{"id":25013,"date":"2010-12-22T07:39:05","date_gmt":"2010-12-22T10:39:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=25013"},"modified":"2010-12-22T07:39:05","modified_gmt":"2010-12-22T10:39:05","slug":"ministerio-publico-acusa-de-golpe-ong-que-da-credito-para-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/12\/22\/ministerio-publico-acusa-de-golpe-ong-que-da-credito-para-casa\/","title":{"rendered":"Minist\u00e9rio P\u00fablico acusa de golpe ONG que d\u00e1 cr\u00e9dito para casa"},"content":{"rendered":"<p>O sonho da casa pr\u00f3pria pareceu mais pr\u00f3ximo para a assistente administrativa Eliane Ferraz, 30 anos, por meio de um sistema alternativo de financiamento imobili\u00e1rio. Ela\u00a0 (AFTB), uma Organiza\u00e7\u00e3o da Sociedade Civil de Interesse P\u00fablico (Oscip) que oferece cr\u00e9dito para a compra de im\u00f3veis sem juros, sem comprova\u00e7\u00e3o de renda e com uma entrada de apenas 3% do valor emprestado, parcelada em 30 meses. Eliane contribui desde fevereiro de 2009 com R$ 120 mensais para a entidade, com a previs\u00e3o de receber um empr\u00e9stimo de R$ 120 mil no ano que vem para comprar seu primeiro im\u00f3vel. Sua expectativa pode n\u00e3o se concretizar. O Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio de Janeiro acusa a AFTB de fraude financeira e conseguiu uma liminar neste m\u00eas para interromper as atividades da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><!--more-->Eliane Ferraz \u00e9 uma das 81 mil associadas da Associa\u00e7\u00e3o Frutos da Terra Brasil<\/p>\n<p>Criada em mar\u00e7o de 2007, a AFTB se prop\u00f5e a eliminar o d\u00e9ficit habitacional brasileiro, estimado em 8 milh\u00f5es de moradias, em um prazo de vinte anos. O projeto da entidade prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de um fundo formado por recursos de contribui\u00e7\u00f5es dos associados, doa\u00e7\u00f5es de empresas e do governo. Neste sistema, por exemplo, um associado conseguiria R$ 100 mil para comprar uma casa ap\u00f3s 30 contribui\u00e7\u00f5es mensais de R$ 100. Dos 81 mil associados, est\u00e3o ativos apenas 15 mil \u2013 os demais deixaram de pagar a presta\u00e7\u00e3o. Em 2009, a receita da entidade foi de R$ 5 milh\u00f5es, segundo demonstrativos financeiros dispon\u00edveis em seu site. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, a associa\u00e7\u00e3o liberou R$ 18 milh\u00f5es em cr\u00e9ditos para cerca de 200 pessoas, de acordo com o seu fundador e presidente, Carlos Rotermund.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o \u00e9 mais atraente do que os financiamentos banc\u00e1rios tradicionais, por\u00e9m, para o Minist\u00e9rio P\u00fablico e para o Banco Central (BC), o sistema \u00e9 insustent\u00e1vel e pode ser um golpe financeiro. Um parecer do BC sobre a AFTB, obtido pelo<strong> iG<\/strong>, compara o mecanismo a uma pir\u00e2mide financeira. Neste sistema, apenas os primeiros associados v\u00e3o, de fato, receber o benef\u00edcio em 30 meses, j\u00e1 que n\u00e3o haver\u00e1 recursos suficientes para os \u00faltimos, disse o promotor Julio Machado, que est\u00e1 \u00e0 frente do processo no Minist\u00e9rio P\u00fablico. O laudo do Banco Central estima que para cada carta de cr\u00e9dito liberada s\u00e3o necess\u00e1rios 29 novos associados.<\/p>\n<p>\u00a0Leia tamb\u00e9m:<\/p>\n<div>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/filhos+mae+e+esposa+do+dono+de+ong+acusada+receberam+credito\/n1237888472806.html\" target=\"_self\">Filhos, m\u00e3e e esposa do fundador da AFTB receberam cr\u00e9dito<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>Eliane e outros associados da AFTB s\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0 decis\u00e3o do MP. A auxiliar administrativa se associou \u00e0 entidade depois que viu frustrados seus planos de receber o benef\u00edcio do programa habitacional do governo federal, Minha Casa, Minha Vida. Com restri\u00e7\u00f5es cadastrais para cr\u00e9dito, ela n\u00e3o foi aprovada pela Caixa Econ\u00f4mica para participar do programa. Hoje, vive com o marido e o filho na casa dos seus pais e diz que continuar\u00e1 a contribuir com a AFTB. \u201c\u00c9 a minha \u00fanica chance de comprar um im\u00f3vel. O Minist\u00e9rio P\u00fablico est\u00e1 prejudicando os associados\u201d, diz.<\/p>\n<p>O promotor confirma que tem recebido cr\u00edticas de alguns associados, mas, entende que eles n\u00e3o querem acreditar que n\u00e3o conseguir\u00e3o os empr\u00e9stimos. \u201cOs 30 meses de contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegaram ao fim para a maioria dos associados. Eles ser\u00e3o futuros lesados\u201d, afirma Machado. \u201cEssa institui\u00e7\u00e3o se aproveita da fragilidade das pessoas. Se o sistema fosse poss\u00edvel, todo mundo iria querer. Mas \u00e9 invi\u00e1vel\u201d, completa.<br \/>\nO fundador da AFTB diz que a associa\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo v\u00edtima de uma avalia\u00e7\u00e3o preconceituosa do Minist\u00e9rio P\u00fablico. \u201cEles fizeram a an\u00e1lise do nosso modelo sem nos consultar adequadamente\u201d, disse Rotermund. Ele insiste na viabilidade do sistema e diz que um laudo do escrit\u00f3rio MS Cardim atesta a sustentabilidade da AFTB. No documento, a consultoria simula cen\u00e1rios de arrecada\u00e7\u00e3o e conclui que ele \u00e9 vi\u00e1vel, desde que a entidade receba tamb\u00e9m recursos de empresas ou do governo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 poss\u00edvel realizar as concess\u00f5es de cr\u00e9ditos para todos os associados na medida em que os recursos estejam dispon\u00edveis, sejam de empresas, do governo e ou empresas securitizadoras, al\u00e9m das amortiza\u00e7\u00f5es dos financiamentos concedidos\u201d, conclui o parecer. O iG procurou o MS Cardim, mas eles n\u00e3o retornaram os pedidos de entrevista.<\/p>\n<p>A AFTB n\u00e3o recebeu recursos p\u00fablicos e n\u00e3o divulga a rela\u00e7\u00e3o de empresas doadoras. Em 2009, apenas R$ 20.758,25 de uma receita de cerca de R$ 5 milh\u00f5es n\u00e3o \u00e9 resultado de contribui\u00e7\u00f5es de associados, de acordo com o balan\u00e7o da associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><br \/>\nO sistema da AFTB permite que os associados consigam a carta de cr\u00e9dito antes mesmo dos 30 meses de contribui\u00e7\u00e3o, desde que consigam indicar novos membros. A cada indica\u00e7\u00e3o, os integrantes acumulam pontos e os melhores colocados em um ranking conseguem receber o cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Foi assim que Alexandre Portella, 46 anos, dono de uma empresa de eventos, comprou sua casa ap\u00f3s apenas sete meses de contribui\u00e7\u00e3o, no Rio de Janeiro. Ele ingressou na AFTB em dezembro de 2009, com contribui\u00e7\u00f5es mensais de R$ 100, e, em julho deste ano, recebeu sua carta de cr\u00e9dito. Em sete meses, ele ficou em primeiro lugar em um ranking de capta\u00e7\u00e3o de novos membros para a entidade, com 170 indica\u00e7\u00f5es. Dois deles s\u00e3o da pr\u00f3pria fam\u00edlia: a esposa e o filho de Alexandre tamb\u00e9m ingressaram na AFTB, mas ainda n\u00e3o foram contemplados. Segundo ele, a fam\u00edlia vai continuar a contribuir com a entidade para tentar receber as outras duas cartas de cr\u00e9dito, mesmo com a amea\u00e7a do Minist\u00e9rio P\u00fablico. \u201cEu n\u00e3o sei de nenhum associado que bateu na porta do Minist\u00e9rio P\u00fablico para reclamar que foi prejudicado pela AFTB\u201d, diz.<\/p>\n<p>O representante comercial M\u00e1rcio Cordeiro, de Pouso Alegre (MG), n\u00e3o chegou a denunciar a entidade no MP, mas parou de contribuir com a associa\u00e7\u00e3o quando n\u00e3o conseguiu seu empr\u00e9stimo. Ele conheceu a AFTB por meio de uma amiga e se inscreveu no sistema com tr\u00eas cartas de cr\u00e9dito, para ele e para os dois filhos. Cordeiro deixou do emprego para trabalhar na divulga\u00e7\u00e3o da entidade e indicou mais de 200 pessoas para acelerar a contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele j\u00e1 tem casa pr\u00f3pria, mas via o sistema como uma esp\u00e9cie de investimento. \u201cAchei que com seis meses eu poderia ter empr\u00e9stimos sem juros de R$ 100 mil, R$ 150 mil e R$ 200 mil e valia \u00e0 pena deixar de trabalhar para me dedicar a isso\u201d, diz. Cordeiro disse que seus pontos foram eliminados do sistema e que n\u00e3o recebeu o empr\u00e9stimo. \u201cDepois disso, n\u00e3o acreditei mais. Se fizeram isso comigo que representava a entidade na cidade, imagine o que v\u00e3o fazer com os outros\u201d, disse.<\/p>\n<p>Cordeiro parou de pagar a parcela e pediu seu dinheiro de volta. A entidade disse que n\u00e3o vai devolver nada a ele, j\u00e1 que as contribui\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma doa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de um montante de R$ 1.100 pago, Cordeiro inclui nas suas perdas o seu emprego \u2013 agora ele est\u00e1 desempregado. \u201cEstou arrependido. At\u00e9 divulguei no jornal da cidade os problemas que tive com a AFTB para alertar os associados e me eximir da responsabilidade do que vier a acontecer.\u201d<\/p>\n<p>Para o Minist\u00e9rio P\u00fablico, a bonifica\u00e7\u00e3o dos membros pela indica\u00e7\u00e3o de novos associados \u00e9 inadequada para um sistema de cr\u00e9dito imobili\u00e1rio. \u201cIsso faz com que as pessoas tendam a ser mal informadas quando se inscrevem na entidade. Quem as indica tem interesse de que elas integrem a institui\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Machado. Cerca de 8% da receita da AFTB \u00e9 usada para remunerar os associados que se dedicam a divulgar a entidade.<\/p>\n<p>A AFTB est\u00e1 tentando reverter a decis\u00e3o judicial para manter o funcionamento da Oscip. At\u00e9 l\u00e1, n\u00e3o est\u00e1 mais aceitando novos membros, segundo o seu fundador. A associa\u00e7\u00e3o continua a receber os pagamentos dos associados e a liberar cartas de cr\u00e9dito, diz Rotermund.<\/p>\n<div>\n<div><cite><\/cite><\/div>\n<div><em><strong>IG<\/strong><\/em><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sonho da casa pr\u00f3pria pareceu mais pr\u00f3ximo para a assistente administrativa Eliane Ferraz, 30 anos, por meio de um sistema alternativo de financiamento imobili\u00e1rio. Ela\u00a0 (AFTB), uma Organiza\u00e7\u00e3o da Sociedade Civil de Interesse P\u00fablico (Oscip) que oferece cr\u00e9dito para a compra de im\u00f3veis sem juros, sem comprova\u00e7\u00e3o de renda e com uma entrada de apenas 3% do valor emprestado, parcelada em 30 meses. Eliane contribui desde fevereiro de 2009 com R$ 120 mensais para a entidade, com a previs\u00e3o de receber um empr\u00e9stimo de R$ 120 mil no ano que vem para comprar seu primeiro im\u00f3vel. Sua expectativa pode&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-25013","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":953,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25013","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25013"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25013\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25015,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25013\/revisions\/25015"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25013"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25013"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25013"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}