{"id":25372,"date":"2010-12-28T07:22:24","date_gmt":"2010-12-28T10:22:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=25372"},"modified":"2010-12-28T07:22:24","modified_gmt":"2010-12-28T10:22:24","slug":"uma-caixa-de-pizza-assola-o-distrito-federal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/12\/28\/uma-caixa-de-pizza-assola-o-distrito-federal\/","title":{"rendered":"Uma caixa de pizza assola o Distrito Federal"},"content":{"rendered":"<p>A CPI da Corrup\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara Legislativa do Distrito Federal, criada para investigar o esquema de propina conhecido como mensal\u00e3o do Arruda, em refer\u00eancia ao ex-governador Jos\u00e9 Roberto Arruda, vai parar na Justi\u00e7a. Em 3 de dezembro, seis dias depois de a Opera\u00e7\u00e3o Caixa de Pandora completar um ano, as investiga\u00e7\u00f5es dos distritais sobre o esquema de propina que assombrou o Distrito Federal ganharam contornos de tragicom\u00e9dia. Al\u00e9m disso, o encerramento da legislatura mostrou a pouca vontade dos parlamentares em investigar o caso. O epis\u00f3dio parece ter servido apenas para a condena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que leva de volta o PT ao Governo do Distrito Federal. Agnelo Queiroz prepara-se para receber no dia 1\u00ba de janeiro uma cidade abandonada, com a grama transformada em mato alto e lixo se acumulando pelas ruas.<!--more--><br \/>\n\u00a0<br \/>\n<a href=\"http:\/\/congressoemfoco.uol.com.br\/noticia.asp?cod_publicacao=34146&amp;cod_canal=1\">Quase quatro meses ap\u00f3s aprovar um relat\u00f3rio pedindo o indiciamento de 22 pessoas<\/a>, entre elas os ex-governadores Jos\u00e9 Roberto Arruda e Joaquim Roriz e o ex-vice-governador Paulo Oct\u00e1vio, os distritais da CPI da Corrup\u00e7\u00e3o derrubaram o texto do relator Paulo Tadeu (PT). No lugar dele, aprovaram o inqu\u00e9rito conduzido pela Pol\u00edcia Federal, que pede o indiciamento de oito pessoas. Por conta da mudan\u00e7a, o petista vai entrar na Justi\u00e7a para que o presidente da CLDF publique o texto original, aprovado em 25 de agosto.<\/p>\n<p>\u201cVamos entrar na Justi\u00e7a para que o presidente da C\u00e2mara publique o relat\u00f3rio aprovado. Al\u00e9m disso, vamos denunciar a manobra que est\u00e3o fazendo \u00e0 OAB e ao Minist\u00e9rio P\u00fablico\u201d, disse o relator, que se tornar\u00e1 secret\u00e1rio de governo de Agnelo, ao <strong>Congresso em Foco<\/strong>.\u00a0 Ao tomar a iniciativa de aprovar o relat\u00f3rio da PF, os pr\u00f3prios deputados que participaram da sess\u00e3o \u2013 Aguinaldo de Jesus (PRB), Batista das Cooperativas (PRP) e Raimundo Ribeiro (PSDB) \u2013 acabaram com a raz\u00e3o de exist\u00eancia da CPI, na vis\u00e3o de Paulo Tadeu. \u201c\u00c9 atitude de um amontoado pol\u00edtico\u201d, disse. At\u00e9 agora, quase quatro semanas depois, os petistas ainda n\u00e3o entraram na Justi\u00e7a para garantir a publica\u00e7\u00e3o do primeiro relat\u00f3rio.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/congressoemfoco.uol.com.br\/noticia.asp?cod_canal=1&amp;cod_publicacao=34210\">A manobra levou tr\u00eas meses e foi antecipada pelo <strong>Congresso em Foco<\/strong> em 30 de agosto<\/a>. Na oportunidade, uma semana depois de aprovarem o relat\u00f3rio, os distritais j\u00e1 se movimentavam para aprovar uma nova reda\u00e7\u00e3o. Chegaram inclusive a convocar uma sess\u00e3o da CPI com a mesma pauta da semana anterior, como se n\u00e3o houvessem aprovado o texto antes. A inten\u00e7\u00e3o era tirar do relat\u00f3rio\u00a0 Paulo Oct\u00e1vio, F\u00e1bio Sim\u00e3o (ex-chefe de gabinete do ex-governador Jos\u00e9 Roberto Arruda), Roberto Giffoni (ex-corregedor do governo do DF) e Jos\u00e9 Humberto Pires (ex-secret\u00e1rio de governo de Arruda).<\/p>\n<p>Em 3 de dezembro, distritais que faziam parte da base aliada ao ent\u00e3o governador Arruda \u2013 dois deles ex-secret\u00e1rios de Estado \u2013, conseguiram. Ao aprovar o texto da PF, tiraram nomes como de Paulo Oct\u00e1vio, de Roberto Giffoni e de Jos\u00e9 Humberto Pires. Empresas tamb\u00e9m foram retiradas do texto. Apesar de a CPI n\u00e3o indiciar imediatamente essas pessoas \u2013 a tarefa cabe \u00e0 pol\u00edcia e ao Minist\u00e9rio P\u00fablico \u2013 , os nomes dos envolvidos ficam eternizados no relat\u00f3rio da comiss\u00e3o, entrando nos anais da Casa.<\/p>\n<p>Nos bastidores, parlamentares afirmaramm que a press\u00e3o era muito grande para anular o relat\u00f3rio de Paulo Tadeu. E ela partiu tanto de pol\u00edticos quanto de empres\u00e1rios acusados de abastecer o esquema de propina que envolveu membros do Executivo e do Legislativo locais. Ningu\u00e9m queria ver seu nome vinculado \u00e1 investiga\u00e7\u00e3o que atraiu os olhos da sociedade brasileira durante meses. E que ajudou a refor\u00e7ar o esteri\u00f3tipo de que Bras\u00edlia \u00e9 a sede da corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a sess\u00e3o no dia 3 de dezembro, Raimundo Ribeiro (PSDB) leu trechos da ata da reuni\u00e3o de 25 de agosto para refor\u00e7ar o argumento de que o relat\u00f3rio de Tadeu foi aprovado com ressalva de que seriam feitas altera\u00e7\u00f5es acordadas na ocasi\u00e3o. Segundo ele, o relator n\u00e3o cumpriu o acordo e enviou o documento diretamente ao presidente da C\u00e2mara, deputado Wilson Lima (PR).<\/p>\n<p>Ribeiro argumentou ainda as dificuldades enfrentadas pela CPI, como as mudan\u00e7as na sua composi\u00e7\u00e3o, o fato do principal depoente, Durval Barbosa, n\u00e3o ter respondido \u00e0s perguntas feitas pelos deputados, e a n\u00e3o disponibiliza\u00e7\u00e3o da \u00edntegra do inqu\u00e9rito n\u00ba 650 do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), que segundo ele prejudicaram o resultado dos trabalhos da Comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO relat\u00f3rio da Pol\u00edcia Federal foi resultado de um ano e meio de investiga\u00e7\u00f5es, com uso de toda a tecnologia poss\u00edvel, apoio do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da Justi\u00e7a\u201d, afirmou, em favor da substitui\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios. Ele disse que o relat\u00f3rio caiu em v\u00edcio formal por n\u00e3o ter sido entregue para o presidente da CPI. Tamb\u00e9m comentou sobre a dificuldade em conseguir dados sobre os investigados, e que documentos foram apresentados ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o do texto de Paulo Tadeu.<\/p>\n<p><strong>Sem processo<\/strong><\/p>\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico exemplo negativo dado pela C\u00e2mara Legislativa. No in\u00edcio da Opera\u00e7\u00e3o Caixa de Pandora, oito parlamentares foram apontados como poss\u00edveis beneficiados pelo esquema de propina. Destes, dois renunciaram: o ent\u00e3o presidente da CLDF, Leonardo Prudente (sem partido, ex-DEM) e Junior Brunelli (PSC). Eurides Britto (PMDB) preferiu enfrentar o processo por quebra de decoro parlamentar e acabou cassada pelos pares.<\/p>\n<p>Os outros cinco, no entanto, n\u00e3o sofreram nada. <a href=\"http:\/\/congressoemfoco.uol.com.br\/noticia.asp?cod_canal=1&amp;cod_publicacao=33421\">Em junho, ap\u00f3s a cassa\u00e7\u00e3o do mandato da peemedebista, os membros da Comiss\u00e3o de \u00c9tica e Decoro Parlamentar decidiram n\u00e3o fazer nada com os processos<\/a>. No final de novembro, depois de mais de tr\u00eas horas de discuss\u00f5es e de duas suspens\u00f5es da reuni\u00e3o, os membros da comiss\u00e3o decidiram, por tr\u00eas votos favor\u00e1veis, um contr\u00e1rio e uma declara\u00e7\u00e3o de impedimento, arquivar os processos dos distritais Benedito Domingos (PP), Ben\u00edcio Tavares (PMDB), R\u00f4ney Nemer (PMDB), Aylton Gomes (PMN) e Rog\u00e9rio Ulysses (PRTB). O argumento para acabar com os processos: falta de tempo. Do congresso em foco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CPI da Corrup\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara Legislativa do Distrito Federal, criada para investigar o esquema de propina conhecido como mensal\u00e3o do Arruda, em refer\u00eancia ao ex-governador Jos\u00e9 Roberto Arruda, vai parar na Justi\u00e7a. Em 3 de dezembro, seis dias depois de a Opera\u00e7\u00e3o Caixa de Pandora completar um ano, as investiga\u00e7\u00f5es dos distritais sobre o esquema de propina que assombrou o Distrito Federal ganharam contornos de tragicom\u00e9dia. Al\u00e9m disso, o encerramento da legislatura mostrou a pouca vontade dos parlamentares em investigar o caso. 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