{"id":3509,"date":"2010-03-22T07:43:30","date_gmt":"2010-03-22T10:43:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=3509"},"modified":"2010-03-22T07:43:30","modified_gmt":"2010-03-22T10:43:30","slug":"jovem-de-12-anos-pode-ser-condenado-a-perpetua-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/03\/22\/jovem-de-12-anos-pode-ser-condenado-a-perpetua-nos-eua\/","title":{"rendered":"Jovem de 12 anos pode ser condenado \u00e0 perp\u00e9tua nos EUA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">A Justi\u00e7a americana est\u00e1 diante de um caso in\u00e9dito: qual ser\u00e1 o destino de um garoto que tinha apenas 11 anos quando foi preso e acusado de matar a madrasta gr\u00e1vida? Se for considerado culpado, o menino, hoje com 12 anos, pode se tornar o mais jovem condenado a pris\u00e3o perp\u00e9tua da hist\u00f3ria dos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"400\" height=\"300\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"quality\" value=\"high\" \/><param name=\"FlashVars\" value=\"midiaId=1233867&amp;autoStart=false&amp;width=400&amp;height=300\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/video.globo.com\/Portal\/videos\/cda\/player\/player.swf\" \/><param name=\"flashvars\" value=\"midiaId=1233867&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=392\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"400\" height=\"300\" src=\"http:\/\/video.globo.com\/Portal\/videos\/cda\/player\/player.swf\" flashvars=\"midiaId=1233867&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=392\" quality=\"high\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>A regi\u00e3o rural onde o menino Jordan vivia com a fam\u00edlia \u00e9 t\u00e3o tranquila que a vizinhan\u00e7a mal se lembra do \u00faltimo caso de viol\u00eancia. Se todo mundo tem, pelo menos, uma espingarda \u00e9 porque Wampum, no estado americano da Pensilv\u00e2nia, \u00e9 um lugar de muitos ca\u00e7adores, p\u00e1ssaros e coiotes. Normalmente, um \u00fanico disparo n\u00e3o chamaria a aten\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p><!--more-->Mas aquele foi um tiro \u00e0 queima roupa, claramente com a inten\u00e7\u00e3o de matar a mulher jovem, gr\u00e1vida de oito meses, que ainda estava dormindo. Minutos depois, Jordan Brown, o menino de 11 anos que horas mais tarde a pol\u00edcia acusaria pelo assassinato da madrasta Kenzie Houk, entrou no \u00f4nibus e foi para a escola como se nada tivesse acontecido.<\/p>\n<p>No estado da Pensilv\u00e2nia, a lei \u00e9 uma das mais rigorosas dos Estados Unidos: se uma crian\u00e7a com mais de 10 anos comete assassinato, ela \u00e9 tratada pela Justi\u00e7a exatamente como se fosse um adulto, sem nenhuma diferen\u00e7a. O crime foi em uma casinha, no quarto onde o pai de Jordan vivia com a namorada de 26 anos. Desde que passou pela porta, o menino est\u00e1 a um passo da pris\u00e3o perp\u00e9tua.<\/p>\n<p>Se pudesse, Christian Brown iria pra cadeia no lugar do filho. Criou Jordan sozinho, desde que o menino foi abandonado pela m\u00e3e. O disparo que tirou a vida de sua nova mulher e do beb\u00ea que nasceria em duas semanas obrigou o construtor civil a abandonar o emprego para defender o menino. Sem dinheiro pra manter os custos do processo e as visitas di\u00e1rias no centro de deten\u00e7\u00e3o que longe da casa da fam\u00edlia, Christian recebe doa\u00e7\u00f5es pela internet.<\/p>\n<p>Quando perguntado por que ele deu uma espingarda de presente ao menino, o pai Christian Brown diz: \u201cSua pergunta \u00e9 se eu me arrependo de ter comprado aquela arma para ele? N\u00e3o! Eu ganhei minha primeira arma exatamente quando tinha 11 anos. Mas existem regras. S\u00f3 quando o animal aparecia em nossa frente \u00e9 que eu dava a arma para ele atirar\u201d, explica.<\/p>\n<p>Segundo a fam\u00edlia da v\u00edtima, meses antes do crime, Jordan teria contado aos primos sobre uma suposta inten\u00e7\u00e3o de matar a madrasta, por ci\u00fames.<\/p>\n<p>O pai nega e, assim como o filho fez em depoimento, discorda da conclus\u00e3o da pol\u00edcia. \u201cN\u00e3o sei o que aconteceu naquela casa, mas eu sei que o meu filho n\u00e3o fez aquilo. Jordan era uma t\u00edpica crian\u00e7a de 11 anos. muito alegre e carinhoso\u201d, diz o pai.<\/p>\n<p>A maior preocupa\u00e7\u00e3o do pai, no entanto, \u00e9 conseguir que ele seja julgado como crian\u00e7a. \u201cN\u00e3o acho que nenhum menor de idade deveria ser automaticamente indiciado como adulto. Acho que, em certos casos, pode existir necessidade de puni\u00e7\u00f5es mais duras. Mas a ideia de desistir de uma crian\u00e7a e tranc\u00e1-la em uma pris\u00e3o pelo resto da vida me parece absurda\u201d, acredita o pai.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o do pai encontra respaldo num estudo feito por psic\u00f3logos e neurocientistas de sete universidades americanas, usado como refer\u00eancia pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Os cientistas afirmam que, enquanto as \u00e1reas do c\u00e9rebro respons\u00e1veis pela emo\u00e7\u00e3o amadurecem rapidamente, o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal, respons\u00e1vel por fun\u00e7\u00f5es de controle como a capacidade de julgamento e avalia\u00e7\u00e3o de riscos, s\u00f3 se desenvolve completamente no fim da adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Por isso, crian\u00e7as e adolescentes s\u00e3o facilmente influenciados pela opini\u00e3o de terceiros, t\u00eam um enorme apetite por situa\u00e7\u00f5es de risco, tendem a pensar apenas no prazer imediato daquilo que fazem e frequentemente subestimam as consqu\u00eancias.<\/p>\n<p>O estudo n\u00e3o discute se menores de idade que cometem assassinatos devem ou n\u00e3o ser condenados \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua, mas conclui que, por causa dessa demora na forma\u00e7\u00e3o de partes cr\u00edticas do c\u00e9rebro, eles deveriam sempre ter o direito a uma reavalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O tratamento que a Justi\u00e7a d\u00e1 ao menino Jordan Brown \u00e9 o que se conhece nos Estados Unidos como puni\u00e7\u00e3o adulta para um crime adulto. Se ele for condenado aos 12 anos, vai ser a crian\u00e7a mais jovem da hist\u00f3ria americana a enfrentar a pris\u00e3o perp\u00e9tua sem direito a liberdade condicional.<\/p>\n<p>Existem mais de 2,6 mil adolescentes cumprindo a pris\u00e3o perp\u00e9tua nos Estados Unidos. Mas, na maioria dos casos, principalmente aqueles que envolvem crueldade ou assassinatos em s\u00e9rie, os americanos concordam com a puni\u00e7\u00e3o. No caso de Jordan, pelo hist\u00f3rico do menino, muita gente se pergunta se n\u00e3o haveria possibilidade de uma reabilita\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Pelo que est\u00e1 previsto, o menino que sempre gostou de v\u00eddeo-game, beisebol, basquete e que, at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o tinha nenhum envolvimento com crimes, aos 12 anos, vai enfrentar um j\u00fari popular.<br \/>\nMas o advogado ainda espera convencer o juiz.<\/p>\n<p>\u201cQuando essa lei foi aprovada, anos atr\u00e1s, havia um s\u00e9rio problema com gangues que recrutavam garotos de 10 ou 11 anos para cometer assassinatos. Num caso desses, eu concordaria com a pris\u00e3o perp\u00e9tua. Mas Jordan \u00e9 um exemplo oposto\u201d, conclui o advogado.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o judicial sai nos pr\u00f3ximos dias. Se Jordan Brown for mesmo o mais jovem americano condenado \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua, vai ser um choque para muita gente. Mas no vilarejo de Wampum n\u00e3o deve haver protestos. Eles raramente ouvem falar em crimes. Quando alguma barbaridade acontece, esperam que jamais se repita.<\/p>\n<p><strong>Fant\u00e1stico<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Justi\u00e7a americana est\u00e1 diante de um caso in\u00e9dito: qual ser\u00e1 o destino de um garoto que tinha apenas 11 anos quando foi preso e acusado de matar a madrasta gr\u00e1vida? Se for considerado culpado, o menino, hoje com 12 anos, pode se tornar o mais jovem condenado a pris\u00e3o perp\u00e9tua da hist\u00f3ria dos Estados Unidos. A regi\u00e3o rural onde o menino Jordan vivia com a fam\u00edlia \u00e9 t\u00e3o tranquila que a vizinhan\u00e7a mal se lembra do \u00faltimo caso de viol\u00eancia. 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