{"id":36187,"date":"2011-08-25T09:18:26","date_gmt":"2011-08-25T12:18:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=36187"},"modified":"2011-08-25T09:18:26","modified_gmt":"2011-08-25T12:18:26","slug":"%e2%80%9cos-artistas-nao-morrem-jamais%e2%80%9d-diz-mae-de-glauber-rocha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2011\/08\/25\/%e2%80%9cos-artistas-nao-morrem-jamais%e2%80%9d-diz-mae-de-glauber-rocha\/","title":{"rendered":"\u201cOs artistas n\u00e3o morrem jamais\u201d, diz m\u00e3e de Glauber Rocha"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_5575\"><a href=\"http:\/\/blogdofabiosena.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/luciarocha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"luciarocha\" src=\"http:\/\/blogdofabiosena.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/luciarocha-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a>Dona L\u00facia Rocha, m\u00e3e de Glauber<\/p>\n<\/div>\n<p>Desde a morte de Glauber Rocha, em 1981, a miss\u00e3o de sua m\u00e3e, L\u00facia Rocha, \u00e9 procurar e guardar todo e qualquer material referente a seu filho. Aos 92 anos, ela \u00e9 a guardi\u00e3 do Tempo Glauber, um centro cultural no Rio dedicado ao cineasta, com um acervo que j\u00e1 chega a 100 mil pe\u00e7as. \u201cMuita gente se interessa. Um professor franc\u00eas de Cinema vem aqui todos os anos. Ele passa tr\u00eas meses pesquisando e depois volta para casa\u201d, conta, orgulhosa.<\/p>\n<p><strong>Como era o filho Glauber Rocha?<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto todas as crian\u00e7as da idade dele estavam na rua, brincando de peteca ou bola de gude, ele ficava dentro de casa, lendo e escrevendo. Aquilo me chamava a aten\u00e7\u00e3o. \u201cMinha m\u00e3e, minha cabe\u00e7a \u00e9 um vulc\u00e3o\u201d, ele explicava. Eu entendi que, lendo e escrevendo, ele dava um jeito de expelir todas as ideias que tinha dentro da cabe\u00e7a. O curioso \u00e9 que Glauber detestava a escola. Uma vez, ele brigou com a professora e veio para casa dizendo que n\u00e3o queria mais voltar. Ele achava a professora fraca. Queria que eu o ensinasse a ler e escrever. E, de fato, fui eu que o alfabetizei.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Dos filmes de Glauber, qual \u00e9 seu favorito?<\/strong><\/p>\n<p>Meu favorito \u00e9 Barravento. Sabia que ele planejou esse filme quando tinha sete anos? Est\u00e1vamos passeando na praia de Buraquinho, na Bahia, e ele, crian\u00e7a, disse: \u201cQuando crescer, vou fazer um filme aqui\u201d. Anos mais tarde, ele voltou l\u00e1 para fazer Barravento. O filme \u00e9 muito bonito. Eu participei de todos os filmes que Glauber fez no Brasil. Eu costurava as roupas, fazia comida para os atores\u2026 Ajudei com dinheiro tamb\u00e9m. Eu era rica e, por causa do cinema, fiquei pobre. Mas n\u00e3o me arrependo. Valeu a pena. Se outro filho quisesse fazer cinema, ajudaria do mesmo jeito.<\/p>\n<p><strong>A senhora cuida do Tempo Glauber, um espa\u00e7o que guarda 100 mil documentos. Foi dif\u00edcil reunir um acervo t\u00e3o amplo?<\/strong><\/p>\n<p>Eu comecei a juntar o material quando ele tinha nove anos. O primeiro documento \u00e9 o roteiro de uma pe\u00e7a de teatro que ele encenou no col\u00e9gio. Tenho at\u00e9 anota\u00e7\u00f5es que ele fazia em papel, amassava e jogava fora. Eu corria ao lixo, pegava o papel, passava com ferro e guardava. Minha miss\u00e3o, hoje, \u00e9 reunir, conservar e divulgar toda a produ\u00e7\u00e3o de Glauber. Tenho fotos, poemas, cartas, entrevistas publicadas, desenhos, roteiros que nunca chegaram a ser filmados. As pessoas v\u00eam aqui, interessam-se pelos roteiros, mas ningu\u00e9m tem coragem de fazer os filmes. Seria muita responsabilidade. Quando Glauber foi morar na Europa, ele me pediu que eu cuidasse de todo o material dele. Jurei que cuidaria de tudo e que, assim, ele nunca morreria. E, de fato, ele nunca morreu \u2013 porque o artista nunca morre.<\/p>\n<p><strong>Ricardo Westin \/ Jornal do Senado<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dona L\u00facia Rocha, m\u00e3e de Glauber Desde a morte de Glauber Rocha, em 1981, a miss\u00e3o de sua m\u00e3e, L\u00facia Rocha, \u00e9 procurar e guardar todo e qualquer material referente a seu filho. Aos 92 anos, ela \u00e9 a guardi\u00e3 do Tempo Glauber, um centro cultural no Rio dedicado ao cineasta, com um acervo que j\u00e1 chega a 100 mil pe\u00e7as. \u201cMuita gente se interessa. Um professor franc\u00eas de Cinema vem aqui todos os anos. Ele passa tr\u00eas meses pesquisando e depois volta para casa\u201d, conta, orgulhosa. Como era o filho Glauber Rocha? 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