{"id":24697,"date":"2010-12-16T06:39:01","date_gmt":"2010-12-16T09:39:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=24697"},"modified":"2010-12-16T06:39:01","modified_gmt":"2010-12-16T09:39:01","slug":"stf-muda-e-agora-diz-que-receita-so-pode-quebrar-sigilo-com-autorizacao-judicial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/12\/16\/stf-muda-e-agora-diz-que-receita-so-pode-quebrar-sigilo-com-autorizacao-judicial\/","title":{"rendered":"STF muda e agora diz que Receita s\u00f3 pode quebrar sigilo com autoriza\u00e7\u00e3o judicial"},"content":{"rendered":"<p>O STF (Supremo Tribunal Federal) modificou nesta quarta-feira recente entendimento e decidiu que Receita Federal s\u00f3 pode ter acesso a dados banc\u00e1rios sigilosos de contribuintes investigados com a devida autoriza\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n<p>Os ministros julgaram um mesmo recurso analisado no final do m\u00eas passado, com a diferen\u00e7a que hoje debateram o m\u00e9rito da quest\u00e3o.<\/p>\n<p>No primeiro julgamento, o tribunal derrubou uma decis\u00e3o monocr\u00e1tica de Marco Aur\u00e9lio Mello, que havia impedido a quebra direta pela Receita do sigilo banc\u00e1rio de uma empresa, a GVA Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, por 6 votos a 4, entendeu-se que essa quebra poderia ocorrer sem a necessidade de autoriza\u00e7\u00e3o por parte do Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>Nesta ter\u00e7a, por\u00e9m, por uma mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o do ministro Gilmar Mendes e pela aus\u00eancia de Joaquim Barbosa &#8211;ambos haviam votado a favor do acesso direto aos dados sigilosos&#8211; o Supremo entendeu exatamente o oposto.<!--more--><\/p>\n<p>Ao final, o resultado ficou em 5 a 4 por obrigar a Receita a pedir permiss\u00e3o \u00e0 Justi\u00e7a para ter acesso a dados sigilosos banc\u00e1rios.<\/p>\n<p>O caso vale apenas para a GVA, que foi investigada no in\u00edcio dos anos 2000 pela Receita, mas serve como jurisprud\u00eancia.<\/p>\n<p>No julgamento de hoje, o Supremo afirmou que a Lei Complementar 105 n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida. Ela permitiu que autoridades e agentes fiscais tribut\u00e1rios da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios tenham direito de acessar &#8220;documentos, livros e registros de institui\u00e7\u00f5es financeiras, inclusive os referentes a contas de dep\u00f3sitos e aplica\u00e7\u00f5es financeiras&#8221; de contribuintes que respondam processo administrativo ou procedimento fiscal.<\/p>\n<p>Um dos mais contundentes defensores da necessidade do pedido judicial para a quebra do sigilo \u00e9 o ministro Celso de Mello.<\/p>\n<p>&#8220;A quebra do sigilo banc\u00e1rio n\u00e3o pode e n\u00e3o deve ser utilizada como instrumento de devassa indiscriminada e ordin\u00e1ria da vida das pessoas. Basta que a administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria fundamente sua inten\u00e7\u00e3o de ruptura do sigilo banc\u00e1rio e submeta seu pleito ao Judici\u00e1rio&#8221;, argumentou Celso de Mello na primeira vez em que o tribunal discutiu o fato. Nesta ter\u00e7a, ele reafirmou seu voto, inicialmente vencido.<\/p>\n<p>O entendimento, contudo, pode ainda sofrer altera\u00e7\u00f5es. Isso porque, em novo julgamento sobre o tema, Joaquim Barbosa poder\u00e1 estar presente, devendo votar favoravelmente ao acesso direto dos dados.<\/p>\n<p>Se um novo ministro tamb\u00e9m votar desta maneira, o entendimento sofrer\u00e1 nova altera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ministra Ellen Gracie chegou a pedir vista, para evitar inseguran\u00e7a jur\u00eddica, mas decidiu voltar atr\u00e1s, ap\u00f3s uma proposta da maioria do tribunal para restabelecer a liminar de Marco Aur\u00e9lio, caso o julgamento fosse interrompido por ela. <strong><em>Da Folha<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O STF (Supremo Tribunal Federal) modificou nesta quarta-feira recente entendimento e decidiu que Receita Federal s\u00f3 pode ter acesso a dados banc\u00e1rios sigilosos de contribuintes investigados com a devida autoriza\u00e7\u00e3o judicial. 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