{"id":3071,"date":"2010-03-18T08:36:37","date_gmt":"2010-03-18T11:36:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=3071"},"modified":"2010-03-18T08:36:37","modified_gmt":"2010-03-18T11:36:37","slug":"ronco-e-indicio-de-problemas-cardiacos-e-diabetes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/03\/18\/ronco-e-indicio-de-problemas-cardiacos-e-diabetes\/","title":{"rendered":"Ronco \u00e9 ind\u00edcio de problemas card\u00edacos e diabetes"},"content":{"rendered":"<p>O barulho n\u00e3o parece um som feminino, mas ronco tamb\u00e9m \u00e9 problema de mulher. O sinal noturno, inclusive, n\u00e3o deveria ser motivo para vergonha e sim para cautela.<\/p>\n<p>As pesquisas mais recentes atestaram que o ru\u00eddo \u00e9 um forte ind\u00edcio de risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e diabetes, as tr\u00eas doen\u00e7as que mais amea\u00e7am a vida das brasileiras.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s os 40 anos de idade, afirmam os especialistas, elas perdem a prote\u00e7\u00e3o hormonal e aparecem equiparadas aos homens nas estat\u00edsticas de uma doen\u00e7a chamada apneia do sono, que tem como um dos sintomas cl\u00e1ssicos o ronco.<!--more--><\/p>\n<p>Geraldo Lorenzi, pneumologista da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e especialista em medicina do sono, explica que apneia \u00e9 um problema \u201ctrai\u00e7oeiro\u201d, caracterizado pela aus\u00eancia repetida de respira\u00e7\u00e3o por alguns segundos enquanto a pessoa est\u00e1 dormindo.<\/p>\n<p>\u201cHomens e mulheres sofrem deste mal e o ronco, nestes casos, \u00e9 alto, cont\u00ednuo e parece que ressuscita a pessoa. \u00c9 comum acordarem com o pr\u00f3prio barulho, como se estivessem afogadas\u201d, diz. \u201cNem todo mundo que ronca tem apneia, mas todos que t\u00eam apneia roncam.\u201d<\/p>\n<p>Antes a apneia era considerada grave porque compromete a qualidade de vida, impede o descanso durante o sono, atrapalha a concentra\u00e7\u00e3o, o humor e at\u00e9 os relacionamentos. Agora, a preocupa\u00e7\u00e3o dos estudiosos \u00e9 dupla: os estudos t\u00eam mostrado que a probabilidade de sofrer problemas card\u00edacos, vasculares e tamb\u00e9m metab\u00f3licos \u00e9 duas vezes maior em quem tem apneia, como explica o cardiologista do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o (Incor) e pesquisador da qualidade do sono, Rodrigo Pedrosa.<\/p>\n<p>\u201cComo a pessoa fica sem respirar por alguns instantes diminui a oxigena\u00e7\u00e3o do organismo. Isso faz com a press\u00e3o arterial fique mais alta, aumentando os riscos de enfarte e AVC\u201d, explica. \u201cOutro problema \u00e9 que, sem oxig\u00eanio, a produ\u00e7\u00e3o de adrenalina tamb\u00e9m \u00e9 super estimulada, o que aumenta a produ\u00e7\u00e3o de glicose e, por consequ\u00eancia, o diabetes.\u201d<\/p>\n<p>Pedrosa afirma que diversos estudos norte-americanos j\u00e1 confirmaram a rela\u00e7\u00e3o entre apneia e complica\u00e7\u00f5es card\u00edacas. Um deles, feito por meio da an\u00e1lise de 1.000 atestados de \u00f3bitos, concluiu que o risco de morte cardiovascular era duplicado nos que sofriam agravos do sono. \u201cConfirmamos o risco em um estudo feito no Incor. Analisamos 80 pacientes, metade com apneia, outra sem. Identificamos arritmia (batimentos irregulares do cora\u00e7\u00e3o) em 30% dos pacientes com apneia e apenas em 6,25% nos que n\u00e3o tinham a queixa.\u201d<\/p>\n<p><strong>Mulheres desavisadas<\/strong><\/p>\n<p>Uma pesquisa feita o ano passado pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) mostrou que a apneia \u00e9 muito mais presente nas \u201ccamas\u201d da popula\u00e7\u00e3o do que se imagina. Em an\u00e1lise feita com 6 mil adultos foi atestado que 32% deles tinham algum grau de aus\u00eancia de respira\u00e7\u00e3o no sono. Para entrar no grupo era preciso ter mais de 15 \u201cparadas\u201d de respira\u00e7\u00e3o por minuto dormindo. Em casos graves, s\u00e3o mais de 30 paradas.<br \/>\nA respons\u00e1vel pelo Instituto de Medicina do Sono, Lia Bittencourt, explica que os sinais do problema s\u00e3o sonol\u00eancia constante, hipertens\u00e3o e cansa\u00e7o, quase sempre negligenciados pelos pacientes e pelos m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Rosana Alves, especialista em sono da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo, lembra que entre as mulheres a identifica\u00e7\u00e3o do problema \u00e9 ainda mais dif\u00edcil. \u201cPrimeiro porque no sexo feminino, em vez de sonol\u00eancia, um dos sintomas comuns de apneia \u00e9 depress\u00e3o, o que dificulta ainda mais o diagn\u00f3stico. Depois porque as mulheres escutam o ronco dos maridos e avisam que eles est\u00e3o com problema. O inverso nem sempre acontece e a queixa passa sem ser percebida.\u201d<\/p>\n<p><strong>Obesidade e tratamento<\/strong><\/p>\n<p>A apneia do sono acontece quando h\u00e1 muita gordura na faringe, dificultando a passagem do ar, o que provoca as paradas respirat\u00f3rias. Por isso, as pessoas obesas est\u00e3o no topo do ranking do grupo de risco. Idosos, que ficam com a musculatura do pesco\u00e7o mais fr\u00e1gil, tamb\u00e9m s\u00e3o mais vulner\u00e1veis. M\u00e1 forma\u00e7\u00e3o craniana \u00e9 outro motivo, sendo mais comum em crian\u00e7as (1% dos menores de 18 anos tem apneia).<\/p>\n<p>O tratamento convencional \u00e9 feito com a utiliza\u00e7\u00e3o de um aparelho chamado CPAP. \u00c9 uma esp\u00e9cie de m\u00e1scara, ligada a uma tubula\u00e7\u00e3o, que precisa ser usada toda noite. Como \u00e9 muito grande e cara (entre R$ 1.500 e R$ 6.000) precisa de orienta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica constante para n\u00e3o ser descartada ou subutilizada pelo paciente.<\/p>\n<p>A diretora do Instituto de Medicina do Sono da Unifesp, Lia Bittencourt, complementa: emagrecer, tocar instrumentos de sopro e fazer acupuntura s\u00e3o outros tratamentos n\u00e3o convencionais que est\u00e3o sendo investigados, j\u00e1 com resultados promissores.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso procurar ajuda do m\u00e9dico. Costumo dizer que morrer de vergonha do ronco \u00e9 pior do que morrer por causa do ronco\u201d, compara o pneumologista Geraldo Lorenzi.<\/p>\n<p><strong>IG<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O barulho n\u00e3o parece um som feminino, mas ronco tamb\u00e9m \u00e9 problema de mulher. O sinal noturno, inclusive, n\u00e3o deveria ser motivo para vergonha e sim para cautela. As pesquisas mais recentes atestaram que o ru\u00eddo \u00e9 um forte ind\u00edcio de risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e diabetes, as tr\u00eas doen\u00e7as que mais amea\u00e7am a vida das brasileiras. 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