{"id":28379,"date":"2011-02-28T07:46:08","date_gmt":"2011-02-28T10:46:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=28379"},"modified":"2011-02-28T07:46:08","modified_gmt":"2011-02-28T10:46:08","slug":"brasil-realiza-1%c2%ba-transplante-de-arteria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2011\/02\/28\/brasil-realiza-1%c2%ba-transplante-de-arteria\/","title":{"rendered":"Brasil realiza 1\u00ba transplante de art\u00e9ria"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Fernanda Bassette &#8211; O Estado de S.Paulo<\/strong><\/em><\/p>\n<div>\n<p>O aposentado Hamilton Bispo da Concei\u00e7\u00e3o, de 56 anos, foi o primeiro brasileiro a ser submetido a um transplante de art\u00e9ria de doador falecido para evitar a amputa\u00e7\u00e3o de sua perna direita &#8211; comprometida pela aterosclerose.<\/p>\n<p>\u00a0A cirurgia, in\u00e9dita no Brasil, foi realizada no Hospital S\u00e3o Paulo no final do m\u00eas de janeiro. &#8220;Depois de dez dias, o paciente saiu do hospital totalmente recuperado, sem dor e andando&#8221;, afirmou Jos\u00e9 Carlos Baptista Silva, respons\u00e1vel pelo transplante.<\/p>\n<p><!--more-->Antes do transplante, Concei\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o podia mais andar. Por causa da doen\u00e7a, passou os \u00faltimos meses tomando analg\u00e9sicos potentes e dormindo sentado, com a perna levemente inclinada, para tentar aliviar a dor. &#8220;Queimava por dentro&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a atingiu sua perna direita, obstruiu quase completamente a principal art\u00e9ria (femoral) e, por consequ\u00eancia, provocou a m\u00e1 circula\u00e7\u00e3o. A sa\u00edda para o problema seria amputar a perna do joelho para baixo.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rico. Concei\u00e7\u00e3o \u00e9 ex-fumante e possui insufici\u00eancia renal cr\u00f4nica. Durante anos se submeteu \u00e0 sess\u00f5es de hemodi\u00e1lise. Em estado terminal, passou por um transplante de rim h\u00e1 dois anos. A fun\u00e7\u00e3o renal foi restabelecida, mas a doen\u00e7a passou a dar sinais em outros locais.<\/p>\n<p>Os sintomas da aterosclerose come\u00e7aram com dificuldade para caminhar e dor na perna. A piora foi progressiva e, em seis meses, Concei\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o caminhava nem dormia por causa da dor. O quadro era ruim: a obstru\u00e7\u00e3o era t\u00e3o grande, que s\u00f3 uma cirurgia de revasculariza\u00e7\u00e3o melhoraria a circula\u00e7\u00e3o. Caso contr\u00e1rio, a amputa\u00e7\u00e3o seria a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que as condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas de Concei\u00e7\u00e3o n\u00e3o o ajudavam: ele n\u00e3o tinha mais a veia safena &#8211; normalmente usada em cirurgias de revasculariza\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o &#8211; porque ele a retirou na \u00e9poca da hemodi\u00e1lise. Tamb\u00e9m n\u00e3o podia se submeter a uma cirurgia com pr\u00f3tese pl\u00e1stica. &#8220;Como ele j\u00e1 era transplantado e toma medicamentos imunossupressores (que diminuem a imunidade), o risco de ele ter uma infec\u00e7\u00e3o e piorar o quadro era muito grande&#8221;, diz o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Outra alternativa seria dilatar a obstru\u00e7\u00e3o com um cateter, mas isso tamb\u00e9m n\u00e3o foi poss\u00edvel porque o local estava muito calcificado. &#8220;Tentamos todas as possibilidades de tratamento que existem, mas n\u00e3o deu certo. A solu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica seria amputar a perna do paciente. Por isso, pensamos que o transplante seria uma boa alternativa&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A equipe entrou em contato com a Central de Transplantes do Estado, que localizou o doador &#8211; um menino de 17 anos. Concei\u00e7\u00e3o comemorou o encontro do doador e n\u00e3o temeu os riscos da cirurgia. &#8220;Meu medo era perder a perna e ficar preso a uma cadeira de rodas para sempre.&#8221;<\/p>\n<p>Indica\u00e7\u00e3o restrita. Segundo Silva, esse tipo de transplante \u00e9 feito em outros pa\u00edses, mas com indica\u00e7\u00e3o restrita. Ele diz que a cirurgia n\u00e3o depende apenas de t\u00e9cnica, mas da fase da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 todo mundo que tem aterosclerose nas pernas que vai se beneficiar. N\u00e3o \u00e9 o fim da amputa\u00e7\u00e3o&#8221;, pondera. &#8220;Mas, com esse transplante, conseguimos abrir uma porta importante para que outros doentes, na mesma situa\u00e7\u00e3o, sejam beneficiados.&#8221;<\/p>\n<p>Ben-Hur Ferraz Neto, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transplante de \u00d3rg\u00e3os (ABTO), diz que o transplante de vasos \u00e9 raro porque, em geral, a art\u00e9ria do paciente est\u00e1 doente por inteiro, o que inviabiliza a cirurgia. &#8220;A situa\u00e7\u00e3o tem de ser muito favor\u00e1vel para dar certo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>No caso de Concei\u00e7\u00e3o, tanto deu certo que ele saiu do hospital dez dias depois do transplante, sem dor e andando. Voltou a dormir deitado em companhia da mulher, a noite toda. &#8220;Coisa rara de acontecer. Foi um al\u00edvio&#8221;, diz o aposentado.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernanda Bassette &#8211; O Estado de S.Paulo O aposentado Hamilton Bispo da Concei\u00e7\u00e3o, de 56 anos, foi o primeiro brasileiro a ser submetido a um transplante de art\u00e9ria de doador falecido para evitar a amputa\u00e7\u00e3o de sua perna direita &#8211; comprometida pela aterosclerose. \u00a0A cirurgia, in\u00e9dita no Brasil, foi realizada no Hospital S\u00e3o Paulo no final do m\u00eas de janeiro. &#8220;Depois de dez dias, o paciente saiu do hospital totalmente recuperado, sem dor e andando&#8221;, afirmou Jos\u00e9 Carlos Baptista Silva, respons\u00e1vel pelo transplante.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-28379","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":961,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28379","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28379"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28379\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28380,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28379\/revisions\/28380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28379"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}