{"id":3575,"date":"2010-03-22T14:35:24","date_gmt":"2010-03-22T17:35:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=3575"},"modified":"2010-03-22T14:35:24","modified_gmt":"2010-03-22T17:35:24","slug":"catastrofes-aumentam-medo-do-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/03\/22\/catastrofes-aumentam-medo-do-fim\/","title":{"rendered":"Cat\u00e1strofes aumentam medo do fim"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_dszjbJYQoRc\/S6ZcYXiZlAI\/AAAAAAAAEbo\/CuoN-3HiC3U\/s1600-h\/Joaqum%20Ferreira.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_dszjbJYQoRc\/S6ZcYXiZlAI\/AAAAAAAAEbo\/CuoN-3HiC3U\/s320\/Joaqum%20Ferreira.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"212\" \/><\/a><\/div>\n<div>Cat\u00e1strofes provocadas por fen\u00f4menos da natureza sempre aconteceram no mundo. O homem se sente impotente diante da for\u00e7a de eventos como terremotos, tornados, avalanches, enchentes, nevascas e tsunamis, para citar alguns. De uns tempos para c\u00e1, o notici\u00e1rio tem sido povoado por trag\u00e9dias cada vez mais frequentes, com grande n\u00famero de v\u00edtimas e muita destrui\u00e7\u00e3o. Isso s\u00f3 tem aumentado o medo entre a popula\u00e7\u00e3o do planeta. Ser\u00e1 que estamos realmente chegando ao fim do mundo?<\/p>\n<p>O psicanalista Marcos Cassiano diagnostica o medo pelo fim do mundo como algo recorrente ao longo da hist\u00f3ria da humanidade. Para ele, a cada mil\u00eanio o ser humano atinge determinados \u00e1pices de medo. \u201cQuando eu era menino, ouvia dizer que o mundo ia se acabar no ano 2000. Ent\u00e3o, eu j\u00e1 era acometido desse medo. Mas n\u00e3o virou uma obsess\u00e3o.<\/p><\/div>\n<p><!--more-->\u201dO psicanalista faz uma liga\u00e7\u00e3o entre o avan\u00e7o do pensamento ecologicamente correto em nossa sociedade e o aumento do medo pelo fim da humanidade sobre a terra. \u201cNa medida em que as pessoas se preocupam mais com a conserva\u00e7\u00e3o do planeta, elas tendem a desenvolver uma fobia, porque cada vez se consome mais, cada vez mais h\u00e1 uma necessidade de criar situa\u00e7\u00f5es onde as pessoas possam se estabelecer, porque o ser humano \u00e9 um ser de desejo\u201d, analisa.<br \/>\nMarcos Cassiano considera n\u00e3o estarem as pessoas preparadas para a ideia de fim de mundo. \u201cMas n\u00f3s habitamos um planeta em constante processo de transforma\u00e7\u00e3o. Isso aqui \u00e9 uma fonte de energia esgot\u00e1vel. E essa voracidade do homem, atrav\u00e9s do consumismo, est\u00e1 acelerando esse processo destrutivo.\u201d<br \/>\nO m\u00fasico Adriano Tavares diz sempre ter estado atento a essa quest\u00e3o, muito antes das recentes cat\u00e1strofes, sempre baseado pelas \u201cprofecias b\u00edblicas\u201d.<br \/>\n\u201cPode ser o fim do mundo como n\u00f3s conhecemos e n\u00e3o o fim do planeta. Pode ser um recome\u00e7o, pois o mundo, na verdade, j\u00e1 acabou outras vezes\u201d, filosofa Adriano.<br \/>\n<strong><br \/>\nM\u00e9dia de 20 abalos de magnitude 8 ocorrem por ano<\/strong><br \/>\nOs fortes terremotos que hoje deixam o mundo estarrecido por suas propor\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas s\u00e3o vistos com uma aparente tranquilidade por alguns especialistas da \u00e1rea de sismologia; algo assim como uma opera\u00e7\u00e3o de rotina. Para n\u00f3s, leigos, os fatos recentes s\u00e3o tidos como in\u00e9ditos, mas \u00e9 pura falta de informa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSegundo sism\u00f3logo Joaquim Ferreira, coordenador do Laborat\u00f3rio de Sismologia da UFRN, cerca de vinte abalos, em m\u00e9dia, de magnitude 8 na escala Richter s\u00e3o registrados por ano em alguma regi\u00e3o do planeta, a maioria no meio do mar. Em tempo: o Chile foi atingido por um terremoto de 8,8.<br \/>\n\u201cA maioria ocorre em \u00e1rea desabitadas. Quando acontecem em grandes cidades ou \u00e1reas bastante habitadas, o problema \u00e9 bem maior\u201d, comenta Joaquim Ferreira. \u201cHoje, os meios de comunica\u00e7\u00e3o noticiam logo e todos ficam sabendo na hora. A repercuss\u00e3o \u00e9 maior, como no caso do Chile e do Haiti.\u201d<br \/>\nSegundo Joaquim Ferreira, alguns levantamentos espec\u00edficos podem at\u00e9 prever o risco de grandes sismos. \u201cO pessoal estava realizando estudos e concluiu que a regi\u00e3o de Concepci\u00f3n, no Chile, era bastante propensa a um grande abalo.\u201d<br \/>\nO Chile \u00e9 considerado um verdadeiro laborat\u00f3rio natural para os sism\u00f3logos por ser uma das \u00e1reas de maior atividade s\u00edsmica do mundo, pois est\u00e1 situado num ponto de converg\u00eancia entre duas grandes placas tect\u00f4nicas: Nazca e Sul-Americana, que deslizam uma sobre a outra, provocando tremores. A movimenta\u00e7\u00e3o das placas naquele ponto acontece de forma bastante veloz.<br \/>\n\u00c9 tanto que o maior terremoto j\u00e1 registrado na hist\u00f3ria ocorreu no Chile, em 1960, atingindo 9,5 graus na escala Richter, provocando inclusive um tsunami que provocou grandes estragos em v\u00e1rios pontos do Pac\u00edfico. Talvez por isso, Joaquim Ferreira n\u00e3o demonstre tanta surpresa com rela\u00e7\u00e3o ao ocorrido no Haiti e no Chile, principalmente \u2014 do ponto cient\u00edfico e n\u00e3o da trag\u00e9dia humana, vale salientar.<br \/>\n\u201cOutra coisa \u00e9 que nos terremotos ocorridos no passado, ningu\u00e9m sabia da exist\u00eancia do tsunami. S\u00f3 depois do ocorrido em 2004 \u00e9 que as pessoas passaram a conhecer\u201d, diz o sism\u00f3logo, comentando ainda que os maiores tremores no Brasil foram registrados nos estados de Mato Grosso e no Esp\u00edrito Santo, alcan\u00e7ando, respectivamente, 6,6 e 6,3 graus da escala Richter.<\/p>\n<p><strong>Igreja Cat\u00f3lica diz n\u00e3o pregar discurso apocal\u00edptico<\/strong><br \/>\nAo longo dos s\u00e9culos, religi\u00e3o e ci\u00eancia sempre mantiveram grandes diverg\u00eancias sob v\u00e1rios aspectos, sendo a origem do homem um dos principais embates. A Igreja Cat\u00f3lica, por\u00e9m, vem se mostrando mais aberta e receptiva a certos temas. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s recentes cat\u00e1strofes, padre Rob\u00e9rio Camilo, coordenador do Setor Social da Arquidiocese de Natal, diz haver uma concord\u00e2ncia de valores.<br \/>\n\u201cA Igreja concorda com tudo o que a ci\u00eancia diz sobre os recentes terremotos e n\u00e3o envereda pelo campo das profecias sobre fim do mundo, fim dos tempos\u201d, afirma o religioso. Para ele o discurso religioso n\u00e3o se afina em nada com a desordem criada pelo ser humano no planeta, nem muito menos com \u201co pequeno grupo que vai destruindo tudo em nome da gan\u00e2ncia\u201d.<br \/>\nO discurso da Igreja Cat\u00f3lica hoje, de acordo com o dirigente da par\u00f3quia de Nossa Senhora de Lourdes, Petr\u00f3polis\/Areia Preta, \u00e9 para o fiel se preservar da natureza, uma vez que o planeta est\u00e1 em pleno processo de auto-prote\u00e7\u00e3o \u2014 defendendo-se do processo destrutivo desencadeado pelo homem. \u201cHoje, temos que preparar nossos filhos para se defender do pr\u00f3prio planeta.\u201d<br \/>\nAl\u00e9m de estar em sintonia com a ci\u00eancia, a Igreja Cat\u00f3lica tamb\u00e9m defende e endossa a quest\u00e3o ecol\u00f3gica na sociedade, segundo padre Rob\u00e9rio. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nada de assombroso ou apocal\u00edptico. Essas cat\u00e1strofes s\u00e3o uma forma de o planeta frear a humanidade, n\u00e3o s\u00f3 com rela\u00e7\u00e3o ao que o homem vem fazendo com a natureza, mas tamb\u00e9m no campo da viol\u00eancia, das drogas e do sexo.\u201d<br \/>\nEm seu cotidiano junto aos fi\u00e9is cat\u00f3licos, o padre diz ouvir coment\u00e1rios constantes sobre o fim do mundo, sempre acompanhados por um certo temor pelo futuro.<br \/>\n\u201cIsso remonta ao que Padre C\u00edcero e Frei Dami\u00e3o diziam. Mas n\u00e3o \u00e9 um discurso b\u00edblico. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m o sinal dos tempos. A natureza est\u00e1 chamando e o homem n\u00e3o est\u00e1 ouvindo\u201d, comenta padre Rob\u00e9rio.<\/p>\n<p>Bate-papo Otaviano Pessoa [Gerente de Interpreta\u00e7\u00e3o da Margem Equatorial e Bacias Interiores da Petrobras (RJ)]<\/p>\n<p><strong>A atual atividade s\u00edsmica da terra \u00e9 realmente at\u00edpica ou apenas mais um caso corriqueiro para os especialistas?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. A atual atividade s\u00edsmica da Terra \u00e9 normal. A ocorr\u00eancia de sismos em locais como o Haiti, Chile e Turquia em um curto espa\u00e7o de tempo pode ser considerado como uma grande coincid\u00eancia. Os eventos ocorreram em diferentes contextos geol\u00f3gicos que n\u00e3o guardam entre si nenhuma rela\u00e7\u00e3o. O fato de terem ocorrido em \u00e1reas povoadas e terem resultado em trag\u00e9dias, aliado a uma extensa cobertura da m\u00eddia, transformou estes eventos em algo aparentemente anormal.<br \/>\n<strong><br \/>\nO planeta pode estar realmente querendo mandar um recado, um aviso? Qual seria?<\/strong><br \/>\nO planeta pode, sim, estar nos mandando um recado, mas este recado tem sido enviado por milh\u00f5es de anos. A mensagem \u00e9 que a Terra pode ser considerada como um organismo vivo, din\u00e2mico, que se move continuamente desde a sua forma\u00e7\u00e3o, h\u00e1 cerca de 4,5 bilh\u00f5es de anos. Todos os dias, os sism\u00f3grafos registram dezenas a centenas de sismos ao redor do mundo, especialmente nas \u00e1reas sismicamente ativas, que s\u00e3o os limites entre as placas tect\u00f4nicas, entre as quais se situam a Cordilheira dos Andes, o Caribe e a Indon\u00e9sia, por exemplo. Nestas \u00e1reas, o movimento relativo das placas tect\u00f4nicas, que pode chegar a alguns cent\u00edmetros por ano, cria tens\u00f5es elevad\u00edssimas nas rochas, que se acumulam ao longo do tempo e que, ao serem liberadas , produzem uma energia tremenda, sob a forma de abalos s\u00edsmicos catastr\u00f3ficos, como estes que aconteceram recentemente. O fato de estarmos ouvindo este aviso com mais clareza agora deve-se, principalmente, a maior sensibilidade dos sism\u00f3grafos e aos atuais recursos de monitora\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o extremamente r\u00e1pidos e possuem cobertura global.<\/p>\n<p><strong>Chegou a ser divulgado que o \u201cmaior\u201d terremoto ainda estaria por vir em um futuro bem pr\u00f3ximo. H\u00e1 algum ind\u00edcio geol\u00f3gico que leve a crer nessa afirma\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 ind\u00edcios geol\u00f3gicos de que o maior terremoto da hist\u00f3ria ainda esteja por vir. Esta ideia est\u00e1 no imagin\u00e1rio coletivo, especialmente nas \u00e1reas onde grandes cat\u00e1strofes j\u00e1 aconteceram. Na Calif\u00f3rnia, por exemplo, fala-se no \u201cbig one\u201d, que varreria a cidade de S\u00e3o Francisco do mapa. \u00c9 prov\u00e1vel que venham a acontecer novos sismos de grande magnitude naquela \u00e1rea, simplesmente porque \u00e9 uma zona tectonicamente ativa, mas n\u00e3o h\u00e1 nada que indique que eles ter\u00e3o uma magnitude maior do que os que j\u00e1 ocorreram no passado. At\u00e9 porque a \u201cmagnitude\u201d dos terremotos depende de v\u00e1rios fatores, geol\u00f3gicos e humanos. Geologicamente, ela pode ser medida pela quantidade de energia liberada no sismo, que \u00e9 medida pela escala Richter, que por sua vez depende da profundidade onde ocorreu o abalo (hipocentro) e do estrago produzido na superf\u00edcie (epicentro). Do ponto de vista humano, esta magnitude passa a ser medida pelos danos causados nas \u00e1reas habitadas e pelo n\u00famero de vidas ceifadas na trag\u00e9dia. Um abalo de 7 a 8 graus na escala Richter, que pode ser considerado de grande magnitude em uma \u00e1rea povoada, ter\u00e1 pouca import\u00e2ncia se ocorrer em \u00e1reas desabitadas, como a Sib\u00e9ria ou no Himalaia, por exemplo. Este mesmo abalo ocorrendo em \u00e1reas densamente povoadas, como \u00e9 o caso do Chile e Haiti, causa trag\u00e9dias terr\u00edveis e ganha propor\u00e7\u00f5es ainda maiores pela cobertura midi\u00e1tica que recebem. Grandes abalos, como os que ocorreram em Lisboa em 1755 (9,0 ER), Jap\u00e3o em 1923 (9,0 ER), Peru em 1970 (9,0 ER), M\u00e9xico em 1985 (8,1 ER), Indon\u00e9sia em 2004 (8,9 ER), est\u00e3o entre os maiores abalos j\u00e1 registrados na hist\u00f3ria. Eles continuar\u00e3o ocorrendo, intercalados com os milh\u00f5es de pequenos abalos que ocorrer\u00e3o no mesmo per\u00edodo e que s\u00f3 ser\u00e3o percebidos nos sism\u00f3grafos.<\/p>\n<p><strong>De alguma forma, a extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no mundo poderia contribuir para uma acomoda\u00e7\u00e3o maior e mais frequente dessas camadas do planeta?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. A atividade petrol\u00edfera est\u00e1 concentrada em bacias sedimentares que ocupam a parte mais superficial da crosta terrestre, em profundidades que podem chegar at\u00e9 8000m (Golfo do M\u00e9xico). Talvez at\u00e9 um pouco mais. Os terremotos s\u00e3o eventos produzidos a profundidades muito maiores, de dezenas de quil\u00f4metros, em \u00e1reas que n\u00e3o t\u00eam qualquer rela\u00e7\u00e3o com a atividade petrol\u00edfera. Estes \u00faltimos abalos no Haiti, Chile, Turquia, por exemplo, deram-se em \u00e1reas sem qualquer atividade da ind\u00fastria do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p><strong>Tribuna do Norte<br \/>\n<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cat\u00e1strofes provocadas por fen\u00f4menos da natureza sempre aconteceram no mundo. O homem se sente impotente diante da for\u00e7a de eventos como terremotos, tornados, avalanches, enchentes, nevascas e tsunamis, para citar alguns. De uns tempos para c\u00e1, o notici\u00e1rio tem sido povoado por trag\u00e9dias cada vez mais frequentes, com grande n\u00famero de v\u00edtimas e muita destrui\u00e7\u00e3o. Isso s\u00f3 tem aumentado o medo entre a popula\u00e7\u00e3o do planeta. Ser\u00e1 que estamos realmente chegando ao fim do mundo? O psicanalista Marcos Cassiano diagnostica o medo pelo fim do mundo como algo recorrente ao longo da hist\u00f3ria da humanidade. 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