{"id":24548,"date":"2010-12-14T07:21:58","date_gmt":"2010-12-14T10:21:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=24548"},"modified":"2010-12-14T07:21:58","modified_gmt":"2010-12-14T10:21:58","slug":"parlamentares-querem-aumentar-salarios-em-625","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/12\/14\/parlamentares-querem-aumentar-salarios-em-625\/","title":{"rendered":"Parlamentares querem aumentar sal\u00e1rios em 62,5%"},"content":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria se repete. Nos \u00faltimos lances do ano legislativo, os parlamentares\u00a0 preparam um reajuste que pode elevar de R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil os seus pr\u00f3prios sal\u00e1rios. Um reajuste de, nada mais nada menos, 62,5%, a incidir j\u00e1 no primeiro contracheque de janeiro de 2011. Hoje (ter\u00e7a, 14), uma reuni\u00e3o prevista para as 20h, na Primeira Vice-Presid\u00eancia da C\u00e2mara, servir\u00e1 para dar in\u00edcio \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de um texto final que, com obriga\u00e7\u00e3o regimental e constitucional de ser levado ao Senado antes de ir ao plen\u00e1rio, pode equiparar os vencimentos dos congressistas aos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (R$ 26.723, teto remunerat\u00f3rio do funcionalismo p\u00fablico).<\/p>\n<p>O texto, que est\u00e1 sob responsabilidade do quarto-secret\u00e1rio da C\u00e2mara, Nelson Marquezelli (PTB-SP), deve ser formulado na forma de projeto de decreto legislativo, por imposi\u00e7\u00f5es regimentais. Uma vez aprovado pelos parlamentares, o texto ser\u00e1 promulgado (sem precisar de san\u00e7\u00e3o presidencial). O deputado disse ao <strong>Congresso em Foco<\/strong> que, ao contr\u00e1rio do que tem sido noticiado, ainda n\u00e3o h\u00e1 um texto pronto, mas apenas uma no\u00e7\u00e3o geral dos crit\u00e9rios de reajuste a serem definidos. <!--more--><\/p>\n<p>\u201cVamos come\u00e7ar a conversar. Temos que conversar muito ainda\u201d, admitiu Marquezelli, confirmando que deputados querem aproximar os rendimentos ao valor m\u00e1ximo praticado no funcionalismo p\u00fablico. Para o parlamentar paulista, n\u00e3o h\u00e1 porque temer a repercuss\u00e3o negativa de mais um reajuste. \u201cEst\u00e1 na Constitui\u00e7\u00e3o. N\u00f3s precisamos fixar um valor e vot\u00e1-lo para a pr\u00f3xima legislatura\u201d, ponderou, acrescentando que n\u00e3o s\u00e3o v\u00e1lidas as compara\u00e7\u00f5es com o aumento de poucos reais para o sal\u00e1rio m\u00ednimo, na discuss\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria em curso no Congresso.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o milh\u00f5es os que ganham sal\u00e1rio m\u00ednimo. E, aqui no Congresso, s\u00e3o apenas 513\u201d, declarou, deixando de mencionar os 81 senadores e no risco de um efeito cascata nos vencimentos dos demais servidores p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A remunera\u00e7\u00e3o atual foi reajustada em junho de 2007 \u2013 o mais recente percentual de aumento foi de 28%. No ano anterior, o Psol foi ao Supremo para contestar os crit\u00e9rios de reajuste, mas n\u00e3o conseguiu evitar o aumento.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Embora j\u00e1 haja uma previs\u00e3o de que a mat\u00e9ria seja posta na pauta de vota\u00e7\u00f5es do plen\u00e1rio j\u00e1 nesta semana, Marquezelli diz que a aprecia\u00e7\u00e3o do reajuste ficar\u00e1 para os primeiros meses do ano, assim como a pe\u00e7a or\u00e7ament\u00e1ria de 2011. Mas o Senado tem de ser avisado antes e decidir se aceita votar uma medida recorrentemente vista como impopular, em raz\u00e3o da disparidade secular de distribui\u00e7\u00e3o de renda no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cTem de ser uma coisa combinada com o Senado. N\u00e3o creio que eles [os deputados] v\u00e3o querem apanhar sozinhos da opini\u00e3o p\u00fablica, depois da repercuss\u00e3o na imprensa. Se o Senado n\u00e3o sinalizar que quer votar, n\u00e3o acho que eles levem a ideia adiante\u201d, disse \u00e0 reportagem um regimentalista do Congresso, que prefere n\u00e3o ser identificado.<\/p>\n<p><strong>Obscuridade<\/strong><\/p>\n<p>Voz dissonante da quase totalidade dos integrantes da C\u00e2mara, o deputado Chico Alencar (Psol-RJ) estranhou a realiza\u00e7\u00e3o da reuni\u00e3o desta ter\u00e7a-feira (14). \u201c\u00c9 a velha tradi\u00e7\u00e3o de, no apagar das luzes, levar \u00e0 vota\u00e7\u00e3o coisas obscuras\u201d, declarou ao site o parlamentar fluminense, lembrando que seu partido defende, \u201cdesde 2003\u201d, que os reajustes parlamentares sejam submetidos \u00e0 m\u00e9dia do que \u00e9 concedido a todo o funcionalismo p\u00fablico, ou com base na reposi\u00e7\u00e3o da perda inflacion\u00e1ria anual.<\/p>\n<p>Segundo Chico, dorme nas gavetas da C\u00e2mara a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o 207\/2003, apresentada pelo Psol um ano depois de o STF ter declarado a inconstitucionalidade da tentativa de a C\u00e2mara aumentar os subs\u00eddios por meio de ato da Mesa Diretora. O deputado diz que a PEC define crit\u00e9rios claros de reajuste a ser concedido para o exerc\u00edcio da legislatura seguinte, \u201ccom redu\u00e7\u00e3o de outros gastos da C\u00e2mara\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPor que tem de equiparar [aos vencimentos dos ministros do Supremo]? Nossa remunera\u00e7\u00e3o permite um bom exerc\u00edcio do mandato. Mas parece que tem coleguinhas que n\u00e3o pensam assim&#8230;\u201d, lamentou Chico, para quem \u201cpenduricalhos\u201d como a verba indenizat\u00f3ria, que custa R$ 15 mil aos cofres p\u00fablicos, s\u00e3o \u00fateis, mas apenas \u201cpara quem n\u00e3o \u00e9 rico\u201d.<\/p>\n<p>A PEC 207\/2003 (<a href=\"http:\/\/www.camara.gov.br\/sileg\/MostrarIntegra.asp?CodTeor=184944\">confira a \u00edntegra<\/a>) acrescenta par\u00e1grafo ao artigo 39 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, fixando crit\u00e9rios para a revis\u00e3o dos subs\u00eddios dos membros de Poder e demais representantes de cargos eletivos, ministros e secret\u00e1rios estaduais e municipais.<\/p>\n<p>\u201cConscientes da necessidade dessas provid\u00eancias austeras, n\u00e3o podem os membros de Poder, os detentores de mandato eletivo, os ministros de Estado e os secret\u00e1rios estaduais e municipais, part\u00edcipes da condu\u00e7\u00e3o dos altos des\u00edgnios do Estado Brasileiro, furtarem-se a colaborar com o esfor\u00e7o de redu\u00e7\u00e3o dos gastos p\u00fablicos\u201d, diz trecho da proposta que, protocolada em 19 de dezembro de 2003 na Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a da C\u00e2mara, teve como a\u00e7\u00e3o mais recente a designa\u00e7\u00e3o, em 25 de mar\u00e7o de 2009, do deputado Jos\u00e9 Carlos Aleluia (DEM-BA) como seu relator. O detalhe \u00e9 que Aleluia n\u00e3o se reelegeu. Logo, n\u00e3o relatar\u00e1 a mat\u00e9ria.<\/p>\n<p><strong>Efeito cascata<\/strong><\/p>\n<p>Um dos problemas no modelo atual de concess\u00e3o de reajuste para membros da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e9 o chamado \u201cefeito cascata\u201d \u2013 em que o aumento tem de ser estendido \u00e0s demais categorias em c\u00e2maras municipais, assembleias legislativas etc, como determina a Constitui\u00e7\u00e3o. Segundo a legisla\u00e7\u00e3o em vigor, deputados estaduais t\u00eam direito a at\u00e9 95% dos rendimentos pagos aos colegas de Bras\u00edlia, enquanto vereadores t\u00eam seus subs\u00eddios definidos entre 20% e 75% do que \u00e9 pago aos estaduais. O aumento no contracheque no Legislativo federal pode beneficiar mais de 52 mil vereadores e mil deputados estaduais em todo Brasil.<\/p>\n<p>Mas, se depender de nomes como o presidente nacional do PSDB, senador S\u00e9rgio Guerra (PE), a mat\u00e9ria deve passar tamb\u00e9m pelo Senado. \u201cDeve haver reajuste, \u00e9 hipocrisia pensar diferente. E o Senado deve participar das discuss\u00f5es\u201d, disse o senador.<\/p>\n<p>Opini\u00e3o diferente tem o l\u00edder do Psol no Senado, Jos\u00e9 Nery (PA). \u201cEm tempos em que se fala de conten\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos, eu creio que simplesmente reajustar o sal\u00e1rio para este patamar n\u00e3o seja a melhor medida neste momento\u201d, observou Nery, que vai participar da aprecia\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria para a pr\u00f3xima legislatura, mas tamb\u00e9m n\u00e3o retorna ao Senado.<\/p>\n<p>Para o senador, tais reajustes est\u00e3o na contram\u00e3o da austeridade fiscal de que o pa\u00eds necessita em \u00e9pocas de transi\u00e7\u00e3o de governo. Ele criticou tamb\u00e9m a forma como a discuss\u00e3o \u00e9 feita na C\u00e2mara. \u201cInfelizmente, essa tem sido uma pr\u00e1tica que, volta e meia, tem desafiado o bom senso. Seria de bom tom cortar esses reajustes, sobretudo para os parlamentares, que j\u00e1 est\u00e3o bem contemplados\u201d, acrescentou, resignando-se em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 chegada da mat\u00e9ria no Senado.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, [o texto do reajuste] vai ser aprovado de qualquer maneira quando chegar aqui\u201d, concluiu, reclamando ainda do abismo entre o sal\u00e1rio m\u00ednimo e os altos subs\u00eddios da administra\u00e7\u00e3o federal. \u201c[O m\u00ednimo] est\u00e1 muito distante do patamar que o pr\u00f3prio Dieese [Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos] historicamente defende, bem como as centrais sindicais, que est\u00e3o em sintonia com as causas trabalhistas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Or\u00e7amento bilion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>C\u00e2mara e Senado ter\u00e3o or\u00e7amento previsto em R$ 7,4 bilh\u00f5es para 2011, segundo a proposta de diretrizes or\u00e7ament\u00e1rias em an\u00e1lise no Congresso. Isso significa 20% a mais do que foi reservado na proposta or\u00e7ament\u00e1ria do ano passado. Apenas na C\u00e2mara, o reajuste significar\u00e1 um impacto extra de R$ 130 milh\u00f5es anuais, a variar de acordo com o reajuste final aprovado.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 um problema de \u00faltima hora. A Comiss\u00e3o Mista de Or\u00e7amento (CMO), que re\u00fane deputados e senadores, ter\u00e1 de decidir como solucionar\u00e1 as implica\u00e7\u00f5es do an\u00fancio feito pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, de reestimativa de arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria para baixo \u2013 previs\u00e3o de corte de R$ 8 bilh\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao projeto original encaminhado aos parlamentares.<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<br \/>\n<\/strong><a href=\"http:\/\/congressoemfoco.uol.com.br\/noticia.asp?cod_canal=1&amp;cod_publicacao=35533\">Pauta do Congresso: 10 MPs e restri\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria<br \/>\n<\/a><br \/>\nA inten\u00e7\u00e3o de reajuste em discuss\u00e3o na C\u00e2mara tamb\u00e9m vai levar \u00e0 altera\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios do presidente da Rep\u00fablica (134%), que hoje \u00e9 de R$ 11,4 mil, e dos ministros de Estado (130%), que recebem R$ 10,7 mil mensalmente. Ou seja, a proposta em gesta\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara pode fazer com que a presidente eleita Dilma Rousseff receba mais do que o dobro do que o que foi registrado, nos \u00faltimos oito anos, no contracheque do presidente Lula.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<em><strong>Congresso em Foco<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria se repete. Nos \u00faltimos lances do ano legislativo, os parlamentares\u00a0 preparam um reajuste que pode elevar de R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil os seus pr\u00f3prios sal\u00e1rios. Um reajuste de, nada mais nada menos, 62,5%, a incidir j\u00e1 no primeiro contracheque de janeiro de 2011. 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