{"id":25310,"date":"2010-12-27T08:03:32","date_gmt":"2010-12-27T11:03:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=25310"},"modified":"2010-12-27T08:03:32","modified_gmt":"2010-12-27T11:03:32","slug":"apos-conquista-do-pleno-emprego-desafio-agora-e-qualificacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/12\/27\/apos-conquista-do-pleno-emprego-desafio-agora-e-qualificacao\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s conquista do pleno emprego, desafio agora \u00e9 qualifica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A conquista do emprego pleno no Brasil ao fim do governo Lula oculta um desafio ainda mais complexo do que criar vagas. A presidenta eleita Dilma Rousseff ter\u00e1 de enfrentar a necessidade de promover a qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra brasileira. Setores como o da constru\u00e7\u00e3o pesada j\u00e1 vivem uma esp\u00e9cie de apag\u00e3o de pessoas graduadas, como engenheiros.<\/p>\n<p>Em dezembro, o \u00edndice de desemprego atingiu a marca recorde de 5,7%, segundo o IBGE. Apesar do aumento da renda do brasileiro nos anos Lula &#8211; acompanhada da expans\u00e3o do emprego -, foi nos setores de menor complexidade, como com\u00e9rcio e servi\u00e7os, que foram criadas mais de dois ter\u00e7os das 13,2 milh\u00f5es de vagas novas entre 2002 e 2008.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio revela uma \u201cprecariza\u00e7\u00e3o\u201d do mercado de trabalho, segundo alguns economistas, j\u00e1 que o emprego est\u00e1 crescendo, mas em segmentos onde as vagas, em sua maioria, exigem menor qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra e os sal\u00e1rios s\u00e3o mais baixos.<br \/>\n<!--more--><br \/>\n<script src=\"http:\/\/images.ig.com.br\/graficos\/js\/swfobject.js\" type=\"text\/javascript\"><\/script><\/p>\n<p>Mercado de trabalho na d\u00e9cadaNa avalia\u00e7\u00e3o do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, s\u00e3o exatamente esses setores, que continuar\u00e3o a contratar mais. \u201cOs setores de com\u00e9rcio, servi\u00e7os e constru\u00e7\u00e3o civil seguir\u00e3o fortes, por conta dos projetos de crescimento do pa\u00eds desenvolvidos pelo governo, como o PAC e o Minha Casa, Minha Vida; e ainda com todos os preparativos para os grandes eventos que acontecer\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos, entre eles a Copa do Mundo e as Olimp\u00edadas&#8221;, afirmou ele, na semana passada.<\/p>\n<p>Na constru\u00e7\u00e3o civil, a oferta maior de m\u00e3o de obra ainda \u00e9 em empregos menos complexos. Segundo Paulo Godoy, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias de Base (Abdib), hoje n\u00e3o faltam vagas para soldadores ou carpinteiros, mas j\u00e1 se enfrenta uma certa dificuldade em se encontrar bons engenheiros no mercado.<\/p>\n<div>\n<h5>Leia tamb\u00e9m:<\/h5>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/politica\/lula+afirma+no+radio+que+pais+esta+em+padrao+de+pleno+emprego\/n1237886366411.html\" target=\"_self\">Lula afirma no r\u00e1dio que pa\u00eds est\u00e1 em padr\u00e3o de pleno emprego<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/em+queda+desemprego+tem+novo+recorde\/n1237879995042.html\" target=\"_self\">Em queda, desemprego tem novo recorde<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/pais+esta+proximo+de+atingir+o+pleno+emprego+segundo+economistas\/n1237678405637.html\" target=\"_self\">Pa\u00eds est\u00e1 pr\u00f3ximo de atingir o pleno emprego, segundo economistas<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/pais+vive+cenarios+extremos+no+desemprego\/n1237737001862.html\" target=\"_self\">Pa\u00eds vive cen\u00e1rios extremos no desemprego<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/taxa+de+desemprego+cai+para+106+em+novembro+aponta+dieese\/n1237890448318.html\" target=\"_self\">Taxa de desemprego cai para 10,6% em novembro, aponta Dieese<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>Segundo Paulo Safady Sim\u00e3o, presidente da C\u00e2mara Brasileira da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o (CBIC), grupos de engenheiros de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e at\u00e9 de Portugal t\u00eam sido trazidos para o Brasil, por conta de uma escassez de profissionais formados aqui. Para ele, \u201ca m\u00e3o de obra \u00e9 o gargalo maior hoje para o setor\u201d. Apesar de esfor\u00e7os das entidades em capacitar e treinar os profissionais, a velocidade da expans\u00e3o do setor \u00e9 mais r\u00e1pida, diz.<\/p>\n<p>Os cursos de capacita\u00e7\u00e3o est\u00e3o em ritmo intenso, com funcion\u00e1rios \u201cs\u00eaniors\u201d transferindo seu conhecimento para os novatos, diz Godoy. Melhorar a capacidade de m\u00e3o de obra, por\u00e9m, \u00e9 uma tarefa estrutural, de longo prazo, porque passa por uma melhor forma\u00e7\u00e3o educacional e tamb\u00e9m pela experi\u00eancia pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>N\u00e3o se qualifica as pessoas de uma hora para outra, diz Fl\u00e1vio Castelo Branco, economista-chefe da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI). Come\u00e7a a surgir um problema de falta de m\u00e3o de obra qualificada, diz. \u201cAinda n\u00e3o \u00e9 cr\u00edtico, mas \u00e9 uma consequ\u00eancia natural do aquecimento da economia.\u201d<\/p>\n<p><strong>Custos trabalhistas achatam sal\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m da falta de qualifica\u00e7\u00e3o, pressionam os sal\u00e1rios recentes para baixo os encargos trabalhistas. Para Jos\u00e9 Pastore, professor de rela\u00e7\u00f5es do trabalho na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), essa \u00e9 uma realidade. \u201cA conta final da empresa \u00e9 de 102,43% de tributos em cima do sal\u00e1rio\u201d, diz. Isso significa que toda vez que uma empresa contrata um funcion\u00e1rio por um sal\u00e1rio de R$ 1 mil por m\u00eas ela tem uma despesa mensal de R$ 2.020,00.<\/p>\n<p>\u201cMas o trabalhador n\u00e3o leva R$ 1 mil para casa, ele leva R$ 700. Isso n\u00e3o tem cabimento. Ficar com R$ 700 e custar quase tr\u00eas vezes esse valor. Temos que pensar seriamente em encontrar uma forma de reduzir essas despesas para que as empresas possam, ao longo do tempo, investir em forma\u00e7\u00e3o, aumentar os sal\u00e1rios e dar mais qualidade ao trabalho\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Tanto a CNI quanto a CBIC preparam para os pr\u00f3ximos meses um levantamento mais preciso sobre a escassez de m\u00e3o de obra qualificada. As pesquisas s\u00e3o motivadas por essa percep\u00e7\u00e3o de falta de m\u00e3o de obra qualificada dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>Segundo Sim\u00e3o, da CBIC, a melhora da qualifica\u00e7\u00e3o profissional dos brasileiros \u00e9 fundamental tamb\u00e9m por conta do advento de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas no setor da constru\u00e7\u00e3o, que podem resultar em redu\u00e7\u00e3o de vagas de menor complexidade.<\/p>\n<p>Para Castelo Branco, da CNI, o n\u00edvel de contrata\u00e7\u00e3o pela ind\u00fastria em 2011 vai perder ritmo, mas manter a tend\u00eancia de cria\u00e7\u00e3o de mais vagas, apesar dos riscos de desindustrializa\u00e7\u00e3o com a valoriza\u00e7\u00e3o do real. A d\u00favida \u00e9 onde estar\u00e3o essas novas vagas.<\/p>\n<p><strong>Metade dos profissionais ainda \u00e9 informal<\/strong><\/p>\n<p>A meta tra\u00e7ada para este ano, de 2,5 milh\u00f5es de novos empregos foi alcan\u00e7ada em novembro, segundo dados divulgados na semana passada pelo Minist\u00e9rio do Trabalho. Apesar do bom desempenho do mercado de trabalho, 50% da popula\u00e7\u00e3o em idade produtiva ainda est\u00e1 na informalidade, segundo Pastore. \u201cNuma for\u00e7a de trabalho de cerca de 100 milh\u00f5es de pessoas existem 50 milh\u00f5es de brasileiros sem nenhuma prote\u00e7\u00e3o. Isso tem a ver com a excessiva carga tribut\u00e1ria sobre a folha de pagamento\u201d, diz. \u201cA informalidade \u00e9 muito mais alta do que a m\u00e9dia na agricultura, onde o \u00edndice beira 70%. Tamb\u00e9m \u00e9 muito alta na constru\u00e7\u00e3o civil onde muita gente trabalha por conta pr\u00f3pria sem nenhuma prote\u00e7\u00e3o legal\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Para Lupi, &#8211; que foi reconduzido ao cargo de ministro na gest\u00e3o Dilma \u2013 quase a metade dos trabalhadores com v\u00ednculo o perdem ao longo de um ano, porque h\u00e1 muitos setores com contrata\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria \u2013 por safra, empreitada ou datas comerciais. Por esse levantamento \u2013 apresentado na semana passada \u2013 Lupi avalia que a legisla\u00e7\u00e3o brasileira j\u00e1 seja flex\u00edvel nas quest\u00f5es trabalhistas, favorecendo a rotatividade. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para flexibilizar mais\u201d, afirmou o ministro, na semana passada.<\/p>\n<p>Lupi prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de 3 milh\u00f5es novos postos de trabalho em 2011. Mas segundo analistas, com as proje\u00e7\u00f5es de crescimento da economia em torno de 4,5%, esse resultado pode n\u00e3o ser alcan\u00e7ado. \u201c\u00c9 preciso saber o efeito do c\u00e2mbio na atividade econ\u00f4mica. Nos \u00faltimos cinco anos, os sal\u00e1rios do Brasil na m\u00e9dia, aumentaram 75% em d\u00f3lar. Isso afeta o custo de produ\u00e7\u00e3o e a competitividade e pode ter impacto na gera\u00e7\u00e3o de vagas\u201d, diz Pastore.<\/p>\n<p><em><strong>Do IG<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A conquista do emprego pleno no Brasil ao fim do governo Lula oculta um desafio ainda mais complexo do que criar vagas. A presidenta eleita Dilma Rousseff ter\u00e1 de enfrentar a necessidade de promover a qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra brasileira. Setores como o da constru\u00e7\u00e3o pesada j\u00e1 vivem uma esp\u00e9cie de apag\u00e3o de pessoas graduadas, como engenheiros. 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