{"id":31394,"date":"2011-05-04T07:47:26","date_gmt":"2011-05-04T10:47:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=31394"},"modified":"2011-05-04T07:47:26","modified_gmt":"2011-05-04T10:47:26","slug":"stf-investiga-deputado-por-dois-assassinatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2011\/05\/04\/stf-investiga-deputado-por-dois-assassinatos\/","title":{"rendered":"STF investiga deputado por dois assassinatos"},"content":{"rendered":"<p>De volta \u00e0 C\u00e2mara 20 anos ap\u00f3s ter conclu\u00eddo seu \u00faltimo mandato na Casa, o deputado J\u00falio Campos (DEM-MT) virou destaque nacional ao se referir ao ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), como <a href=\"http:\/\/congressoemfoco.uol.com.br\/noticia.asp?cod_canal=1&amp;cod_publicacao=36463\">\u201caquele moreno escuro\u201d<\/a>. Tr\u00eas semanas ap\u00f3s aquela declara\u00e7\u00e3o, J\u00falio Campos passou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de \u00fanico congressista brasileiro a responder atualmente pelo crime de homic\u00eddio qualificado na mais alta corte do pa\u00eds.\u00a0<br \/>\n\u00a0Tramita desde o \u00faltimo dia 15 no Supremo Tribunal Federal um inqu\u00e9rito (Inq 3162) que apura o envolvimento do deputado em dois assassinatos ocorridos em 2004. Segundo as investiga\u00e7\u00f5es, o empres\u00e1rio Ant\u00f4nio Ribeiro Filho e o ge\u00f3logo h\u00fangaro Nicolau Ladislau Ervin Haraly foram assassinados em S\u00e3o Paulo por causa de uma disputa por terras em Mato Grosso. O caso \u00e9 relatado pelo ministro Marco Aur\u00e9lio Mello.<br \/>\n\u00a0<!--more--><br \/>\nJ\u00falio Campos nega qualquer envolvimento com os crimes. \u201cNingu\u00e9m que me conhece acredita nessa poss\u00edvel hip\u00f3tese. Jamais cometeria um tro\u00e7o desses\u201d, recha\u00e7a o ex-governador, ex-senador e ex-conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso, de volta \u00e0 C\u00e2mara com 72.560 votos.<br \/>\nDe acordo com a investiga\u00e7\u00e3o, J\u00falio Campos \u00e9 suspeito de ser o mandante dos crimes para se apropriar de terras com pedras preciosas. O processo se arrasta h\u00e1 mais de seis anos na Justi\u00e7a. Subiu agora para o Supremo porque, como parlamentar, J\u00falio Campos s\u00f3 pode ser julgado pela Suprema Corte.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nA Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo condenou seis pessoas pela execu\u00e7\u00e3o do crime, acusadas de duplo homic\u00eddio e forma\u00e7\u00e3o de quadrilha. \u201cEles recorreram da decis\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo. O STJ liberou esses poss\u00edveis assassinos. Desde 2006, eles j\u00e1 est\u00e3o em liberdade\u201d, informa J\u00falio Campos ao <strong>Congresso em Foco.<\/strong> A Justi\u00e7a n\u00e3o concluiu, por\u00e9m, a an\u00e1lise sobre a eventual participa\u00e7\u00e3o do deputado \u2013 considerado \u201cinvestigado\u201d pelo Supremo e \u201cindiciado\u201d pelo STJ \u2013 como mandante dos crimes.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nNos corredores do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, o que se comenta \u00e9 que o caso deve ter um desfecho r\u00e1pido: ou o procurador-geral recomendar\u00e1 logo o arquivamento ou oferecer\u00e1 a den\u00fancia. N\u00e3o dever\u00e1 haver novos pedidos de dilig\u00eancias. Os quatro volumes e vinte apensos de papel est\u00e3o nas m\u00e3os do procurador geral da Rep\u00fablica, Roberto Gurgel. Caso a den\u00fancia seja oferecida, os ministros ter\u00e3o de decidir se o deputado ser\u00e1 definitivamente inocentado ou r\u00e9u de uma a\u00e7\u00e3o penal, processo que pode resultar na condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Assassinatos no Guaruj\u00e1<br \/>\n<\/strong>\u00a0<br \/>\nEm 2004, o empres\u00e1rio Ant\u00f4nio Ribeiro e o ge\u00f3logo Nicolau Haraly foram assassinados no Guaruj\u00e1, no litoral de S\u00e3o Paulo. De acordo com os autos do inqu\u00e9rito, o crime aconteceu para ocultar a transfer\u00eancia da propriedade do empres\u00e1rio para dois \u201claranjas\u201d de J\u00falio Campos, a secret\u00e1ria Nauri\u00e1 Alves de Oliveira e o advogado Delci Baleeiro Souza. Funcion\u00e1rios ainda hoje do ex-governador, eles s\u00e3o apontados por J\u00falio como pessoas de sua inteira confian\u00e7a. De acordo com as investiga\u00e7\u00f5es \u00e0 \u00e9poca, o solo das terras seria rico em diamantes e outras pedras preciosas.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nO advogado Paulo Fabrini, que defende o deputado, Nauri\u00e1 e Baleeiro, diz que os dois n\u00e3o eram \u201claranjas\u201d do parlamentar. Mas confirma que os funcion\u00e1rios emprestaram seus nomes para a Agropecu\u00e1ria Cedrobom, dona de 87 mil hectares no norte do Mato Grosso, ser transferida do nome de Ant\u00f4nio Ribeiro, uma das v\u00edtimas, para o do deputado. \u201cA empresa era enquadrada como de pequeno porte, uma EPP. Foi por uma quest\u00e3o cont\u00e1bil e fiscal\u201d, diz. De acordo com Fabrini, \u201cprovavelmente\u201d, a empresa j\u00e1 esteja hoje no nome de J\u00falio Campos.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nDepois da transfer\u00eancia, a fam\u00edlia de Ribeiro passou a reclamar de uma fraude na documenta\u00e7\u00e3o. Isso teria acontecido antes do assassinato. Para a Procuradoria Geral da Rep\u00fablica, J\u00falio Campos \u00e9 o autor da fraude na transfer\u00eancia e o mandante do crime. Fabrini nega qualquer falsifica\u00e7\u00e3o de documentos por parte de seus tr\u00eas clientes. Afirma que as terras foram entregues por Ribeiro porque ele tinha d\u00edvidas com o deputado. O advogado, por\u00e9m, diz que a Cedrobom, entregue como pagamento pela d\u00edvida, n\u00e3o tinha mais valor: as terras estavam em poder do estado e da Uni\u00e3o, n\u00e3o havia pedras preciosas e n\u00e3o havia indeniza\u00e7\u00e3o a receber.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nFabrini e J\u00falio Campos afirmam existir um parecer do Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo livrando Nauri\u00e1 e Baleeiro de qualquer participa\u00e7\u00e3o em fraude ou crime. Os dois chegaram a ter pedido de pris\u00e3o preventiva decretada na \u00e9poca dos crimes. \u201cPor tabela\u201d, diz o advogado, n\u00e3o haveria participa\u00e7\u00e3o do deputado. A reportagem solicitou c\u00f3pia do parecer ou de uma senten\u00e7a judicial com esse teor, mas n\u00e3o recebeu retorno at\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o. O advogado Paulo Fabrini acrescenta que extratos de liga\u00e7\u00f5es dos reais executores do crime n\u00e3o mostraram nenhum telefonema entre eles e J\u00falio Campos.<br \/>\n\u00a0<br \/>\n<strong>Faz parte da vida<br \/>\n<\/strong>\u00a0<br \/>\nEm entrevista ao <strong>Congresso em Foco<\/strong>, J\u00falio Campos afirmou que acusa\u00e7\u00f5es dessa natureza fazem parte da vida de um pol\u00edtico. \u201cClaro que isso desgasta. Mas faz parte da vida p\u00fablica\u201d, diz. Segundo o deputado, Nauri\u00e1 e Baleeiro trabalham com ele h\u00e1 mais de 30 anos em uma de suas empresas e jamais se envolveram em qualquer irregularidade. \u201cH\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de total confian\u00e7a. S\u00e3o pessoas boas, pode olhar a ficha deles, h\u00e1 apenas essa cita\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nO deputado contou que tinha rela\u00e7\u00e3o de amizade com Ant\u00f4nio Ribeiro, que chegou a ser representante de seu escrit\u00f3rio pol\u00edtico em Bras\u00edlia quando foi governador de Mato Grosso. \u201cInfelizmente, o filho dele fez a den\u00fancia dizendo que eu poderia ser suspeito porque tinha sido s\u00f3cio do pai dele. O filho supunha que havia falsifica\u00e7\u00e3o de assinatura. Mas o Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo entendeu que n\u00e3o havia nada\u201d, declara o deputado.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nDe acordo com J\u00falio Campos, uma a\u00e7\u00e3o c\u00edvel movida pela fam\u00edlia de Ribeiro foi arquivada em 2007 no F\u00f3rum de Cuiab\u00e1. O deputado acredita que o inqu\u00e9rito em andamento no Supremo tamb\u00e9m ter\u00e1 o arquivo como destino. \u201cComo esse inqu\u00e9rito n\u00e3o foi fechado, ao assumir a cadeira de deputado, meu foro mudou.\u201d O caso est\u00e1 com o STF e o relator \u00e9 o ministro Marco Aur\u00e9lio Mello, que concedeu um habeas corpus para negar a quebra de sigilo fiscal de J\u00falio Campos quando ele ainda era conselheiro de contas do Mato Grosso. Para o deputado, o caso est\u00e1 esclarecido. \u201cOs assassinos ficaram esclarecidos, foram presos, foram levados ao j\u00fari.\u201d<br \/>\n\u00a0<br \/>\n<strong>Permuta e d\u00edvida<br \/>\n<\/strong>\u00a0<br \/>\nA liga\u00e7\u00e3o do deputado com a terra remonta ao per\u00edodo em que ele governou o estado. J\u00falio Campos foi governador de Mato Grosso entre 1983 e 1986. De acordo com o advogado Paulo Fabrini, a Agropecu\u00e1ria Madrugada era dona de uma \u00e1rea de 20 mil hectares em Nova Maring\u00e1 (MT), a 369 km de Cuiab\u00e1, que havia sido invadida por posseiros de terras. O ent\u00e3o governador desapropriou a \u00e1rea para assentar os sem-terra e entregou \u00e0 empresa uma gleba de 87 mil hectares em Colniza (MT), a 1.000 km a noroeste da capital.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nL\u00e1, informa Fabrini, a empresa foi vendida a Ant\u00f4nio Ribeiro, dono da Cedrobom. Entretanto, antes de morrer, 2\/3 das terras viraram um parque estadual e outro ter\u00e7o, um parque federal. O advogado sustenta que n\u00e3o h\u00e1 na propriedade ouro, pedras preciosas ou jazida mineral que pudessem interessar a algu\u00e9m. Diz ainda que o governo do estado e a Uni\u00e3o jamais indenizaram quem quer que seja pelas terras da Cedrobom.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nMesmo assim, conta Fabrini, J\u00falio Campos aceitou as terras como pagamento por d\u00edvidas que Ribeiro tinha com ele. As terras podem ter alguma serventia, alega o advogado. \u201cEla pode gerar alguma coisa, cr\u00e9dito de carbono\u201d, sugere o defensor do deputado.<br \/>\n\u00a0<br \/>\n<strong>Cal\u00fania<br \/>\n<\/strong>\u00a0<br \/>\nNo Supremo, J\u00falio Campos responde ainda a uma a\u00e7\u00e3o penal (AP 582) por cal\u00fania. Segundo ele, o processo foi movido pelo ex-senador Antero Paes de Barros (PSDB) e o ex-governador Dante de Oliveira (PSDB) no calor do processo eleitoral de 1998. \u201cEsse processo j\u00e1 est\u00e1 prescrito. Tem mais de dez anos. N\u00e3o foi pra frente.\u201d O caso \u00e9 relatado pelo ministro Ayres Britto.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nJ\u00falio Campos se envolveu em pol\u00eamica com o Supremo Tribunal Federal ao defender um tratamento diferenciado na Justi\u00e7a para autoridades. Em reuni\u00e3o na bancada do DEM, o deputado disse que os parlamentares n\u00e3o poderiam abrir m\u00e3o do direito \u00e0 pris\u00e3o especial. E, curiosamente, citou o caso de um ex-deputado que renunciou ao mandato para escapar de uma condena\u00e7\u00e3o por tentativa de homic\u00eddio.<br \/>\n\u00a0<br \/>\n\u201cTodo mundo sabe que essa hist\u00f3ria de foro privilegiado n\u00e3o d\u00e1 em nada. O nosso amigo Ronaldo Cunha Lima precisou ter a coragem de renunciar ao cargo para n\u00e3o sair daqui algemado. E depois, meus amigos, voc\u00ea cai [sic] nas m\u00e3os daquele moreno escuro l\u00e1 no Supremo, ai j\u00e1 viu\u201d, disse J\u00falio, em refer\u00eancia ao ministro Joaquim Barbosa e criticando a suposta falta de prote\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre os deputados. Cunha Lima renunciou ao mandato para n\u00e3o ser julgado no processo em que respondia por tentar assassinar o ex-governador Tarc\u00edsio Burity. A a\u00e7\u00e3o era relatada pelo ministro Joaquim Barbosa. <a href=\"http:\/\/congressoemfoco.uol.com.br\/noticia.asp?cod_canal=1&amp;cod_publicacao=36467\">Ap\u00f3s a repercuss\u00e3o das declara\u00e7\u00f5es, J\u00falio Campos divulgou nota se desculpando com o ministro e negando t\u00ea-lo ofendido<\/a>.\u00a0 <strong><em>Do Congresso em Foco<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De volta \u00e0 C\u00e2mara 20 anos ap\u00f3s ter conclu\u00eddo seu \u00faltimo mandato na Casa, o deputado J\u00falio Campos (DEM-MT) virou destaque nacional ao se referir ao ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), como \u201caquele moreno escuro\u201d. 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