{"id":28150,"date":"2011-02-23T08:02:47","date_gmt":"2011-02-23T11:02:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=28150"},"modified":"2011-02-23T08:02:47","modified_gmt":"2011-02-23T11:02:47","slug":"bancada-negra-quase-dobra-no-congresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2011\/02\/23\/bancada-negra-quase-dobra-no-congresso\/","title":{"rendered":"Bancada negra quase dobra no Congresso"},"content":{"rendered":"<p>A representa\u00e7\u00e3o negra cresceu no novo Congresso. O n\u00famero de deputados que se autodeclaram negros saltou de 25 (5%), no come\u00e7o de 2007, para 43 (8,5%) na atual legislatura. De maneira mais t\u00edmida, tamb\u00e9m aumentou a rela\u00e7\u00e3o de deputados estaduais e distritais que se apresentam como afrodescendentes: passou de 30 para 39. No Senado, a bancada continua reduzida a apenas dois senadores: Paulo Paim (PT-RS) e Magno Malta (PR-ES).<\/p>\n<p>Os dados fazem parte de levantamento feito pela Uni\u00e3o de Negros pela Igualdade (Unegro) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O estudo se baseia em informa\u00e7\u00f5es oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e nas declara\u00e7\u00f5es dos pr\u00f3prios parlamentares para tra\u00e7ar um mapa da participa\u00e7\u00e3o negra na pol\u00edtica brasileira.\u00a0<br \/>\n<a href=\"http:\/\/congressoemfoco.uol.com.br\/noticia.asp?cod_canal=21&amp;cod_publicacao=36175\">Os parlamentares que se autodeclaram afrodescendentes<\/a><\/p>\n<p>Apesar do crescimento, a presen\u00e7a dos negros no Legislativo ainda reflete um pa\u00eds marcado pela exclus\u00e3o racial. Essa \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as do movimento negro sobre os resultados da pesquisa. \u201cEsse fato revela o grande esc\u00e2ndalo nacional da exclus\u00e3o racial. N\u00e3o consigo compreender como uma popula\u00e7\u00e3o com mais da metade de negros \u00e9 t\u00e3o mal representada no Congresso. Ora, para a na\u00e7\u00e3o ser justa, dever\u00edamos ter tamb\u00e9m 51% de afrobrasileiros no Parlamento\u201d, afirma o diretor nacional da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Educafro, Frei David.<!--more--><\/p>\n<p>O coordenador de comunica\u00e7\u00e3o da Unegro, Alexandre Braga, diz que a pesquisa mostra como os negros ainda est\u00e3o fora do processo decis\u00f3rio da pol\u00edtica brasileiro. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), 51,1% dos brasileiros se declaram pretos ou pardos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma grande discrep\u00e2ncia. Em termos de representa\u00e7\u00e3o parlamentar, h\u00e1 uma disparidade muito grande. Em outros setores \u2013 como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e viol\u00eancia \u2013 voc\u00ea constata que a popula\u00e7\u00e3o negra sempre est\u00e1 na escala mais baixa. A pesquisa mostra que estamos sub-representados tamb\u00e9m no poder pol\u00edtico\u201d, avalia Alexandre, que coordenou o estudo, batizado de \u201cBalan\u00e7o eleitoral do voto \u00e9tnico negro e presen\u00e7a dos negros no parlamento\u201d. <a href=\"http:\/\/congressoemfoco.uol.com.br\/upload\/congresso\/arquivo\/balanco%20negro%20eleicoes.pdf\">Confira a pesquisa<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Sub-representa\u00e7\u00e3o em n\u00fameros<\/strong><\/p>\n<p>Mais da metade dos 43 deputados que se autodeclaram negros est\u00e1 concentrada em apenas tr\u00eas partidos: 14 no PT, seis no PMDB e outros seis no PRB. Os demais est\u00e3o distribu\u00eddos por nove legendas: PCdoB (4), DEM (3), PDT (3), Psol (2), PR (1), PSC (1), PSB (1), PTB (1) e PSDB (1).<\/p>\n<p>Menos da metade das 27 unidades federativas tem representantes negros na C\u00e2mara. Estado com a maior popula\u00e7\u00e3o negra, a Bahia aparece ao lado do Maranh\u00e3o e do Rio de Janeiro como a bancada com maior n\u00famero de integrantes afrodescendentes.\u00a0Cada um desses estados\u00a0elegeu sete representantes negros. Minas Gerais vem em seguida com cinco nomes. Cear\u00e1 e S\u00e3o Paulo, com tr\u00eas, Amap\u00e1, Acre, Roraima e Par\u00e1, com dois, e Esp\u00edrito Santo, Tocantins e Pernambuco, com um cada, completam a rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais s\u00e3o tamb\u00e9m os estados brasileiros que mais elegeram deputados estaduais negros, segundo o estudo da Unegro. A pesquisa mostra que em sete assembl\u00e9ias legislativas (Amazonas, Mato Grosso do Sul, Para\u00edba, Paran\u00e1, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) n\u00e3o h\u00e1 nenhum parlamentar que se autodeclara negro. O estudo tamb\u00e9m mostra que h\u00e1 apenas 52 vereadores que consideram afrodescendentes nas capitais brasileiras. A C\u00e2mara Municipal de Salvador, com 16 negros, \u00e9 a que tem mais parlamentares de origem negra.<\/p>\n<p><strong>Peso da bancada<\/strong><\/p>\n<p>O balan\u00e7o eleitoral revela um \u201cvoto \u00e9tnico negro\u201d ainda t\u00edmido, mas com potencial de crescimento no \u00e2mbito parlamentar. \u201cEsse trabalho n\u00e3o teve o objetivo de identificar se o parlamentar era branco ou negro. Mas queria identificar o peso da bancada negra no Parlamento\u201d, diz Alexandre Braga, da Unegro.<\/p>\n<p>O \u201cpeso da bancada negra\u201d ao qual Alexandre se refere pode ser entendido como o potencial da causa da igualdade racial em arregimentar congressistas em sua defesa, o que pode ser medido pelo tamanho da Frente Parlamentar Negra no Congresso Nacional, que reunia at\u00e9 o in\u00edcio deste ano 220 deputados e quatro senadores. Em outras palavras, quanto mais congressistas identificados com a bandeira do colegiado e inclu\u00eddos na frente parlamentar, mais poder de fogo a causa racial teria no Parlamento.<\/p>\n<p>Criada em maio de 2007, a frente \u00e9 composta por parlamentares de diversas origens \u00e9tnicas, que refor\u00e7am o time dos 43 deputados e dois senadores na luta contra a desigualdade racial. Na avalia\u00e7\u00e3o de Alexandre Braga, o fato de haver muitos mesti\u00e7os no Congresso acaba favorecendo a atua\u00e7\u00e3o da frente parlamentar.<\/p>\n<p>\u201cDe certa forma, a bancada n\u00e3o tem o objetivo de demarca\u00e7\u00e3o entre mesti\u00e7os e n\u00e3o mesti\u00e7os. Na verdade, o nome correto da Frente \u00e9 Frente Parlamentar Mista de Igualdade Racial. Obviamente, entra todo mundo \u2013 negro, ind\u00edgena, mesti\u00e7o, branco. Quanto mais ades\u00e3o, melhor. Queremos ser t\u00e3o respeitados como a bancada ruralista, a da crian\u00e7a e do adolescente, a da mulher\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Hora da virada<\/strong><\/p>\n<p>Fundador da Educafro, Frei David tamb\u00e9m acredita que o leque de composi\u00e7\u00e3o da Frente Parlamentar da Igualdade Racial transp\u00f5e restri\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas. \u201cNa verdade, a frente tem uma l\u00f3gica diferente. Pode entrar qualquer deputado ou senador que acredita e sempre lutar\u00e1 em prol da causa\u201d, completa Frei David, citando o ex-senador Marco Maciel (DEM-PE) e o presidente do Senado, Jos\u00e9 Sarney (PMDB-AP), como exemplos de parlamentares que se comprometeram com a bandeira da igualdade racial.<\/p>\n<p>\u201cO fato de estar na frente n\u00e3o significa que o parlamentar tem um p\u00e9 na \u00c1frica\u201d, resume Frei David, elogiando a Unegro ao se dizer \u201cfeliz em saber que as entidades v\u00eam trabalhando com t\u00e9cnica e estrat\u00e9gica para a vit\u00f3ria do povo negro acontecer\u201d. Vit\u00f3ria que, para ele, depende da consci\u00eancia e do engajamento da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o negra. \u201cO problema est\u00e1 em todos os setores da sociedade, mas principalmente na pr\u00f3pria falta de consci\u00eancia de parte da comunidade negra. A virada se dar\u00e1 somente quando o negro gostar de ser negro e se assumir como tal. Vou confessar que s\u00f3 aos 23 anos me assumi como negro\u201d, admite Frei David.<br \/>\n<strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<br \/>\nAutodeclara\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Para que um parlamentar fosse considerado negro e inclu\u00eddo nas estat\u00edsticas do levantamento, foi utilizado o crit\u00e9rio da autodeclara\u00e7\u00e3o, quando o pr\u00f3prio congressista se afirma como tal junto \u00e0s assessorias das respectivas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Caso do deputado Iraj\u00e1 Abreu (DEM-TO), que, com caracter\u00edsticas de uma pessoa morena, diz se considerar negro. Ele \u00e9 filho da senadora K\u00e1tia Abreu (DEM-TO).<\/p>\n<p>\u201cSeguimos o crit\u00e9rio do IBGE para qualquer tipo de pesquisa, levantamento ou an\u00e1lise, que \u00e9 o da autodeclara\u00e7\u00e3o\u201d, explica o coordenador de comunica\u00e7\u00e3o da Unegro, Alexandre Braga. \u201cDepois, entramos em contato com todas as assessorias das assembleias para confirmar se o deputado realmente se afirmava como negro\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>De acordo com o coordenador, o estudo pode ser aperfei\u00e7oado com a ajuda dos pr\u00f3prios parlamentares. \u201cAquele parlamentar que tomou conhecimento do estudo e n\u00e3o viu seu nome inclu\u00eddo na lista pode acabar procurando a Unegro e se dizer negro.\u201d<\/p>\n<p>O primeiro parlamentar federal negro eleito foi Eduardo Gon\u00e7alves Ribeiro, que exerceu mandato de 1897 at\u00e9 sua morte, em 1900. Filho de escrava, ele havia sido o primeiro afrodescendente a assumir um governo de prov\u00edncia, a do Amazonas, entre 1892\u00a0e 1896. Do Congresso em Foco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A representa\u00e7\u00e3o negra cresceu no novo Congresso. O n\u00famero de deputados que se autodeclaram negros saltou de 25 (5%), no come\u00e7o de 2007, para 43 (8,5%) na atual legislatura. De maneira mais t\u00edmida, tamb\u00e9m aumentou a rela\u00e7\u00e3o de deputados estaduais e distritais que se apresentam como afrodescendentes: passou de 30 para 39. No Senado, a bancada continua reduzida a apenas dois senadores: Paulo Paim (PT-RS) e Magno Malta (PR-ES). Os dados fazem parte de levantamento feito pela Uni\u00e3o de Negros pela Igualdade (Unegro) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 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