{"id":27546,"date":"2011-02-14T07:29:00","date_gmt":"2011-02-14T10:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=27546"},"modified":"2011-02-14T07:29:00","modified_gmt":"2011-02-14T10:29:00","slug":"40-da-mortalidade-de-pacientes-com-aids-esta-ligada-a-diagnostico-tardio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2011\/02\/14\/40-da-mortalidade-de-pacientes-com-aids-esta-ligada-a-diagnostico-tardio\/","title":{"rendered":"40% da mortalidade de pacientes com aids est\u00e1 ligada a diagn\u00f3stico tardio"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>L\u00edgia Formenti \/ BRAS\u00cdLIA &#8211; O Estado de S.Paulo<\/strong><\/em><\/p>\n<div>\n<p>Estudo in\u00e9dito coordenado pelo pesquisador da Universidade S\u00e3o Paulo (USP) Alexandre Grangeiro mostra que 40% da mortalidade de aids no Brasil est\u00e1 associada ao diagn\u00f3stico tardio, o que poderia explicar a pequena redu\u00e7\u00e3o da taxas de \u00f3bito na d\u00e9cada. Em 2001, foram registradas 6,4 mortes a cada 100 mil habitantes. Em 2009, o \u00edndice foi de 6,2 por 100 mil habitantes.<\/p>\n<p>\u00a0&#8220;O fim do diagn\u00f3stico tardio poderia gerar uma redu\u00e7\u00e3o na mortalidade equivalente \u00e0quela registrada com o in\u00edcio do uso de rem\u00e9dios antiaids&#8221;, avalia o pesquisador. Com os antirretrovirais, a taxa de mortalidade pela doen\u00e7a foi reduzida em 43%. Se o diagn\u00f3stico tardio fosse superado, essa queda poderia chegar a 62,5%. &#8220;A identifica\u00e7\u00e3o de pacientes poderia ter poupado a vida de 17 mil pessoas em quatro anos&#8221;, calcula Grangeiro.<\/p>\n<p><!--more-->Outro dado apontado pelo trabalho explica o motivo: uma pessoa que inicia tardiamente o tratamento tem um risco 49 vezes maior de morrer do que outra que come\u00e7a o acompanhamento no per\u00edodo adequado.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico tardio \u00e9 um problema h\u00e1 tempos identificado pelas autoridades sanit\u00e1rias. Mas, at\u00e9 o trabalho conduzido por Grangeiro, n\u00e3o havia dados que revelassem o impacto dessa demora nas estat\u00edsticas de morte.<\/p>\n<p>Para fazer o estudo, o grupo acompanhou dados de mortalidade de pacientes atendidos nos servi\u00e7os p\u00fablicos do Pa\u00eds entre 2003 e 2006. Dos 115.369 pacientes analisados, 43,6% iniciaram tardiamente o tratamento. Um porcentual classificado com mediano, em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses. No continente africano, a taxa de diagn\u00f3stico tardio em boa parte dos pa\u00edses \u00e9 de cerca de 70%. Entre pa\u00edses desenvolvidos, esse \u00edndice chega a 20%.<\/p>\n<p>&#8220;O problema ganha dimens\u00f5es importantes quando analisamos as condi\u00e7\u00f5es do Brasil, em que pacientes t\u00eam garantido o acesso a um tratamento eficaz&#8221;, ressalta Grangeiro. Do grupo analisado no trabalho, 12% morreram nos primeiros 20 dias da chegada ao servi\u00e7o de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Mais afetados. O diagn\u00f3stico tardio, de acordo com trabalho, \u00e9 mais frequente entre homens, pessoas com faixa et\u00e1ria acima dos 40 anos, residentes das Regi\u00f5es Norte e Nordeste. Justamente o perfil do grupo de pessoas que t\u00eam menor acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade.<\/p>\n<p>O diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Dirceu Greco, afirma que o governo federal est\u00e1 atento ao problema. Ele observa que v\u00e1rias iniciativas v\u00eam sendo adotadas ao longo dos \u00faltimos anos: a oferta de testes r\u00e1pidos e campanhas informando a import\u00e2ncia do diagn\u00f3stico precoce.<\/p>\n<p>O primeiro grande movimento foi desencadeado em 2003, com o Fique Sabendo. &#8220;Mas, como outras a\u00e7\u00f5es na sa\u00fade, n\u00e3o h\u00e1 um caminho \u00fanico para solucionar o problema. A estrat\u00e9gia da Regi\u00e3o Sul, por exemplo, pode n\u00e3o ter o mesmo impacto na Regi\u00e3o Norte&#8221;, observa.<\/p>\n<p>Uma das a\u00e7\u00f5es consideradas importantes \u00e9 o esclarecimento nas escolas. &#8220;O chamado se multiplica: ele n\u00e3o fica apenas entre alunos, porque eles levam a informa\u00e7\u00e3o para casa&#8221;, observa.<\/p>\n<p>Grangeiro e Grecco atribuem o atraso do diagn\u00f3stico a uma s\u00e9rie de fatores. Parte da popula\u00e7\u00e3o tem dificuldade de acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade; outra, resiste em procurar m\u00e9dicos. &#8220;Mas h\u00e1 ainda dois fatores fundamentais: pessoas n\u00e3o se consideram sob o risco da infec\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do estigma que ainda envolve a doen\u00e7a&#8221;, aponta Grecco.<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00e3o. O diretor diz que uma pol\u00edtica que dever\u00e1 ser refor\u00e7ada nos pr\u00f3ximos meses o deixa confiante: a difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es por meio da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. &#8220;Para atendimento de casos diagnosticados, temos uma rede bem estruturada. Precisamos ofertar na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica uma rede de diagn\u00f3stico tamb\u00e9m com capilaridade e boa organiza\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Uma das apostas \u00e9 a de refor\u00e7ar o trabalho de informa\u00e7\u00e3o por meio de agentes do Programa de Sa\u00fade da Fam\u00edlia. &#8220;Eles n\u00e3o fariam o exame, mas alertariam sobre a import\u00e2ncia de sua realiza\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Grecco.<\/p>\n<p>Grangeiro avalia que o esfor\u00e7o adotado pelo governo nos \u00faltimos anos foi fundamental para reduzir o diagn\u00f3stico tardio. &#8220;Houve uma melhora importante, mas entre a popula\u00e7\u00e3o em geral&#8221;, observa. Ele ressalta que, entre grupos com maior risco da doen\u00e7a (homens que fazem sexo com homens e profissionais do sexo, por exemplo), o impacto de campanhas n\u00e3o apresentou o efeito esperado. &#8220;Eles se mostraram mais refrat\u00e1rios a essas a\u00e7\u00f5es gerais. Algo que deixa clara a import\u00e2ncia de refor\u00e7ar medidas espec\u00edficas.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00edgia Formenti \/ BRAS\u00cdLIA &#8211; O Estado de S.Paulo Estudo in\u00e9dito coordenado pelo pesquisador da Universidade S\u00e3o Paulo (USP) Alexandre Grangeiro mostra que 40% da mortalidade de aids no Brasil est\u00e1 associada ao diagn\u00f3stico tardio, o que poderia explicar a pequena redu\u00e7\u00e3o da taxas de \u00f3bito na d\u00e9cada. Em 2001, foram registradas 6,4 mortes a cada 100 mil habitantes. Em 2009, o \u00edndice foi de 6,2 por 100 mil habitantes. \u00a0&#8220;O fim do diagn\u00f3stico tardio poderia gerar uma redu\u00e7\u00e3o na mortalidade equivalente \u00e0quela registrada com o in\u00edcio do uso de rem\u00e9dios antiaids&#8221;, avalia o pesquisador. 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