{"id":25782,"date":"2011-01-08T04:37:23","date_gmt":"2011-01-08T07:37:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=25782"},"modified":"2011-01-08T04:37:23","modified_gmt":"2011-01-08T07:37:23","slug":"%e2%80%98pragmatismo-de-dilma-e-essencial-para-eua-diz-thomas-shannon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2011\/01\/08\/%e2%80%98pragmatismo-de-dilma-e-essencial-para-eua-diz-thomas-shannon\/","title":{"rendered":"\u2018Pragmatismo de Dilma \u00e9 essencial para EUA&#8217;, diz Thomas Shannon"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/i0.ig.com\/fw\/vq\/y8\/9n\/vqy89njarakzuj966h540ndx.jpg\" alt=\"\" width=\"184\" height=\"114\" \/>O embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, s\u00f3 tem olhos para o  futuro na rela\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses. Para o ex-secret\u00e1rio adjunto  para a Am\u00e9rica Latina, que ocupa a miss\u00e3o diplom\u00e1tica dos EUA em  Bras\u00edlia desde fevereiro de 2010, a possibilidade de relacionamento  entre os dois aumenta \u00e0 medida que o Brasil, que considera um poder  global, continua trasformando-se internamente e mudando seu papel em  n\u00edvel internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a rela\u00e7\u00e3o ser positiva, a nova presidenta brasileira, Dilma  Rousseff, seria fundamental. Descrita como \u201csuperinteligente e  criativa\u201d, Dilma tamb\u00e9m \u00e9 vista por Shannon &#8211; que a conheceu quando ela  era ministra de Minas e Energia e depois na Casa Civil -, como detentora  de \u201cum pragmatismo e uma capacidade de entender problemas e procurar  solu\u00e7\u00f5es que para n\u00f3s s\u00e3o essenciais\u201d.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ele, disputas como a relacionada ao programa nuclear do Ir\u00e3,  que azedaram os v\u00ednculos entre os dois pa\u00edses no ano passado, ficaram  para tr\u00e1s depois que o Brasil, apesar da resist\u00eancia inicial, <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/mundo\/contrariado+lula+assina+decreto+para+seguir+sancoes+ao+ira\/n1237744647963.html\">aceitou implementar<\/a> a quarta rodada de san\u00e7\u00f5es da ONU contra o pa\u00eds em junho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO Brasil se comprometeu a seguir a resolu\u00e7\u00e3o, e para n\u00f3s isso \u00e9 o  importante. Ent\u00e3o, os EUA e o Brasil est\u00e3o na mesma posi\u00e7\u00e3o\u201d, disse  Shannon ao <strong>iG<\/strong> no Consulado dos EUA em S\u00e3o Paulo, em sua primeira entrevista exclusiva a um portal de internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leia a seguir os principais trechos da entrevista, em que tamb\u00e9m fala  sobre a aus\u00eancia de um encontro bilateral entre Dilma e a secret\u00e1ria de  Estado dos EUA, <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/mundo\/pragmatismo+de+dilma+e+essencial+para+eua+diz+thomas+shannon\/n1237928147313.html#Hillary\">Hillary Clinton<\/a>, no dia da posse; os planos de viagem de <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/mundo\/pragmatismo+de+dilma+e+essencial+para+eua+diz+thomas+shannon\/n1237928147313.html#Obama\">Obama<\/a> ao Brasil; a <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/mundo\/pragmatismo+de+dilma+e+essencial+para+eua+diz+thomas+shannon\/n1237928147313.html#quest_o_nuclear\">quest\u00e3o nuclear<\/a> do Ir\u00e3; a reforma do <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/mundo\/pragmatismo+de+dilma+e+essencial+para+eua+diz+thomas+shannon\/n1237928147313.html#ONU\">Conselho de Seguran\u00e7a da ONU<\/a>; a <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/mundo\/pragmatismo+de+dilma+e+essencial+para+eua+diz+thomas+shannon\/n1237928147313.html#com_rcio\">rela\u00e7\u00e3o comercial<\/a> entre EUA e Brasil; a disputa pelo <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/mundo\/pragmatismo+de+dilma+e+essencial+para+eua+diz+thomas+shannon\/n1237928147313.html#etanol\">etanol<\/a>; a possibilidade de <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/mundo\/pragmatismo+de+dilma+e+essencial+para+eua+diz+thomas+shannon\/n1237928147313.html#visto\">isen\u00e7\u00e3o de visto<\/a> americano para os brasileiros; e os perigos representados pelo <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/mundo\/pragmatismo+de+dilma+e+essencial+para+eua+diz+thomas+shannon\/n1237928147313.html#WikiLeaks\">WikiLeaks<\/a>, que em novembro come\u00e7ou a vazar mais de 250 mil documentos diplom\u00e1ticos americanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div><cite>Foto: Fl\u00e1vio Torres<\/cite><\/div>\n<div>\n<p>O embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon: &#8216;O WikiLeaks ainda est\u00e1 preso na vis\u00e3o de mundo da \u00e9poca da Guerra Fria&#8217;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iG: A presidente Dilma Rousseff n\u00e3o adotou a praxe de visitar\u00a0os EUA antes da posse e n\u00e3o manteve um encontro bilateral com <a name=\"Hillary\">Hillary <\/a>em Bras\u00edlia em 1\u00ba de <\/strong><strong>janeiro.  Al\u00e9m disso, at\u00e9 mar\u00e7o visitar\u00e1 Argentina, Peru e Paraguai, sem data  definida para uma viagem a Washington. Isso indica a continuidade da  pol\u00edtica de priorizar a Am\u00e9rica Latina e as rela\u00e7\u00f5es Sul-Sul em  detrimento dos EUA?<\/strong><br \/>\nShannon: N\u00e3o. Obama e Dilma conversaram v\u00e1rias vezes quando ela ainda  era ministra, depois como presidenta eleita e antes da posse. O convite  para a viagem aos EUA foi um gesto de nossa parte, para nos aproximar e  conversar com ela. O presidente Obama entendeu que naquele momento ela  trabalhava para montar seu gabinete, e ficamos satisfeitos com a  resposta, que foi: \u201cSim, mas agora n\u00e3o.\u201d Estamos trabalhando com a  Presid\u00eancia e o Itamaraty para definir uma data, que ser\u00e1 dentro dos  pr\u00f3ximos meses. Mas tamb\u00e9m entendemos a import\u00e2ncia para o Brasil de  cuidar das rela\u00e7\u00f5es com os vizinhos. Historicamente \u00e9 comum para o  presidente dos EUA ir primeiro ao Canad\u00e1 ou M\u00e9xico antes de iniciar  outras viagens internacionais. Entendemos se o Brasil adota a mesma  pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iG: E uma viagem de <a name=\"Obama\">Obama <\/a>ao Brasil<\/strong>?<br \/>\nShannon: Ao falar com Dilma, o presidente Obama mostrou interesse em  visitar o Brasil. \u00c9 uma quest\u00e3o de agenda. O ano passado impediu a  viagem por tudo o que aconteceu, desde o (vazamento de petr\u00f3leo no)  Golfo do M\u00e9xico, a reforma da sa\u00fade p\u00fablica at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es  (legislativas dos EUA) em novembro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iG: No in\u00edcio de 2010, o sr. escreveu um telegrama  diplom\u00e1tico dizendo que Dilma, que ent\u00e3o se preparava para iniciar a  campanha eleitoral, \u201cclaramente n\u00e3o \u00e9 Lula.\u201d O que queria dizer?<\/strong><br \/>\nShannon: N\u00e3o posso fazer coment\u00e1rios sobre esses telegramas (vazados  pelo site WikiLeaks). Mas posso dizer que os EUA come\u00e7aram uma rela\u00e7\u00e3o  com Dilma Rousseff em 1992, quando ela trabalhava no Rio Grande do Sul e  visitou o pa\u00eds em um programa de lideran\u00e7as internacionais. Em  diferentes momentos de sua carreira tivemos uma rela\u00e7\u00e3o positiva e  colaborativa. Temos uma opini\u00e3o favor\u00e1vel e positiva sobre ela, e muito  interesse em trabalhar com seu governo. Eu a conheci quando ela era  ministra de Minas e Energia, depois titular da Casa Civil, e ela me  recebeu em Bras\u00edlia v\u00e1rias vezes quando eu era subsecret\u00e1rio, sempre me  tratando com muita hospitalidade. Foram nesses encontros que conheci a  Dilma superinteligente, muito criativa e com um pragmatismo e uma  capacidade de entender problemas e procurar solu\u00e7\u00f5es que para n\u00f3s s\u00e3o  essenciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iG: Para o sr., o futuro da rela\u00e7\u00e3o entre Brasil e EUA n\u00e3o  est\u00e1 nas quest\u00f5es bilaterais, mas nas globais. No entanto, nos \u00faltimos  anos, o relacionamento entre os dois pa\u00edses foi marcado por atritos fora  da esfera bilateral, como no caso do Ir\u00e3. Qual a expectativa com Dilma  no poder?<\/strong><br \/>\nShannon: Minha vis\u00e3o de futuro \u00e9 bem otimista. Em primeiro lugar, temos  interesses e valores comuns \u2013 e eles s\u00e3o mais importantes que as  diferen\u00e7as. Em segundo, a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 bem din\u00e2mica por causa das mudan\u00e7as  por que passam o mundo e o Brasil. Por isso, as possibilidades de  colabora\u00e7\u00e3o aumentam com a transforma\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica e global brasileira.  Isso n\u00e3o quer dizer que a rela\u00e7\u00e3o ser\u00e1 positiva gratuitamente. Temos de  entender seu dinamismo, o novo espa\u00e7o onde Brasil e EUA podem trabalhar  juntos, e necessitamos de criatividade para identificar as \u00e1reas onde  podemos colaborar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iG: Quais s\u00e3o essas \u00e1reas?<\/strong><br \/>\nShannon: Na seguran\u00e7a energ\u00e9tica colaboramos n\u00e3o s\u00f3 em biocombust\u00edveis,  mas tamb\u00e9m em cidades verdes que diminuam o uso de hidrocarbonetos. H\u00e1  espa\u00e7o para expandir a colabora\u00e7\u00e3o no setor alimentar, principalmente  porque Brasil e EUA t\u00eam capacidade e responsabilidade importantes nessa  \u00e1rea por provavelmente serem os mais fortes na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e de  alimentos. Na \u00e1rea de n\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um di\u00e1logo excelente que nos  permitir\u00e1 trabalhar juntos em f\u00f3runs internacionais e para aprimorar a  capacidade mundial em proibir a prolifera\u00e7\u00e3o de certos tipos de armas.  Outra \u00e1rea de coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 a da luta contra o crime organizado e a  viol\u00eancia transnacional. Com sua Pol\u00edcia Federal, o Brasil est\u00e1  assumindo um papel cada dia mais importante na Am\u00e9rica do Sul e tem  muito interesse em colaborar em n\u00edvel internacional. E, finalmente, o  Brasil vem se estabelecendo como um pa\u00eds doador de assist\u00eancia ao  desenvolvimento, sendo o \u00fanico com a experi\u00eancia de desenvolver-se  internamente enquanto se transforma em um Estado doador. Isso abre um  importante espa\u00e7o de colabora\u00e7\u00e3o entre o Brasil e doadores j\u00e1  estabelecidos &#8211; sejam EUA, Canad\u00e1, pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia \u2013 por causa  da capacidade agr\u00edcola e em sa\u00fade p\u00fablica brasileiras. Cooperamos com o  Brasil em Mo\u00e7ambique, na luta contra a aids, e no Haiti, no combate \u00e0  mal\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iG: Para o sr., o Brasil \u00e9 um poder global com interesses  regionais e responsabilidades internacionais. A cr\u00edtica de Dilma \u00e0  situa\u00e7\u00e3o de direitos humanos no Ir\u00e3, especificamente sobre a quest\u00e3o do  apedrejamento, seria uma mostra do reconhecimento dela sobre essa <\/strong><strong>responsabilidade?<\/strong><br \/>\nSim, e tamb\u00e9m expressa sua maneira de ver o mundo como uma pessoa que  foi prisioneira pol\u00edtica, sofreu tortura, entende a luta da mulher n\u00e3o  somente dentro de um sistema pol\u00edtico, mas na sociedade. Indica que ela  tem uma compreens\u00e3o especial sobre pessoas vulner\u00e1veis por raz\u00f5es de  g\u00eanero ou posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. \u00c9 interessante que antes e depois da <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/politica\/dilma+fala+ao+washington+post+sobre+ira+eua+e+lula\/n1237849514474.html\">entrevista ao \u201cWashington Post\u201d<\/a>,  ela tenha falado abertamente e com for\u00e7a sobre valores. Na posse, ela  defendeu a liberdade de imprensa, de express\u00e3o, os direitos humanos de  uma maneira bem clara, e isso \u00e9 importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iG: Nessa entrevista, por\u00e9m, ela n\u00e3o abordou a <a name=\"quest_o_nuclear\">quest\u00e3o nuclear<\/a> iraniana. O que se espera do governo Dilma nesse tema?<\/strong><br \/>\nShannon: \u00c9 importante entender e lembrar que o Brasil se comprometeu a seguir a <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/mundo\/onu+aprova+nova+rodada+de+sancoes+contra+o+ira\/n1237656898733.html\">resolu\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es<\/a>,  e para n\u00f3s isso \u00e9 o importante. Nesse momento, o Brasil est\u00e1 com o  resto da comunidade internacional, implementando as san\u00e7\u00f5es e procurando  uma maneira de convencer o Ir\u00e3 a voltar \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00f5es de uma  maneira a melhorar a confian\u00e7a mundial sobre seu programa nuclear.  Ent\u00e3o, os EUA e o Brasil est\u00e3o no mesmo lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iG: Mas h\u00e1 expectativa de uma atua\u00e7\u00e3o mais comedida, como por  exemplo evitando encontros diretos com o l\u00edder iraniano, Mahmoud  Ahmadinejad?<\/strong><br \/>\nShannon: Essa n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o s\u00f3 entre o Brasil e os EUA. \u00c9 uma  responsabilidade compartilhada na comunidade internacional. \u00c9 importante  que os pa\u00edses que querem defender o uso pac\u00edfico da energia nuclear, o  uso civil, falem claramente sobre o uso ilegal do poder nuclear para  fins b\u00e9licos. E nesse sentido os pa\u00edses que assumem responsabilidade  nessa \u00e1rea, sejam o Brasil, a R\u00fassia, a China, os EUA, Inglaterra,  Fran\u00e7a, Alemanha, t\u00eam de falar de uma maneira clara com o Ir\u00e3. E nossa  diplomacia est\u00e1 tentando trabalhar com todos esses pa\u00edses para assegurar  uma mensagem clara e compreens\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iG: O sr. reconhece a necessidade de <a name=\"ONU\">reformar a ONU<\/a> para permitir a ascens\u00e3o de pa\u00edses como <\/strong><strong>Brasil e \u00cdndia. Obama, por\u00e9m, <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/mundo\/obama+apoia+vaga+da+india+no+conselho+de+seguranca\/n1237822132385.html\">defendeu a \u00cdndia nesse sentido<\/a>,  aceno que o Brasil esperava h\u00e1 tempo. A posi\u00e7\u00e3o brasileira sobre o Ir\u00e3  prejudicou suas pretens\u00f5es de integrar o Conselho de Seguran\u00e7a como  membro permanente?<\/strong><br \/>\nShannon: Para considerar a reforma do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU  (CS\/ONU), temos de falar dos pa\u00edses que historicamente mostraram  interesse e compromisso com os temas mundiais e trabalham para  fortalecer as regras e pr\u00e1ticas do sistema internacional. O Brasil  obviamente faz parte dessa categoria. Foi um dos fundadores da ONU e  sempre assumiu suas responsabilidades dentro da comunidade internacional  com consci\u00eancia. O papel do Pa\u00eds (na lideran\u00e7a das tropas de paz da ONU  no) Haiti \u00e9 uma mostra disso. Claro que \u00e0s vezes haver\u00e1 diferen\u00e7as dos  EUA com Brasil, \u00cdndia, com outros membros historicamente mais pr\u00f3ximos,  como o Reino Unido, mas isso em si mesmo n\u00e3o significar\u00e1 um veto. Na  atual discuss\u00e3o sobre a reforma do CS\/ONU, n\u00e3o importa a posi\u00e7\u00e3o que o  pa\u00eds &#8220;X&#8221; ou &#8220;Z&#8221; tomou sobre certo tema, mas como integrar os interesses  complicados dos pa\u00edses que querem entrar no CS\/ONU com os que j\u00e1 est\u00e3o  l\u00e1. Isso n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil, mas \u00e9 necess\u00e1rio encontrar uma solu\u00e7\u00e3o,  porque o CS\/ONU do s\u00e9culo 21 precisa de reforma. O atual conselho  reflete algo importante, mas n\u00e3o tudo. Ele n\u00e3o reflete os pa\u00edses  emergentes, que procuram voz, e esse \u00e9 o problema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i0.ig.com\/fw\/8k\/3t\/sw\/8k3tsw1ttqp1yxfmkorchbs8l.jpg\" alt=\"\" \/> <\/strong><\/p>\n<div><strong> <cite>Foto: Fl\u00e1vio Torres<\/cite> <\/strong><\/div>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<div>\n<p><strong>O embaixador dos EUA  no Brasil, Thomas Shannon: &#8216;O atual Conselho de Seguran\u00e7a reflete algo  importante, mas n\u00e3o os pa\u00edses emergentes, que procuram voz&#8217;<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><strong> <\/strong><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iG: Os EUA foram ultrapassados pela China como <a name=\"com_rcio\">principal parceiro comercial<\/a> do Brasil e tamb\u00e9m devem ser superados em fluxo de investimentos. Os EUA perdem espa\u00e7o no Brasil?<\/strong><br \/>\nShannon: Temos de fazer muita coisa. As rela\u00e7\u00f5es comerciais entre os  dois pa\u00edses s\u00e3o importantes e significativas \u2013 acho que o com\u00e9rcio total  \u00e9 de US$ 50 bilh\u00f5es \u2013, mas os dois pa\u00edses poderiam melhorar  dramaticamente seu com\u00e9rcio bilateral, e n\u00e3o devemos aceitar a rela\u00e7\u00e3o  como \u00e9 hoje. Temos de melhor\u00e1-la, promover investimentos nos dois pa\u00edses  e a venda de nossos produtos. Mas h\u00e1 algo interessante ocorrendo nessa  rela\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica ou comercial que n\u00e3o acontece nas rela\u00e7\u00f5es do Brasil  com a China ou outros parceiros. H\u00e1 um crescimento da interdepend\u00eancia  entre as companhias e as economias americanas e brasileiras, no que \u00e9  conhecido como &#8220;supply chain rate\u201d. Por exemplo, uma companhia nos EUA  produz componentes para avi\u00f5es e os vende a uma empresa no Brasil, que  constr\u00f3i ou o avi\u00e3o ou outro componente para depois vend\u00ea-los nos EUA ou  em um terceiro mercado, como faz a Embraer. Ent\u00e3o, as companhias  dependem cada dia mais umas das outras, e vemos isso cada vez mais nos  setores de avia\u00e7\u00e3o, automobil\u00edstico. Esse crescimento \u00e9 bem interessante  e indica que o Brasil est\u00e1 assumindo um papel cada vez mais importante  na economia americana e vice-versa. Mas, ainda assim, nosso n\u00edvel de  com\u00e9rcio n\u00e3o \u00e9 suficiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iG: Qual a raz\u00e3o disso? O crescimento da China \u00e9 um fator?<\/strong><br \/>\nShannon: Em termos absolutos, o com\u00e9rcio se manteve ou est\u00e1 crescendo,  mas com a globaliza\u00e7\u00e3o o Brasil construiu uma rela\u00e7\u00e3o comercial de muita  diversidade, o que \u00e9 saud\u00e1vel. No entanto, n\u00e3o podemos aceitar um  distanciamento. A ascens\u00e3o da China n\u00e3o \u00e9 um problema, mas sim estarmos  perdendo oportunidades. Se outros pa\u00edses e companhias reconhecem isso e  vendem mercadorias que quer\u00edamos vender n\u00e3o \u00e9 problema deles, mas nosso.  N\u00f3s temos a culpa. N\u00e3o vou culpar os chineses por vender aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iG: O pacote fiscal aprovado em dezembro pelo Congresso dos EUA prev\u00ea a prorroga\u00e7\u00e3o da tarifa de importa\u00e7\u00e3o e do subs\u00eddio ao <a name=\"etanol\">etanol de milho<\/a> no pa\u00eds. Segundo organiza\u00e7\u00f5es que defendem o fim dos subs\u00eddios, a  prorroga\u00e7\u00e3o abre a possibilidade de uma batalha do Brasil na Organiza\u00e7\u00e3o  Mundial do Com\u00e9rcio. Como o sr. v\u00ea isso?<\/strong><br \/>\nShannon: O futuro do biocombust\u00edvel depende da capacidade dos EUA e  Brasil de encontrar mat\u00e9rias-primas mais diversas que a cana de a\u00e7\u00facar e  o milho. Para que os biocombust\u00edveis se tornem uma commodity que possa  competir com os hidrocarbonetos, precisam de uma fonte biol\u00f3gica  superior aos dois. O Brasil e os EUA n\u00e3o podem depender de uma fonte de  energia que venha s\u00f3 de um produto agr\u00edcola. Essa maneira de ver a  quest\u00e3o como uma briga pelo acesso ao mercado do etanol de cana ou milho  \u00e9 como, ao princ\u00edpio do s\u00e9culo 20, discutir se um cavalo deveria ser  estimulado a andar mais com o chicote ou por outro meio enquanto o carro  chegava \u00e0 economia. Essa disputa \u00e9 uma controv\u00e9rsia que causa  retrocesso e n\u00e3o se volta para futuro. Mas estamos trabalhando nisso com  o acordo sobre biocombust\u00edveis e o trabalho internacional para tentar  construir regras para fazer uma commodity confi\u00e1vel de biocombust\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iG: Como o Brasil est\u00e1 pr\u00f3ximo dos 97% de aprova\u00e7\u00e3o para seus pedidos de <a name=\"visto\">visto<\/a>, os EUA estudam a possibilidade de isentar o Pa\u00eds da exig\u00eancia do documento?<\/strong><br \/>\nShannon: Apesar de importante, o n\u00edvel de aprova\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas um dos  requisitos para o programa de isen\u00e7\u00e3o. O Brasil vem obtendo avan\u00e7os  muito importantes, mas obviamente isso \u00e9 um processo que toma tempo,  porque \u00e9 uma decis\u00e3o grande eliminar a necessidade de visto. Mas um  Brasil que sair\u00e1 da posi\u00e7\u00e3o de oitava ou s\u00e9tima economia do mundo para  tornar-se quinta ou quarta, um Brasil onde a classe m\u00e9dia cresce a cada  dia, seria um candidato excelente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iG: Qual \u00e9 o impacto dos <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/noticias\/documentos%20diplom%C3%A1ticos\/p1237569153288.html?palavrachave=documentos+diplom%C3%A1ticos\">vazamentos de documentos diplom\u00e1ticos<\/a> dos EUA pelo <a name=\"WikiLeaks\">WikiLeaks<\/a>?  O epis\u00f3dio \u00e9 somente um embara\u00e7o para Washington, diminuindo sua  confiabilidade como parceiro diplom\u00e1tico, ou realmente amea\u00e7a o pa\u00eds e  seus parceiros?<\/strong><br \/>\nShannon: Vamos sobreviver ao WikiLeaks. E vamos sair fortalecidos de  certa forma, pois (os vazamentos) indicaram algumas \u00e1reas d\u00e9beis em  nosso sistema de prote\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o. Mas os pa\u00edses que t\u00eam rela\u00e7\u00e3o  conosco v\u00e3o mant\u00ea-la pelo simples fato de sermos um pa\u00eds importante no  mundo. Outros Estados t\u00eam interesse em falar e colaborar conosco e  entender o que pensamos. Isso n\u00e3o vai diminuir. Mas o WikiLeaks tem um  lado perigoso, porque seu prop\u00f3sito foi reduzir o espa\u00e7o da conversa  privada, confidencial com parceiros, o que na diplomacia \u00e9 essencial  para a troca de ideias e busca de solu\u00e7\u00f5es para chegar a um consenso.  Abrir todos os espa\u00e7os de di\u00e1logo n\u00e3o \u00e9 bom, e indica da parte dos  &#8220;WikiLeakers&#8221; um entendimento velho do mundo. Hoje a grande parte de  nosso sistema para proteger informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem esse prop\u00f3sito. O  objetivo \u00e9 construir espa\u00e7os de di\u00e1logo dentro de governos e entre eles  para chegar a decis\u00f5es acertadas que n\u00e3o sejam expostas a press\u00f5es  pol\u00edticas e p\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iG: O sr. fala em confidencialidade, mas o sistema em que os  telegramas eram distribu\u00eddos foi criado na d\u00e9cada de 90 e podia ser  acessado por <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/mundo\/saiba+mais+sobre+os+telegramas+diplomaticos\/n1237852399276.html\">2,5 milh\u00f5es de pessoas<\/a>. N\u00e3o houve uma falha dos EUA em n\u00e3o garantir uma melhor seguran\u00e7a de comunica\u00e7\u00e3o secreta e confidencial?<\/strong><br \/>\nShannon: Somos um pa\u00eds e governo grandes, estamos em todas as partes do  mundo, e esse n\u00famero representa muito menos de 1% da popula\u00e7\u00e3o  americana. Essa comunica\u00e7\u00e3o mostra que temos um sistema de governo  bastante aberto internamente. Dentro dele n\u00e3o h\u00e1 ilhas superprotegidas.  Especialmente depois do 11 de Setembro de 2001, aumentamos o fluxo de  comunica\u00e7\u00e3o para melhorar a capacidade das ag\u00eancias de compartilhar  informa\u00e7\u00e3o. Ou seja, o prop\u00f3sito da confidencialidade n\u00e3o \u00e9 guardar ou  esconder informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 us\u00e1-lo de uma forma inteligente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, s\u00f3 tem olhos para o futuro na rela\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses. Para o ex-secret\u00e1rio adjunto para a Am\u00e9rica Latina, que ocupa a miss\u00e3o diplom\u00e1tica dos EUA em Bras\u00edlia desde fevereiro de 2010, a possibilidade de relacionamento entre os dois aumenta \u00e0 medida que o Brasil, que considera um poder global, continua trasformando-se internamente e mudando seu papel em n\u00edvel internacional. Para a rela\u00e7\u00e3o ser positiva, a nova presidenta brasileira, Dilma Rousseff, seria fundamental. Descrita como \u201csuperinteligente e criativa\u201d, Dilma tamb\u00e9m \u00e9 vista por Shannon &#8211; que a conheceu quando ela era&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-25782","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":1184,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25782","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25782"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25782\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25783,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25782\/revisions\/25783"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}