de 23 anos de idade, que era tido como o \u201c<em>pai<\/em>\u201d do grupo, o que poder\u00edamos fazer para ajud\u00e1-los, a sua resposta nos surpreendeu: ele queria algu\u00e9m para ensin\u00e1-los sobre a B\u00edblia.<\/p>\n<p>Ele nos contou que existia um homem chamado Mike na comunidade. Quando Mike tinha 06 anos, seus pais morreram e ele se mudou para o lix\u00e3o para conseguir sobreviver. Ele ia para a escola de vez em quando, para aprender a ler e a escrever em ingl\u00eas. Depois de achar umas fotos de Jesus e uma B\u00edblia entre o lixo, Mike dedicou sua vida a Jesus. Ele era o primeiro crist\u00e3o do lix\u00e3o, mas a cada dia mais, a mensagem de Jesus era aceita pelo grupo.<\/p>\n<p>\u201c<em>Todos os dias que n\u00f3s temos algo para comer, n\u00f3s compartilhamos um com o outro<\/em>\u201d, afirma Brahano, que prossegue, dizendo: \u201c<em>Se n\u00e3o temos nada, agradecemos a Deus e ent\u00e3o vamos para a cama<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Depois da janta, n\u00f3s come\u00e7amos um \u201clouvorz\u00e3o\u201d no meio do lix\u00e3o. T\u00ednhamos guitarra e, juntando algumas latas e garrafas, montamos uma bateria. O cheiro terr\u00edvel de queimado e de lixo parecia evaporar enquanto dan\u00e7\u00e1vamos e r\u00edamos ali juntos.<\/p>\n<p>Ao cair da noite, esfriou bastante e, da\u00ed, n\u00f3s lan\u00e7amos chinelos quebrados no fogo para nos esquentar. Tentamos fazer isso sem respirar a fuma\u00e7a t\u00f3xica que subia com aquela enorme nuvem preta. Algumas das meninas nos contaram suas hist\u00f3rias. Muitas delas moram com fam\u00edlias que n\u00e3o tem dinheiro suficiente para aliment\u00e1-las. Elas trabalhavam extra-oficialmente para o Governo, recolhendo lixo a 30 centavos por dia.<\/p>\n<p>Passamos a noite com eles. N\u00f3s nos deitamos sobre uma colcha, e eles nos disseram que est\u00e1vamos seguros. N\u00f3s s\u00f3 consegu\u00edamos pensar no que eles estavam querendo dizer com isso. Era uma noite fria e sem sono e na manh\u00e3 seguinte, n\u00f3s est\u00e1vamos todos cheios de mordidas doloridas de pulgas. N\u00f3s experimentamos esse pesadelo por uma vez. Agora, as crian\u00e7as e os jovens do lix\u00e3o experimentam essa realidade amarga todos os dias.<\/p>\n<p>Depois de um caf\u00e9 da manh\u00e3 tendo mais ch\u00e1 e restos de comida de um hotel, nossa equipe liderou um estudo b\u00edblico. Falamos sobre o amor de Deus e um dos jovens perguntou: \u201c<em>como que funciona isso? Isso de n\u00f3s amarmos a Deus? Como \u00e9 que \u00e9 isso?<\/em>\u201d Discutimos sobre amar outras pessoas antes de orarmos juntos. Alguns de nosso grupo falaram sobre o seu pr\u00f3prio relacionamento com Jesus.<\/p>\n<p>Desde Fevereiro de 2009, equipes da JOCUM tem entrado e sa\u00eddo do lix\u00e3o. E muito tem acontecido. A confian\u00e7a tem crescido, mas as circunst\u00e2ncias s\u00e3o dif\u00edceis. Uma gangue colocou fogo no quarto onde os rapazes dormiam e informou \u00e0 pol\u00edcia que as crian\u00e7as estavam planejando um golpe. Com isso, alguns rapazes foram presos, mas depois, todos foram libertados.<\/p>\n<p>N\u00f3s passamos bastante tempo conversando com Brahano e tamb\u00e9m com crist\u00e3os locais sobre como montar um plano. Esperamos poder ensinar o grupo como criar galinhas e continuar lhes ensinando sobre a B\u00edblia e Ingl\u00eas. Alugamos uma casa do outro lado da cidade onde as meninas t\u00eam ido para tomar banho, comer e trabalhar em projetos de costura para ganhar dinheiro. Uma equipe j\u00e1 se mudou para Addis Ababa com o prop\u00f3sito de ajudar esse grupo.<\/p>\n<p>Mesmo que a sociedade ao redor deles os considere repulsivos tanto quanto o lix\u00e3o em que moram, sabemos que essas crian\u00e7as e jovens s\u00e3o cuidados por Deus. Queremos oferecer a todos eles esperan\u00e7a e um futuro.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"author-box\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.gravatar.com\/avatar\/ee1ffa39b65d919631947eb286a5329e?s=80&amp;d=http%3A%2F%2Fwww.jocum.org.br%2Fwp-content%2Fthemes%2Fjocum%2Fimages%2Fsaulo.xavier.jpg%3Fs%3D80&amp;r=G\" alt=\"\" width=\"80\" height=\"80\" \/><\/div>\n<h4><a title=\"Posts de Saulo Xavier\" href=\"http:\/\/www.jocum.org.br\/author\/saulo-xavier\/\">Saulo Xavier<\/a><\/h4>\n<p>Casado com Daniela e pai de Laura, Saulo \u00e9 jornalista, int\u00e9rprete de Libras e tradutor. Em Jocum desde 2006, integra a equipe do Comunica Jocum em Curitiba.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Addis Ababa, capital da Eti\u00f3pia, existe um lix\u00e3o onde vive um grupo de crian\u00e7as e jovens. Os cidad\u00e3os locais os chamam de \u201cmonstros\u201d. Quando eu e meus amigos da base da JOCUM em Herrnhut (Alemanha) retornamos do nosso pr\u00e1tico, pela primeira vez, percebemos esse grupo de crian\u00e7as e jovens ali agachados em meio a tanto lixo. Alguns meses depois, n\u00f3s retornamos com a nossa pr\u00f3xima equipe de pr\u00e1tico da Escola de Discipulado e Treinamento (ETED) e achamos muito mais pessoas que o que esper\u00e1vamos. 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