{"id":24996,"date":"2010-12-22T07:22:00","date_gmt":"2010-12-22T10:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=24996"},"modified":"2010-12-22T07:22:00","modified_gmt":"2010-12-22T10:22:00","slug":"musalaha-trabalha-pela-reconciliacao-entre-arabes-e-israelenses-convertidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/12\/22\/musalaha-trabalha-pela-reconciliacao-entre-arabes-e-israelenses-convertidos\/","title":{"rendered":"&#8220;Musalaha&#8221; trabalha pela reconcilia\u00e7\u00e3o entre \u00e1rabes e israelenses convertidos"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" title=\"amizade\" src=\"http:\/\/www.portasabertas.org.br\/imagens\/textos\/id518_05714.jpg\" alt=\"\" width=\"283\" height=\"212\" \/>ISRAEL E PALESTINA <\/strong>&#8211; A Miss\u00e3o Portas Abertas est\u00e1 em f\u00e9rias coletivas entre os dias 22 de dezembro e 2 de janeiro.<br \/>\nNesse per\u00edodo, o site ter\u00e1 um conte\u00fado especial, com testemunhos que podem ser usados nas igrejas, em pequenos grupos ou em qualquer situa\u00e7\u00e3o, para a edifica\u00e7\u00e3o do Corpo de Cristo.<br \/>\nEm julho de 2005 um integrante da equipe da Portas Abertas Internacional visitou Israel e a Cisjord\u00e2nia e trouxe o seguinte relato sobre o minist\u00e9rio de reconcilia\u00e7\u00e3o Musalaha:<br \/>\n&#8220;Estou sentado numa igreja em Ramallah, uma grande cidade, perto de Jerusal\u00e9m. O culto de Natal das crian\u00e7as encerrou-se neste momento e elas est\u00e3o correndo para fora, com os olhos brilhando de excita\u00e7\u00e3o. Comigo est\u00e1 uma senhora crist\u00e3, palestina de meia idade. Sua seriedade e um leve ar de desconfian\u00e7a s\u00e3o um contraste completo com os gritos e risos no p\u00e1tio. Mas, de \u00edmpeto, Selwa est\u00e1 ansiosa para falar&#8230;<br \/>\n<!--more--><br \/>\n&#8220;Tenho um filho adolescente chamado Simon. Durante a intifada ele foi espancado por soldados israelenses. Um dia ele viajou comigo para a Jord\u00e2nia. Quando viu os soldados jordanianos, ficou com medo e reagiu mal, porque eles o faziam lembrar-se dos soldados israelenses. Ele foi para os Estados Unidos para estudar, mas deixou a universidade porque tinha muitos problemas emocionais. Fico muito preocupada com minha fam\u00edlia, e de como as lutas a t\u00eam afetado&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Dois dias depois, vi-me tomando caf\u00e9 com Cindy, uma judia messi\u00e2nica. Ela \u00e9 moderada mas, de igual forma, gosta de discutir os problemas que existem para ela, uma israelita que vive em Jerusal\u00e9m. &#8220;Nunca sei onde vai explodir a pr\u00f3xima bomba. No \u00faltimo ver\u00e3o, aqui do meu escrit\u00f3rio, pudemos ouvir a explos\u00e3o do mercado feita pelo suicida. O pr\u00e9dio todo tremeu. Sempre, no fundo da mente, voc\u00ea pensa que \u00e9 o pr\u00f3ximo. Vemos com frequ\u00eancia soldados na rua principal, fora deste pr\u00e9dio, inspecionando objetos suspeitos que podem ser bombas.&#8221;<\/p>\n<p>Por detr\u00e1s das duas hist\u00f3rias est\u00e1 o lamento de muitos milhares de mulheres palestinas e judias. A agonia de anos vividos em tormento e opress\u00e3o. O medo, a frustra\u00e7\u00e3o e o claro desespero de viver numa situa\u00e7\u00e3o para a qual n\u00e3o parece haver solu\u00e7\u00e3o f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Territ\u00f3rio desconhecido<\/p>\n<p>Mas, nem Selwa nem Cindy constituem exemplo t\u00edpico de pessoas ao seu redor. Ambas decidiram entrar em territ\u00f3rio desconhecido para se reunirem com mulheres &#8220;do outro lado&#8221;. No final de novembro de 1997, elas foram a uma confer\u00eancia organizada pelo movimento crist\u00e3o de reconcilia\u00e7\u00e3o &#8220;Musalaha&#8221;. Salim Munayer, o fundador do Musalaha, explica: &#8220;Com frequ\u00eancia, muito da hostilidade entre palestinos e israelitas surge do medo. A maioria das pessoas nunca teve qualquer contato significativo com algu\u00e9m do outro lado. Nosso objetivo \u00e9 juntar os crist\u00e3os dos dois lados e quebrar as barreiras de hostilidade e desconfian\u00e7a pelo estudo da nossa f\u00e9 em Cristo e as decorr\u00eancias dela para as nossas rela\u00e7\u00f5es neste pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p>Trata-se de um processo dif\u00edcil para os envolvidos. Selwa disse-me: &#8220;Quando fiquei sabendo, de in\u00edcio, que haveria mulheres israelitas na confer\u00eancia, fiquei apreensiva. Finalmente, decidi ir e falei para minhas vizinhas que estava indo. De in\u00edcio, elas n\u00e3o puderam entender por que eu iria querer fazer uma coisa dessas. Disseram-me que esse tipo de coisa \u00e9 imposs\u00edvel e que n\u00e3o pode haver progresso em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 paz.&#8221;<\/p>\n<p>Para Cindy, seu preconceito contra os \u00e1rabes tamb\u00e9m era forte. Mas ela tamb\u00e9m estava determinada a superar seu ponto de vista pessoal. Enquanto convers\u00e1vamos, percebi que, mesmo no ambiente de relativa tranquilidade dessa confer\u00eancia, qualquer gesto em dire\u00e7\u00e3o ao entendimento m\u00fatuo \u00e9 incrivelmente dif\u00edcil. Isto significa sair da zona de conforto e tornar-se vulner\u00e1vel \u00e0queles a quem se v\u00ea instintivamente como um &#8220;agressor.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Todas falando e chorando&#8221;<\/p>\n<p>Eu quis saber o que havia motivado Selwa a ir \u00e0 confer\u00eancia pela primeira vez. &#8220;Eu queria ir porque o Musalaha trata de dois lados diferentes e n\u00e3o apenas de um. Eu queria expressar meus sentimentos de preocupa\u00e7\u00e3o com meus filhos.&#8221; Ela contou o que aconteceu: &#8220;A primeira tarde, uma sexta-feira, foi de pouca import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Apresentamo-nos umas \u00e0s outras e brincamos com alguns jogos para quebrar o gelo. Ent\u00e3o, adoramos a Deus juntas e ouvimos uma palestra sobre a natureza da verdadeira amizade.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;No s\u00e1bado, dividimo-nos em pequenos grupos e falamos sobre nossas m\u00e1goas &#8211; compartilhando nossas hist\u00f3rias pessoais e descrevendo como Deus havia nos ajudado em tempos de afli\u00e7\u00e3o. Depois de um breve intervalo, falamos em nosso pequeno grupo sobre alegria. Eu falei com mulheres israelitas &#8211; todas est\u00e1vamos falando e chorando. Compartilhando nossas dificuldades. E, para mim, mais importante, dividindo nossas preocupa\u00e7\u00f5es com nossas fam\u00edlias. Vi que elas sofrem da mesma forma que eu &#8211; preocupando-se com o futuro dos filhos.&#8221;<\/p>\n<p>A confer\u00eancia, de acordo com todos os relatos, foi um grande sucesso. Muitas das mulheres estavam ansiosas para se reunirem com mais frequ\u00eancia e ter mais contato com suas novas amigas. Mas, ser\u00e1 que isso realmente significa alguma coisa? Como poderia uma iniciativa aparentemente t\u00e3o pequena fazer qualquer diferen\u00e7a no dist\u00farbio pol\u00edtico desta parte do Oriente M\u00e9dio? Teria provocado mudan\u00e7as pelo menos nas pessoas que foram \u00e0 confer\u00eancia?<\/p>\n<p>Selwa foi inflex\u00edvel: &#8220;Antes da confer\u00eancia, eu tinha muito medo de visitar uma mulher israelita em sua casa &#8211; agora n\u00e3o. Ela n\u00e3o \u00e9 mais minha inimiga. Tenho falado \u00e0s minhas vizinhas &#8211; aquelas que n\u00e3o acreditaram que eu fosse \u00e0 confer\u00eancia. Agora elas veem o que h\u00e1 de bom nela, e eu acho que dessa forma vai haver progresso para o futuro.&#8221;<\/p>\n<p>O Musalaha organiza muitas outras promo\u00e7\u00f5es para reunir crist\u00e3os palestinos e israelitas. Entre relatos entusiasmantes de pessoas que superaram fortes hostilidades e obtiveram a cura de anos de sofrimento e amargura, est\u00e3o hist\u00f3rias tristes daqueles que n\u00e3o puderam dar nem mesmo esse passo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 paz.<\/p>\n<p>No entanto, est\u00e1 claro que o Musalaha est\u00e1 quebrando fronteiras, de forma que o efeito que est\u00e1 surtindo \u00e9 significativo. Salim Munayer est\u00e1 confiante que este trabalho pode fazer uma grande diferen\u00e7a ao seu pa\u00eds: &#8220;Precisamos ser pacientes e deixar Deus trabalhar nas pessoas que v\u00e3o aos eventos. Devagar, devagar estamos vendo o impacto crescer e provocar o efeito domin\u00f3. Esse \u00e9 o nosso objetivo e a nossa vis\u00e3o. Somente Deus pode realmente mudar os cora\u00e7\u00f5es e curar a inimizade. E quando Ele age, as pessoas veem.&#8221;<\/p>\n<p>*Texto publicado em: 15\/7\/2005<\/p>\n<p>Portas Abertas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ISRAEL E PALESTINA &#8211; A Miss\u00e3o Portas Abertas est\u00e1 em f\u00e9rias coletivas entre os dias 22 de dezembro e 2 de janeiro. Nesse per\u00edodo, o site ter\u00e1 um conte\u00fado especial, com testemunhos que podem ser usados nas igrejas, em pequenos grupos ou em qualquer situa\u00e7\u00e3o, para a edifica\u00e7\u00e3o do Corpo de Cristo. Em julho de 2005 um integrante da equipe da Portas Abertas Internacional visitou Israel e a Cisjord\u00e2nia e trouxe o seguinte relato sobre o minist\u00e9rio de reconcilia\u00e7\u00e3o Musalaha: &#8220;Estou sentado numa igreja em Ramallah, uma grande cidade, perto de Jerusal\u00e9m. 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