{"id":25613,"date":"2011-01-03T07:25:52","date_gmt":"2011-01-03T10:25:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=25613"},"modified":"2011-01-03T07:25:52","modified_gmt":"2011-01-03T10:25:52","slug":"parlamentares-esperam-reforma-politica-em-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2011\/01\/03\/parlamentares-esperam-reforma-politica-em-2011\/","title":{"rendered":"Parlamentares esperam reforma pol\u00edtica em 2011"},"content":{"rendered":"<p>Primeiro, foi o ex-presidente Lula. Em outubro, ele disse que assim que deixasse a Presid\u00eancia iria se empenhar na aprova\u00e7\u00e3o de uma reforma pol\u00edtica. Ontem (1\u00ba), foi a vez de sua sucessora. <a href=\"http:\/\/congressoemfoco.uol.com.br\/noticia.asp?cod_canal=1&amp;cod_publicacao=35719\">Em seu primeiro discurso como presidenta<\/a>, Dilma Rousseff defendeu mudan\u00e7as profundas no processo eleitoral. &#8220;Na pol\u00edtica, \u00e9 tarefa indeclin\u00e1vel e urgente uma reforma com mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o para fazer avan\u00e7ar nossa jovem democracia, fortalecer o sentido program\u00e1tico dos partidos e aperfei\u00e7oar as institui\u00e7\u00f5es, restaurando valores e dando mais transpar\u00eancia ao conjunto da atividade p\u00fablica.&#8221; Declara\u00e7\u00f5es assim mostram que, ap\u00f3s oito anos de idas e vindas, a reforma pol\u00edtica come\u00e7a a ganhar corpo no Congresso. <!--more-->Esse \u00e9 o sentimento revelado pela maioria de 11 parlamentares, tr\u00eas deles rec\u00e9m-eleitos, ouvidos pelo<strong> Congresso em Foco<\/strong> que acompanharam a cerim\u00f4nia de posse de Dilma.<\/p>\n<p>Para a maioria deles, levar adiante as reformas pol\u00edtica e tribut\u00e1ria logo no primeiro ano de mandato ser\u00e1 o maior desafio da nova presidenta. Caso n\u00e3o tenha sucesso nessa tarefa j\u00e1 no primeiro ano de governo, Dilma dificilmente conseguir\u00e1 evitar que as duas propostas tenham o mesmo destino que tiveram no governo Lula, ou seja, repousar nas gavetas do Congresso. A reforma pol\u00edtica que sair\u00e1 ainda \u00e9 uma inc\u00f3gnita: voto distrital, financiamento p\u00fablico de campanha, voto em lista pr\u00e9-ordenada, fidelidade partid\u00e1ria e fim das coliga\u00e7\u00f5es nas elei\u00e7\u00f5es proporcionais s\u00e3o alguns dos temas a serem discutidos.<\/p>\n<p>Mas as reformas n\u00e3o ser\u00e3o os \u00fanicos desafios de Dilma, na avalia\u00e7\u00e3o dos quatro oposicionistas e oito governistas ouvidos pelo site. Entre as grandes barreiras a serem transpostas pela presidenta logo no in\u00edcio de seu governo, est\u00e3o: estabelecer uma forma pr\u00f3pria de di\u00e1logo com o Congresso, evitar uma eventual fissura de sua base de apoio, superar a falta de carisma em rela\u00e7\u00e3o a Lula, manter a estabilidade econ\u00f4mica, investir em infraestrutura, combater a corrup\u00e7\u00e3o e reduzir os gastos p\u00fablicos. Veja o que os parlamentares esperam do governo de Dilma Rousseff e de 2011:<\/p>\n<p><strong>Luiza Erundina (PSB-SP), deputada reeleita<br \/>\n<\/strong>&#8220;A rela\u00e7\u00e3o do Executivo com o Legislativo e os partidos tem de ser mais transparente. Tem de haver agora um investimento grande na reforma pol\u00edtica. Muitos problemas enfrentados recentemente se devem ao esgotamento dos partidos pol\u00edticos. A rela\u00e7\u00e3o do governo com os partidos n\u00e3o \u00e9 boa. Os partidos perderam identidade. Uma democracia forte pressup\u00f5e partidos fortes, mesmo aqueles que s\u00e3o da base do governo. O partido do governo n\u00e3o pode abrir m\u00e3o de ter projeto pr\u00f3prio. Sen\u00e3o, daqui a quatro anos, ser\u00e1 apenas uma for\u00e7a auxiliar do Executivo. O Legislativo precisa avan\u00e7ar para uma reforma pol\u00edtica que surja de um pacto com a sociedade.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Dem\u00f3stenes Torres (DEM-GO), senador reeleito<br \/>\n<\/strong>&#8220;Dilma ter\u00e1 o grande desafio de manter essa composi\u00e7\u00e3o com todos os partidos que a apoiaram na elei\u00e7\u00e3o. Ao que parece, esse leque partid\u00e1rio da situa\u00e7\u00e3o sofre fissuras. Com a composi\u00e7\u00e3o ministerial que ela fez, muitos partidos est\u00e3o desagradados. Ela precisa fazer as reformas tribut\u00e1ria e pol\u00edtica, que ela quer e que n\u00f3s queremos fazer logo de cara, porque o momento que ela tem prest\u00edgio \u00e9 este, depois ela vai ser cobrada, inclusive pelos pr\u00f3prios aliados. Acho que ela ter\u00e1 muitas dificuldades na conversa\u00e7\u00e3o com aliados e oposi\u00e7\u00e3o. Ao que tudo indica, essa composi\u00e7\u00e3o feita n\u00e3o tem muito para ser mantida.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Gleisi Hoffmann (PT-PR), senadora eleita<br \/>\n<\/strong>&#8220;Quem vai puxar a reforma pol\u00edtica ser\u00e1 o ex-presidente Lula. A iniciativa n\u00e3o vai partir da presidenta Dilma. Ela apoia, quer que fa\u00e7a, mas isso \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional. N\u00f3s temos de dar conta de fazer a reforma pol\u00edtica. Se n\u00e3o dermos conta de fazer in\u00edcio no in\u00edcio desta legislatura, cabe a n\u00f3s convocarmos um plebiscito para uma constituinte exclusiva revisora, como Lula havia dito. Acredito que essa possibilidade seja a mais vi\u00e1vel. O PT \u00e9 favor\u00e1vel a isso. Mas vai depender do Congresso, isso n\u00e3o \u00e9 de compet\u00eancia do Executivo. N\u00e3o adianta o governo ter maioria.&#8221; &#8220;O grande desafio de Dilma no primeiro ano ser\u00e1 mostrar seu perfil e forma de governar. N\u00e3o digo dissociar-se do governo do presidente Lula porque ela \u00e9 uma continuidade. Mas mostrar quem ela de fato \u00e9, a personalidade que ela tem, a forma de tocar as coisas. Isso vai ser importante para o Brasil e para ela tamb\u00e9m. O segundo ser\u00e1 manter a estabilidade econ\u00f4mica. A gente aproveitar e fazer com que esse ciclo virtuoso continue. Em nenhuma hip\u00f3tese podemos afrouxar para voltar a infla\u00e7\u00e3o e tampouco pesar a m\u00e3o na quest\u00e3o dos juros, o que pode frear nosso desenvolvimento econ\u00f4mico. Tenho certeza de que a presidente Dilma ter\u00e1 equil\u00edbrio para resolver isso.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Valdir Raupp (PMDB-RO), senador reeleito e novo presidente do PMDB<br \/>\n<\/strong>&#8220;O principal desafio de Dilma ser\u00e1 continuar as pol\u00edticas p\u00fablicas e o crescimento econ\u00f4mico que o presidente Lula proporcionou. Dificilmente esse crescimento continuar\u00e1 em 2011 por causa da falta de infraestrutura. Para retomar o crescimento, ela ter\u00e1 de acelerar os investimentos em infraestrutura. Pelo menos n\u00e3o temos problema na \u00e1rea de energia el\u00e9trica. De toda forma, Dilma e o vice-presidente, Michel Temer, s\u00e3o bastante criteriosos e v\u00e3o procurar errar o m\u00ednimo poss\u00edvel. Agora na vice-presid\u00eancia, o PMDB ter\u00e1 uma responsabilidade ainda maior na governabilidade. Um partido desse tamanho n\u00e3o pode se dar ao luxo de fazer oposi\u00e7\u00e3o. O PMDB est\u00e1 todo pacificado e Dilma est\u00e1 acertando logo de in\u00edcio.&#8221;<\/p>\n<p><strong>L\u00facia V\u00e2nia (PSDB-GO), senadora reeleita<br \/>\n<\/strong>&#8220;A presidenta Dilma \u00e9 muito determinada. Dos presidentes recentes, ela \u00e9 a que tem maior base pol\u00edtica. Por isso, tem todas as condi\u00e7\u00f5es para fazer reforma tribut\u00e1ria e a reforma pol\u00edtica. O primeiro gesto dela deveria ser a reforma pol\u00edtica. O PSDB sempre foi favor\u00e1vel \u00e0 reforma e tem o compromisso com o voto distrital, com a fidelidade partid\u00e1ria, o financiamento de campanha e o voto em lista. Essas elei\u00e7\u00f5es mostraram a necessidade enorme de uma reforma, n\u00e3o podemos ficar com esse sistema que a\u00ed est\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Almeida (PSDB-BA), deputado<br \/>\n<\/strong>&#8220;O maior desafio de Dilma ser\u00e1 manter a estabilidade da moeda. Isso implica baixar os juros em consequ\u00eancia de sustentar o crescimento que n\u00f3s temos a\u00ed. N\u00f3s estamos numa economia com crescimento inferior \u00e0 m\u00e9dia de todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, com exce\u00e7\u00e3o talvez ao Haiti. De qualquer modo, \u00e9 um bom patamar de crescimento, um crescimento m\u00e9dio em oito anos de 3,6%. O brasileiro se acostumou a isso. O governo ter\u00e1 que promover isso, ou at\u00e9 promove-lo em escala maior. E, para isso, \u00e9 preciso combate efetivo \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, baixar juros e, o mais grave, promover o corte dos gastos p\u00fablicos. Ela ter\u00e1 de promover melhor qualidade do gasto p\u00fablico.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Arlindo Chinaglia (PT-SP), deputado reeleito<br \/>\n<\/strong>&#8220;O maior desafio de Dilma ser\u00e1 manter essa expectativa, no Brasil e no mundo, de um pa\u00eds essencialmente democr\u00e1tico, que est\u00e1 crescendo economicamente com distribui\u00e7\u00e3o de renda e jogando outro papel no plano mundial, porque o que acontece em qualquer pa\u00eds est\u00e1 vinculado ao que acontece no resto do planeta. Ela ter\u00e1 de dar continuidade ao governo Lula, de alt\u00edssima popularidade, e, ao mesmo tempo, fazer os ajustes que a situa\u00e7\u00e3o tanto nacional quanto mundial impuserem ao governo brasileiro. Ela vai naturalmente conduzir com esses par\u00e2metros, at\u00e9 porque j\u00e1 ajudou o governo Lula. At\u00e9 que se prove o contr\u00e1rio, a presidente ter\u00e1 s\u00f3lida maioria, o que permitir\u00e1 que o Congresso aprove o que ela prop\u00f5e e, principalmente, dialogue com o governo e a sociedade para acertar mais.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Carlos Aleluia (DEM-BA), deputado<br \/>\n<\/strong>&#8220;Primeiro, ela ter\u00e1 de ajustar a economia, que est\u00e1 descendo a ladeira. A infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 fora de controle, o c\u00e2mbio est\u00e1 destruindo a ind\u00fastria nacional, os empregos brasileiros est\u00e3o indo para a China, o Brasil est\u00e1 virando a fazenda e a mina da China. Se n\u00f3s n\u00e3o mudarmos isso, a nossa ind\u00fastria ser\u00e1 destru\u00edda rapidamente. \u00c9 s\u00f3 perguntar a qualquer industrial e a qualquer trabalhador, n\u00e3o trabalhador de mentirinha como o Lula, mas trabalhador de fato de ind\u00fastria, para ver que a ind\u00fastria est\u00e1 perdendo competitividade.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Prot\u00f3genes Queiroz (PCdoB-SP), deputado eleito<br \/>\n<\/strong>&#8220;Dilma ter\u00e1 de manter o que o presidente Lula construiu, principalmente os avan\u00e7os nos programas sociais e na educa\u00e7\u00e3o, mas ter\u00e1 de recuperar a sa\u00fade p\u00fablica, que est\u00e1 em n\u00edvel de sucateamento. Seu maior desafio ser\u00e1 superar as demandas de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, situa\u00e7\u00e3o que o governo Lula n\u00e3o conseguiu atender. A Rep\u00fablica veio a ser acometida por sucessivos esc\u00e2ndalos, e muitos deles ficaram pelo caminho, sem esclarecimento ou puni\u00e7\u00e3o. Por falta de institui\u00e7\u00f5es capazes, n\u00e3o? A Pol\u00edcia Federal foi a mais demandada no combate ao\u00a0 crime organizado, mas com descompasso entre a atividade policial e os instrumentos legais dispon\u00edveis que n\u00e3o conseguiu implementar no Congresso. A presidente Dilma deve ajudar o Congresso a tirar da gaveta instrumentos de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o que domina o cen\u00e1rio nacional, dinheiro que faz falta \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Wellington Dias (PT-PI), senador eleito<br \/>\n<\/strong>&#8220;Embora contando com um dos melhores professores de pol\u00edtica do pa\u00eds, que \u00e9 o ex-presidente Lula, certamente Dilma vai precisar de uma equipe e de lideran\u00e7as no Congresso Nacional para esse trabalho de Parlamento, muito exigente, com a presen\u00e7a de ex-presidentes, ex-governadores, e lideran\u00e7as destacadas no Brasil que t\u00eam uma posi\u00e7\u00e3o clara. A elei\u00e7\u00e3o foi bem disputada e, mais que a outra, teve n\u00e3o s\u00f3 a disputa de um projeto, mas de temas palpitantes. Certamente, a presidente Dilma vai precisar muito de costurar entendimentos para as grandes reformas que o Brasil ainda precisa: a pol\u00edtica e a tribut\u00e1ria. Agora mesmo temos a regulamenta\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal e uma conjuntura internacional muito complexa. Tenho a vis\u00e3o de que os efeitos da crise internacional ainda v\u00e3o chegar muito forte no ano de 2011 no Brasil. Tudo isso \u00e9 desafiador, e estaremos aqui a colaborar.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), deputado<br \/>\n<\/strong>&#8220;O maior desafio da presidente Dilma ser\u00e1 garantir o bom andamento da economia e realizar as reformas, sobretudo, a pol\u00edtica. A reforma pol\u00edtica foi feita pela metade pelo atual Congresso. Todos viram de perto a import\u00e2ncia que a sociedade deu \u00e0 Lei da Ficha Limpa. Precisamos discutir o voto distrital misto para readequar a rela\u00e7\u00e3o entre o eleitor e o eleito. H\u00e1 um desencanto com a pol\u00edtica. A reforma vai acontecer porque o ambiente j\u00e1 est\u00e1 criado. O PMDB tem esse compromisso.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Marta Suplicy (PT-SP), senadora eleita<br \/>\n<\/strong>&#8220;Ela vai ter uma queda de aprova\u00e7\u00e3o, claro, tem que ter. Voc\u00ea conhece algu\u00e9m no mundo que tenha isso (87% de popularidade)? Acho que ela est\u00e1 preparada. No come\u00e7o sempre tem uma coisa assim. Depois ela vai conquistar de novo, isso faz parte do processo.&#8221;<\/p>\n<p>Congresso em Foco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiro, foi o ex-presidente Lula. Em outubro, ele disse que assim que deixasse a Presid\u00eancia iria se empenhar na aprova\u00e7\u00e3o de uma reforma pol\u00edtica. Ontem (1\u00ba), foi a vez de sua sucessora. 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