{"id":32787,"date":"2011-05-31T07:53:20","date_gmt":"2011-05-31T10:53:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=32787"},"modified":"2011-05-31T07:53:20","modified_gmt":"2011-05-31T10:53:20","slug":"mulher-vai-fazer-endoscopia-e-sai-de-hospital-de-sp-sem-braco-direito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2011\/05\/31\/mulher-vai-fazer-endoscopia-e-sai-de-hospital-de-sp-sem-braco-direito\/","title":{"rendered":"Mulher vai fazer endoscopia e sai de hospital de SP sem bra\u00e7o direito"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Kleber Tomaz<\/strong> Do G1 SP<\/em><\/p>\n<div id=\"materia-letra\">\n<div>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Mulher diz ser vitima de erro medico (Foto: Kleber Tomaz\/G1)\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2011\/05\/27\/mulher_diz_ser_vitima_de_erro_medico2.jpg\" alt=\"Mulher diz ser vitima de erro medico (Foto: Kleber Tomaz\/G1)\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/div>\n<div><strong>Rosely Viviani, de 48 anos, segura foto dela tirada<br \/>\nh\u00e1 21 anos: ela teve o antebra\u00e7o direito amputado<br \/>\nap\u00f3s tomar inje\u00e7\u00e3o no pulso.\u00a0 (Kleber Tomaz\/G1)<\/strong><\/div>\n<p>Em 2009, uma vendedora do interior do estado de S\u00e3o Paulo entrou num hospital filantr\u00f3pico da capital paulista para fazer um exame gastrointestinal, mas saiu de l\u00e1 sem parte do bra\u00e7o depois de tomar uma inje\u00e7\u00e3o no pulso direito. A mulher se queixou de dores na regi\u00e3o durante todo o dia 27 de abril daquele ano. Na manh\u00e3 seguinte, seu membro n\u00e3o tinha mais circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea. Foi constatada trombose no local e, ap\u00f3s v\u00e1rios tratamentos sem solu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o restou outra alternativa aos m\u00e9dicos: eles amputaram o antebra\u00e7o da paciente em 7 de maio.<\/p>\n<p>At\u00e9 sexta-feira (26) o Hospital Santa Marcelina, em Itaquera, na Zona Leste, n\u00e3o sabia explicar a Rosely Viviani, de 48 anos, como foi poss\u00edvel ela ter se internado para uma endoscopia (exame que introduz c\u00e2nula com c\u00e2mera pela boca do paciente para se verificar doen\u00e7as gastrointestinais) e dez dias depois ter um membro aparentemente saud\u00e1vel retirado.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nRosely s\u00f3 havia ido ao Santa Marcelina porque semanas antes teve diagnosticado c\u00e2ncer no \u00fatero e ov\u00e1rio e precisava fazer a endoscopia pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) para saber se tinha mais tumores em outros \u00f3rg\u00e3os &#8211; o que n\u00e3o se comprovou. \u201cEntrei no hospital com o meu bra\u00e7o e sa\u00ed de l\u00e1 sem ele. E at\u00e9 hoje ningu\u00e9m me disse o que ocorreu\u201d, disse a mulher, em entrevista ao <strong>G1<\/strong> concedida em sua casa em Cerquilho, no interior de S\u00e3o Paulo. Ela \u00e9 separada e mora com o filho Andr\u00e9 Luiz, de 11 anos. \u201cMe disseram que tiveram de amputar do cotovelo para baixo sen\u00e3o eu ia morrer. Era meu bra\u00e7o ou minha vida.\u201d<\/p>\n<p>Em busca de respostas, uma comiss\u00e3o interna do pr\u00f3prio hospital e uma sindic\u00e2ncia do Conselho Regional de Medicina do Estado de S\u00e3o Paulo (Cremesp) apuram o caso de Rosely para saber se houve erro m\u00e9dico. Existe a suspeita de que uma enfermeira tenha aplicado o sedativo para a realiza\u00e7\u00e3o da endoscopia na art\u00e9ria em vez da veia. O rem\u00e9dio foi dado por meio de uma agulha, que j\u00e1 havia sido introduzida no pulso da paciente para ministrar outros medicamentos.<\/p>\n<p>\u201cEla aplicou a inje\u00e7\u00e3o na art\u00e9ria e n\u00e3o na veia. Fora isso, demoraram para ouvir meus pedidos de que eu estava com dor e havia algo errado. Passei mais de um dia com o bra\u00e7o dolorido\u201d, lembrou Rosely.<\/p>\n<p>Hospital e Cremesp tamb\u00e9m dever\u00e3o verificar se ocorreu demora no atendimento de Rosely. A v\u00edtima se queixou que logo que tomou Diazepan no bra\u00e7o se queixou de dores, mas s\u00f3 foi socorrida 26 horas depois. \u201cEu chorava de dor, mas ningu\u00e9m me atendia. A\u00ed j\u00e1 era tarde. N\u00e3o havia mais circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea no bra\u00e7o. As pontinhas dos dedos come\u00e7aram a ficar pretas, depois come\u00e7ou a escurecer na altura do pulso\u201d, afirmou a mulher.<\/p>\n<div><strong>saiba mais<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/sao-paulo\/noticia\/2011\/05\/mulher-fica-com-objeto-metalico-alojado-no-abdomen-apos-cirurgia.html\">Mulher fica com objeto met\u00e1lico alojado no abd\u00f4men ap\u00f3s cirurgia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/sao-paulo\/noticia\/2011\/03\/medicos-operam-joelho-errado-de-jovem-em-hospital-no-guaruja.html\">M\u00e9dicos operam joelho errado de jovem em hospital no Guaruj\u00e1<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/sao-paulo\/noticia\/2010\/08\/policia-investiga-suposto-erro-medico-em-parto-de-adolescente-em-sp.html\">Pol\u00edcia investiga suposto erro m\u00e9dico em parto de adolescente em SP<br \/>\n<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>Caso haja comprova\u00e7\u00e3o de algum tipo de erro por parte do hospital, os m\u00e9dicos poder\u00e3o ser punidos com suspens\u00e3o administrativa pelo hospital ou at\u00e9 ter a licen\u00e7a para exercer a profiss\u00e3o cassada pelo Cremesp. Como o caso envolve uma enfermeira, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) em S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m foi procurado pelo <strong>G1<\/strong> para comentar se apurava a den\u00fancia. A assessoria de imprensa do conselho informou que n\u00e3o havia registro sobre o caso.<\/p>\n<p>A outra hip\u00f3tese que \u00e9 apurada pelo Santa Marcelina e Conselho de Medicina \u00e9 que o pr\u00f3prio organismo da mulher tenha reagido de forma inesperada a algum rem\u00e9dio. Se for constatada essa possibilidade, a equipe m\u00e9dica hospitalar \u00e9 inocentada.<\/p>\n<p><strong>Pun\u00e7\u00e3o arterial inadvertida e Fen\u00f4meno de Raynaud<br \/>\n<\/strong>Questionados sobre as apura\u00e7\u00f5es, hospital e Cremesp alegam que n\u00e3o podem dar detalhes antes das conclus\u00f5es.<\/p>\n<p>Procurada para comentar o assunto, a diretoria m\u00e9dica do Hospital Santa Marcelina informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que \u201co caso referente \u00e0 paciente Rosely Viviani est\u00e1 com a comiss\u00e3o de \u00e9tica m\u00e9dica&#8221;. &#8220;A comiss\u00e3o est\u00e1 apurando minuciosamente o ocorrido para verificar se houve erro m\u00e9dico ou n\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>O <strong>G1<\/strong> n\u00e3o conseguiu localizar os m\u00e9dicos e enfermeiros que atenderam Rosely para comentar o assunto.<\/p>\n<p>Apesar disso, a equipe de reportagem obteve documentos do Santa Marcelina que confirmam que o bra\u00e7o de Rosely s\u00f3 passou a apresentar problemas ap\u00f3s a inje\u00e7\u00e3o que tomou. \u201c(&#8230;) a paciente, ap\u00f3s pun\u00e7\u00e3o [aplica\u00e7\u00e3o da inje\u00e7\u00e3o], evoluiu com obstru\u00e7\u00e3o arterial aguda de MSD [membro superior direito]. Foi submetida \u00e0 trombolectomia e hepariniza\u00e7\u00e3o plena, sem sucesso. Ontem foi submetida \u00e0 amputa\u00e7\u00e3o de antebra\u00e7o direito\u201d, escreveu uma ginecologista do hospital no parecer m\u00e9dico de 2009.<\/p>\n<p>Outro relat\u00f3rio do Santa Marcelina daquele mesmo ano sugere duas causas poss\u00edveis para explicar essa \u201cobstru\u00e7\u00e3o arterial\u201d que originou a amputa\u00e7\u00e3o do membro: a inje\u00e7\u00e3o ou um fato surpreendente. \u201cSugeriu a solicita\u00e7\u00e3o de parecer para cirurgia vascular aventando a hip\u00f3tese de Fen\u00f4meno de Raynaud ou pun\u00e7\u00e3o arterial inadvertida\u201d, escreveu um m\u00e9dico.<\/p>\n<p><strong>Especialista e Associa\u00e7\u00e3o das V\u00edtimas de Erros M\u00e9dicos<br \/>\n<\/strong>Segundo o m\u00e9dico Marcos Ar\u00eaas Marques, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), uma \u201cpun\u00e7\u00e3o arterial inadvertida\u201d pode causar isquemia (falta de circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea) e at\u00e9 necrose dos membros do paciente, sendo necess\u00e1ria a amputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA pun\u00e7\u00e3o arterial \u00e9 qualquer tentativa de pegar a art\u00e9ria em vez da veia. Teoricamente \u00e9 um erro que n\u00e3o deve acontecer\u201d, disse o angiologista Ar\u00eaas Marques, que estuda as doen\u00e7as das veias e art\u00e9rias.<\/p>\n<p>Segundo o especialista, o Fen\u00f4meno de Raynaud \u00e9 um espasmo involunt\u00e1rio das art\u00e9rias das m\u00e3os e pode ter origem no pr\u00f3prio organismo humano ou ser causado por um fator externo, como uma inje\u00e7\u00e3o aplicada de forma errada.<\/p>\n<p>\u201cEsse vaso espasmo exagerado \u00e9 percebido quando algu\u00e9m coloca a m\u00e3o na \u00e1gua fria e ela fica roxa. As extremidades ficam azuladas. Mas ele pode ser secund\u00e1rio a um trauma tamb\u00e9m. Por exemplo, uma pun\u00e7\u00e3o inadvertida com medica\u00e7\u00e3o na art\u00e9ria que era para ser feita na veia. A art\u00e9ria leva sangue para a extremidade e caso seja aplicado algo nela, pode causar isquemia, falta de sangue, dor na m\u00e3o e at\u00e9 a perda do membro\u201d, disse Ar\u00eaas Marques.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o angiologista \u00e9 comum a aplica\u00e7\u00e3o de Diazepan em pacientes antes de endoscopias. \u201cEsse rem\u00e9dio tem o efeito de sedativo porque deixa a pessoa calma para que o procedimento seja mais confort\u00e1vel para o paciente. Mas ele tem de ser aplicado na veia e n\u00e3o na art\u00e9ria\u201d, afirmou Ar\u00eaas Marques. \u201cSe injetar rem\u00e9dio endovenoso em art\u00e9ria pode ter problema, como a Iatrogenia, que \u00e9 uma complica\u00e7\u00e3o adversa de um procedimento.\u201d<\/p>\n<p>\u201cNo meu entender ocorreu uma s\u00e9rie de equ\u00edvocos, que caracteriza m\u00e1 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, onde atrav\u00e9s de uma a\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria indenizat\u00f3ria, a v\u00edtima dever\u00e1 ser ressarcida por danos morais, danos est\u00e9ticos, pens\u00e3o aliment\u00edcia pela incapacidade parcial etc. Houve uma grande demora para que houvesse socorro, 26 horas\u201d, diz C\u00e9lia Destri, presidente da Associa\u00e7\u00e3o das V\u00edtimas de Erros M\u00e9dicos (Averme).<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Mulher diz ser vitima de erro medico (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2011\/05\/27\/mulher_diz_ser_vitima_de_erro_medico3.jpg\" alt=\"Mulher diz ser vitima de erro medico (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" width=\"620\" height=\"465\" \/><strong>Documento do Hospital Santa Marcelina mostra que paciente pode ter sido v\u00edtima de erro. Trombose que ocasiou a amputa\u00e7\u00e3o pode ter decorrido de uma aplica\u00e7\u00e3o de inje\u00e7\u00e3o na art\u00e9ria: &#8216;pun\u00e7\u00e3o arterial inadvertida&#8217; (Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria<br \/>\n<\/strong>Quase um ano depois da amputa\u00e7\u00e3o, Rosely registrou queixa na Pol\u00edcia Civil contra o Hospital Santa Marcelina, mas nenhuma investiga\u00e7\u00e3o foi feita para apurar o que ocorreu com ela. \u201cA declarante foi orientada a instruir a\u00e7\u00e3o civil, j\u00e1 que o prazo decadencial de seis meses para oferecer representa\u00e7\u00e3o pela les\u00e3o corporal que sofreu expirou-se\u201d, escreveu uma delegada num boletim feito na capital.<\/p>\n<p>Sem dinheiro para pagar um advogado, Rosely procurou a Defensoria P\u00fablica, que entrou na Justi\u00e7a com uma a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria por danos morais e materiais em favor da v\u00edtima cobrando R$ 1,2 milh\u00e3o do hospital e do Governo de S\u00e3o Paulo. A Defensoria entende que ocorreram falhas no procedimento m\u00e9dico e demora no atendimento \u00e0 paciente.<\/p>\n<p>\u201cHouve erro m\u00e9dico porque h\u00e1 indicativos nas provas obtidas de que houve falha e demora no atendimento e procedimento de aplica\u00e7\u00e3o. Essa a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o proposta pela Defensoria visa ressarcir a v\u00edtima pelos preju\u00edzos sofridos. Ela teve danos materiais e morais\u201d, disse a defensora Renata Flores Tibyri\u00e7\u00e1, coordenadora da unidade da Fazenda P\u00fablica na capital paulista.<\/p>\n<p>De acordo com a defensora, a a\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 contra o Estado porque, segundo ela, todo paciente com c\u00e2ncer atendido pelo SUS precisa de atendimento m\u00e9dico de alta complexidade e isso \u00e9 responsabilidade do governo.<\/p>\n<p>\u201cUma pessoa entra para fazer tratamento de c\u00e2ncer e sai sem bra\u00e7o? Isso \u00e9 um absurdo\u201d, disse Renata Tibyri\u00e7\u00e1, que pede uma pr\u00f3tese de m\u00e3o e antebra\u00e7o, al\u00e9m de um carro adaptado e uma pens\u00e3o para o filho dela, caso Rosely venha a morrer. A mulher ainda realiza quimioterapia para conter o avan\u00e7o do c\u00e2ncer. Ela j\u00e1 passou por cirurgia para retirar \u00fatero e ov\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cContinuo fazendo quimioterapia, mas tenho certeza de que o que ocorreu com o meu bra\u00e7o n\u00e3o teve a ver com a doen\u00e7a. Eu n\u00e3o tive c\u00e2ncer no bra\u00e7o, era no \u00fatero e ov\u00e1rios\u201d, disse Rosely, que deixou de trabalhar por conta da defici\u00eancia. Ela usava o carro, um Gol ano 1995, para comercializar roupas, mas, sem poder dirigir, vendeu o ve\u00edculo por R$ 7 mil em dezembro de 2010. O dinheiro est\u00e1 servindo para pagar algumas parcelas das mensalidades da faculdade de pedagogia, que decidiu fazer ap\u00f3s a amputa\u00e7\u00e3o. Antes, ela cursava letras, mas desistiu ao entrar em depress\u00e3o por conta da perda do membro.<\/p>\n<p>Atualmente, ela recebe um sal\u00e1rio m\u00ednimo por m\u00eas de um plano do Governo federal. \u201c\u00c9 um aux\u00edlio doen\u00e7a\u201d, disse a mulher, que improvisou uma tipoia azul, daquelas usadas para apoiar um bra\u00e7o quebrado, no membro amputado. \u201cEu uso para esconder o dano que me causaram. Tenho vergonha de mim. Tenho vergonha de sair na rua. Ainda n\u00e3o superei o trauma.\u201d<\/p>\n<p>Rosely n\u00e3o usa mais maquiagem nem deixa o cabelo crescer acima da altura dos ombros.<br \/>\n\u201cPerdi a vaidade\u201d, afirmou a mulher, enquanto mostrava uma foto produzida dela tirada em Campinas. \u201cEu tinha 27 anos. Usava batom. Namorava e pensava em casar. N\u00e3o tinha esse cotoco e essa cicatriz feia no cotovelo. Voc\u00ea acredita que \u00e0s vezes acordo pensando que ainda tenho a m\u00e3o direita? Eu consigo ter a sensa\u00e7\u00e3o de mexer os dedos, os nervos est\u00e3o aqui, mas os dedos n\u00e3o est\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>O filho Andr\u00e9 Luiz ajuda a m\u00e3e nas atividades dom\u00e9sticas e a incentiva a escrever. \u201cEu era destra, agora tive de aprender a escrever com a m\u00e3o esquerda. A letra ainda sai um pouco feia, tremida, mas estou melhorando a caligrafia\u201d, disse a mulher, que torce por uma decis\u00e3o judicial favor\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cEu quero a indeniza\u00e7\u00e3o. L\u00f3gico. \u00c9 o meu direito. N\u00e3o sei quanto tempo isso vai levar, mas espero que a Justi\u00e7a seja feita. S\u00f3 espero que n\u00e3o seja depois de eu morrer porque ainda tenho essa luta contra o c\u00e2ncer. Quero uma pr\u00f3tese mec\u00e2nica para poder voltar a abra\u00e7ar meu filho e amarrar meus t\u00eanis sozinha novamente. Quero ter um carro adaptado para voltar a trabalhar vendendo roupas como antes. Quero o que tiraram de mim de volta. Quero minha vida pacata e simples.\u201d<\/p>\n<p>A Justi\u00e7a ainda analisa o pedido da indeniza\u00e7\u00e3o. De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justi\u00e7a, \u201ca a\u00e7\u00e3o, que deu entrada em 11 de fevereiro deste ano, est\u00e1 em andamento na 4\u00aa Vara da Fazenda P\u00fablica da capital&#8221;. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 decis\u00e3o a respeito do caso.\u201d<\/p>\n<p><strong>O que dizem hospital e governo de SP<br \/>\n<\/strong>Procurado para comentar a a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o que a paciente move contra o Santa Marcelina, o hospital respondeu que \u201co departamento jur\u00eddico tamb\u00e9m est\u00e1 acompanhando o caso, pois a paciente entrou com uma a\u00e7\u00e3o contra o hospital\u201d.<\/p>\n<p>O governo do Estado de S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m foi procurado para falar sobre a a\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o respondeu aos questionamentos do <strong>G1<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kleber Tomaz Do G1 SP Rosely Viviani, de 48 anos, segura foto dela tirada h\u00e1 21 anos: ela teve o antebra\u00e7o direito amputado ap\u00f3s tomar inje\u00e7\u00e3o no pulso.\u00a0 (Kleber Tomaz\/G1) Em 2009, uma vendedora do interior do estado de S\u00e3o Paulo entrou num hospital filantr\u00f3pico da capital paulista para fazer um exame gastrointestinal, mas saiu de l\u00e1 sem parte do bra\u00e7o depois de tomar uma inje\u00e7\u00e3o no pulso direito. A mulher se queixou de dores na regi\u00e3o durante todo o dia 27 de abril daquele ano. Na manh\u00e3 seguinte, seu membro n\u00e3o tinha mais circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea. 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