{"id":27114,"date":"2011-02-07T07:04:53","date_gmt":"2011-02-07T10:04:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=27114"},"modified":"2011-02-07T07:04:53","modified_gmt":"2011-02-07T10:04:53","slug":"moradores-de-crisopolis-onde-sete-foram-mortos-temem-volta-de-bandidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2011\/02\/07\/moradores-de-crisopolis-onde-sete-foram-mortos-temem-volta-de-bandidos\/","title":{"rendered":"Moradores de Cris\u00f3polis onde sete foram mortos temem volta de bandidos"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>CORREIO<br \/>\n<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O clima de medo se instalou no povoado de Genipapo, na zona rural de Cris\u00f3polis, a 215 quil\u00f4metros de Salvador depois que cinco homens encapuzados assassinaram sete lavradores da regi\u00e3o na noite de sexta-feira.<br \/>\n\u201cEles (os criminosos) disseram que v\u00e3o voltar. T\u00f4 com tanto p\u00e2nico que at\u00e9 quando algu\u00e9m chega perto de mim dentro de casa fico assustada\u201d, descreve Elisabete Dantas, 56, sogra do lavrador Abelardo Xavier de Jesus, 44, uma das v\u00edtimas da chacina. \u201cA gente nem dorme de noite de tanto medo e preocupa\u00e7\u00e3o\u201d, relata Jos\u00e9 Jo\u00e3o Bispo, 53, pai de Evanildo Dantas, que tamb\u00e9m foi morto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m deles, os lavradores Jos\u00e9 Milton Xavier, 32, Jos\u00e9 do Monte, 66, Silvado Neves, 39, Jorge Batista, 42, e o adolescente Ailton Moraes da Silva, 16 anos, foram executados com tiros na nuca enquanto bebiam e jogavam domin\u00f3 em frente \u00e0 casa de Abelardo.\u00a0 Ontem pela manh\u00e3, os corpos das v\u00edtimas foram sepultados nos cemit\u00e9rios dos povoados de Genipapo, M\u00e3e Maria e Cacimba do Saco.<\/p>\n<p><!--more-->De acordo com o delegado Ricardo Costa, titular da 2\u00aa Coordenadoria de Pol\u00edcia do Interior (Coorpin), em Alagoinhas, a 108 quil\u00f4metros da capital, a motiva\u00e7\u00e3o e a autoria do crime s\u00e3o desconhecidas. \u201cAs investiga\u00e7\u00f5es est\u00e3o em andamento, mas at\u00e9 o momento n\u00e3o h\u00e1 suspeitos\u201d.<\/p>\n<p>Parentes dos lavradores contam que os assassinos chegaram em um Fiat Siena prata atirando para o alto. \u201cGritaram: \u2018pol\u00edcia, pol\u00edcia!\u2019. Mandaram as mulheres fechar portas e janelas e obrigaram eles a deitarem de bru\u00e7os. Tava ali a filinha\u201d, aponta Elisabete para o local onde os lavradores foram mortos.<br \/>\n<strong><br \/>\nCampana\u00a0 <\/strong><br \/>\nSegundo um morador, que pediu para n\u00e3o ser identificado, o Siena j\u00e1 circulava pela regi\u00e3o h\u00e1 alguns dias. \u201cEles (os criminosos) estavam estudando a \u00e1rea. Ningu\u00e9m foi l\u00e1 \u00e0 toa\u201d, afirma.<\/p>\n<p>De acordo com ele, um dos filhos de Abelardo &#8211; n\u00e3o identificado pelo morador -, al\u00e9m das v\u00edtimas Jorge e Sivaldo eram envolvidos com roubos de motos e tr\u00e1fico de drogas em Cris\u00f3polis.<\/p>\n<p>\u201cEsses tr\u00eas deviam fazer parte de uma quadrilha e passaram a perna nos caras que vieram cobrar. Abelardo dava cobertura ao filho que conseguiu escapar pelo fundo da casa quando os assassinos chegaram. Os caras eram \u2018quiabos\u2019, lisos, e escapavam de v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es. Mas tinha gente l\u00e1 que estava no lugar errado e morreu inocente\u201d, define.<\/p>\n<p>Em Cris\u00f3polis, um morador, que tamb\u00e9m pediu para n\u00e3o ser identificado, emenda: \u201cTinham uns dois no meio que eram \u2018sem futuro\u2019\u201d, diz, sem citar os nomes.<br \/>\n<strong>Por pouco<\/strong><br \/>\nUm primo de Abelardo ressalta que a trag\u00e9dia poderia ter sido maior. \u201cTinha uns quatro minutos que eu sa\u00ed do local e os caras chegaram. Por pouco n\u00e3o entrei na roda. Quando ouvi os caras gritando \u2018pol\u00edcia! M\u00e3os pra cima, vagabundos\u2019, corri para casa. Depois s\u00f3 vi a trag\u00e9dia\u201d.<\/p>\n<p>A av\u00f3 de Evanildo, dona Maria Carmosina, 70 anos, brada: \u201cEu n\u00e3o aguento ouvir isso. Essa gente toda \u00e9 minha gente. Todos trabalhavam e n\u00e3o viviam em coisa errada\u201d.<\/p>\n<p>Sentada na varanda de casa, desolada, a m\u00e3e de Jos\u00e9 Milton, a lavradora Florentina Ferreira, 65, desabafa: \u201cEle nunca me deixou sozinha. S\u00f3 nesse dia que me largou para sempre. Aqui, as pessoas tinham o costume de ca\u00e7ar passarinho, mas agora quem t\u00e1 virando passarinho \u00e9 o povo\u201d, disse, chorando.<br \/>\nA v\u00edtima deixa a esposa gr\u00e1vida de cinco meses e uma filha de 7 anos. \u201cEle estava feliz e cheio de planos para reformar a casa\u201d, diz Daiana P\u00e1scoa, 21, mulher dele.<\/p>\n<p>J\u00e1 o lavrador Jos\u00e9 do Monte, conhecido como Zeca, tinha voltado da ca\u00e7a e parou para beber com os amigos. \u201cOs assassinos disseram: \u2018velho safado! Gosta de andar armado, n\u00e9? Deita a\u00ed no ch\u00e3o que voc\u00ea tamb\u00e9m vai morrer\u201d, conta a vi\u00fava Elvira Neves do Monte, 60.<\/p>\n<p>Segundo ela, Zeca tinha voltado de S\u00e3o Paulo h\u00e1 dois anos. \u201cEle gostava de trabalhar com a terra e visitava a gente duas vezes por ano\u201d. Os parentes de Jorge e Sivaldo n\u00e3o foram localizados.<\/p>\n<p><strong>Abaladas, fam\u00edlias agora querem justi\u00e7a<\/strong><br \/>\nA demora de Ailton Moraes da Silva, 16 anos, em voltar para casa preocupou seus pais, os lavradores Ant\u00f4nio Jos\u00e9 da Silva, 55, e Genivalda Moraes Alves, 50. \u201cEle nunca chegava depois das 6h30 (18h30). Ningu\u00e9m dormiu depois que passou da hora dele chegar. Nesse dia ele foi de moto\u201d, conta a m\u00e3e.<br \/>\nA not\u00edcia da morte do filho veio por telefone. \u201cFoi assim que ficamos sabendo. Essa trag\u00e9dia abalou o nosso mundo. Meu filho n\u00e3o andava com malandragem. Al\u00e9m de estudar, ele trabalhava comigo. Me acabei chorando que j\u00e1 n\u00e3o tenho mais l\u00e1grimas\u201d, lamenta o pai do adolescente.<\/p>\n<p>No momento do crime, Ailton correu para a casa de Abelardo e se escondeu debaixo da cama, mas foi arrastado para fora do im\u00f3vel. \u201cEle ia dormir aqui porque j\u00e1 estava tarde para voltar para casa e no s\u00e1bado ia trabalhar\u201d, lembra a esposa de Abelardo, a lavradora Teresa Dantas, 41.<\/p>\n<p>J\u00e1 Evanildo Dantas, 20 anos, deixaria o povoado de Genipapo nos pr\u00f3ximos dias. \u201cEle ia trabalhar de pedreiro em Alagoinhas daqui a 20 dias. Em agosto se apresentaria no Ex\u00e9rcito. Meu filho era um \u2018tip\u00e3o\u2019. Nunca tive nenhuma queixa sobre o comportamento dele\u201d, atesta a m\u00e3e dele, a lavradora Evalda Dantas, 41. O pai da v\u00edtima, o lavrador Jos\u00e9 Jo\u00e3o Bispo dos Santos, 53, quer provid\u00eancias. \u201cN\u00e3o vamos deixar a morte do meu filho passar assim. Ele era um menino excelente, se dava bem com todos e foi morto injustamente\u201d.<\/p>\n<p>Na varanda da casa onde morava com a fam\u00edlia, os parentes de Evanildo passaram todo o dia de ontem refletindo sobre a chacina. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para acreditar. Tanta gente inocente morrendo dessa forma.\u00a0 A gente ouve falar dessas coisas, mas nunca pensa que pode acontecer por perto\u201d, disse a m\u00e3e.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CORREIO O clima de medo se instalou no povoado de Genipapo, na zona rural de Cris\u00f3polis, a 215 quil\u00f4metros de Salvador depois que cinco homens encapuzados assassinaram sete lavradores da regi\u00e3o na noite de sexta-feira. \u201cEles (os criminosos) disseram que v\u00e3o voltar. T\u00f4 com tanto p\u00e2nico que at\u00e9 quando algu\u00e9m chega perto de mim dentro de casa fico assustada\u201d, descreve Elisabete Dantas, 56, sogra do lavrador Abelardo Xavier de Jesus, 44, uma das v\u00edtimas da chacina. \u201cA gente nem dorme de noite de tanto medo e preocupa\u00e7\u00e3o\u201d, relata Jos\u00e9 Jo\u00e3o Bispo, 53, pai de Evanildo Dantas, que tamb\u00e9m foi morto&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-27114","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":566,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27114","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27114"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27114\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27115,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27114\/revisions\/27115"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}