{"id":27554,"date":"2011-02-14T07:38:31","date_gmt":"2011-02-14T10:38:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=27554"},"modified":"2011-02-14T07:38:31","modified_gmt":"2011-02-14T10:38:31","slug":"nas-revistas-com-aval-de-dilma-vice-imprime-estilo-mais-ativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2011\/02\/14\/nas-revistas-com-aval-de-dilma-vice-imprime-estilo-mais-ativo\/","title":{"rendered":"Nas revistas: Com aval de Dilma, vice imprime estilo mais ativo"},"content":{"rendered":"<div id=\"texto\">\n<p><em>\u00c9poca<br \/>\n<\/em><strong><br \/>\nA outra face do governo<\/strong><\/p>\n<p>Na segunda-feira da semana passada, o vice-presidente Michel Temer participou da reuni\u00e3o do conselho pol\u00edtico com a presidenta Dilma Rousseff, os ministros Antonio Palocci, da Casa Civil, Luiz S\u00e9rgio, das Rela\u00e7\u00f5es Institucionais, o l\u00edder do governo na C\u00e2mara, C\u00e2ndido Vaccarezza (PT-SP), e o l\u00edder do PMDB na C\u00e2mara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). At\u00e9 aquele momento, o governo pretendia enviar ao Congresso uma medida provis\u00f3ria para fixar o sal\u00e1rio m\u00ednimo em R$ 545.<\/p>\n<p>Temer sugeriu outro caminho. Segundo ele, um projeto de lei seria mais eficiente para aprovar uma mat\u00e9ria t\u00e3o fundamental quanto pol\u00eamica, neste momento. Experiente na vida parlamentar, Temer afirmou que o projeto de lei seria aceito com mais facilidade pelos congressistas. Por ter car\u00e1ter de lei, a MP \u00e9 considerada por muitos parlamentares um instrumento de for\u00e7a do governo. Al\u00e9m do aspecto simb\u00f3lico, ponderou Temer, uma quest\u00e3o pr\u00e1tica tamb\u00e9m recomendava o envio de um projeto. Uma medida provis\u00f3ria entraria no final de uma fila de 22 outras. O projeto de lei dependeria apenas de um acordo entre l\u00edderes partid\u00e1rios.<\/p>\n<p><!--more-->O conselho pol\u00edtico acatou os argumentos de Temer. Na manh\u00e3 da quinta-feira, o vice-presidente convenceu a c\u00fapula do PMDB a aceitar a estrat\u00e9gia. \u00c0 tarde, o col\u00e9gio de l\u00edderes da C\u00e2mara concordou em votar o projeto de lei do sal\u00e1rio m\u00ednimo nesta semana.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio narrado acima revela com perfei\u00e7\u00e3o o papel assumido pelo vice da presidenta Dilma Rousseff. Temer est\u00e1 destinado a ser mais ativo que seus antecessores mais recentes. O ex-senador Marco Maciel foi o vice perfeito na defini\u00e7\u00e3o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso porque n\u00e3o criava problemas, mas essa qualidade estava relacionada \u00e0 absoluta discri\u00e7\u00e3o com que se movia, a ponto de quase n\u00e3o ser notado. Jos\u00e9 Alencar, o vice de Lula, catalisou as aten\u00e7\u00f5es com sua luta contra o c\u00e2ncer e ocupou o Minist\u00e9rio da Defesa, mas seus momentos de maior protagonismo pol\u00edtico ocorreram quando fez cr\u00edticas \u00e0 pol\u00edtica de juros do Banco Central. Os 40 primeiros dias de mandato demonstraram que a presidenta Dilma Rousseff parece decidida a adotar um modelo diferente para Temer, com quem pretende dividir muitas atribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>O Egito depois de Mubarak<\/strong><\/p>\n<p>Livre! O Egito est\u00e1 livre! N\u00e3o poderia haver grito mais emocionante para uma multid\u00e3o estimada em 300 mil pessoas, que ocupava a Pra\u00e7a Tahrir, no Cairo. Para quem n\u00e3o vive numa autocracia, s\u00f3 o tempo pode servir de medida para entender a euforia, na pra\u00e7a, dos representantes de 80 milh\u00f5es de eg\u00edpcios: foram 29 anos e tr\u00eas meses de um regime com controle total do pa\u00eds. Em 18 dias, a o-posi\u00e7\u00e3o se uniu, a repress\u00e3o ruiu, o Ex\u00e9rcito aderiu e o ditador caiu. Dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia jamais haviam conhecido outro governante. Em 18 dias, eles atingiram a maioridade.<\/p>\n<p>Mubarak pode ter ca\u00eddo, mas o regime que ele representava sobrevive. Os militares, admirados pela popula\u00e7\u00e3o, comandam o Egito desde sua independ\u00eancia, em 1952. Nessas seis d\u00e9cadas, o pa\u00eds teve apenas outros dois governantes: o nacionalista Gamal Abdel Nasser e o homem que fez a paz com Israel, Anwar al-Sadat. Mubarak n\u00e3o tinha o carisma de nenhum deles. Era vice de Sadat e escapou com leves ferimentos do atentado que matou o presidente, em 1981, perpetrado por radicais isl\u00e2micos. Paranoico com seguran\u00e7a, especialmente depois de escapar ele pr\u00f3prio de atentados, governou com apoio da lei marcial, sendo reeleito por meio de referendos fraudados at\u00e9 2005, quando passou a se reeleger por meio de elei\u00e7\u00f5es fraudadas.<\/p>\n<p>O Conselho Supremo ter\u00e1, de alguma forma, de dar sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0s for\u00e7as pol\u00edticas ligadas a Mubarak. O governista Partido Nacional Democr\u00e1tico foi praticamente desmantelado e n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es para, sozinho, se reestruturar a tempo de disputar as elei\u00e7\u00f5es. Em tese, se os militares apenas fizerem o trabalho de organizar a transi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma outra institui\u00e7\u00e3o organizada para en-frentar a oposi\u00e7\u00e3o. O vice Omar Suleiman era um nome representativo, principalmente por ser simp\u00e1tico aos antigos aliados de Mubarak, mas o fato de tamb\u00e9m ter sido afastado do poder d\u00e1 a entender que sua exposi\u00e7\u00e3o diminuir\u00e1.<\/p>\n<p>Uma das possibilidades mais fortes \u00e9 que o Egito siga o modelo adotado pela Turquia, igualmente um pa\u00eds populoso (72 milh\u00f5es de habitantes) com um movimento isl\u00e2mico bem organizado e as For\u00e7as Armadas influentes. Ap\u00f3s golpes nos anos de 1960 e 1980, os militares turcos assumiram o controle e promoveram elei\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas ap\u00f3s um e tr\u00eas anos, respectivamente. As For\u00e7as Armadas tiveram um papel importante na conten\u00e7\u00e3o do radicalismo isl\u00e2mico. A import\u00e2ncia deles no governo s\u00f3 diminuiu em 2002, quando houve elei\u00e7\u00f5es e o Partido da Justi\u00e7a e Desenvolvimento (AKP, em turco), de orienta\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica moderada, chegou ao poder.<\/p>\n<p><strong>A tesoura de R$ 50 bilh\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Os \u00faltimos quatro anos da gest\u00e3o Lula foram de prosperidade. As despesas do governo cresceram 59% no per\u00edodo. Especialmente em 2009 e 2010, essa expans\u00e3o foi justificada como uma maneira de combater a crise econ\u00f4mica mundial. A estrat\u00e9gia fez efeito. O impacto da crise no Brasil foi pequeno se comparado ao resto do mundo. Em 2010, o crescimento j\u00e1 havia sido retomado, enquanto outros pa\u00edses at\u00e9 hoje se debatem em meio \u00e0 derrocada internacional. Desde o ano passado, por\u00e9m, economistas alertavam sobre a necessidade de conter os gastos para evitar problemas de outra natureza, como infla\u00e7\u00e3o e desequil\u00edbrio nas contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Durante a campanha eleitoral, a ent\u00e3o candidata Dilma Rousseff negava a necessidade de ajustes. Na semana passada, o \u00f3bvio aconteceu. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, anunciaram um plano para cortar R$ 50 bilh\u00f5es nos gastos previstos no Or\u00e7amento da Uni\u00e3o para este ano. An\u00fancios de corte de despesas sempre ocorrem nesta \u00e9poca do ano. Mas esse \u00e9 recorde. A conta chegou.<\/p>\n<p>A equipe econ\u00f4mica assegurou que o enxugamento de R$ 50 bilh\u00f5es n\u00e3o poupar\u00e1 nenhum minist\u00e9rio. Entre as medidas anunciadas est\u00e3o a suspens\u00e3o de concursos e a redu\u00e7\u00e3o de repasses do Tesouro Nacional para o caixa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES). O governo prometeu tamb\u00e9m auditoria em sal\u00e1rios e aposentadorias, redu\u00e7\u00e3o das despesas com viagens, compras compartilhadas e proibi\u00e7\u00e3o de aquisi\u00e7\u00e3o ou loca\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis. Das despesas pass\u00edveis de corte (o que exclui sal\u00e1rios, aposentadorias e gastos m\u00ednimos com sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o), escaparam apenas os programas sociais e os investimentos do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC).<\/p>\n<p><strong>Os superpoderes de Meirelles<\/strong><\/p>\n<p>Na cerim\u00f4nia realizada em Copenhague, na Dinamarca, em outubro de 2009, para anunciar a sede dos Jogos Ol\u00edmpicos de 2016, o ent\u00e3o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi um dos mais efusivos integrantes da delega\u00e7\u00e3o brasileira na festa pela escolha do Rio de Janeiro. Respons\u00e1vel pela estabilidade do real nos dois mandatos de Lula, Meirelles fizera poucas horas antes uma exposi\u00e7\u00e3o para convencer os organizadores das Olimp\u00edadas de que a economia brasileira atravessa bom momento, o que ajudaria a realizar o megaevento esportivo no Brasil. Quase um ano e meio depois da solenidade de Copenhague, a presidenta Dilma Rousseff deu a Meirelles um papel ainda mais relevante em rela\u00e7\u00e3o aos Jogos: o ex-presidente do BC foi convidado para chefiar a Autoridade P\u00fablica Ol\u00edmpica (APO), a entidade estatal que vai comandar os preparativos para as Olimp\u00edadas.<\/p>\n<p>A APO \u00e9 um cons\u00f3rcio formado pelos governos federal, estadual e a prefeitura do Rio. Seu modelo foi inspirado nas experi\u00eancias de Sydney (2000), uma das Olimp\u00edadas mais bem-sucedidas da hist\u00f3ria, e Londres (2012). Em Londres, a Autoridade Ol\u00edmpica divulga imagens em tempo real dos canteiros para que a popula\u00e7\u00e3o monitore o est\u00e1gio dos trabalhos. A cria\u00e7\u00e3o da APO foi apresentada ao Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional (COI) como uma das 308 garantias para a promo\u00e7\u00e3o das Olimp\u00edadas no Brasil. Entre suas principais atribui\u00e7\u00f5es est\u00e1 a aprova\u00e7\u00e3o dos projetos e a supervis\u00e3o das obras e da implanta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os necess\u00e1rios para os Jogos, estimados em R$ 23 bilh\u00f5es, com a qualidade exigida pelo COI e dentro dos prazos e custos estabelecidos. A APO contar\u00e1 com poderes especiais para assumir o comando de uma obra que esteja emperrada.<\/p>\n<p>Meirelles reservadamente j\u00e1 comunicou a Dilma que topa a miss\u00e3o. Para ser formalizado como presidente da APO, ele aguarda a vota\u00e7\u00e3o pelo Congresso da medida provis\u00f3ria (MP) que cria a entidade. A MP estabelece mecanismos para acelerar contrata\u00e7\u00f5es e evitar atrasos no cronograma. Uma das novidades \u00e9 a possibilidade de realizar licita\u00e7\u00f5es de obras de forma mais r\u00e1pida. A proposta foi encaminhada ao Congresso pelo governo em setembro. A MP seria votada na semana passada, mas o governador do Rio de Janeiro, S\u00e9rgio Cabral, e o prefeito da cidade, Eduardo Paes, inquietos com a perspectiva de terem menos poderes do que Meirelles na prepara\u00e7\u00e3o das Olimp\u00edadas, pediram mais tempo para discutir com o Planalto os termos da proposta. Um ponto de atrito \u00e9 o artigo que prev\u00ea maioria de representantes do governo federal no conselho que nortear\u00e1 as decis\u00f5es da APO. Cabral e Paes querem audi\u00eancia com Dilma Rousseff nesta semana para tratar do assunto. \u201cCom a demora na aprova\u00e7\u00e3o da MP, estamos perdendo a chance de fazer um planejamento melhor\u201d, afirma Ricardo Leyser, secret\u00e1rio nacional de Esporte de Alto Rendimento.<\/p>\n<p><strong>O ci\u00fame est\u00e1 no ar<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s 40 dias de mandato, a semana passada marcou o per\u00edodo de maior exposi\u00e7\u00e3o da presidenta Dilma Rousseff e de seu criador e antecessor, o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Dilma falou pela primeira vez em cadeia de r\u00e1dio e televis\u00e3o. Lula foi a Dacar, no Senegal, para participar do F\u00f3rum Social Mundial. O ponto alto foi o encontro dos dois na festa de 31 anos do PT, em Bras\u00edlia. A seu estilo, Lula fez um discurso inflamado. De camisa vermelha, ele usou frases populares, fez piadas e atacou a oposi\u00e7\u00e3o e a m\u00eddia. De roupa discreta, Dilma chegou \u00e0 festa no final, n\u00e3o disse nada e apenas cortou o bolo de anivers\u00e1rio com Lula.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a de comportamento entre Lula e Dilma na festa se reflete na rotina de governo. Dilma fala muito menos que ele em p\u00fablico. Fica mais em Bras\u00edlia e viaja menos. N\u00e3o atrasa audi\u00eancias. Nas reuni\u00f5es, prefere dar mais \u00eanfase a assuntos de gest\u00e3o que aos temas pol\u00edticos. N\u00e3o demonstra intimidade com sindicalistas, parlamentares ou dirigentes partid\u00e1rios. Enquanto Lula gostava de conversas sobre temas como pescarias e futebol, Dilma prefere literatura e arte. Ap\u00f3s oito anos de conviv\u00eancia com Lula, alguns petistas e aliados ainda n\u00e3o se acostumaram ao estilo de Dilma. Muitos tamb\u00e9m n\u00e3o aceitam o fato de terem perdido poder de influ\u00eancia e cargos no governo.<br \/>\n<em>Isto\u00e9<\/em><\/p>\n<p><strong>A boa vida dos mensaleiros do DEM<\/strong><\/p>\n<p>Em novembro de 2009, a Opera\u00e7\u00e3o Caixa de Pandora da Pol\u00edcia Federal exp\u00f4s em Bras\u00edlia um dos mais bem comprovados esquemas de corrup\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do Pa\u00eds: o mensal\u00e3o do DEM. Nas imagens gravadas, pol\u00edticos e empres\u00e1rios da capital federal, sem o m\u00ednimo pudor, guardavam dinheiro nas meias, bolsas e at\u00e9 na cueca. Apesar das evid\u00eancias e dos flagrantes, o caso est\u00e1 empacado na Justi\u00e7a. At\u00e9 hoje a Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica n\u00e3o apresentou a den\u00fancia. Enquanto isso, os principais envolvidos no esquema desfrutam de vida privilegiada. Um dos exemplos \u00e9 o ex-governador do DF Jos\u00e9 Roberto Arruda. Flagrado embolsando um ma\u00e7o de c\u00e9dulas com R$ 50 mil, ele passou Natal e R\u00e9veillon fazendo compras em Nova York. No m\u00eas passado, bronzeou-se na praia de Morro de S\u00e3o Paulo, na Bahia. Depois, foi descansar em Fortaleza. Em sua rotina em Bras\u00edlia, o ex-governador frequenta uma sofisticada academia de gin\u00e1stica no setor sudoeste, onde malha tr\u00eas vezes por semana. \u201cSou ficha limpa, sou virgem\u201d, comenta Arruda com seus amigos.<\/p>\n<p>Mesmo com a corrup\u00e7\u00e3o documentada e exibida em rede nacional de tev\u00ea, Arruda ainda est\u00e1 longe de se transformar em r\u00e9u. Apontado como chefe da organiza\u00e7\u00e3o criminosa, o ex-governador do DF virou testemunha de acusa\u00e7\u00e3o contra desafetos pol\u00edticos. Ele prestou depoimento \u00e0 Procuradoria Regional da Rep\u00fablica, em Bras\u00edlia, sustentando que a promotora Deborah Guerner dissera a ele ter recebido R$ 2,4 milh\u00f5es do ex-governador Joaquim Roriz. O objetivo da suposta propina era para que Roriz n\u00e3o fosse denunciado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico. Nas conversas com ex-colegas de partido, Arruda se vangloria tamb\u00e9m de possuir hoje 200 mil votos em Bras\u00edlia, com os quais poderia ficar entre os deputados federais mais votados. \u201cO Arruda ainda tem 6% do eleitorado\u201d, diz um ex-correligion\u00e1rio. Arruda mora no requintado Setor de Mans\u00f5es Park Way, um dos bairros mais caros da capital. O ex-governador gosta de caminhar pela manh\u00e3 com sua jovem esposa, Fl\u00e1via, no Parque \u00c1guas Claras, ao lado da resid\u00eancia oficial do governador do DF.<\/p>\n<p>O ex-vice-governador Paulo Oct\u00e1vio, que renunciou ao cargo de governador ap\u00f3s 11 dias na cadeira, voltou a comandar suas 16 empresas na \u00e1rea da constru\u00e7\u00e3o civil e incorpora\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, nas quais emprega cinco mil funcion\u00e1rios. Em entrevista \u00e0 ISTO\u00c9, ele diz que deixou o governo porque tinha que preservar seu neg\u00f3cio. \u201cTenho 40 anos de vida empresarial e n\u00e3o poderia ver minha imagem sendo manchada\u201d, diz Paulo Oct\u00e1vio, que \u00e9 casado com a neta do ex-presidente Juscelino Kubitschek. \u201c\u00c9 bom esclarecer que n\u00e3o tive sigilo quebrado, n\u00e3o sou uma das pessoas que t\u00eam fita, v\u00eddeo, grava\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sofri nenhuma penalidade.\u201d O empres\u00e1rio ainda n\u00e3o sabe se vai retornar \u00e0 vida p\u00fablica, ap\u00f3s o julgamento do mensal\u00e3o do DEM. \u201cTenho que refletir, foi um golpe muito duro\u201d, diz Paulo Oct\u00e1vio. \u201cVivo um per\u00edodo sab\u00e1tico.\u201d<\/p>\n<p><strong>Chantagem sindical<\/strong><\/p>\n<p>Na quarta-feira 16, uma trupe de sindicalistas de todos os matizes desembarcar\u00e1 em Bras\u00edlia para pressionar deputados e senadores a votar contra o projeto do governo que reajusta o sal\u00e1rio m\u00ednimo para R$ 545. Na contabilidade das centrais sindicais, o governo pode oferecer mais e, por isso, elas querem empurrar o Congresso Nacional a decidir por um piso salarial de pelo menos R$ 560. O que est\u00e1 por tr\u00e1s dessa estridente movimenta\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o \u00e9 apenas uma diferen\u00e7a de R$ 15. A demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a da blitz sindical esconde, na verdade, outra inten\u00e7\u00e3o: a defesa de benesses conseguidas no governo passado. Hoje, representantes das diferentes centrais sindicais brasileiras ocupam mais de 1,3 mil cargos na administra\u00e7\u00e3o federal e t\u00eam sob seu poder um or\u00e7amento anual superior a R$ 200 bilh\u00f5es. E eles temem que a presidente Dilma Rousseff, sem o mesmo v\u00ednculo hist\u00f3rico de Lula com o sindicalismo, mexa neste imp\u00e9rio. A decis\u00e3o do governo de n\u00e3o ampliar as negocia\u00e7\u00f5es em torno do sal\u00e1rio m\u00ednimo ati\u00e7ou ainda mais as suspeitas.<\/p>\n<p>Percebendo riscos ao reinado conquistado nos \u00faltimos quatro anos, as centrais decidiram reagir. Optaram por quebrar o acordo firmado com Lula em 2007, pelo qual o m\u00ednimo seria reajustado pela infla\u00e7\u00e3o e o crescimento do PIB dos dois anos anteriores, e partiram para o confronto aberto com o governo. A luta renhida pelo aumento de apenas R$ 15 \u2013 o que representa um impacto de 2,7 bilh\u00f5es aos cofres p\u00fablicos \u2013 \u00e9 uma demarca\u00e7\u00e3o de terreno nesse momento de composi\u00e7\u00e3o do segundo escal\u00e3o. Por mais paradoxal que possa parecer, o grande alvo de embate para os sindicatos hoje n\u00e3o s\u00e3o mais os patr\u00f5es, mas sim um governo que tem o sindicalismo em sua base e hoje sustenta as centrais com o imposto sindical.<\/p>\n<p><strong>Motim na Abin<\/strong><\/p>\n<p>Sucessora do extinto Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI), a Ag\u00eancia Brasileira de Intelig\u00eancia (Abin) \u00e9 mantida, desde sua cria\u00e7\u00e3o, sob estrito controle militar. Agora este comando est\u00e1 sendo confrontado por um barulhento grupo de agentes concursados, insatisfeitos com o que chamam de \u201cheran\u00e7a maldita dos tempos da ditadura militar\u201d. Os arapongas resolveram rebelar-se, num ensaio de motim, e, pela primeira vez na hist\u00f3ria dos servi\u00e7os de intelig\u00eancia, tornam p\u00fablico o que pensam. Oficiais da Abin sem rela\u00e7\u00e3o direta com os militares divulgaram uma carta de protesto pedindo \u00e0 presidente Dilma Rousseff mudan\u00e7as na dire\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia. No texto, a rec\u00e9m-fundada Associa\u00e7\u00e3o de Oficiais de Intelig\u00eancia (Aofi) exige que o \u00f3rg\u00e3o saia da estrutura do Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional (GSI), comandado hoje pelo general Jos\u00e9 Elito Siqueira. \u201cA exemplo do que \u00e9 vigente nas democracias modernas, acreditamos que o servi\u00e7o de intelig\u00eancia deve ter acesso direto ao chefe de governo\u201d, diz a associa\u00e7\u00e3o. A Aofi, que representa 170 dos 650 funcion\u00e1rios concursados, considera que a ag\u00eancia ainda \u00e9 \u201cref\u00e9m do legado do SNI\u201d.<\/p>\n<p>A demanda por mudan\u00e7as na estrutura da Abin ganhou for\u00e7a com a posse de Dilma. Por seu passado de prisioneira pol\u00edtica, a presidente, conforme os boatos que circularam na comunidade de informa\u00e7\u00f5es, estaria determinada a promover uma profunda reforma no setor. Mas a nomea\u00e7\u00e3o do general Jos\u00e9 Elito para o comando do \u00f3rg\u00e3o frustrou essas expectativas. Jos\u00e9 Elito, desde sua posse, n\u00e3o deu nenhuma aten\u00e7\u00e3o aos focos de insatisfa\u00e7\u00e3o. Na segunda-feira 7, por\u00e9m, ele precisou convocar uma reuni\u00e3o de emerg\u00eancia na Abin para tentar acalmar a insurrei\u00e7\u00e3o que j\u00e1 avan\u00e7ava. No dia seguinte, o general ainda tentou conversar sobre o tema com Dilma, ao encontr\u00e1-la pela manh\u00e3 na garagem do Pal\u00e1cio do Planalto. Mas a conversa n\u00e3o prosperou. Pesa contra Jos\u00e9 Elito o constrangimento que ele criou para a presidente quando, no in\u00edcio de janeiro, declarou que a exist\u00eancia de \u201cdesaparecidos pol\u00edticos\u201d no Brasil n\u00e3o era motivo de vergonha.<br \/>\n<em>Carta Capital<\/em><\/p>\n<p><strong>De quem \u00e9 o PSDB?<\/strong><\/p>\n<p>A posse dos novos deputados federais e senadores, em 1o de fevereiro, marcou tamb\u00e9m o fim das f\u00e9rias da oposi\u00e7\u00e3o. Iludiu-se, por\u00e9m, quem espera a apresenta\u00e7\u00e3o de uma agenda de contraposi\u00e7\u00e3o ao governo Dilma Rousseff. Em vez disso, a plateia assiste a um bate-boca entre os grupos que disputam a hegemonia no PSDB e em seu sat\u00e9lite, o DEM. Alguns lances poderiam ser confundidos com brigas familiares no sub\u00farbio, o que levou um gaiato e experiente senador a sugerir a Carta Capital que, por tr\u00e9s das cenas expl\u00edticas de descortesia, talvez esteja uma estrat\u00e9gia das legendas de se aproximar das massas.<\/p>\n<p>A contenda parece favor\u00e1vel a A\u00e9cio. Enquanto Serra conta com o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e a velha simpatia da m\u00eddia, em especial a paulista, o senador mineiro acumula cada vez mais for\u00e7a no tucanato, tem a prefer\u00eancia inconteste das lideran\u00e7as que hoje importam no DEM e transita bem em alas do governismo &#8211; PSB, PDT e PP apreciam seu estilo. Al\u00e9m disso, unicos pela avers\u00e3o a Serra, A\u00e9cio e o governador paulista Geraldo Alckmin teriam feito um acordo: trabalhar em conjunto para enterrar o serrismo e dividir o comando da legenda. Antes desconfort\u00e1vel no PSDB, a ponto de discutir no ano passado sua desfilia\u00e7\u00e3o, o neto de Tancredo parece ter o ninho \u00e0 sua inteira disposi\u00e7\u00e3o. Tanto que a boataria sobre quem poderia deixar o partido se inverteu. Agora \u00e9 Serra quem teria cogitado sair, espalha-se na pra\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9poca A outra face do governo Na segunda-feira da semana passada, o vice-presidente Michel Temer participou da reuni\u00e3o do conselho pol\u00edtico com a presidenta Dilma Rousseff, os ministros Antonio Palocci, da Casa Civil, Luiz S\u00e9rgio, das Rela\u00e7\u00f5es Institucionais, o l\u00edder do governo na C\u00e2mara, C\u00e2ndido Vaccarezza (PT-SP), e o l\u00edder do PMDB na C\u00e2mara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). At\u00e9 aquele momento, o governo pretendia enviar ao Congresso uma medida provis\u00f3ria para fixar o sal\u00e1rio m\u00ednimo em R$ 545. Temer sugeriu outro caminho. Segundo ele, um projeto de lei seria mais eficiente para aprovar uma mat\u00e9ria t\u00e3o fundamental quanto pol\u00eamica,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-27554","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":488,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27554","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27554"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27554\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27555,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27554\/revisions\/27555"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27554"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27554"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27554"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}