{"id":29930,"date":"2011-04-01T08:59:25","date_gmt":"2011-04-01T11:59:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=29930"},"modified":"2011-04-01T08:59:25","modified_gmt":"2011-04-01T11:59:25","slug":"favela-em-salvador-recebe-upp-baiana-com-alivio-e-desconfianca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2011\/04\/01\/favela-em-salvador-recebe-upp-baiana-com-alivio-e-desconfianca\/","title":{"rendered":"Favela em Salvador recebe &#8220;UPP baiana&#8221; com al\u00edvio e desconfian\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Ocupada nesta semana pelas pol\u00edcias Civil e Militar da Bahia, a favela do Calabar, em Salvador, v\u00ea com uma mistura de al\u00edvio, desconfian\u00e7a e expectativa os preparativos para a implanta\u00e7\u00e3o da primeira base comunit\u00e1ria de seguran\u00e7a, aposta da gest\u00e3o Jaques Wagner (PT) para reverter o aumento da viol\u00eancia na cidade e no Estado.<\/p>\n<p>A favela de 20 mil moradores, cheia de morros e ladeiras e cercada por bairros nobres como Barra e Ondina, \u00e9 dominada por grupos rivais de traficantes de drogas. A disputa afeta o cotidiano dos moradores, impedidos de cruzar os limites territoriais das quadrilhas. Por sua dimens\u00e3o reduzida, foi escolhida como \u201claborat\u00f3rio\u201d para o projeto da chamada \u201cUPP (Unidade de Pol\u00edcia Pacificadora) baiana\u201d, prevista para o final de abril.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i0.ig.com\/fw\/dj\/m9\/4u\/djm94uz5g2iat45fk6jbe11en.jpg\" alt=\"Moradores da favela do Calabar, de Salvador\" width=\"544\" height=\"408\" \/><\/p>\n<div id=\"caption-adv\">\n<div><cite>Foto: Thiago Guimar\u00e3es\/iG<\/cite><\/div>\n<div>\u201cS\u00f3 est\u00e3o fazendo isso porque o prefeito vem\u201d, gritava do alto de uma casa, na manh\u00e3 desta quinta-feira (31), uma moradora da favela, em refer\u00eancia ao mutir\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos que visitava a \u00e1rea. Em uma regi\u00e3o em que o Estado era praticamente ausente, o vai-e-vem de policiais, rep\u00f3rteres e autoridades provocava rea\u00e7\u00f5es desconfiadas da comunidade.<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cJ\u00e1 poderia ter acontecido isso [presen\u00e7a estatal] h\u00e1 muito mais tempo\u201d, dizia a moradora Maria Jos\u00e9 de Oliveira, 72 anos, que afirmou ter tido um filho morto por traficantes h\u00e1 cinco anos. \u201cAt\u00e9 semana passada, os traficantes andavam de metralhadoras por aqui a qualquer hora\u201d, diz ela.\u00a0<\/p>\n<p><!--more-->Segundo um l\u00edder comunit\u00e1rio que n\u00e3o quis se identificar, os principais traficantes da favela deixaram o local durante a madrugada de ter\u00e7a-feira (29), horas antes da chegada de mais de 300 policiais. \u201cOs mais perigosos debandaram de madrugada, com mochila nas costas\u201d disse. A ocupa\u00e7\u00e3o havia sido anunciada na semana anterior pelo governo.<\/p>\n<div><strong>\u201c<\/strong>Nossos fiscais eram botados para correr. Por muitas vezes o carro do lixo queria entrar e traficantes n\u00e3o deixavam&#8221;, diz prefeito de Salvador<\/p>\n<\/div>\n<p>No posto de sa\u00fade local, uma funcion\u00e1ria contava ter atendido um morador de outra regi\u00e3o da favela, que antes era impedido de ir at\u00e9 a unidade. \u201cO pessoal de l\u00e1 ficava sem atendimento.\u201d Segundo essa agente do PSF (Programa de Sa\u00fade da Fam\u00edlia), traficantes avisavam quando o confronto com rivais era iminente e todos sa\u00edam mais cedo.<\/p>\n<p>\u201cO direito de ir e vir foi furtado da comunidade\u201d, disse o l\u00edder comunit\u00e1rio. Segundo ele, traficantes chegavam a tomar cart\u00f5es do Bolsa Fam\u00edlia de moradores da favela. Por causa da falta de seguran\u00e7a, um curso pr\u00e9-vestibular com 50 vagas montado na favela recebeu apenas cinco alunos em 2010.<\/p>\n<p>Em visita \u00e0 favela nesta quinta (31), o prefeito Jo\u00e3o Henrique (PP) atribuiu a aus\u00eancia estatal na regi\u00e3o \u00e0 a\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico. \u201cNossos fiscais eram botados para correr. Por muitas vezes o carro do lixo queria entrar e traficantes n\u00e3o deixavam. O lixo no meio da rua impedia a entrada da Pol\u00edcia Militar. Se pessoas feridas fossem de grupos rivais, o Samu n\u00e3o podia entrar\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>De acordo com o prefeito, a crise financeira da prefeitura, que fechou 2010 com buraco de R$ 276 milh\u00f5es e j\u00e1 cortou at\u00e9 jornada do funcionalismo para economizar, n\u00e3o impedir\u00e1 a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os permanente na favela.<\/p>\n<p><strong>Onda de inseguran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>A Bahia enfrenta aumento expressivo nos \u00edndices de viol\u00eancia nos \u00faltimos anos: de 2005 a 2009, por exemplo, houve alta de 142% nos assaltos a banco e de 85% nos roubos de ve\u00edculos. A taxa de homic\u00eddios subiu 42% de 2004 a 2009 e o \u00edndice de mortes por armas de fogo avan\u00e7ou 347% entre 2000 e 2008. Diante do desgaste causado pelos \u00edndices, o governo do PT na Bahia trocou a c\u00fapula da seguran\u00e7a p\u00fablica em 2011 e refor\u00e7ou a divulga\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es no setor.<\/p>\n<p>O financiamento da constru\u00e7\u00e3o das bases, projeto que Wagner batizou de \u201cPacto pela Vida\u201d, j\u00e1 estava previsto no programa de governo da presidenta <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/dilmarousseff\/\">Dilma Rousseff<\/a> (PT), que estimou R$ 1,6 bilh\u00e3o para erguer 2.883 desses equipamentos no Pa\u00eds. O corte anunciado pelo governo federal no Or\u00e7amento de 2011 pode, contudo, afetar o ritmo dos desembolsos. No Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, que previa or\u00e7amento de R$ 4,76 bilh\u00f5es para 2011, o corte foi de R$ 1,52 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Fac\u00e7\u00f5es rivais<\/strong><\/p>\n<p>A din\u00e2mica do tr\u00e1fico no Calabar tem a influ\u00eancia de criminosos presos e op\u00f5e as fac\u00e7\u00f5es locais CP (Comando da Paz) e Comando Vermelho (CV). O CP, segundo a pol\u00edcia baiana, mant\u00e9m opera\u00e7\u00f5es de compra de drogas e armas da fac\u00e7\u00e3o paulista PCC (Primeiro Comando da Capital). O grupo da fac\u00e7\u00e3o que comanda o tr\u00e1fico na regi\u00e3o do Calabar conhecida como \u201cBomba\u201d, \u00e9 ligado ao traficante Cl\u00e1udio Campanha, detido no pres\u00eddio federal de Campo Grande (MS).<\/p>\n<p>J\u00e1 a regi\u00e3o baixa da favela, conhecida como \u201cCamar\u00e3o\u201d, \u00e9 de influ\u00eancia do traficante Genilson Lino da Silva, o Perna, preso no pres\u00eddio federal de Catanduvas (PR). Em 2008, uma opera\u00e7\u00e3o descobriu que Perna mantinha regalias e R$ 280 mil em sua cela na penitenci\u00e1ria Lemos Brito, em Salvador. Perna \u00e9 integrante do CV, fac\u00e7\u00e3o baiana que, segundo a pol\u00edcia, n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com a hom\u00f4nima carioca.<\/p>\n<p>Segundo o delegado Jo\u00e3o Cavadas, titular da 14\u00aa Delegacia (Barra), que atua em parte do Calabar, o principal mercado consumidor para os traficantes do local s\u00e3o moradores dos bairros nobres que circundam a favela. <strong><em>Portal IG<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ocupada nesta semana pelas pol\u00edcias Civil e Militar da Bahia, a favela do Calabar, em Salvador, v\u00ea com uma mistura de al\u00edvio, desconfian\u00e7a e expectativa os preparativos para a implanta\u00e7\u00e3o da primeira base comunit\u00e1ria de seguran\u00e7a, aposta da gest\u00e3o Jaques Wagner (PT) para reverter o aumento da viol\u00eancia na cidade e no Estado. A favela de 20 mil moradores, cheia de morros e ladeiras e cercada por bairros nobres como Barra e Ondina, \u00e9 dominada por grupos rivais de traficantes de drogas. A disputa afeta o cotidiano dos moradores, impedidos de cruzar os limites territoriais das quadrilhas. 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