{"id":27368,"date":"2011-02-10T07:35:38","date_gmt":"2011-02-10T10:35:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=27368"},"modified":"2011-02-10T07:35:38","modified_gmt":"2011-02-10T10:35:38","slug":"corte-no-orcamento-tem-reflexo-na-votacao-do-minimo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2011\/02\/10\/corte-no-orcamento-tem-reflexo-na-votacao-do-minimo\/","title":{"rendered":"Corte no or\u00e7amento tem reflexo na vota\u00e7\u00e3o do m\u00ednimo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/congressoemfoco.uol.com.br\/noticia.asp?cod_canal=1&amp;cod_publicacao=36025\">O corte de R$ 50 bilh\u00f5es no or\u00e7amento anunciado ontem (9) pelo governo<\/a>\u00a0vai influenciar, de alguma maneira, na vota\u00e7\u00e3o do aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Atualmente o piso \u00e9 R$ 540, o Planalto acena com um projeto nesta semana que fixa o valor em R$ 545, mas as oposi\u00e7\u00f5es e as centrais defendem at\u00e9 R$ 600. Paralelamente, o corte anunciado inclui R$ 18 bilh\u00f5es em emendas dos congressistas, ou 85% dos R$ 21 bilh\u00f5es aprovados pelos pr\u00f3prios parlamentares.<br \/>\nDeputados da base e da oposi\u00e7\u00e3o ouvidos pelo <strong>Congresso em Foco<\/strong> admitiram duas possibilidades de efeito da medida do governo. A primeira \u00e9 alguma perda de votos nas fileiras do governo, que ter\u00e1 que ser administrada para n\u00e3o virar derrota, embora isso seja improv\u00e1vel neste momento. A segunda op\u00e7\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 primeira. Preocupados em recuperar suas emendas individuais futuramente \u2013 \u201cN\u00e3o h\u00e1 corte, h\u00e1 contingenciamento\u201d, dizem os l\u00edderes da base \u2013, os deputados votariam fielmente ao Executivo, para garantir a libera\u00e7\u00e3o das verbas no fim do ano ou no in\u00edcio de 2012, como restos a pagar.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nO l\u00edder do PTB na C\u00e2mara \u00e9 um dos que acham que est\u00e1 garantida a aprova\u00e7\u00e3o a vota\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo do jeito que quer Dilma Rousseff. \u201cSe o voto for aberto, n\u00e3o perde nada\u201d, afirmou o l\u00edder do PTB na C\u00e2mara, Jovair Arantes (GO). \u201cGoverno \u00e9 governo. Se ele n\u00e3o \u00e9 convencido do ponto de vista ideol\u00f3gico&#8230;\u201d, continuou, ao se referir \u00e0s emendas. \u201cSeu patr\u00e3o o trata de uma forma mais correta se voc\u00ea for mais correto com ele\u201d, comparou. Rindo, um colega de oposi\u00e7\u00e3o ao lado de Jovair dizia concordar com tudo.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o no Senado tamb\u00e9m interpretou dessa maneira o corte de Dilma. &#8220;Isso vai ser usado para conter dissid\u00eancias favor\u00e1veis a um sal\u00e1rio m\u00ednimo maior. Fica uma amea\u00e7a de que os cortes [nas emendas] podem ser maiores se houver dissid\u00eancias&#8221;, afirmou \u00e0 Folha.com o l\u00edder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR).<\/p>\n<p>O l\u00edder do PSDB na C\u00e2mara, Duarte Nogueira (SP), chegou a dizer ao <strong>Congresso em Foco<\/strong> que o governo fez os cortes agora por n\u00e3o ter certeza de que a base votaria unida pelo sal\u00e1rio m\u00ednimo. Mas ele evitou classificar a\u00a0associa\u00e7\u00e3o entre as duas coisas\u00a0como barganha pol\u00edtica.<br \/>\n\u00a0<br \/>\n<strong>Esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>A possibilidade de os cortes darem efeito contr\u00e1rio e aumentarem as insatisfa\u00e7\u00f5es na base aliada \u00e9 alimentada com esperan\u00e7a pelos parlamentares ligados \u00e0s centrais sindicais, que j\u00e1 negociam uma estrat\u00e9gia com a oposi\u00e7\u00e3o. O risco tamb\u00e9m \u00e9 admitido por alguns petistas. \u201cEvidente que a base de 380 votos para a pr\u00f3xima vota\u00e7\u00e3o n\u00f3s n\u00e3o vamos ter. Isso vai variar. Mas eu acho que a maioria a gente tem\u201d, avaliou o ex-l\u00edder do PT na C\u00e2mara Fernando Ferro (PE). Ele disse ser preciso continuar negociando com os partidos aliados, incluindo as nomea\u00e7\u00f5es do segundo escal\u00e3o do governo, para garantir a aprova\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria sem sustos.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o quer pegar carona no movimento das centrais para tentar elevar o valor do m\u00ednimo acima dos R$ 545 e assim causar uma derrota ao governo Dilma. Na ter\u00e7a-feira que vem (15), sindicalistas e integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) v\u00e3o a Bras\u00edlia pressionar por um piso salarial de R$ 580.<\/p>\n<p>Ontem os deputados Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da For\u00e7a Sindical, e Roberto Santiago (PV-SP), vice-presidente da Uni\u00e3o Geral dos Trabalhadores (UGT), se reuniram com os l\u00edderes do PSDB e DEM. As centrais querem o apoio do PSDB, DEM e PPS para fazerem, sem apoio formal das lideran\u00e7as do PDT e PV, emendas e destaques ao projeto do governo que ainda vai chegar. ACM Neto (DEM-BA) e Duarte Nogueira (PSDB-SP), que defendem valores um pouco diferentes dos sindicalistas, se comprometeram a conversar e a se unirem a eles, porque, afinal, todos querem um sal\u00e1rio m\u00ednimo maior do que o proposto por Dilma Rousseff e sua equipe econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Nas contas de Paulinho, todos os colegas do PDT v\u00e3o assinar emenda por um m\u00ednimo de R$ 580. Nas de Santiago, que vai propor emenda de R$ 560, \u00e9 poss\u00edvel colher as 103 assinaturas necess\u00e1rias para propor a altera\u00e7\u00e3o. Ambos concordam que, pelo menos, \u00e9 poss\u00edvel dificultar a vida dos governistas fi\u00e9is a Dilma.<\/p>\n<p>\u201cO governo vai abrir negocia\u00e7\u00e3o\u201d, acredita Santiago. Na segunda-feira, ele vai propor uma emenda de R$ 560, equivalente a aumento de 3% acima da infla\u00e7\u00e3o. Santiago quer que esse percentual seja descontado do reajuste que ser\u00e1 concedido em 2012. Para o ano que vem, a previs\u00e3o \u00e9 que o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo seja de 12% a 14%, sem considerar a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Dificuldade sim, derrota n\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O l\u00edder do DEM, ACM Neto, diz que a bancada tem a tend\u00eancia de propor uma emenda para o sal\u00e1rio ser de R$ 565. Ele acredita que o corte or\u00e7ament\u00e1rio e nas emendas dos deputados vai piorar a tramita\u00e7\u00e3o do m\u00ednimo na Casa. \u201c\u00c9 imposs\u00edvel que n\u00e3o haja uma rea\u00e7\u00e3o, principalmente na base. \u00c9 bom pra gente\u201d, afirmou Neto.<\/p>\n<p>O deputado n\u00e3o acredita, por\u00e9m, que a mudan\u00e7a de humor dos parlamentares possa decretar uma derrota ao governo, tendo em vista a ampla maioria da base aliada na C\u00e2mara. ACM Neto acredita num clima de insatisfa\u00e7\u00e3o futura. \u201cL\u00e1 na frente vem o troco\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>O PSDB de Duarte Nogueira fechou quest\u00e3o e vai defender os R$ 600 at\u00e9 o fim. Mas ele n\u00e3o descarta se unir \u00e0s centrais para conseguir algum valor maior que o proposto pelo Executivo. \u201cVamos somar esfor\u00e7os na dire\u00e7\u00e3o de um aumento mais razo\u00e1vel\u201d, disse Nogueira.<\/p>\n<p><strong>\u201cSensibilidade\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Ex-presidente da Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), o deputado Vicentinho (PT-SP) diz que vai votar com o governo o m\u00ednimo definido, que os cortes s\u00e3o necess\u00e1rios e que n\u00e3o influenciar\u00e3o nas vota\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o esconde a tristeza com a tesoura nas emendas. \u201cAcho que o governo deveria ter sensibilidade\u201d, afirmou ele. Vicentinho esperava cortes, mas n\u00e3o nas emendas.<\/p>\n<p>O l\u00edder do PT, Paulo Teixeira (SP), diz que n\u00e3o haver\u00e1 nenhuma influ\u00eancia dos cortes na vota\u00e7\u00e3o do m\u00ednimo. \u201cA bancada vai votar unida\u201d, repete, encerrando o assunto. Teixeira disse a Vicentinho ter certeza de que a bancada est\u00e1 firme na vota\u00e7\u00e3o com o governo.<\/p>\n<p>Ontem, o l\u00edder do PMDB, Henrique Alves (RN), repetiu o discurso que o partido est\u00e1 unido com o governo apesar dos cortes or\u00e7ament\u00e1rios.<br \/>\nA mesma opini\u00e3o foi expressa pelo l\u00edder do bloco liderado pelo PR, Lincoln Portela (MG). Ele disse que a maior parte da bancada de 62 deputados vai votar com o governo. \u201cQuem \u00e9 base tem que ver a responsabilidade de ser base\u201d, analisou Portela, depois de almo\u00e7ar com a bancada do PR. Ele indica que pode haver uma negocia\u00e7\u00e3o ainda. \u201cO governo fechou R$ 545, mas continua fazendo contas.\u201d<br \/>\nCongresso em foco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O corte de R$ 50 bilh\u00f5es no or\u00e7amento anunciado ontem (9) pelo governo\u00a0vai influenciar, de alguma maneira, na vota\u00e7\u00e3o do aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Atualmente o piso \u00e9 R$ 540, o Planalto acena com um projeto nesta semana que fixa o valor em R$ 545, mas as oposi\u00e7\u00f5es e as centrais defendem at\u00e9 R$ 600. Paralelamente, o corte anunciado inclui R$ 18 bilh\u00f5es em emendas dos congressistas, ou 85% dos R$ 21 bilh\u00f5es aprovados pelos pr\u00f3prios parlamentares. Deputados da base e da oposi\u00e7\u00e3o ouvidos pelo Congresso em Foco admitiram duas possibilidades de efeito da medida do governo. 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