{"id":24153,"date":"2010-12-06T07:40:05","date_gmt":"2010-12-06T10:40:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=24153"},"modified":"2010-12-06T07:40:05","modified_gmt":"2010-12-06T10:40:05","slug":"violencia-contra-menina-sequestrada-em-sp-impressiona-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/12\/06\/violencia-contra-menina-sequestrada-em-sp-impressiona-especialistas\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia contra menina sequestrada em SP impressiona especialistas"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Do G1 SP<\/strong><\/em><\/p>\n<div id=\"materia-letra\">\n<div>\n<p>A viol\u00eancia vivida pela menina de oito anos mantida por duas semanas em c\u00e1rcere privado e sob agress\u00e3o sexual de um homem adulto, namorado da prima que a sequestrou, impressionou at\u00e9 mesmo profissionais que est\u00e3o acostumados a lidar com v\u00edtimas de viol\u00eancia. Presa dentro de um guarda-roupa, a menina s\u00f3 conseguiu escapar do cativeiro porque achou um aparelho de telefone celular esquecido pelo sequestrador e acionou a pol\u00edcia, que a libertou no domingo (28). A prima dela, adolescente, foi recolhida \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Casa. O homem que a agrediu, foragido da Penitenci\u00e1ria de Trememb\u00e9, continua \u00e0 solta.<!--more--><\/p>\n<p>Mestre em sa\u00fade materno-infantil e integrante do n\u00facleo de viol\u00eancia sexual do Hospital P\u00e9rola Byington, a psic\u00f3loga Daniela Pedroso disse ao <strong>G1 <\/strong>que atende dezenas de v\u00edtimas por dia, mas nunca viu nada parecido em em mais de uma d\u00e9cada de experi\u00eancia. Daniela comparou o epis\u00f3dio ao enredo do filme &#8220;Sil\u00eancio dos Inocentes&#8221; (1991), no qual as v\u00edtimas s\u00e3o encarceradas por um man\u00edaco. &#8220;Essa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o at\u00edpica e de extrema viol\u00eancia. Esse caso foge muito do padr\u00e3o&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Professor de Psiquiatria da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e coordenador do Programa de Atendimento e Pesquisa em Viol\u00eancia (Prove), Marcelo Feij\u00f3 de Mello compara a agress\u00e3o sofrida pela menina \u00e0 viol\u00eancia que tirou a vida do garoto Jo\u00e3o H\u00e9lio, morto em fevereiro de 2007 no sub\u00farbio do\u00a0 Rio de Janeiro, ao ser arrastado pelo cinto de seguran\u00e7a ap\u00f3s o carro da fam\u00edlia ser levado por assaltantes em fuga.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 uma coisa brutal e b\u00e1rbara, um ato horr\u00edvel. Infelizmente acontece, mas a gente classifica como um ato b\u00e1rbaro de uma pessoa n\u00e3o tem respeito pelo outro, pela humanidade. Faz sem pensar nas consequ\u00eancias que isso vai ter em uma crian\u00e7a de oito anos. \u00c9 igual aquele que arrastou o menino Jo\u00e3o H\u00e9lio pelo carro. \u00c9 uma coisa incompreens\u00edvel&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Livre do cativeiro, a menina aceitou contar o que viveu, mas rejeitou dar detalhes sobre o que o homem fazia com ela. &#8220;Isso est\u00e1 mostrando que tem alguma coisa muito traum\u00e1tica, que est\u00e1 incomodando muito essa crian\u00e7a e que ela n\u00e3o quer revelar porque s\u00f3 de falar pode ter que lembrar e isso gera mal-estar. Outras vezes tem uma amn\u00e9sia, uma coisa t\u00e3o traum\u00e1tica que ela apaga da mem\u00f3ria, mas fica com a impress\u00e3o de que algo de muito ruim ocorreu l\u00e1. Pode ser tamb\u00e9m a s\u00edndrome de Estocolmo, segundo a qual a v\u00edtima acaba fazendo uma rela\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica com o sequestrador. \u00c9 sinal de que essa crian\u00e7a precisa ser tratada&#8221;, afirmou o professor Mello.<\/p>\n<p>Para a psic\u00f3loga Daniela, a rea\u00e7\u00e3o da menina pode ser interpretada de duas maneiras: &#8220;Ou simplesmente porque ela n\u00e3o quer falar sobre o que lhe aconteceu, pela pr\u00f3pria quest\u00e3o da viol\u00eancia sexual, ou porque, em alguns casos, as amea\u00e7as sofridas s\u00e3o t\u00e3o intensas e reais para a crian\u00e7a, que faz com que ela se cale diante do ocorrido e n\u00e3o verbalize nem ap\u00f3s o fato vir \u00e0 tona. Em alguns casos, o agressor amea\u00e7a a crian\u00e7a, dizendo que, se ela falar, sua m\u00e3e ir\u00e1 morrer. E isso \u00e9 o suficiente para calar a crian\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga e o psiquiatra s\u00e3o un\u00e2nimes ao afirmar que a menina precisa de tratamento adequado, sob pena de ficar doente agora ou mais tarde, quando adulta.<\/p>\n<p>&#8220;O abuso sexual \u00e9 uma viol\u00eancia muito grave porque \u00e9 uma atitude de imposi\u00e7\u00e3o muito forte, um evento muito traum\u00e1tico. O poder que tem de desestruturar uma pessoa, no caso uma crian\u00e7a, que ainda tem menos recursos, \u00e9 muito grande. H\u00e1 grande chance de que essa crian\u00e7a possa desenvolver j\u00e1 no primeiro m\u00eas um quadro de transtorno de estresse agudo ou em algum tempo transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico&#8221;, disse o professor Mello.<\/p>\n<p>&#8220;A gente sabe que o abuso sexual \u00e9 um fator de risco para o desenvolvimento de doen\u00e7a mental muito grande. Pode ficar doente agora ou criar uma marca que pode fazer que ela tenha problema mais tarde&#8221;, complementou. Segundo Mello, entre os adultos atendidos pelo Prove o maior fator de impacto s\u00e3o assaltos a m\u00e3o armada. Entre as crian\u00e7as, \u00e9 a viol\u00eancia sexual.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga Daniela afirma que &#8220;se n\u00e3o forem cuidados, v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual podem apresentar dificuldades de relacionamento interpessoal, maior risco de envolvimento com drogas l\u00edcitas e il\u00edcitas, gravidez na adolesc\u00eancia, comportamentos \u00e0 margem da sociedade e epis\u00f3dios de depress\u00e3o ao longo da vida.&#8221;<\/p>\n<p>O tratamento, entretanto, pode atenuar as marcas da viol\u00eancia, embora seja quase imposs\u00edvel apag\u00e1-las. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel se minimizar os efeitos da viol\u00eancia sexual sofrida, desde que a crian\u00e7a receba acompanhamento psicol\u00f3gico e sinta-se acolhida e amparada por sua fam\u00edlia, comunidade e escola&#8221;, disse Daniela Pedroso. De acordo com ela a abordagem psicol\u00f3gica \u00e9 realizada atrav\u00e9s de atividades l\u00fadicas, que envolvem brincadeiras, jogos e atividades gr\u00e1ficas.<\/p>\n<p>O professor Mello afirma que o tratamento deve come\u00e7ar o quanto antes. &#8220;N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel apagar da mem\u00f3ria, sempre vai ter essa experi\u00eancia. Mas muitas vezes a gente consegue fazer com que no curso do tratamento a pessoa at\u00e9 consiga sair mais forte de uma coisa traum\u00e1tica desse tipo. Tem de ser tratado o quanto antes. A abordagem \u00e9 multiprofissional, com m\u00e9dico, psic\u00f3logo, assistente social, psicoterapia e \u00e0s vezes at\u00e9 medica\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do G1 SP A viol\u00eancia vivida pela menina de oito anos mantida por duas semanas em c\u00e1rcere privado e sob agress\u00e3o sexual de um homem adulto, namorado da prima que a sequestrou, impressionou at\u00e9 mesmo profissionais que est\u00e3o acostumados a lidar com v\u00edtimas de viol\u00eancia. Presa dentro de um guarda-roupa, a menina s\u00f3 conseguiu escapar do cativeiro porque achou um aparelho de telefone celular esquecido pelo sequestrador e acionou a pol\u00edcia, que a libertou no domingo (28). A prima dela, adolescente, foi recolhida \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Casa. 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